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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 034 – outubro 1960

 

O RACISMO

 

COLONO (Rio Grande do Sul): "Não há uma raça dotada de qualidades superiores às das demais raças? Por que então condena a Igreja a discriminação racial? Será o racismo contrário à consciência cristã?"

 

1. "Racismo" é vocábulo de criação recente (1935/38). Em seu sentido largo, significa a tendência a considerar os diversos tipos de civilização e cultura como manifestações de qualidades de raça ou de linhagem humana. Em sentido mais restrito, o vocábulo designa a ideologia que exalta a raça como supremo valor, do qual cada indivíduo recebe a justificativa da sua existência; o sangue seria o fundamento da sociedade; consequentemente, impor-se-ia a cada governo civil o dever de conservar e defender, a todo transe, a pureza da raça. Foram estas ideias extremistas que nortearam o movimento nacional-socialista na Alemanha (1933-1945,), o qual atribuía o primado à raça ariana e procurava evitar principalmente qualquer mescla com o semitismo. O fascismo italiano, por sua vez, em 1938 adotou algo dos princípios racistas.

 

Interessa-nos aqui examinar brevemente os precedentes imediatos e a estrutura filosófica do racismo contemporâneo.

 

2. a) Pode-se dizer que o mentor do racismo do nosso século é o filósofo francês J. A. de Gobineau, na sua obra "Sur rinégalité des races humaines" (Paris, 2' ed. 1884). Para este autor, o fator racial é a verdadeira causa do progresso ou da decadência de uma sociedade ; esta se desenvolve enquanto o seu sangue se mantém puro ; declina, porém, quando acolhe em seu sangue qualidades raciais .inferiores. Existem, portanto, raças humanas mais qualificadas e outras menos qualificadas; a mais valiosa é a raça branca e, dentro desta, sobressai a família ariana.

 

2.b) O escritor inglês H. S. Chamberlain, na sua obra "Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts" (Munique 1899), desenvolveu as ideias de Gobineau. Afirmava que a civilização do séc. XIX foi arquitetada pelos teutões, os quais, para isto, se valeram da poesia, da arte e da filosofia dos gregos, do direito e da política dos romanos, assim como dos elementos religiosos do Judaísmo e do Cristianismo; a base de todos esses valores seria o fator "raça" ou "sangue". É de notar que, para Chamberlain (à diferença do que afirmava Gobineau), a mistura de sangues pode produzir uma raça nobre. Em suma, as ideias de Gobineau e Chamberlain geraram o sistema do "pangermanismo" ou do predomínio absoluto do germânico no mundo, sistema que passou a se afirmar praticamente no nacional-socialismo alemão (ou hitlerismo,).

 

2.c) Na mentalidade nacional-socialista, o apreço tributado ao sangue equivale a um culto religioso, dotado de sua mística (tem-se falado, a propósito, da "religião" ou do "mito do sangue"). A raça torna-se um valor absoluto, em função do qual tudo mais é visto, inclusive o bem dos cidadãos particulares (estes são implacavelmente sacrificados aos interesses do sangue).^ Tal ideologia se opõe naturalmente ao marxismo, que tende a nivelar todas as raças e a tributar estima absoluta ao elemento econômico ou à produção material. O nacional-socialismo vem a ser destarte um monismo biológico (sistema em que um só valor é reconhecido — o da raça), ao passo que o marxismo é um monismo econômico (sistema em que só se reconhece o valor da produção material) ; ambas as correntes, porém, têm em comum o fundo materialista, que nega toda distinção entre corpo e espírito, entre criatura e Criador, fazendo ou dos bens inanimados ou dos bons animados meramente materiais as coordenadas que enquadram toda a realidade.

 

Mesmo depois de passada a fase aguda nacional-socialista, o racismo continua a se afirmar, embora em termos mais brandos, seja numa recente onda antissemítica que passou pela Europa, seja em campanhas contra as raças de côr nos Estados Unidos da América e na África do Sul.

 

3. Que dizer de tais idéias e fatos à luz da consciência cristã?

 

— Não há conciliação entre o racismo, sob qualquer das suas formas (por mais suavizada que pareça), com a visão cristã da realidade.

 

Para o cristão, todos os homens são criaturas do mesmo Criador, e constituem uma única grande família destinada a gozar para sempre dos bens eternos ou do convívio do Pai Celeste. Essa identidade dc origem e de objetiva final op5e-se a privilégios de raça.

 

É forçoso, porém, reconhecer que nem todos os indivíduos, assim como nem todas as raças, possuem o mesmo cabedal de prendas naturais; há, sem dúvida, tipos de constituição física mais robusta e raças mais resistentes; há também tipos de inteligência mais perspicaz e de habilidade técnica mais aguçada. Tais dotes variáveis, porém, não são decisivos para se aquilatar o valor do homem como homem; na verdade, o critério para se aferir o significado de um homem não é outro senão o grau de sua adesão ao Bem Supremo ou a Deus; desde que a criatura humana dê tudo que possui (seja muito, seja pouco) a Deus, a fim de viver unida ao Senhor do modo mais fiel que lhe é possível, essa criatura está "realizada". Em outros termos: é o nível moral ou o comportamento do indivíduo frente ao seu último Fim (Deus) que caracteriza o valor do homem como homem. Ora a adesão total a Deus ou uma reta conduta moral é possível tanto nas raças fisicamente fortes como nas fracas, tanto entre os brancos como entre os negros, tanto entre os semitas como entre os arianos, pois todos os homens ouvem a voz de Deus mediante a lei natural ou os ditames da consciência. Não é propriamente o ideal do "atleta olímpico", mas o do "Santo" (realizável em toda e qualquer linhagem) que paira ante os olhos do cristão.

 

Compreende-se que o Senhor, tendo criado liberalmente, não estava obrigado a dar a todos os homens o mesmo conjunto de predicados naturais. Distribuiu, ao contrário, patrimônios diversos. Cada criatura, porém, utilizando o seu patrimônio pessoal para cumprir em tudo a vontade de Deus, representa um valor que a ninguém é lícito desprezar. A grande sinfonia do gênero humano a proclamar a sabedoria de Deus consta (como bem se entende) de todas as possíveis tonalidades da escala musical!

 

Principalmente os escritos do Novo Testamento incutem o princípio de que Deus não faz acepção de pessoas, nem, em sua liberalidade, observa as categorias de judeu, grego ou bárbaro, servo ou livre (cf. 1 Pdr 1,17 ; Gál 3,28). Ao contrário, por todos indistintamente morreu Cristo pregado à cruz, fazendo que cada alma valha o mesmo preço — o sangue do Senhor Jesus.

 

4. A guisa de complemento ilustrativo, seguem-se aqui oito proposições, colhidas nas obras dos racistas contemporâneos, que a Santa Sé houve por bem condenar em uma carta circular da S. Congregação dos Seminários e Universidades publicada aos 13 de abril de 1938:

 

1) "As raças humanas, por suas características naturais e imutáveis, são tão diferentes entre si que a mais baixa dentre elas mais dista da mais elevada do que da espécie de animal irracional mais aperfeiçoada".

 

Note-se que, por muito pouco evoluído que pareça, todo homem possui sempre uma alma espiritual, constitutivo este que não se encontra em nenhuma espécie de animal irracional.

 

2) "É preciso, de todos os modos, conservar e cultivar o vigor da raça e a pureza do sangue ; tudo que leva a esses resultados é, por isso mesmo, honesto e lícito".

O documento eclesiástico, nesta condenação, visava principalmente a prática da esterilização sexual.

 

3) "É do sangue, sede das características da raça, que todas as qualidades intelectuais e morais do homem se derivam como de sua fonte principal".

 

4) "A finalidade essencial da educação é desenvolver as características da raça e inflamar os espíritos num amor ardente à sua raça como sendo esta o Bem Supremo".

 

Observe-se : o homem tem um destino imortal ; não se pode, por isto, saciar com os bens transitórios que o mundo material oferece. Justamente a educação deve fazer que o jovem mais seguramente tenda à vida eterna.

 

5) "A religião está sujeita às leis da raça e lhes deve ser adaptada".

 

A religião é aqui concebida como sistema social que cada povo tem o direito de escolher e dosar segundo suas conveniências. Inversão total dos valores : Deus serviria ao homem, e não o homem a Deus !...

 

6) "A fonte primária e a regra suprema de toda a ordem jurídica é o instinto racial".

 

7) "Só existe o Cosmos ou o Universo, que é um Ser Vivo. Todos os seres, inclusive o homem, são apenas formas diversas do Vivente Universal, formas que se vão ampliando no decorrer dos tempos".

 

8) "O indivíduo humano só existe pelo Estado e para o Estado. Todo direito que ele possua, provém-lhe unicamente de uma concessão do Estado".

 

Não é necessário sublinhar quanto essas proposições são antagônicas à mentalidade cristã.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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