Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 030 – junho 1960

 

Mentalidade Jansenista

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

RAVIE (Rio de Janeiro.): «Que se entende por mentalidade jansenista ?»

 

Depois de considerar as características da doutrina e do modo de pensar jansenistas, focalizaremos algumas de suas manifestações mais salientes nos séc. XVII/XVIII.

 

1. Doutrina e pensamento jansenistas

 

As idéias jansenistas se prendem a uma questão que desde os primeiros séculos mereceu a atenção da Cristandade.

 

Com efeito, a fé católica ensina que a natureza humana foi debilitada pela culpa original, de sorte que ninguém se pode salvar sem especial auxílio de Deus, auxilio que é chamado «a graça». Esta, embora supra a incapacidade da criatura, não extingue o livre arbítrio do homem, o qual, sem dúvida, está obrigado a colaborar na sua salvação eterna. Destes princípios surge a questão teológica: como conciliar entre si a graça e o livre arbítrio? Quem muito exalta o papel da graça de Deus, arrisca-se a deprimir a liberdade humana, assim como, vice-versa, quem muito acentua o livre arbítrio corre o perigo de menosprezar a graça de Deus.

 

Foi este dilema que, no decorrer dos séculos, ocasionou desvios doutrinários numa ou noutra direção.

 

No séc. V o monge Pelágio asseverava que o homem é totalmente livre para praticar o bem e o mal, para se salvar ou perder; o pecado original não diminuiu esta faculdade. A graça, em tal visão das coisas, vem a ser a própria natureza humana, possuída por todo e qualquer indivíduo. Por conseguinte, o homem só depende de si para conseguir a vida eterna; na prática, Cristo e a Redenção nada significam. Contra esse naturalismo, S. Agostinho fez-se o «Doutor da graça», reivindicando eloquentemente a preponderância do dom de Deus.

 

No séc. XVI, os Reformadores protestantes (Lutero e Calvino principalmente) fizeram ouvir a tese oposta à de Pelágio: não se fale de «livre arbítrio», mas de «servo arbítrio»; a culpa de Adão sujeitou o homem à concupiscência desregrada de tal modo que é impossível resistir a esta; a criatura não pode produzir obra meritória alguma; a salvação depende unicamente da graça e da vontade de Deus, que predestina o homem tanto para a glória como (diria Calvino) para a perdição eterna.

 

Ora os doutores católicos, através da história, sempre procuraram evitar uma e outra das duas teses extremistas. Em 853, o concilio regional de Quterzy (França) declarou explicitamente: «O fato de que tais e tais homens se salvam, é dom do Senhor. Quanto à perda dos demais, deve-se à culpa daqueles mesmos que se perdem» (Denzinger, Enchiridion symbolorum 318).

 

Esta afirmação, por muito categórica que fosse, ainda deixava margem para se delimitarem melhor as partes da graça e as do livre arbítrio na obra da salvação. No séc. XVI duas escolas teológicas — a dos Banezianos (dominicanos) e a dos Molinistas (jesuítas) - entaram penetrar mais a fundo no mistério, aqueles insistindo no absoluto primado da graça (predeterminação física), estes focalizando mais a ação da criatura. Visando dirimir as dúvidas, o Papa Clemente VIII em 1597 instituiu uma Congregação especial de teólogos («Congregatio de auxiliis gratiae»), a qual, após dez anos de estudos, resolveu deixar a questão aberta; seria lícito, portanto, de então por diante professar Banezianismo ou Molinismo.

 

Tal era o estado de coisas, quando dois sacerdotes, Cornélio Jansênio (+1638), holandês, e João-Ambrósio Duvergier de Hauranne (+1643), francês, Abade comendatário de São-Cirano (nome pelo qual este varão é comumente designado), julgaram poder apresentar ao mundo cristão a solução do problema. Devia inspirar-se, diziam, de S. Agostinho, cujas obras todas Jansênio leu mais de dez vezes; enquanto este doutor ia redigindo a sua síntese doutrinária, mantinha contato epistolar com São-Cirano, seu amigo distante, observando, porém, a máxima discrição a fim de não provocar intervenção da autoridade eclesiástica.

 

Em vista do sigilo, os dois correspondentes chegavam a usar de linguagem cifrada: assim a obra em preparo era designada pelo título de «Pilmot»; Jansênio se denominava «Boécio» ou «Sulpício»; São-Cirano, «Celias» ou «Solion»; a Companhia de Jesus era dita «Gorphoroste», e seus membros apelidados «os fins»; S. Agostinho passava por «Seraphi, Aelius, Leoninus»; o Cardeal Richelieu, por «Purpuratus»; o Cardeal de Bérulle, por «Rourgeart»; o rei da Espanha, por «Carpocre»; os protestantes, por «Cucumer»...

 

Mencionamos aqui estes artifícios de confecção da síntese jansenista, porque bem ilustram um aspecto da mentalidade do mesmo nome: é mentalidade que sob forma santas pode facilmente ocultar ambiguidade, cavilação e soberba.

 

Jansênio morreu em 1638, deixando sua obra pronta e acompanhada da declaração de que se submetia de antemão ao juízo que a Igreja sobre ela proferisse, depois de publicada. Em 1640 apareceu finalmente em Lovaina (Bélgica) o volume póstumo, com o titulo «Augustinus», encontrando imediatamente extraordinária aceitação; na França foi preciso reimprimi-lo um ano mais tarde em Paris, e ainda pouco depois em Rouen. São-Cirano exclamava que era «o livro de devoção dos últimos tempos», «um livro que duraria tanto quanto a Igreja», livro tal que, «embora o Rei e o Papa se juntassem para o exterminar, jamais conseguiriam acabar com ele».

E qual seria a mensagem doutrinária dessa obra ?

 

Ei-la em poucos termos: após a queda de Adão, o homem não é mais livre, mas continuamente arrastado pela «deleitação terrestre» (concupiscência desordenada) e escravizado pelo pecado. Deus, porém, em sua bondade resolveu resgatar o gênero humano pelos méritos de Cristo: atualmente, portanto, Ele dá a «graça eficaz» que reabilita a vontade humana, libertando-a da escravidão do pecado e possibilitando-lhe o «cumprimento de obras boas; tendo recebido a graça de Deus, o homem jamais lhe pode resistir, como jamais pode resistir à concupiscência, quando a graça não é dada. Liberdade no homem, por conseguinte, não significa espontaneidade interior, mas apenas isenção de coação extrínseca. Na verdade, a criatura fica sempre escrava ou da terra ou do céu, invencivelmente arrastada ou por um deleite terrestre, para o mal, ou por um deleite celeste, para o bem.

 

Acontece, porém, que Deus não concede a graça a todos os homens, pois na verdade Ele não quer a salvação de todos; Cristo não derramou o seu sangue pela universalidade do gênero humano, mas unicamente pelos predestinados. Aqueles que não recebem a graça eficaz, nada podem fazer de bom, nem mesmo obedecer aos preceitos divinos; permanecem na «massa damnata» (massa condenada) em que os atirou o pecado de Adão.

 

Para exprimir a sua doutrina, os jansenistas frequentemente representavam Cristo crucificado com os braços erguidos, em vez: de abertos para os lados.

 

Este tipo de imagem, na verdade, não é criação jansenista (o museu de Cluny possui um espécime confeccionado no séc. XVI); deve-se ao costume de talhar a figura do Divino Crucificado em peças de osso ou marfim, cuja forma oblonga sugeria espontaneamente a representação dos braços em posição vertical. O fato, porém, é que tal tipo iconográfico encontrou generosa acolhida por parte dos jansenistas, para designar a não universalidade da Redenção.

 

A teologia de Jansênio, na prática, levou seus adeptos a conduta de vida muito austera. É justamente esta nota de severidade que o adjetivo «jansenista» hoje em dia costuma exprimir.

 

Observe-se que tal consequência não era em absoluto necessária; podia muito bem o jansenista do séc. XVII assim raciocinar: «Se a graça eficaz não me é concedida, se fui deixado por Deus na massa condenada do gênero humano, não me adianta fazer esforço algum no plano da moralidade»; deixaria então de cumprir os mandamentos da Lei de Deus, baseado simplesmente numa suposição fantasista.

 

Os ambientes, porém, nos quais se propagou o jansenismo e, em particular, o do mosteiro de Port-Royal, eram muito mais inclinados ao rigor do que ao laxismo. São-Cirano possuía. um senso agudo da miséria do homem e uma concepção sombria ou trágica da vida cristã, elementos estes que a doutrina jansenista lhe parecia corroborar:

 

«Temos em nós, asseverava ele, uma fonte contínua de pecado, que jorra para a morte eterna, caso Deus não coloque em nós essa fonte de vida que jorra para a vida eterna».

 

Repetia muitas vezes: «Recordai-vos de que os juízos de Deus são terríveis»; inculcava que todos os homens são pecadores hediondos e que, par mais que se aplique à salvação eterna, ninguém pode estar seguro da mesma.

 

Em consequência, os jansenistas apregoavam sempre as normas e os conselhos mais desfavoráveis à natureza humana. Fazendo isto, entraram naturalmente em conflito com os Padres da Companhia de Jesus, que, visando o mais possível ganhar as almas para Cristo, procuravam facilitar a vida moral, resolvendo os casos de consciência da maneira mais branda que lhes parecesse lícita (probabilismo). Os jansenistas recomendavam que os sacerdotes, no tribunal da confissão, diferissem a absolvição e experimentassem o penitente por meio de mortificações prolongadas e até mesmo públicas. Para a S. Comunhão, exigiam disposições extraordinárias, tais como um amor puro de Deus, amor destituído de qualquer interesse pessoal do sujeito; a S. Eucaristia seria unicamente prêmio para as almas santas, não, porém, remédio para os penitentes contritos e humildes.

 

Tal rigorismo, por mais santo que se apresentasse, era de todo contrário ao genuíno espírito cristão; justamente o pessimismo jansenista deu ocasião a que o Amor de Deus em Paxay-le Monial se manifestasse no séc. XVII sob a forma do «Coração que tanto amou os homens», incitando os cristãos à confiança e ao abandono filial.

 

Mal inspirada como era, a severidade jansenista levou ao orgulho e ao espírito de seita ou de partido fanático, partido em que não mais se visaram as doutrinas teológicas de S. Agostinho, mas apenas interesses mesquinhos e o triunfo da equipe. Bossuet bem dizia: «Esse rigor alimenta a presunção, entretém uma lamúria soberba e um espírito de ostensiva singularidade». Tal observação podia basear-se, por exemplo, no comportamento arrogante e insolente de vários membros da família Arnauld, vinculados a Port-Royal: «Confessar o nome da nossa família é quase confessar Deus», exclamava Madre Inês Arnauld. Os jansenistas nutriam a inabalável certeza de ter sempre razão e de representar a sós o autêntico Cristianismo. Esta atitude interior externou-se nos lamentáveis acontecimentos que encheram a história da Igreja da França nos séc. XVII/XVIII, dos quais passamos a esboçar rapidamente os mais expressivos.

 

2. As manifestações mais significativas do Jansenismo

 

Em vista do alarde provocado pelo «Augustinus» de Jansênio, o Papa Inocêncio X nomeou uma Comissão de cinco Cardeais e treze teólogos para examinarem a obra. Após trinta e seis sessões realizadas no decorrer de mais de dois anos de estudos, o Sumo Pontífice, aos 31 de maio de 1653, resolveu condenar as cinco seguintes proposições, que constituíam (como disse Bossuet) «a alma» do livro de Jansênio:

 

«- Há preceitos de Deus que, vistas as exíguas energias do homem, não podem ser cumpridos por justos que os desejem observar e se esforcem por consegui-lo. A esses justos falta também a graça, que tornaria possíveis tais preceitos.

- No estado da natureza decaída, o homem nunca pode resistir à graça interior.

- Para merecer e desmerecer no estado da natureza decaída, não se requer liberdade que exclua necessidade (interior); basta a liberdade que exclua coação (exterior).

- Os Pelagianos admitiam a necessidade da graça interior preventiva para cada ato particular, mesmo para o início da fé; eram hereges por asseverarem que essa graça era tal que a vontade podia ou resistir-lhe ou obedecer-lhe.

- É semi-pelagiano dizer que Cristo morreu ou derramou o seu sangue por todos as homens sem exceção» (Denzinger, Enchiridion 1092-1096).

 

A condenação naturalmente provocou a reação dos jansenistas, que, entre outras coisas, alegaram ser o Papa incompetente e estar sujeito às decisões de um concilio ecumênico. Um dos reacionários, porém, Antônio Arnauld, mais sagaz do que os outros, resolveu incitar os correligionários a condenarem com o Pontífice as cinco referidas proposições: reconhecessem que o Papa procedera muito sabiamente, pois de fato se tratava de monstruosas heresias! Eis, porém, que Arnauld negava se encontrassem na obra de Jansênio e, caso aí se encontrassem, afirmava que não haviam sido condenadas no sentido que lhes atribuía Jansênio! — Como se vê, a questão se punha em termos novos; tratava-se não mais de julgar doutrinas e sua ortodoxia, mas de averiguar um fato: terá ou não Jansênio afirmado as proposições em tal ou tal sentido ?

 

Foi então que 38 bispos, coadjuvados por vários teólogos, aos 28 de março de 1654, afirmaram, como fato real, que as cinco proposições haviam sido ensinadas por Jansênio e condenadas no sentido mesmo que este lhes atribuía. O próprio Papa, aos 29 de setembro de 1654, confirmou o juízo:

 

«Declaramos e definimos que as cinco proposições foram extraídas do livro intitulado 'Augustinus', de Cornélio Jansênio, bispo de Ypres, e foram condenadas no sentido intencionado pelo mesmo Cornélio».

 

Arnauld, porém, não se deu por vencido, e em sua sutileza quis explorar uma distinção, ou seja, a diferença entre «questão de direito» e «questão de fato»: o Papa, dizia ele, é infalível ao julgar teses de fé e de costumes («questões de direito»); não goza, porém, de infalibilidade ao julgar se isto ou aquilo de fato se deu na história (no caso :... se Jansênio atribuiu tal ou tal sentido às suas palavras ; «questão de fato»). Por conseguinte, sempre que se trate de «questões de direito», os fiéis estão obrigados a prestar verdadeiro assentimento interior às decisões da Sta. Igreja; no tocante, porém, a «questões de fato», basta que lhes tributem um silêncio respeitoso («silentium obsequiosum»).

 

Estas concepções de Arnauld não foram aceitas pela Faculdade Teológica da Sorbona (Paris) nem pelas autoridades religiosas e civis da época, pois, na verdade, o Papa, ao decidir a respeito de fatos que se prendem de algum modo ao dogma ou à moral, goza da infalibilidade necessária para que se mantenha a pureza da fé e dos costumes. Era isto justamente o que se dava no caso das cinco proposições do «Augustinus».

 

Na embaraçosa situação em que os jansenistas consequentemente se viram, acudiu-lhes o filósofo Blaise Pascal, que redigiu dezoito «Cartas Provinciais» (1656-57), peças repassadas de sátira contra a Companhia de Jesus, tida como foco de laxismo moral; indiretamente esses escritos, atraentes e capciosos, redundaram em prestigio da causa jansenista (contudo não se pode dizer que Pascal tenha aderido às doutrinas do «Augustinus»). O filósofo finalmente desistiu da polêmica, reconhecendo que seus requintes literários não salvavam nem a verdade nem a caridade, e que não é licito «transformar em ídolo nem mesmo a verdade, porque a verdade fora da caridade não é Deus; vem a ser imagem e ídolo, que não se pode amar nem adorar».

 

As discussões sutis em torno das questões «de direito» e «de fato» se prolongaram até o séc. XVIII, ou seja, durante toda a controvérsia jansenista, alimentadas que eram pelo espírito de cavilação sutil e soberba dos hereges.

 

Todavia o fanatismo aparentemente santo foi aos poucos desvendando sua autêntica índole. Nos primeiros decênios do séc. XVII, incapazes de se impor pela argumentação teológica, os renitentes puseram-se a apelar para arrebatamentos, visões e curas milagrosas, que, conforme diziam, se verificavam em suas casas e principalmente junto ao túmulo do diácono jansenista Francisco de Paris (+1727), no cemitério de S. Medardo dessa capital; a necrópole foi assediada por ondas de enfermos, aleijados, surdo-mudos, cegos, os quais declaravam que, apenas atravessavam o limiar do cemitério, se sentiam tomados por uma força irresistível que os sacudia e prostrava por terra, em meio a gemidos, prantos, assovios e clamores; eram os «Convulsionários de S. Medardo», os quais alvoroçavam Paris. O desatino patológico de tais multidões lançava o descrédito sobre o jansenismo, que elas professavam.

 

Como já foi dito. o mesmo fanatismo (.religiosidade egocêntrica e não teocêntrica) levou outrossim os jansenistas a constituir não mais uma comunidade religiosa, mas um partido político, subdividido em facções por apaixonadas rixas internas; esse partido, aliado à corrente galicana da época, defendia um nacionalismo não cristão. «Tudo começa com mística, e tudo acaba em política», dizia muito bem Péguy, tendo em vista a tendência dos homens a desvirtuar os mais elevados valores, até mesmo os da Religião, caso esta não seja praticada com humildade e renúncia ao próprio «eu».

 

As ulteriores manifestações do jansenismo, desordeiras como eram tanto no plano religioso como no civil, provocaram finalmente a intervenção do rei Luís XV (1715-74) da França, cujas medidas repressivas muito contribuíram para a rápida extinção das principais facções da seita no fim do séc. XVIII.

 

Contudo a mentalidade jansenista sobreviveu... Conservava-se no século passado (e prolonga-se atenuada até nossos dias) em não poucos católicos austeros e bem intencionados, que, sem aderir a proposições heréticas, em matéria de moral são extremamente rigoristas e, no tocante aos sacramentos, professam um respeito falsamente escrupuloso, respeito que tende a afugentar os fiéis dos canais da graça.

 

No séc. XVIII um pároco do Delfinato francês dizia garbosamente ao seu bispo: «Em minha paróquia, estou certo de que no ano passado não houve comunhão sacrílega, pois ninguém comungou!»

 

Na mesma época, um sacerdote da diocese de Auxerre (França) se gloriava de fazer alguns fiéis esperar durante dez anos a absolvição sacramentai e a sagrada Comunhão.

 

Por muito bem intencionadas que fossem essas atitudes, davam ocasião a que as almas desaprendessem o caminho do confessionário e da mesa de Comunhão.

 

Não há dúvida, a Religião baseada nessas concepções, ainda que se esforce por ser férvida, vem a ser, na verdade, um Cristianismo depauperado, que desfigura e atrofia espiritualmente os fiéis; é o Cristianismo de um Deus Pai muito longínquo, de um Cristo Juiz severo. Cristianismo em cujo vocabulário predominam os termos «inacessível, incompreensível, incomunicável, inefável»; é, em suma, uma religião de piedade gélida, de orgulho estoico, de «perfeição» sem santidade!

 

Observa com razão Daniel-Rops que, em consequência do jansenismo, «a vida de união mística ficou sendo considerada por muitos católicos como um estado raro e inacessível, estado que, aliás, não implicaria nem perfeição maior nem mérito»; em seu lugar, implantou-se entre os fiéis «uma religião de mandamentos e preceitos, ameaçada de formalismo» (L'Église des temps classiques. Le Grand Siècle des âmes. Paris 1958, 486).

 

Eis, porém, que no início do século presente a Providência Divina quis suscitar na pessoa do Papa São Pio X o Pastor de almas que, lançando o brado de «Volta às Fontes», principalmente de volta à S. Eucaristia, deu início em 1905 ao revigoramento atual da piedade cristã, a qual se deve basear não no terror sufocante, mas no amor e na confiança generosa. Deus não é fonte de tristeza e morte, mas causa de alegria e vida!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
7 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 9664745)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?81.19
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns25.88
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação15.81
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo14.27
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?13.98
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?13.45
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino12.38
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas11.36
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?11.30
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia10.74
Diversos  Apologética  3729 Desmascarando Hernandes Dias Lopes9.64
Vídeos  Testemunhos  3708 Terra de Maria8.75
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes8.30
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?8.28
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade8.09
PeR  O Que É?  1372 Eubiose, que é?7.88
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.82
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.56
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?7.52
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová6.90
Diversos  Testemunhos  3465 Ex-pastor conta como fazia para converter católicos6.51
Diversos  Anjos  3911 Confissões do demônio a um exorcista6.45
Diversos  Apologética  3960 Deus não divide sua glória com ninguém?6.41
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo6.35
A inteligência humana, aplicando-se logicamente ao estudo, chega à conclusão de que a única posição verdadeiramente razoável é a de quem tem fé.
Dom Estêvão Bettencourt

Católicos Online