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Michel de Cervantes, o paradoxo da forca e o aborto

Ivanaldo Santos ([email protected]), filósofo

 

Na obra Dom Quixote o escritor Michel de Cervantes apresenta o seguinte paradoxo: uma fazenda é atravessada por um rio, cruzado por uma ponte. O fazendeiro tinha erguido uma forca de um lado da ponte e formulou uma lei segundo a qual quem passasse pela ponte deveria primeiramente jurar para onde ia e com que finalidade. Se o indivíduo jurasse verdadeiramente, ele poderia passar, mas, se pelo contrário, jurasse falsamente e, mesmo assim, passasse sobre a ponte, ele, então, deveria ser enforcado. Um belo dia um homem chegou de um lado da ponte e jurou: “Eu vou morrer na forca no outro lado da ponte” e, logo após, cruzou a ponte. A questão problemática de enforcar ou não o homem é apresentada a Sancho Pança, o lendário personagem do romance Dom Quixote, como sendo o governador de Barataria.

 

O problema e o paradoxo existente é o seguinte: se o homem fosse enforcado, ele teria jurado verdadeiramente e, assim, não merecia ter sido enforcado. Se, porém, ele não fosse enforcado, ele teria jurado falsamente e, por isso, deveria, conforme determina a lei em vigor, ser enforcado.

 

Por causa disso Sancho Pança apresenta duas soluções. A primeira solução dada por Sancho Pança é cortar o homem em duas partes iguais, para enforcar uma metade e deixar a outra livre. No entanto, essa solução demonstrou ser muito mais problemática, pois ao se cortar o homem em duas partes está se eliminando a vida dele e, com isso, o problema fica sem solução viável. A segunda solução, escolhida por Sancho Pança, é libertar o homem, sem, no entanto, puni-lo. Isso acontece porque, segundo o próprio Sancho Pança, quando há justiça igual nos dois lados, é melhor agir com piedade.

 

Essa história entrou para o rol dos debates filosóficos, matemáticos e acadêmicos com o nome de paradoxo da forca, onde a solução ao dilema de se enforcar ou não o homem é solucionada por um princípio ético e humanístico. Princípio que está fora do paradoxo.

 

A sociedade contemporânea vive uma espécie de paradoxo da forca. Esse paradoxo é cristalizado diante do aborto. Diante de uma gravidez não faltam argumentos legais, intelectuais e jurídicos para que o aborto seja praticado e, com isso, o feto, ou seja, o bebê ainda no ventre da mãe, seja assassinado.

 

Entre os milhares de argumentos que tentam justificar a prática desumana do aborto afirma-se, por exemplo, que o corpo é da mulher e, por isso, ela tem o direito de matar o próprio filho, que o aborto é uma questão de foro íntimo (cada um faz o que bem quiser do seu corpo), que se trata de um ato de libertação da mulher diante da opressão machista e conservadora, que o aborto é uma terapia, que se trata de um direito sexual e reprodutivo, que o aborto é uma “porta” para a felicidade feminina.

 

Como se pode ver a situação para o feto, para o bebê no ventre da mãe, é difícil. Assim como o homem do paradoxo da forca, o feto parece que irremediavelmente está condenado a morte. Não há outra saída, apenas a morte poderá resolver ou encaminhar o grave problema da gravidez e, por conseguinte, da existência do feto.

 

Assim como no paradoxo da forca se a lei for cumprida ao pé da letra, se as normas sociais forem seguidas cegamente, o feto terá que morrer. No entanto, é preciso, justamente com Sancho Pança, ter um ato de ética e de piedade. Todos merecem estar vivos. O direito de nascer é o mais básico de todos os direitos. Sem o direito de nascer não é possível se pensar qualquer outro direito, como, por exemplo, o direito a educação, o direito a saúde e o direito ao descanso semanal. Tudo está atrelado ao nascimento. Por isso é que, por mais que a lei e os modismos intelectuais, determinem que a gravidez é uma maldição, que o feto tem que ser abortado –  essas máximas são sintetizadas no seguinte aforismo: “feto bom é feto morto”  -, é sempre prudente ter um ato de coragem, como teve o personagem Sancho Pança no romance Dom Quixote, e pensar na vida e na dignidade da pessoa humana. É essa vida e essa dignidade que precisam, acima dos modismos intelectuais, serem preservados e garantidos.

 

Assim como no paradoxo da forca, a morte do feto, do bebê no ventre da mãe, nada vai resolver. É preciso encontrar outros mecanismos para resolver os conflitos e os problemas sociais. O aborto, ou seja, o assassinato do feto, não garantirá nenhum tipo de solução, de felicidade e de garantia de prosperidade. É preciso, assim como Sancho Pança, agir com ética e piedade. Por isso, por mais que os modismos intelectuais digam que abortar é o único caminho, é preciso sempre fazer uma aposta ética na vida e no ser humano e, com isso, rejeitar toda e qualquer forma de manifestação do aborto.

 

Bibliografia consultada:

CARVANTES, Michel de. Dom Quixote de La Mancha. São Paulo: Martin Claret, 2012.

ERICKSON, Glenn W.; FOSSA, John A. Sete paradoxos clássicos. In: Um panacum de paradoxos. Natal: Edufern, 2006.

 


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