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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 046 – outubro 1961

 

O PROBLEMA DAS SOLTEIRONAS

MORAL

M.P.N. (Ponte Nova): «As solteironas são geralmente desprezadas pela sociedade. Será que também a Igreja as considera como pessoas fracassadas na vida, pessoas que se alhearam aos desígnios de Deus?»

 

A questão acima formulada é assaz frequente. Ocorre não raro na sociedade o tipo da «tia» solteirona ou da celibatária «amiga de casa», sempre prontas a «tapar buraco» como se não tivessem consistência própria. As estatísticas dão a ver que em alguns países da Europa cerca de 10 % da população feminina se vê obrigada a permanecer no celibato involuntário, pois o número de mulheres aí excede o dos varões; estes são muito afetados tanto pela mortandade profissional (desastres e morte ocorrentes no trabalho duro de cada dia) como pela hecatombe das guerras que periodicamente devastam os povos; por conseguinte, em cada geração certo número de donzelas passa inevitavelmente a constituir um estado próprio, que é o das celibatárias forçadas, também ditas «solteironas».

A opinião comum habituou-se a menosprezar um pouco tal categoria de pessoas.

 

Entre outros fatores, contribuiu para isto o escritor francês H. Balzac (+1850), que em famoso romance descreveu a solteirona («vieille filie») condenada à ociosidade, condenada também a nutrir em si uma mentalidade estreita e tacanha (por falta de cultura e por efeito de certas convenções sociais; no século passado dificilmente se entendia que a mulher saísse de casa para estudar ou trabalhar...); as «damas de chapéu verde», a «tia Pittypat», Miss La Creevy, a miniaturista de Dickens são figuras típicas de solteironas na literatura do século passado.

 

Será, porém, irreformável esse juízo pejorativo? Não teria o Cristianismo algo de próprio a dizer sobre o assunto?

 

É o que vamos focalizar abaixo, propondo primeiramente alguns princípios que ajudam a conceituar devidamente o celibato forçado; a seguir, citaremos alguns depoimentos fornecidos por pessoas celibatárias a propósito do seu estado. Em conclusão, verificar-se-á que o conceito cristão de celibato muito difere do respectivo conceito mundano.

 

Será oportuno lembrar que temos em vista aqui não o celibato espontaneamente abraçado por motivo religioso (no sacerdócio ou na profissão religiosa de um convento), mas o celibato imposto pelas circunstâncias de vida, como que à revelia da pessoa interessada.

 

1. O celibato à luz do Cristianismo

 

1.1. O cristão não considera o estado celibatário (em particular, o da solteirona) em termos pejorativos; antes, vê no celibato um possível ideal de vida.

Possível ideal?!-... Talvez porque tenha o celibato na conta de estupenda ocasião de renúncia e de contradição à natureza ?

 

Não. Nenhum ideal de vida cristã pode consistir apenas em renúncia ou em elementos negativos. O homem foi feito para amar; não há quem não experimente a necessidade espontânea de amar; principalmente o cristão é destinado a amar... Sem exercício do amor não há realização da personalidade humana.

 

Ora geralmente a Providência Divina chama os homens a praticar o amor na vida conjugal; é esta a vocação mais comum; amando-se reciprocamente, o esposo e a esposa amam a Deus e ao próximo, e atingem a perfeição que lhes compete.

 

Acontece, porém, que a algumas pessoas a Providência não dá a oportunidade de se casar; vêm a ser então os celibatários e as solteironas... A esses deve-se dizer que Deus também chama a amar — a amar o próximo e o próprio Deus; apenas a modalidade do amor difere: amarão de maneira mais desembaraçada, menos vinculada... E, amando dessa forma, realizarão plenamente a sua personalidade.

 

É por isto que, para o cristão, o celibato forçado vem a ser uma vocação (isto é, um chamado da parte de Deus), como o matrimônio e a virgindade são vocações. E «vocação» quer dizer «missão, tarefa a cumprir», sempre portanto algo de positivo e grandioso. É o que o Sto. Padre o Papa Pio XII lembrava numa alocução proferida aos 21 de outubro de 1945:

 

«A donzela cristã que, apesar dos seus esforços, fica sem se casar, mas crê firmemente na Providência do Pai Celeste, reconhece em meio às vicissitudes da vid.i a voz do Mestre (cf. Jo 11, 28). Ela responde, renunciando ao sonho da sua adolescência e da sua juventude: ter um companheiro fiel na vida, constituir um lar. E, diante da impossibilidade do casamento, ela entrevê sua vocação; então... consagra-se inteiramente às múltiplas obras de beneficência».

 

1.2. Destas considerações se depreende que o celibato sem Deus e sem religião pode realmente significar um revez na vida: para quem só estima as criaturas e não valoriza o Criador, a falta daquelas é decisiva, deixando um vazio insubstituível. À luz de Deus, porém, o celibato tem significado grandioso, pois permite mais pura e desimpedida convergência do amor do celibatário para Deus e para o próximo. O celibatário (em particular, a solteirona) deve encher a sua vida, entregando-se, por amor a Deus, a obras de serviço ao próximo; então certamente sua existência não poderá ser tida como algo de frustrado perante Deus e os homens.

 

Seja lícito repetir: não tendo a responsabilidade de um lar, o celibatário (de qualquer dos dois sexos) poderá mais fàcilmente escolher tal ou tal tipo de amor ou de dedicação a Deus e ao próximo, de acordo com os seus predicados pessoais; ser-lhe-á possível entregar-se com plenitude a essa tarefa, ao passo que o varão e a mulher casados se verão sempre cerceados pelas obrigações contraídas para com os seus no lar: ao exercerem uma atividade social, ver-se-ão talvez acometidos pelo escrúpulo de estar lesando os direitos de outras pessoas (consorte e filhos) que poderiam pleitear em primeiro lugar os seus cuidados e a sua dedicação.

 

Note-se mesmo que a vida moderna, tornando-se cada vez mais complexa e absorvente, parece exigir a presença de pessoas inteiramente consagradas a certas tarefas, tarefas que, por assim dizer, «monopolizam» seus agentes. Muitas dessas tarefas são mesmo comumente consideradas como setores de ação feminina por excelência; assim, por exemplo, a enfermagem, a puericultura, a assistência social, certas formas de magistério e educação...; esses afazeres requerem, da parte de quem os exerce, disponibilidade de corpo e espírito tal que uma esposa ou mãe de família, por mais dedicada que deseje ser, dificilmente pode apresentar; a mulher casada estará sempre dividida, ficando sujeita em primeiro lugar às vicissitudes do próprio lar (o mesmo se diga do varão casado).

 

Uma analogia talvez possa ilustrar tal observação: as sociedades das abelhas e das formigas exigem, para o desempenho de certas tarefas da colmeia e do formigueiro, a presença de operárias chamadas «neutras». Ora essa «neutralidade» rica de sentido e rendimentos não seria, na sociedade humana, a parte das celibatárias ou solteironas? — A analogia é um tanto rude, mas valiosa, por derivar-se da natureza tal como o Criador a fez.

 

1.3. A fim de que o celibato não se desvirtue, mas venha realmente a ser um valor positivo e grandioso, faz-se mister chamar a atenção para dois perigos que constantemente o ameaçam:

a)   o libertinismo. A liberdade de dispor..., de dispor do tempo, do salário, das posses, das atividades pode facilmente degenerar em instrumento de abusos... Com outras palavras: a isenção de qualquer controle por parte de superiores ou de consorte muito pode favorecer, no celibatário, o surto e o desenvolvimento de tendências anômalas ou de costumes singulares, principalmente no tocante ao regime de vida: horários fantasistas, excessos no trabalho ou no recreio, incontinência são males que aos poucos podem desequilibrar e arruinar uma vida por si muito promissora.

Está claro que qualquer concessão feita nesse plano equivaleria à perversão do ideal. É preciso que o celibatário estime e cultive certa solidão; guarde alguma reserva em relação às criaturas. Mais concretamente: é preciso que tenha sua «clausura», seu aposento em que após um dia inteiro de trabalho, se encontre durante horas noturnas num feliz e fecundo «só-a-só» com Deus. Essa reserva e Indispensável penhor de êxito.

De outro lado, faz-se mister tomar cuidado para que a reserva e o isolamento não degenerem em

b)   egoísmo e egocentrismo. Dispensado de se preocupar com consorte e prole, o celibatário pode tender a fazer de seu próprio «eu» o ponto de referência de suas atenções e atividades ou mesmo o critério para aferir todos os valores. Pode também ser assaltado pelo desejo de introversão ou de constante análise de si mesmo, com esquecimento dos bens objetivos que merecem primàriamente a atenção de todo homem. A ausência da crítica de um companheiro ou de uma companheira facilita a complacência da pessoa em si mesma, em seus alvitres e empreendimentos. Um orgulho mórbido, desprezador de todos e de tudo, pode assim fàcilmente instalar-se no intimo do indivíduo.

 

Cedendo a tais defeitos, é evidente que o celibatário se esteriliza espiritualmente, definha e morre na sua miséria. Ninguém é feito para se consumar em si mesmo. Dizia mesmo o Senhor Jesus: «Ha mais felicidade em dar do que em receber» (At 20,35). Sim; é dando (pelo fato de poder dar mais ou de estar mais disponível) que o celibatário se enriquece.

 

Justamente para evitar o egocentrismo e as singularidades, que depauperam a personalidade, recomenda-se às pessoas «solteironas», procurem ter, além das inevitáveis obrigações de «ganha-pão» (que geralmente contribuem para «materializar» e concentrar o sujeito em si mesmo), uma tarefa espontânea- mente abraçada; a adoção de uma criança, por exemplo, constitui ótimo alvitre para não poucas solteironas. Também se verifica ser útil às celibatárias habitarem juntas — amiga com amiga em pequena mansão ou mais de duas numa casa maior destinada exclusivamente a tais pessoas. Será necessário, porém, que, mesmo compartilhando o teto comum, as referidas pessoas evitem qualquer promiscuidade nas relações recíprocas.

 

Em resumo: um misto de solidão e de convívio social, ou melhor, de ação social, fecunda no plano da beneficência, requer-se para que o celibato dê os frutos devidos («não é bom que o homem fique só», diz o livro do Gênesis 2, 18; o mesmo se deve afirmar a propósito da mulher). A solidão servirá de muralha em cujo recinto a pessoa se reabastecerá espiritualmente todos os dias a fim de poder exercer sem desvirtuamento a sua ação social; é na fé e em Deus que o celibatário tem que procurar o esteio da sua vida.

 

2. Depoimentos colhidos ao vivo

 

A escritora francesa Céline Lhotte efetuou um inquérito junto a solteironas comerciarias e bancárias da França, procurando com objetividade averiguar como pensavam a respeito do estado de vida que a Providência lhes impusera. Os principais resultados das indagações, certamente muito interessantes, foram publicados na obra «Le célibat est-il un échec?» par Carré, Folliet..., obra da qual extraímos os testemunhos abaixo:

Escreve Céline Lhotte:

 

1) «Quis interrogar essa solteirona de cinquenta anos que me vende sapatos na loja há quase um quarto de século. Sempre admirei a igualdade de seu humor e o seu sorriso, que não é o sorriso convencional dos comerciantes, mas um sorriso simultaneamente discreto e amigo, que reconhece pessoalmente cada um dos seus interlocutores. ..

 

Anita (assim se chamava ela) admitiu que o seu testemunho me poderia ajudar, e aceitou de antemão a indiscrição do meu interrogatório.

   'Anita, outrora desejou casar-se?

   Sim; sempre o desejei.

   Por causa do marido? Ou por causa dos filhos?

   Por causa do companheiro em quem eu me poderia apolar; também por causa dos filhos e, imagine, não menos por causa dos netinhos! Meu olhar ia longe!

   E teve ocasiões de se casar?

   Sim; várias. Diria mesmo que até agora não deixam de se apresentar... ainda recentemente!

   E então?

   Nenhuma dessas ocasiões correspondia ao que eu esperava... Creio que (e, isto, será preciso que o diga no seu inquérito) as donzelas sérias são as que mais dificilmente se casam...

   Então você um dia renunciou de vez ao casamento ou aoe pouquinhos foi removendo do seu espírito essa idéia?

   Isso não se faz bruscamente... Em todo caso, não me causou o mínimo desequilíbrio... Entrego-me ao trabalho, de todo o coração.

   É o que se percebe pelo modo mesmo como você recebe cada uma de suas clientes. Vender calçados, porém, isso não basta para encher uma vida!

   Compreendi-o sem demora. Houve um período, por volta dos meus trinta anos do idade, em que me parecia que não aguentaria essa vida; fora da loja, eu me aborrecia, não tinha ideal algum. A minha fé pouco me ajudava, porque eu não a praticava. Depois, reagi: obriguei-me a ler, a sair, a receber amigas e a ir ter com elas; já assim as coisas iam melhor, mas ainda não estavam totalmente nos eixos. Agora dedico regularmente algumas horas da semana a pessoas idosas, que não costumam ser visitadas; mantenho sempre um velhinho ou uma velhinha no hospital; em suma, não tenho mais tempo para me ocupar comigo. Você talvez me diga que me quero enganar a mim mesma. Não é assim; veja, eu lhe falava, há pouco, de uma ocasião recente...

   Sim.

   Era um viúvo, sem filhos, um homem bom, em toda a acepção da palavra. Ganhava um pouco mais do que eu. não muito. Para entreter o nosso lar, eu deveria abandonar o meu trabalho. Ora confesso que esta perspectiva nem chegou a me tentar, com grande surpresa para os amigos que haviam provocado o encontro, e mesmo, creio, para o próprio senhor interessado.

   Em resumo: embora tenha desejado a existência da esposa e da mãe de família, você fez de uma vida de solteirona involuntária uma vida relativamente feliz?

   Uma vida que seria feliz por completo se a sociedade a compreendesse melhor. Mesmo em nosso ambiente de trabalho não nos dispensam o mesmo trato que às mulheres casadas. De nós, usam e abusam; sabem que precisamos de trabalhar a qualquer preço, visto que, por trás de nós, não há quem nos sustente. Exigem de nós esforços e rendimentos que não se pedem a outros.

   Contudo não é de nós que, na maioria dos casos, os patrões têm que se queixar. Nosso trabalho é infinitamente mais regular que o dos outros, pois nos sentimos mais interessadas por ele'» (ob. cit. 134-36).

 

2) «Genoveva tem sessenta e cinco anos de idade. Não é oriunda da cidade. Sua vida foi árdua, mas também humilde; fica muito surpresa... por ver que a sua opinião sobre o celibato vai ser levada em conta.

Disse ela:

      ‘As solteironas do meu tempo, isto é, da época em que eu tinha vinte anos. não se pareciam com as de hoje, mas os nossos corações batiam do mesmo modo, eu lho asseguro!

   Você então desejava casar-se?

   Por certo!

   Não teve ocasião para isso?

   Tive-a em 1920, com um rapaz que muito me agradava... Um dia, foi-se sem dar explicações. A seguir, escreveu ao Sr. Pároco que o casamento não era possível. Sofri grande choque com isso.' Depois, reconheci que aquilo que a Providência dispõe, é sempre bom. Quantas vezes já agradeci ao Bom Deus nao ter Ele permitido esse casamento!

   Por que? Você, sem dúvida, teria sido feliz!

   Parece-me que é preciso, haja celibatários fora dos conventos, celibatários que aceitem o seu celibato pata terem o grande prazer de prestar serviço a outros.

   Esses serviços, de que modo você os prestou?

   Sonhei ser enfermeira, mas faltava-me a formação necessária Na minha aldeia, tornei-me a benévola enfermeira de todos. Sepultava os mortos; até os anticlericais aceitavam as minhas orações proferidas em alta voz durante os velórios fúnebres.

   Levava vida bem austera, a quanto me parece!

   Não! Para mim, solteirona que não é rica e não pode dar

muita coisa, a alegria consistia em que..., ao deixar os doentes, eu via o pessoal da casa a sorrir e a dizer-me: 'Voltarás, não é verdade?'. Todos na aldeia me tratavam por tu.

   E que mais?

   Enquanto pude, trabalhei. Agora para mim a vida é triste, pois quase não posso mais ser útil... Em todo caso, sempre pensei que uma solteirona não deve ser triste, nem também rígida demais.

   Em suma, você não lamenta o seu gênero de vida?

   Não por certo. Não permaneci celibatária em consequência de um desapontamento. Eu era feliz por poder prestar serviço!» (ob. cit. 139-141).

 

3) «Alissa, bancária, tem quarenta e cinco anos. Ainda é bela; aos vinte anos, deve ter sido encantadora... Eis uma pessoa em cujo dedo espontaneamente se procuraria ver a aliança do noivado ou das núpcias.

   Por que não se casou?

   Por uma série de circunstâncias.

   Mas ao menos desejou casar-se?

   Sem dúvida.

   Por causa do marido ou por causa dos filhos?

   Principalmente por causa dos filhos. Não fossem os princípios que aprendi em juventude..., em certa época eu teria mesmo aceito ser mãe sem ser esposa.

   Mas então como se explica o seu celibato?

   Diziam-me, com certo exagero, que eu era bela. Em consequência, alimentava pretensões; até os vinte e cinco anos fiz-me de difícil: tal pretendente era gordo demais, tal outro não me parecia bastante faceteiro; você compreende!... Ademais, eu era feliz em casa de meus pais. A seguir...

   A seguir...

   Minha mãe caiu doente; quis tratá-la; ficou paralítica durante anos. Depois, meu pai foi operado; minhas irmãs, entrementes, se haviam casado; parecia-me então quase impossível, abandonar a casa, deixando os genitores a sós.

   E, durante todo esse tempo, não lhe fazia falta um marido?

   Não tanto; cada vez menos. O que observo em torno de mim, leva-me frequentemente a apreciar a minha liberdade.

   A solidão não lhe é pesada?

   Sim; quando a noitinha volta; precisaria então... de uma amizade, não tanto de um marido.

... Se tivesse recursos para educar devidamente, eu teria tentado adotar uma criança. Preciso de me interessar ativamente pelos outros. No escritório, todos o sabem. Uma das nossas colegas foi recentemente para o sanatório. Fui eu que me ocupei com seus filhos... Há uma caixa de costura que, de anônima, veio a ser 'a caixa de Alissa'. 'Alissa, dizem-me, rasguei a orla do meu manto. — Alissa, estou para perder este botão já meio-solto'. Para brincar comigo, na semana de Páscoa deram-me, junto com os ovos de chocolate, um ovo de madeira, do tipo daqueles que nossas avós usavam, quando cerziam meias... Os servicinhos de boa vizinha, ninguém os pode esperar de mulheres casadas; estas vivem demais em circulo fechado: marido, filhas, filhos, marido.

           Esses serviços miúdos, você experimenta alegria em prestá-los?

           Sim...

           Frente às suas irmãs casadas e às suas cunhadas, não sente complexo de inferioridade?

           Ah, de modo nenhum! Não me julgo em absoluto diminuída pelo celibato; os que me cercam, percebem-no bem. É sòmente quando nos damos por vencidos que os outros também nos julgam derrotados.

           E, quando vier a idade da aposentadoria, que tem você em vista fazer?

           Gastaria então de ocupar-me com crianças ou anciãos. Tenho prazer em derramar alegria, tenho prazer em proteger o próximo'» (ob. cit. 141-143).

 

Estes três testemunhos, aos quais muitos outros semelhantes fazem eco, são suficientes para se preconizar hoje em dia uma revisão do conceito pessimista de vida solteirona. O varão e a mulher que, por força das circunstâncias, permaneçam celibatários, de modo nenhum são pessoas frustradas na vida e inúteis para a sociedade. Não se julguem tais, nem permitam que outros os tenham nesse conceito. Para dissipar a triste ideia que a sociedade formula a seu propósito, façam do seu estado de vida a ocasião de amar,... de amar mais intensamente a Deus e ao próximo (no casamento, amariam também, mas amariam talvez dentro de um recinto mais estreito). Assim procedendo, o celibatário e a solteirona nobilitar-se-ão, construirão o seu ambiente e serão felizes, pois, na verdade, «há mais felicidade em dar do que em receber» (At 20,35)

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 


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