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O MILAGRE DA FÉ

 

“Fé é crer no que não vemos. O prêmio da fé é ver o que cremos”.

Santo Agostinho de Hipona, Bispo e Doutor da Igreja

 

 

A fé é um fundamento. É o fundamento daquilo que esperamos, mas, que não podemos ver (Hb 11,1). Nós fomos, gratuitamente, salvos mediante a fé em Jesus (Ef 2,8), e, “é pela fé que alguém se torna herdeiro” (Rm 4,16). “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6), e, os vencedores do mundo serão aqueles que crêem que Jesus é o Filho de Deus (1 Jo 5,5). Portanto, definitivamente, nós precisamos de fé.

 

A fé é um dom de Deus e Ele no-la dá dando-se a Si mesmo a nós. E nós demonstramos nossa aceitação desse dom de Deus, dando vidas para Jesus. Assim, participando desse relacionamento pessoal com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo, é que realmente nos aprofundamos na fé.

 

Se nós resistirmos à tentação de termos o total controle das nossas vidas e não tentarmos conseguir tudo por nós mesmos, nos aprofundaremos na fé em Deus, através de Sua própria orientação. Se assumirmos, efetivamente, nossa cruz diária nos aprofundaremos na fé em Jesus crucificado e caminharemos com menos temor. Se deixarmos nos conduzir pela Palavra de Deus (Lc 1,38), nos aprofundaremos na fé no Espírito Santo, que nos ensina (Jo 14,26) a ouvi-Lo através da palavra (Rm 10,17).

 

O propósito da vida é ter fé, crescer na fé e caminhar pela fé em Deus (2 Cor 5,7). Nada mais. Será que quando voltar pela segunda e última vez, Ele “acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,8).

 

“A fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” (Rm 10,17).

 

Como São Jerônimo dizia: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”, assim, se não conhecemos a Bíblia ou não buscamos conhecê-la, torna-se incorreto dizermos que mantemos um relacionamento pessoal profundo com Jesus. Além do mais, esta falta de aprofundamento, também demonstra que ainda não temos a devida fé e que ainda não anunciamos a palavra Dele como deveríamos.

 

Ter fé, portanto, é ter um relacionamento pessoal tão estreito com Jesus, que a Sua palavra é a única palavra que nos interessa ouvir e seguir. A leitura constante da Bíblia nos direciona para isto e é o nosso primeiro passo no estreitamento definitivo, é anunciar a Sua palavra, para que outros venham a conhecê-Lo e possam segui-Lo.

 

Disse Jesus: “Vem e segue-me” (Mt 19,21). Seguir Jesus Cristo é ter fé em Sua Pessoa: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5), é acreditar nos seus ensinos: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo, quando vos ordenei” (Mt 28,18-20).

 

Quem segue Jesus Cristo, segue por amor e tem Ele como Mestre, Senhor e Salvador. Os discípulos do Divino Mestre têm a salutar doutrinação de repudiar qualquer outro mestre e outros ensinos de líderes sectários e suas crendices. Fora de Cristo a fé é morta e a crendice é ‘esperta’ para enganar terrivelmente.

 

“Todavia é necessário distinguir entre fé e crendice. Esta é um sentimento irracional, que deteriora o conceito de fé, seja citada a superstição do número 13. A fé, ao contrário, é um ato da inteligência humana que se aplica ao Ser mais nobre ou Supremo: Deus. A crendice engana e frustra, ao passo que a fé nobilita e tende a levar o homem à perfeição que lhe é possível ou à santidade”, afirma o renomado teólogo beneditino Dom Estêvão Bettencourt (PR, Nº 542, p. 366).


FÉ E TRADIÇÃO

 

“A fé equivale a um patrimônio eterno”.

Santo Ambrósio de Milão, Bispo e Doutor da Igreja

 

A essência do ato de fé é a adesão da inteligência às verdades reveladas por Deus, em virtude da autoridade d’Aquele que as revela. Não se crê porque o conteúdo da fé seja evidente, nem porque ele esteja de acordo com as aspirações e as exigências pessoais ou atuais. A razão formal da fé é o fato de ser ela revelada por Deus, e o respeito de nossa inteligência lhe é devido, porque Ele não pode nem Se enganar nem nos enganar.

 

A Revelação divina nos é transmitida e claramente interpretada pelo Magistério infalível da igreja, ao qual devemos um assentimento humilde e filial, seja quando se exprime em sua forma extraordinária, seja em sua forma ordinária. Não é possível que a igreja se tenha enganado, ensinado durante séculos uma inverdade ou condenado durante séculos uma verdade. Devido a sua origem divina, a fé alcança uma certeza que o conhecimento humano mais evidente não pode atingir (uma certeza, nós repetimos, devida Àquele que revela, e não à evidência intrínseca daquilo que é revelado). Sempre por causa dessa origem divina, quem quer que negue um só artigo da fé corta a fé pela base, como explica Santo Tomás com clareza: “aquele que não adere, como a uma regra infalível e divina, ao ensinamento da Igreja, [...] não tem o habitus da fé. Se ele não admite verdades de fé, é por outra razão diferente da verdadeira fé. [...] Fica claro também que quem adere ao ensinamento da Igreja como a uma regra infalível, dá seu assentimento a tudo que a Igreja ensina. Caso contrário, se ele admite somente o que quer, e não admite o que não quer, a partir desse momento ele não adere mais ao ensinamento da Igreja como a uma regra infalível, mas adere à sua vontade própria” (Summa Th., II-II, q. V. a.3).

 

Ora, é claro que, por causa da natureza estável da verdade e d’Aquele que revela ninguém, nem no seio da igreja nem fora dela, jamais poderá se outorgar o poder de ensinar alguma coisa diferente ou oposta ao que a Igreja recebeu de Nosso Senhor e transmitiu ao longo dos séculos.

 

São Vicente de Lérins respondia assim aos que temiam que isso impedisse o progresso na Igreja: “Não haverá jamais nenhum progresso na religião e, portanto na Igreja do Cristo? Certamente, haverá um progresso, e até um progresso considerável! [...] Mas com a condição de que se trate de um verdadeiro progresso para a fé, e não de uma mudança: há progresso quando uma realidade cresce permanecendo idêntica a si mesma. Há mudança quando uma coisa se transforma em outra.” (Commonitorium, XXXIII, 1-2).

 

A nossa santíssima fé esta conectada na Sagrada Escritura, Sagrada Tradição no Sagrado Magistério.

Escreve São Paulo Apóstolo: “Portanto, irmãos, ficai firmes; guardai as tradições que vos ensinamos oralmente ou por escrito” (2 Ts 2,15).


CONCLUSÃO

 

A fé é um grande milagre do bom Deus. Por ela somos justificados e temos paz e felicidade com a Santíssima Trindade, conosco e com o próximo.

 

A fé é a base e a posse de todo bem. Pela fé compreendemos o escopo do mundo imanente e transcendente.

O ser humano só pode ser realizado na espiritualidade da fé cristã.

É a santíssima fé o fundamento abissal que dá sentido pleno a vida.

Entender tudo isso, significa se aprofundar demasiadamente na dimensão espiritual da fé. Aqui se encontra tudo que uma alma precisa para ser salva.

A fé é a opulência da alma e a maior engenharia da construção da inteligência humana.

Tudo em nós é iluminado pela fé, cuja fonte é a luz de Cristo.

Vivemos pelo milagre da fé na Santíssima Trindade. “E ESTA É A VITÓRIA QUE VENCE O MUNDO: A NOSSA FÉ (1 Jo 5,4).

 

Pe. Inácio José do Vale

Sociólogo em Ciência da Religião - Professor de História da Igreja

Instituto de Teologia Bento XVI - E-mail: [email protected]

 


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