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PERGUNTE e RESPONDEREMOS - 048 - dezembro de 1961

 

VERDADEIRO E FALSO FEMINISMO

FILOSOFIA E RELIGIÃO

SDIONE (São Paulo): «Não é necessário que o segundo sexo seja tido como sexo frágil, lembra Simone de Beauvoir. O casamento e a maternidade parecem meros meios de sujeição da mulher.

Não seriam sinal de maturidade do pensamento contemporâneo as tendências feministas que propalam a emancipação da mulher (principalmente nas suas relações com o marido e a prole) assim como a equiparação da mulher ao varão na vida pública ?»

 

O feminismo moderno, tendendo a igualar de maneira quase absoluta a mulher ao varão, merece sérias reservas por parte da consciência cristã, pois em última análise contradiz a ditames da natureza; em vez .de mais valorizar a mulher, concorre em não poucos casos para a vilipendiar.

A fim de consolidar esta afirmação, lembraremos abaixo os principais pontos em que realmente a natureza diferencia o varão e à mulher, exigindo respeito e coibindo exageradas tendências ao nivelamento.

 

1. Diferença psicológica

 

À fisiologia característica do varão e da mulher corresponde um psiquismo ou uma atitude de alma característica de cada um dos dois sexos.

 

Com efeito; dir-se-ia que a mulher existe normalmente para ser mãe, mãe no sentido físico ou, ao menos, no sentido espiritual. Observa-se mesmo que a mulher é muito mais marcada pela vocação à maternidade do que o varão pela vocação à paternidade; a mulher está toda (física e psiquicamente) voltada para a prole, de sorte que, mesmo quando não é mãe no sentido físico, ela tende sempre a exercer uma maternidade espiritual Aliás, S. Paulo ensinava que a mulher se resgata pela maternidade (cf. 1 Tim 2,16).

 

Tal característica do sexo feminino explica bem esta outra nota típica: o amor e a afetividade marcam, profundamente a personalidade da mulher; ela costuma dedicar-se, com toda a alma e todo , o ser, ao objeto de seu amor, de modo que os choques afetivos nela repercutem intensamente; ás decepções na vida de amor sacodem-na com veemência, podendo deixá-la desconsertada. Por isto também se verifica que a mulher, ao se perverter no amor, pode fàcilmente chegar aos requintes extremos da corrupção; doutro lado, quando ela ama genuinamente, ama não raro com rasgos de nobreza e heroísmo extraordinários.

 

O varão, ao contrário, embora costume ter vontade imperiosa e desejos violentos, é muito menos condicionado (quer no físico, quer no psíquico) pela função sexual; o exercício do amor nele não desencadeia consequências tão duradouras e decisivas. A sua sensibilidade é menos atingida pelo amor sexual. O varão é mais caracterizado pela responsabilidade do ganha- -pão ou da luta profissional; dir-se-ia que a sua função típica é a de arrimo da família. Isto implica, no varão, capacidade de raciocinar geralmente clara e muito lógica, assim como vontade forte e tenaz ao encalço do seu objetivo. Consequentemente o homem é capaz de esforços físicos que chamam a atenção e que a mulher geralmente não pode sustentar.

 

Contudo, se a mulher carece da constância necessária para muitos trabalhos penosos, há certos setores em que ela se revela mais perseverante e, por isto, mais eficaz do que o homem. Sim; observam os estudiosos ser difícil encontrar um varão que iguale a mulher na tarefa de «pacientar» junto à cabeceira de um doente. Mais ainda: se a mulher não possui a lógica e a rigidez de raciocínio que caracterizam o homem, ela tem, muito mais do que 0 varão, o sentido do real e concreto — o que certamente é de grande vantagem na vida social.

 

«Em presença de uma criança recém-nascida, o varão pensa logo na maneira de a fazer entrar na engrenagem das tarefas temporais, indagando: 'Que profissão exercerá? Que carreira seguirá?'. A mulher toma atitude preferível, preocupando-se antes com a situação pessoal do pequenino: 'Será ele feliz?'. A mulher está voltada para as pessoas mais do que para as coisas ou as estruturas; e isto, em virtude da sua capacidade própria de intuição, que muitas vezes se engana mas não raro acerta. O homem julga um orador político pelas ideias e o programa que este propõe, deixando-se seduzir pelo encanto da voz ou do gesto; mas nem sempre avalia com acerto. Os ditadores modernos não seduziram unicamente o elemento feminino dos povos que eles levaram à ruína» (H. Rondet, Éléments pour une théologie de la femme, em «Nouvelle Revue Théologique» 79 [1957] 937).

 

Pelo seu papel materno, a mulher, ainda que permaneça oculta no lar, contribui poderosamente para dar configuração à sociedade. É ela quem imprime aos futuros cidadãos os primeiros traços de educação justamente nos anos de infância, em que as almas são mais dóceis e maleáveis: um cristão, um sacerdote, um pai e esposo reproduzem muitas vezes os valores ora mais pronunciados, ora mais atenuados, de suas respectivas genitoras.

 

O Imperador Napoleão Bonaparte podia dizer: «É à minha mãe e aos seus bons princípios que devo minha carreira e todo o bem que tenha praticado».

 

2. Diferença social

 

A personalidade feminina, sendo diferente da masculina, como acabamos de ver, destina-se naturalmente a exercer outras funções na sociedade; em consequência, atribuir à mulher encargos que se atribuem ao varão, está longe de significar engrandecimento e nobilitação, antes equivale a cometer injustiça e ofender a dignidade feminina.

 

O setor de trabalhos da mulher é, por excelência, o lar, no qual ela deve promover harmonia e brilho, interessando-se pelo marido e os filhos. Compreende-se bem isto à luz de quanto até aqui foi dito.

 

Não se poderiam, porém, limitar as atividades da mulher ao lar apenas. É oportuno que tenha o olhar aberto para as indigências do ambiente em que ela vive, tomando certa parte nos trabalhos do marido.

 

Uma esposa de industrial ou comerciante, por exemplo, pode, com vantagem geral, interessar-se pelo bem dos funcionários e empregados da firma respectiva. Caso o marido seja propenso a raciocinar com demasiada frieza, levando em conta principalmente números, estatísticas e valores inanimados, a mulher lhe fará ver que também estão interessadas na empresa pessoas e famílias, as quais merecem tratamento proporcional àquele que os patrões dispensam a si e aos seus no respectivo lar.

 

Verifica-se outrossim que os regimes de economia e vida social contemporâneos libertaram a mulher de vários afazeres domésticos (hoje os serviços de casa, como limpeza de aposentos, preparação das refeições, lavanderia... tendem a ser mais e mais funcionais, simples e rápidos)... Isto lhe permite dedicar-se a tarefas que se vão abrindo fora do lar e que o curso da vida moderna tem suscitado com exigências imperiosas; são tarefas que parecem requisitar urgentemente a colaboração da mulher, como assistência social, as modalidades de educação especializada, a enfermagem, a ginecologia, a medicina de crianças, etc. Mais ainda: a insuficiência de salário dos maridos e o celibato obrigatório (devido ao excedente de mulheres em relação aos homens, principalmente após as guerras) obrigam frequentemente a mulher a se empregar, trabalhando fora do lar. Compreende-se assim, sem dificuldade, que a mulher venha a exercer uma atividade pública; contudo não toda e qualquer carreira ou profissão lhe convém: policia, exército, trabalho de minas, condução de veículos públicos, etc., não constituem o ambiente proporcionado à personalidade da mulher; tomam-se mesmo ocasião de ruína física e moral para ela.

 

Deve-se observar que a liberdade precoce (em matéria de horários e orçamentos) de que a donzela vem a gozar em relação a seus pais pelo fato de estar trabalhando fora de casa e perceber salário,, exige receba educação muito sólida e adequada, a fim de que não abuse dessa liberdade.

 

Dito isto, faz-se mister frisar: não resta dúvida de que as tarefas que mais estima devem merecer da parte da mulher e mais honra lhe podem proporcionar, são as incumbências de esposa e mãe, as quais têm lugar, por excelência, no lar.

 

Quanto ao sufrágio feminino nas eleições políticas, é algo que a consciência cristã não somente aceita, mas hoje em dia recomenda, pois se crê que as mulheres, por seu temperamento especial, constituirão sempre um esteio de harmonia e paz entre os homens e os povos, equilibrando assim as tendências mais violentas e, por vezes, apaixonadas dos varões.

 

É o que S. Santidade o Papa Pio XII recordava em sua alocução proferida ao XIII Congresso da União Mundial das Organizações Femininas Católica"s, no dia 24 de abril de 1952:

 

«Há também para a mulher uma atividade exterior pois, se em outros tempos a influência da mulher se limitava ao lar e às cercanias do lar em nossa época ela se estende (agrade isto ao publico ou não) a um domínio cada vez mais vasto da vida social e pública,, ou seja, aos Parlamentos, aos tribunais, ao jornalismo, às diversas profissões, ao mundo do trabalho. .Contribua a mulher em cada um desses setores com a sua obra de paz! Se realmente todas as mulheres movidas pelo sentimento inato que lhes faz detestar a guerra, desenvolvessem uma atividade concreta para evitar os conflitos armados, seria impossível que a coordenação de tantos esforços não atingisse o seu objetivo» («Acta Apostolicae Sedis» XLIV [1952] 423).

 

Sabemos que o direito de voto foi reconhecido às mulheres paulatinamente no inicio deste século: na Finlândia, em 1907; na Noruega. em 1913; na Dinamarca, na Suécia e na Holanda, em 1915; nos Estados Unidos da América, em 1920; na Itália, .em 1946; na França de maneira precária em 1914, de maneira eficaz e genuína em 1946.

Para encerrar estas considerações atinentes a tarefas sociais' da mulher, vão aqui transcritas algumas sugestões que poderão servir para ilustrar o tema:

 

«Atualmente a monotonia de certas tarefas que se fazem em série, é menos, penosa para a mulher, que, mais fàcilmente do que o varão, é capaz de realizar um trabalho quase mecânico com as mãos, aplicando simultaneamente o seu pensamento a outros objetivos. Nossas avós pensavam em mil coisas enquanto faziam seu tricô ou sua tecelagem. Cabe às mulheres instituir seus inquéritos a tal propósito e dar-nos as respectivas conclusões.

 

Dentre as profissões liberais, as tarefas do magistério ficarão sempre franqueadas às mulheres; seria mesmo desejável que a instrução dos meninos lhes fosse confiada em mais larga escala. Nos Estados Unidos, as escolas primárias católicas estão em mãos de Religiosas; a juventude jamais o lamentou.

 

A mulher será sempre melhor enfermeira do que o homem, porque, nos casos de serem ambos igualmente competentes, ela contribui com a paciência, a dedicação e mesmo a resistência física necessária às vigílias, que constituem o apanágio do sexo feminino. As tarefas de cirurgião e de dentista mais pertencem à alçada do homem. A carreira do médico não deverá ser acessível sem restrição às mulheres; contudo há algumas especializações em que estas levam vantagem: assim, suposta igual competência de varão e mulher, a mulher há de ser mais solícita para cuidar de crianças anormais ou retardadas, assim como de bebês e anciãos. A mulher é essencial mente mãe... mesmo não sendo mãe segundo a carne, ela o ficará sendo segundo o espírito| Há hoje mulheres na advocacia e nos tribunais. É desejável que lhes confiem a defesa dos menores e que se assentem de preferência nos tribunais de jovens.

 

Dever-se-ia preconizar o acesso das mulheres aos cargos de prefeito, ministro, embaixatriz? A norma habitual servirá de critério para resolver a questão: a mulher vê a realidade concreta, o bem das pessoas... Ela filosofa pouco sobre a história do mundo, mas interessa-se calorosamente pela história das pessoas, pelos fatores capazes de tornar os indivíduos felizes ou infelizes. Seria para desejar que as leis estipulassem em cada conselho municipal, em cada conselho geral, mesmo em todas as câmaras de representantes do povo, certo número de lugares reservados às mulheres, lugares aos quais se prenderia o exercício da função essencial das mulheres, que é a maternidades (Rondet, art. cit. 939s).

 

A diferença social, que acaba de ser recordada, é acompanhada ainda pela

 

3. Diferença religiosa

 

Verdade é que o varão e a mulher possuem igualmente alma religiosa. Contudo a religiosidade no ser humano não é angélica..., não é independente das reações e manifestações do corpo; ao contrário, solicita o homem inteiro, aproveitando as qualidades que cada individuo fornece para dar glória a Deus e santificar-se a si mesmo. Assim se explica, que a piedade d& mulher se configure de modo diverso do que caracteriza a piedade do varão.

 

A mulher, muito dada à ternura do amor e à intuição imediata da realidade, lembra o Amor Divino ou a terceira Pessoa da SSma. Trindade — o Espírito Santo. O varão, antes propenso à lógica e à clareza do raciocínio, representa melhor a Sabedoria Divina, ou seja, a segunda Pessoa da SSma. Trindade — o Verbo de Deus.

 

Daí se segue a diversidade de funções religiosas que tocam naturalmente ao varão e à mulher: o homem é chamado para os cargos de chefia, representando diretamente o Cristo, seja como. marido no lar, seja como sacerdote na hierarquia da Igreja. A mulher é, antes, destinada a representar o comportamento receptivo e fecundante que cabe à humanidade frente a Deus e a Cristo: -a mulher simboliza, sim, a Igreja, que recebe de Cristo as graças sobrenaturais da Redenção e as transmite ao mundo (desempenhando um papel de mãe) de maneira pura, incontaminada (desempenhando um papel de virgem).

 

À mulher não convém o exercício do sacerdócio cristão, pois este implica uma posição de chefia ou de representação de Cristo Cabeça. Ora para tal encargo o Criador se dignou adaptar não a natureza da mulher, mas a do varão. Esta conclusão é corroborada pelos dizeres do Novo Testamento analisados em «P. R.» 42/1961, qu. 2.

 

Importa agora acentuar que o reconhecimento das diferenças acima apontadas de modo nenhum significa seja a mulher tida, pelo Cristianismo, como criatura secundária em relação ao varão. A visão cristã apenas insiste em que, embora varão e mulher reproduzam ambos a imagem de Deus, cada um o faz de maneira inconfundível, de sorte que seria ofensa ao Criador, e detrimento para as criaturas, querer em tudo equiparar as atividades do homem e da mulher na sociedade.

 

Diga-se, por conseguinte, alguma coisa sobre a igual dignidade de varão e mulher tal como a entende o Cristianismo.

 

4. Apesar de tudo, igual dignidade...

 

1. O Evangelho, entrando no mundo, reabilitou a dignidade da mulher até então depreciada.

Tida como auxiliar condigna do varão (cf. Gên 2,18), a mulher é, à luz da Teologia, portadora da imagem de Deus, chamada, como o homem, a ser membro vivo do Corpo Místico de Cristo e a gozar da eterna visão de Deus na bem-aventurança celeste; apenas lhe competem aqui na terra funções diferentes das do varão no âmbito da sociedade religiosa (Igreja) e civil. Em uma palavra: o Cristianismo reconhece que a mulher constitui o sexo fraco (ao menos no sentido físico), não, porém, sexo secundário ou menos digno de estima do que o sexo forte ou viril.

 

É São Paulo quem proclama:

«Todos vós sois filhos de Deus..., pois todos, batizados em Cristo, revestistes o Cristo; já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem varão nem mulher, pois todos constituis um só em Cristo» (Gál 3,26-28).

Com estas palavras, o Apóstolo não pretende negar a diversidade de funções — que ele alhures no seu epistolário sublinha —, mas, antes, rejeitar o modo de pensar antigo, que menosprezava a mulher e o escravo, pelo simples fato de serem mulher e escravo.

 

Assim, no tocante ao casamento,- por exemplo, a Moral cristã ensina que o que é proibido à mulher, é igualmente proibido ao homem; não pode haver condescendência para com os males morais de quem quer que seja.

 

A civilização pagã anterior à de Roma reconhecia ao marido, e ao marido só o direito de pleitear divórcio, sem levar em conta o ponto de vista da mulher — o que naturalmente significava menosprezo para com esta. A legislação de Roma pagã já exigia o consentimento livre da mulher para proceder ao divórcio. Finalmente as normas matrimoniais do Cristianismo impuseram o ideal do casamento indissolúvel — o que exige mútua doação integral de marido e mulher.

 

O ideal da mulher cristã vem a ser Maria Santíssima em seu tríplice aspecto de virgem, esposa e mãe; valorizando Maria, a Igreja dá um dos mais eloquentes testemunhos de quanto Ela estima a mulher.

 

«Nem Atenas, nem Roma, luzeiros de civilização... conseguiram, pelas altas especulações da filosofia ou pela sabedoria de suas leis, elevar a mulher à altura que convém à sua natureza. Ao invés, o Cristianismo em primeiro lugar, e ele só, descobriu e cultivou na mulher missões e tarefas que são o verdadeiro fundamento da dignidade feminina e o motivo da mais autêntica exaltação... Assim aparecem e se afirmam, na civilização cristã, novos tipos de mulheres, como o tipo de mártir da religião, de santa, de apóstola, de virgem, de promotora de amplas renovações, de consoladora de todos os sofrimentos humanos, de amparo das almas perdidas, de educadora. À medida aue se vão manifestando as novas indigências sociais, a missão benéfica da mulher se expande, e a mulher cristã se torna, como a- bom direito é o caso hoje em dia, não menos do que o varão, um fator necessário de civilização e progresso» (Pio XII, Alocução ao XIII Congresso da União Mundial das Organizações Femininas Católicas, proferida aos 24 de abril de 1952).

 

2. Com vistas em particular ao livro de Simone de Beauvoir («Le deuxième sexe»), seja licito repetir; a visão otimista que o Cristianismo desvenda sobre a mulher, de modo nenhum implica esquecimento das diferenças psicossomáticas vigentes entre os dois sexos. Tais diferenças, incutidas pela natureza mesma, ou seja, pelo Criador, não poderão ser negligenciadas sem que haja detrimento para a própria dignidade de ambos os sexos; a salvaguarda e a expansão da nobreza feminina estão justamente no respeito às capa-, cidades e às limitações que a natureza impõe à mulher. É dentro da linha de suas aptidões naturais, e somente dentro desta, que cada criatura atinge a sua verdadeira grandeza. Por conseguinte, a especial dedicação da mulher aos afazeres de esposa e mãe no lar, assim como as restrições feitas à sua intervenção em certas tarefas da vida pública, estão longe de significar servilismo para a natureza feminina; constituem, ao contrário, o roteiro que a mulher deverá levar em conta para conseguir seu ideal... o seu genuíno «feminismo».

 

Vão aqui transcritas oportunas palavras de Pio XII a tal propósito:

«Na sua dignidade pessoal de filhos de Deus, o homem e a mulher são absolutamente iguais, como também no tocante ao fim último da vida humana, que é a eterna união com Deus na bem-aventurança celeste. Constituirá motivo de glória perene para a Igreja o fato de ter chamado a atenção e a estima de todos para esta verdade, libertando assim a mulher de degradante servidão contrária à natureza. Todavia o homem e a mulher não podem conservar e aperfeiçoar essa sua dignidade a menos que respeitem e desenvolvam as qualidades particulares que a natureza outorgou a um e a outra; tais qualidades, físicas e espirituais, são indestrutíveis, de tal modo que, todas as vezes que alguém as tente violar, a natureza mesma se encarrega de as restaurar» (Alocução às Delegadas das Associações Católicas da Itália, proferida aos 21 de outubro de 1945).

 

De outro lado. ninguém fará questão de afirmar que a mulher é intelectualmente inferior ao homem, afirmação esta que Simone de Beauvoir combate. O fato de que o sexo feminino, no decorrer da história, não tenha dado a ciência tantos nomes famosos quantos deu o sexo masculino, é muito acidental; deve-se,- em grande' parte, ao regime educacional dos tempos passados: a mulher era então preparada quase exclusivamente para os deveres de dona de casa, não para os estudos. Isto não quer dizer que ela não possua notáveis dotes para a vida intelectual; a história contemporânea aponta mesmo os nomes de grandes pioneiras femininas nos setores das pesquisas cientificas e da cultura em geral. Contudo parece que também na linha da intelectualidade há ocupações que mais convêm ao homem do que à mulher; quais seriam essas tarefas, eis o que a experiência, e não a teoria forjada de antemão, deve dizer.

 

3. Por fim, pode-se notar que, se os movimentos feministas modernos suscitaram atitudes reservadas por parte de pensadores católicos, isto se deve ao fato de terem sido tais movimentos frequentemente encabeçados por arautos materialistas, em particular socialistas ou marxistas, os quais faziam da «emancipação da mulher» um aspecto da «luta de classes» revolucionária. Na verdade, a emancipação da mulher tem sido (e ainda é em nossos dias) muitas vezes planejada dentro de quadros ateus tendentes ao socialismo exagerado e ao comunismo.

 

No século passado, por exemplo, o socialista Saint-Simon (+1825) e seus discípulos eram enérgicos porta-vozes da emancipação da mulher, visando sem dúvida mitigar a sorte das numerosas operárias que então trabalhavam nas fábricas sob um regime muito pouco humano. Contudo verifica-se que a forma socialista-marxista de emancipação é de todo ilusória: desarraiga do lar a esposa e mãe, tornando-a. mero órgão de reprodução da sociedade; numa nação socialista, a mulher, depois de gerar a prole, a entrega ao Estado, que se encarrega da educação das crianças; entrementes a mãe de família vai ocupar de novo seu lugar na fábrica ou na oficina, equiparada ao varão no pior sentido que esta expressão possa ter.

 

Em 1945 o Santo Padre o Papa Pio XII denunciava o interesse pouco construtor que os listados totalitários têm na «libertação da mulher»:

 

«Para a mulher voltam-se vários movimentos políticos, a fim de a ganhar para a sua causa. Alguns sistemas totalitários lhe põem ante os olhos estupendas promessas: paridade de direitos com o homem; proteção às gestantes e parturientes; cozinha e outros serviços comunitários que a libertem do peso dos cuidados domésticos, jardins de infância públicos e outras instituições mantidas e administradas pelo Estado... a fim de a eximir dos deveres maternos para com os próprios filhos, escolas gratuitas, assistência médica em casos de doença...

 

Não intencionamos negar as vantagens que se possam originar de uma ou outra dessas medidas sociais, desde que sejam aplicadas dentro das devidas proporções... Contudo ainda continua aberta a questão essencial: ter-se-á assim melhorado a condição da mulher? A paridade de direitos com o homem, fazendo a mulher abandonar a casa, onde ela era rainha, sujeitou-a ao mesmo fardo e tempo de trabalho. Tem-se desprezado a sua verdadeira dignidade e o sólido fundamento de todos os seus direitos, isto é. as características próprias do seu ser feminino e a íntima coordenação dos dois sexos; tem-se perdido de vista o fim intencionado pelo Criador desejoso do bem da sociedade humana e principalmente da família. Nas concessões feitas à mulher, é fácil perceber não tanto o respeito à dignidade e à missão da mesma quanto o intuito de promover o poderio econômico e militar do Estado totalitário, ao qual tudo há de ser inexoràvelmente subordinados (Alocução às Delegadas das Associações Católicas da Itália, proferida aos 21 de outubro de 1945).

 

À luz das observações até aqui propostas, concluiremos que o Cristianismo não é absolutamente infenso ao chamado «feminismo» ou à tendência a dar maior projeção à mulher na vida pública. Contudo essa maior projeção, segundo a concepção cristã, observará sempre as leis e os limites impostos pela natureza ao varão e à mulher, de modo a merecer rejeição qualquer sistema que vise equiparar promiscuamente' os dois sexos na distribuição das tarefas sociais (os limites e as diferenças de atribuições foram suficientemente esboçados nos parágrafos precedentes).

 

«A mulher está obrigada a contribuir com o varão para o bem da «civitas», na qual ela compartilha dignidade igual à do homem; cada qual dos dois sexos deve tomar a si a parte que lhe diz respeito de acordo com a sua natureza, as suas características, as suas aptidões físicas, intelectuais e morais. Ambos têm o direito e o dever de colaborar para o bem total da sociedade e da pátria; mas está claro que o homem é, por temperamento, mais levado a tratar de afazeres exteriores, de tarefas públicas, ao passo que a mulher costuma ter mais perspicácia e mais tato para avaliar e resolver os problemas delicados da vida doméstica e familiar, base de toda a vida social (o que, aliás, não impede que muitas saibam realmente dar provas de grande habilidade nos setores mais variados das atividades públicas» (Pio XII, Alocução às Delegadas das Associações Católicas da Itália, de 21 de outubro de 1945).

 

Apêndice: A Magna Carta das Mães

 

À guisa de complemento ilustrativo, segue-se aqui o documento básico ou a «Magna Carta do Movimento Mundial das Mães», movimento fundado em Paris no ano de 1947, como fruto do III Congresso Internacional intitulado «A Mãe, artífice do progresso humano». A Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu o Movimento em seu grêmio, entre as associações não governamentais. Reúne as organizações de cada país que prestem adesão à «Magna Carta das Mães» abaixo transcrita:

 

«A mãe se coloca em primeira linha entre os artífices do progresso humano na vida familiar, econômica, social e cívica. Chamada a realizar, com o pai, a obra de procriação, a mãe 6, com o- pai, responsável, segundo os desígnios de Deus, pela tarefa educadora que complementa a obra do Criador.

Ela desenvolve os valores morais e espirituais sem os quais qualquer tipo de civilização redunda em aviltamento da pessoa humana, que passa então a ser considerada como meio e não como fim.

A influência que a mãe exerce no lar, deve irradiar-se na cidade, na vida nacional e internacional. Os dons peculiares da mulher prestam contribuição indispensável à vida cívica, social e econômica.

 

O Movimento Mundial das Mães, para realizar a sua tarefa, apoia- se sobre as declarações seguintes:

1)   Dotada da mesma natureza que o homem, a mulher deve gozar de liberdade r>ara escolher seu estado de vida, assim como da faculdade de aí se expandir em toda a medida do possível; em particular, ela tem direito absoluto ao respeito de sua personalidade na vida conjugal e na maternidade.

2)   A educação e a vida social devem levar em conta tanto a igualdade essencial do varão e da mulher como as diferenças especificas que correspondem às funções próprias e complementares de um e de outra.

3)   A união dos esposos e a fecundidade da sua vida conjugal não devem ser nem impostas nem entravadas pelas legislações, as instituições ou as organizações econômicas.

4)   A família legitimamente constituída e estável é que pode assegurar à mãe o ambiente mais favorável à sua felicidade pessoal, •à do seu marido e à dos filhos. Será também a família o melhor esteio da grandeza da pátria e do progresso do gênero humano.

5)   É na família, e em particular por intermédio de seus genitores, que os filhos recebem normalmente os principais elementos de sua formação pessoal e familiar. As instituições públicas ou particulares devem prolongar, completar, e não substituir a educação dada pela família.

6)   As condições de vida econômica das nações devem permitir à mãe que livremente se consagre às suas funções domésticas; as atividades familiares e caseiras das mães têm, aliás, real p importante valor econômico na vida das nações, principalmente na economia da consumação.

 

Em consequência, é indispensável que nas diversas nações se trabalhe para que a opinião pública, as leis e as instituições reconheçam a valor da missão da mulher no mundo, particularmente o valor da sua tarefa na família e na sociedade».

 

Assim fala a sabedoria humana ainda no século XX, em consonância com a mensagem cristã!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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