Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

FUNDAMENTALISMO ENLOUQUECEDOR

 

“Odeio o fundamentalismo. É um movimento de resistência às mudanças históricas. Os fanáticos querem manter o mundo paralisado em crenças mortas”.

Salman Rushdie

Escritor Anglo-indiano (1)

 

Consequências traumáticas oriundas do fundamentalismo religioso e que a americana Marlene Winell denominou de Síndromes do Trauma Religioso (STR), vêm sendo tratadas por ela há mais de 20 anos. A educadora dedica a sua vida ajudando pessoas a se recuperarem dos traumas psicológicos causados por crenças religiosas e fundamentalismo religioso.

 

Winell é filha de missionários da denominação pentecostal Assembléia de Deus e acreditava em tudo que lhe fora ensinado a respeito das Escrituras Sagradas. Entretanto, traumatizada pelos condicionamentos fundamentalistas, passou a viver uma vida dramática pensando que seria punida no grande Armagedon, porque temia não ter a aprovação de Deus. Depois de anos de sofrimento, atormentada pelos seus próprios pensamentos, especializou-se em desenvolvimento humano e estudo da família, lançando seu livro intitulado Leaving the Fold – A Guide for Former Fundamentalists and Others Leaving their Religion (ainda inédito no Brasil), sobre como se livrar das consequências de religiões fundamentalistas.

 

Segundo Winell, os sintomas da STR vão desde a ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas até a degradação do relacionamento social, decorrentes de ensinamentos e práticas religiosas. Tal como Winell, há muitas vítimas da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas, concomitantes com os variados tipos de superstições aprendidos desde a mais tenra idade.

 

Síndrome do Trauma Religioso

 

“A influência religiosa é muito mais profunda sobre a sociedade e os indivíduos que a política. Uma religião pode mudar bastante a vida de alguém. Já com uma ideologia política, isso é raro acontecer”.

Lawrence Wright

Jornalista e premiado escritor americano (2)

 

Termo cunhado por Marlene Winell para classificar os sintomas de pacientes que sofrem de transtornos mentais em decorrência da lavagem cerebral de religiões fundamentalistas, a Síndrome do Trauma Religioso se manifesta em pessoas de todas as idades, mas principalmente naquelas cuja personalidade esteja em formação: as crianças.

 

Segundo ela, a recuperação de quem nasceu em uma família de fanáticos religiosos é mais difícil que a do sujeito que adotou uma crença fundamentalista na vida adulta, porque não dispõe de parâmetro de comparação.

 

A técnica denominada Linguagem Hipnótica Ericksoniana é utilizada em tratamentos terapêuticos. Observar o tom da voz é fator de descoberta importante para os especialistas. A fala é a mesma em todas as pregações: mansa, chorona. Os jargões também não mudam, há sempre uma senhora que está atormentada porque não agüenta mais o filho nas drogas, o marido que se entregou à bebida, a filha que deixou o lar e foi embora, a falta de dinheiro, a tristeza no coração etc. Essas pessoas, em geral, vivem angustiadas e temerosas pelo iminente fim do mundo e esperam, habituadas desde crianças, por essa catástrofe. Mas não é só isso. Além da permanente angústia, são impedidos de ofender a “Jeová”, seu Deus, ou seus deuses, com celebrações de todo tipo, como aniversários, o carnaval, páscoa, natal, ano novo e quaisquer outras datas de origem pagã, só porque não estão mencionadas nas Escrituras Sagradas. Também são impedidas de doar sangue, servir ao exercito, em alguns casos, de cortar o cabelo, ver televisão, usar determinadas roupas, entre outras coisas que não fazem o menor sentido no contexto teológico e cultural para a nossa época.

 

Em um país laico como o Brasil, era de se esperar que a pluralidade de religiões trouxesse mais liberdade de expressão quanto a religar o indivíduo com a sua divindade e, assim, cada um respeitasse o espaço do outro e encontrasse a religião que melhor lhe conviesse para crescer e evoluir espiritualmente. Mas não é o que acontece. Com tanto progresso da ciência e o avanço da tecnologia o fundamentalismo religioso atrasa e adoece os sectários.

 

No cristianismo fundamentalista, por exemplo, o indivíduo já nasce pecador perdido e, portanto, é considerado um depravado e deve lutar pela sua salvação para não perecer eternamente no inferno. A doutrina da predestinação é ainda mais cruel. A cena de uma criança que desde cedo aprende a ver figuras dantescas do suposto inferno bíblico e precisa reverenciar uma imagem triste e de um ser sofredor e por vezes sangrado terrivelmente pagando pelo pecado dela é, no mínimo, perturbadora. As conseqüências futuras são incalculáveis e podem se manifestar na sua vida adulta, por serem doutrinadas e aterrorizadas por memórias de imagens do inferno e do apocalipse, na forma de ataques de pânico, TOC, fobia social e outros transtornos psicológicos. Casos e casos podem ser enumerados para exemplificar fracassos e frustrações, em nome de uma religião.

 

“Tomando uma direção mais especulativa, é provável que determinadas autoridades religiosas fundamentalistas ainda promovam ações violentas para a nossa época, vinculadas às manifestações de um radicalismo religioso que, além de gerar traumas individuais, podem resultar em reações a traumas coletivos decorrentes das transformações culturais da Era Moderna”, escreve o psicanalista, escritor e autor do livro “Sai desse corpo que não te pertence – Uma maneira divertida de exorcizar a autossabotagem” (3).

 

 

RELIGIÃO, POLÍTICA E FUNDAMENTALISMO.

 

Será que a derrubada da Irmandade Muçulmana no Egito assinala o fim do Islã político? Muitos gostariam que sim, mas eu duvido muito. O acadêmico francês Olivier Roy, que publicou o livro “O fracasso do Islã político” em 1992, disse à revista “The Economist” que o governo da Irmandade implodiu porque não soube dirigir um Estado moderno. Ele disse que o governo de Mohamed Mursi tentava islamizar uma sociedade já muito religiosa, e que o Islã não tem as prescrições detalhadas necessárias para dirigir um Estado moderno. Neste ponto eu concordo em parte. Mursi não soube construir alianças políticas com outros partidos islamitas, e muito menos com os partidos da oposição, uma coisa que seria essencial para o sucesso do seu governo. Na Turquia e no Marrocos, partidos islamitas se viram necessitados a compartilhar o poder com outros partidos políticos para permanecerem no poder.

 

O Ocidente tem que se dar conta de que os egípcios progressistas e esquerdistas são uma minoria no país, e que a maioria é religiosa e conservadora. A embaixadora americana no Cairo, Anne Patterson, sabe disso e por isso teceu uma política americana para tentar se aproximar da Irmandade depois de décadas de negligência. “Anne tem desde seus primeiros dias no Egito notado que os egípcios são os contatos favoritos dos centros de estudos de Washington, do Congresso americano e do Departamento de Estado. São talvez talentosos e criativos, mas não são necessariamente representativos dos 80 milhões de egípcios”, disse um oficial americano ao site Daily Beast (4).

 

Afirma Salman Rushdie: “O islamismo só sobreviverá se conseguir se reinventar a partir dos princípios democráticos de liberdade de expressão, tolerância religiosa e paz”. “Escritores, estudiosos, intelectuais e artistas que assumem posição contra a ortodoxia (fundamentalismo) ou o fanatismo sofrem perseguições”, diz Rushdie (5).

 

 

CONCLUSÃO

 

Hans Keilson (1909-2011) foi o último sobrevivente de uma geração de escritores judeus-alemães exilados por causa do nazismo. Fugiu ao destino de Erich Mühsam e Paul Kornfeld, assassinados em campos de concentração, e de Walter Benjamin e Ernst Toller, que se suicidaram no exílio. “A morte do inimigo” – uma tradução mais precisa do título seria “A morte do oponente” ou “do adversário” – é seu romance mais importante e sua segunda obra publicada no Brasil.

 

Nascido em Bad Freienwalde, Keilson se mudou para Berlim ainda jovem. Tocou jazz em bares para financiar seu curso de medicina. Já médico, participou do movimento de resistência no exílio holandês que o acolheu em 1936, e, após a guerra, tratou de crianças e adolescentes judeus traumatizados – os “órfãos do Holocausto”.

 

Religião, política e fundamentalismo são misturas incendiárias, incontroláveis e catastróficas. Prova a história que esses três ingredientes são causas das maiores tragédias no decurso da humanidade.

 

Fascismo, nazismo e comunismo adentraram no cenário religioso ocultista, culto a personalidade e terrível fundamentalismo político ideológico. Daí aconteceu a maior carnificina dos tempos modernos.

 

Pode haver diálogo e soluções em vários campos da modalidade humana, menos na conexão: religião, política e fundamentalismo. Essa é a trindade suprema da intolerância mortal.

 

Nada é mais desumano do que o fundamentalismo religioso.Entra aqui o império das seitas e das sociedades secretas com o fanatismo e esquemas maquiavélicos.

 

Em nossa pós-modernidade deve-se gritar pelo bom senso, justiça, liberdade, harmonia entre todos, respeito total, soluções profissionais e caridade abissal.

 

Pe. Inácio José do Vale

Pesquisador de Seitas

Professor de História da Igreja- Instituto de Teologia Bento XVI - Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: [email protected]

 

Notas

(1)                 Época, 24/09/2012, p. 118.

(2)                 O Globo-Segundo Caderno, 19/07/2013, p. 1.

(3)                 Ciência e Vida. Psique, n° 90, pp. 61 e 63.

(4)                 O Globo, 12/07/2013, p. 18.

(5)                 O Globo-Prosa e Verso, 04/05/2013, p. 8.


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 7796209)/DIA
Vídeos  Testemunhos  4122 A conversão de Peter Kreeft74.13
Diversos  Espiritualidade  4121 O Espírito Santo entre nós69.40
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?29.52
Vídeos  História  4117 O nascimento da Igreja Católica22.81
Diversos  Igreja  4111 9 coisas que afastam as pessoas da Igreja21.95
Diversos  Aparições  4119 Nossos tempos são os últimos?21.18
Diversos  Doutrina  4120 A importância do catecismo18.88
Diversos  Apologética  4109 A virgindade perpétua de Maria na Bíblia15.67
Diversos  Testemunhos  4118 Como a Igreja mudou minha vida14.98
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação14.25
Diversos  Mundo Atual  4113 É o fim do cristianismo e da religião?12.26
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?11.65
Diversos  Apologética  4102 Somente a Bíblia? Mentira!11.62
Diversos  Sociedade  4116 O controle do povo11.41
Diversos  Igreja  4114 Unidade e Contradição11.32
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia11.25
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo11.03
Pregações  Doutrina  4091 O discurso do pobre10.98
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino10.53
Diversos  Sociedade  4115 Honestos e Corruptos10.16
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo10.15
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas9.80
Diversos  Doutrina  4110 Cristo assumiu todas as fraquezas humanas?9.04
Diversos  Protestantismo  3970 A prostituição da alma8.70
Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é frequentemente etiquetado como fundamentalista. Enquanto que o relativismo, isto é, o fato de se deixar levar 'aqui e ali por qualquer vento de doutrina', aparece como o único comportamento à altura dos tempos atuais. Está se construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que só deixa como última referência o 'eu' e os desejos pessoais.
Papa Bento XVI

Católicos Online