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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 043 – junho 1961

 

O MOVIMENTO DA ÁGUA DA PISCINA

SAGRADA ESCRITURA

FOGUINHO (Rio Grande do Sul) e CELSO (Juiz de Fora): «Que pensar do texto do Evangelho de São João 5,3b-4, que refere a descida de um anjo na piscina de Bezata, cuja água se movia para curar um doente?

Trata-se de passagem autêntica, a referir genuíno milagre, ou, antes, de texto espúrio?»

 

Eis na íntegra a passagem que interessa ao estudo da questão:

Jo 5,3 «Nos pórticos (da piscina de Bezata), jazia grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos, que esperavam o movimento da água. (4 Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia à piscina, e a água se punha em movimento. Então o primeiro que entrasse na piscina depois da agitação da água, era curado de qualquer doença que o acometesse)».

 

Os vv. 3b-4 são controvertidos, tanto em nome da crítica do texto como em nome de sadio raciocínio; fazem-se objeções contra a sua autenticidade.

Vejamos de que maneira o problema se põe e como, sem grande dificuldade, se pode resolver.

 

1. A crítica do texto

 

1.1. O fragmento 3b («... que esperavam o movimento da água») falta em antigos manuscritos gregos; a grande maioria, porém, o apresenta, mesmo quando omite o v. 4. Sendo assim, presume-se seja autêntico; aliás, o v. 3b faz eco antecipado ao v. 7 («Senhor, não tenho quem me ponha na piscina quando a água é agitada; enquanto vou, já outro, desceu antes de mim»).

 

1.2. A questão porém é muito mais obscura em relação ao v. 4.

 

É omitido pelos melhores códices gregos; vem transmitido com variantes pelos manuscritos latinos, onde aparece sob três principais formas, das quais uma está traduzida acima, enquanto outra (a mais estranha) refere o seguinte:

«Um anjo lavava-se de tempos em tempos na piscina, e a água se agitava. Então o primeiro que entrasse na piscina depois da agitação, era curado de qualquer doença que tivesse».

Dadas as múltiplas oscilações dos manuscritos antigos, a crítica sadia geralmente rejeita a genuinidade do v. 4.

 

O argumento paleográfico é corroborado pela análise dos dizeres do v. 4: descreve um fenômeno milagroso... Deus pode certamente fazer milagres; contudo não os faz sem sabedoria ou sem finalidade proporcionalmente importante; ora, no caso suposto pelo v. 4, a cada movimento de água dar-se-ia seguramente uma cura, em momento bem determinado, sempre limitada a um só beneficiário, sem que houvesse alguma relação do fenômeno com a fé ou o espírito de oração do beneficiado (isto é, por efeito de um processo assaz aleatório). Tal tipo de milagre seria muito estranho; seria mesmo, como diz o Pe. F. Prat, o mais extraordinário dos milagres que a Sagrada Escritura relata (Prat, Jésus-Christ I. Paris 1933, 403); além do que, careceria de razão de ser ou de finalidade adequada, não podendo por isto ser obra de Deus.

Tais motivos são suficientemente fortes para se negar a genuinidade do v. 4.

 

Vejamos agora

2. Como explicar o problema

 

Reconhecido o caráter espúrio da pretensa intervenção do anjo, resta a questão: como explicar a agitação da água de que falam os vv. 3b e 7?

Para não citar inutilmente muitas opiniões, propomos logo a mais verossímil.

 

Parece tratar-se do afluxo, na piscina, de águas novas, talvez radioativas, detidas habitualmente por uma comporta e de vez em quando lançadas dentro do tanque; como se sabe, as propriedades de certas águas radioativas são muito eficazes logo que prorrompem da fonte, mas estão sujeitas a se esvaecer sem grande demora.

 

Este fenômeno misterioso terá excitado a reflexão dos antigos leitores de Jo 5,3; não o sabendo explicar por vias naturais, julgaram dever recorrer ao sobrenatural, admitindo a intervenção de Deus, por meio de um anjo, no movimento das águas. S. Agostinho (+430), provavelmente interpretando a opinião de muitos cristãos dos primeiros séculos, assim se exprimia:

 

«Repentinamente aparecia a água agitada; não se via, porém, quem a agitava. Acredita que tais coisas costumam efetuar-se por poder dos anjos».

 

Ora a hipótese assim concebida parece ter sido finalmente formulada dentro do texto sagrado como se constituísse parte do próprio relato evangélico.

 

A glossa haveria de gozar de foros de verossimilhança, pois, como atestam os historiadores, não era raro, entre os antigos, atribuir-se às águas termais algum poder milagroso (cf. Vincent et Abel, Jerusalém II 4, 888); de outro lado, o escritor árabe Moqaddasi julgava serem as inundações do rio Tigre devidas a um anjo que nesta caudal colocava o seu dedo; também uma corrente de água avistada em Bassora seria, conforme esse autor, dependente de um anjo que mergulhava o seu pé na água (cf. Lagrange, St. Jean. Paris. 1947,135).

 

A quem se quisesse deter sobre o v. 4, indagando por que motivos somente um enfermo terá sido beneficiado de cada vez, os comentadores responderiam sugerindo duas explicações:

- ou a moção das águas se dava em um só ponto da piscina, no qual havia lugar para uma pessoa apenas,

- ou (o que é menos provável) as autoridades competentes, visando evitar desordens e tumultos, só permitiam a um doente de cada vez tentar a sua cura.

 

Vão seria querer insistir em ulteriores conjeturas.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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Sto. Inácio de Antioquia (35-110)

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