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Aborto: barbarismo do CFM

Cada dia se assiste à força assombrosa do relativismo moral onde, ao invés de protegerem e serem favoráveis à vida, se favorece a eliminação da vida pelo aborto. Um sofisma bem elaborado para justificar a aberração de que se está protegendo (?) a mulher em casos de risco, ou violência física, ou ainda a pseudossoberania da mulher sem qualquer respeito à dignidade do feto. Este, sim, indefeso, que não tem como se proteger de adultos insensíveis, monstruosamente irresponsáveis.

A medicina, uma atividade singular e antiquíssima na defesa e proteção da vida humana, oferece agora prerrogativas para matar um ser humano. Isto é uma aberração, uma contradição aos seus propósitos originais. A falácia de que é dada autonomia em consciência, da mulher e do médico, decidir sobre o sim ou não à prática do aborto é um sofisma, para não dizer que são favoráveis. É um mero jogo de palavras.

Lamentavelmente, aqueles que juraram defender a vida são os que usam o poder de sua titularidade; se colocam como semideuses acima de qualquer argumentação para confundir a opinião pública; buscam legitimar o assassinato deliberado de seres humanos inocentes, vulneráveis, concebidos por adultos, sem terem pedido para viver, apoiados em argumentos pseudoéticos.

Em todas as profissões regulamentadas pelo Ministério da Educação através de seus conselhos profissionais, todo jovem neoprofissional é obrigado fazer um juramento de honra pela sua qualificação na sociedade. Assim, engenheiros, advogados, economistas e todos os demais têm seu próprio juramento de fidelidade à ética profissional. A vocação daqueles ligados à medicina é salvar vidas e não tirá-las. No preâmbulo do Código de Ética Médica, artigo VI do capítulo I, diz: “(...) jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade” (grifo nosso). Ora, as palavras “jamais utilizará para extermínio” significam  assegurar sua sobrevivência em quaisquer condições.

Os membros do Conselho Federal de Medicina (CFM), agora, rasgaram seu juramento de defender a vida quando o fizeram em sua formatura. Haverá argumentos relativistas que os tempos mudaram, mas a vida é a mesma de milhões de anos e transcende nossa compreensão.

Os médicos em qualquer ideologia foram capacitados para salvar e preservar a vida acima de tudo. Assumem agora a postura que é mais seguro para a mulher abortar antes de três meses, quando desejarem, porque o feto ainda não sente dor(?). Que absurdo! Pior de tudo, muitas cabeças vazias, alienadas, ainda aprovam esta loucura, sem pararem para ao menos refletirem sobre o mistério da vida.

É ponto pacífico pela ciência médica que, a partir da concepção (união dos gametas masculino e feminino), tem-se um organismo humano com novo DNA, pela combinação de seus pais, mas diferente e totalmente único na espécie, pertencente ao homo sapiens. Este novo ente tem capacidade automática de se autodesenvolver como um organismo individual, sem novos acréscimos ou solução de continuidade. E mais fantástico: poderá ir além dos cem anos.

Existem argumentos que antes de três meses o feto não completou sua formação necessária para ser um ser humano, que a partir então deste momento ele começa nova fase de seu desenvolvimento em todos os sentidos. Que absurdo! Sua existência é anterior àquele momento “mágico”. Ora, então a criança ao nascer também não está completa. Não anda, não fala, não se manifesta plenamente, apenas vegetativamente, aos poucos entra em nosso mundo até dar o salto, quando começa conscientemente a ver, entender, os pais e o mundo que os cercam. Diante dos argumentos relativistas, a criança não estaria completa também, até andar, até falar e outras manifestações. Então, poderíamos permitir o infanticídio, por não estarem “completas”, ou ainda por outras razões subjetivas, por não virem com a cor dos olhos, do cabelo, do sexo e outros sonhados pelo capricho de seus pais?

Usar o conceito de autonomia e soberania da mulher sobre o feto um ser (existente) em formação é permitir o assassinato. Diante deste argumento falso, qualquer um poderá exigir sua própria autonomia de vida. Logo, como ficaria o médico se alguém solicitasse, em nome desta soberania, que lhe receitasse um veneno para dar fim a sua existência? Afinal, dois pesos, duas medidas! Para os indefesos pode, para os adultos não!

Sendo um tema de consciência humana, que atinge nossa individualidade, somente um plebiscito poderia aceitar aquela posição do CFM. As indicações são de que haveria um rotundo “não” da sociedade. Por isso, a qual interesse esta entidade está procurando defender, determinando posições, para não ouvir a opinião da sociedade através de uma convocação do Congresso? A posição do CFM afronta a democracia.

Infelizmente as casas legislativas só atuam ao sabor das pressões e não em atenção aos princípios éticos e morais. O atual “juridicismo”, equivale  ficar a margem de qualquer enfoque filosófico e moral, para naufragar nas águas sempre mutáveis do relativismo perverso. Nada tem valor consistente, tudo depende do “consenso” dos detentores do poder. O brasileiro é contra o aborto, conforme várias pesquisas de opinião. O CFM representa uma minoria, está promovendo uma ação nitidamente antidemocrática, nas palavras de Carlo Alberto di Franco, doutor em comunicação pela Universidade de Navarra.

Com que tipo de médicos poderá se contar quando o próprio CFM  é a favor da morte? O aborto consentido e regulamentado será mais um protocolo de serviço para engordar suas contas bancárias.

Se as mães dessas eminências pardas os tivessem abortado, não estariam agora promovendo a morte de milhões de inocentes.

O relativismo moral permitiu que a vida começasse a ter um preço de mercado. Estamos voltando ao estágio da barbárie.

 Sergio Sebold, economista e professor.

 


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