Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

O estado da Igreja no Velho Mundo.

Por um seminarista brasileiro na Europa.

 

Igreja abandonada na França.

O fruto dos vendavais semeados nas décadas de 60 e 70 pelo clero francês e irrigados abundantemente pela Conferência Episcopal Francesa está sendo amargamente colhido nesses últimos anos pelo mesmo clero sob forma de uma desastrosa tempestade de baixa inédita de vocações sacerdotais, extinção de conventos, mosteiros e seminários, frequência mínima dos ofícios garantida pelos mesmos velhos fiéis que frequentavam o catecismo infantil nas épocas de Pio XI e Pio XII, sem falar dos tantos padres que deixam tudo e dos muitos outros que são convocados por Deus ao seu tribunal.

 

Em maio de 2010, ouvi o bispo de Chartres dizer que desde o início de seu episcopado naquela diocese, em 2006, ele havia ordenado 4 sacerdotes e enterrado 29. A situação é realmente desoladora! O historiador que se inclinar sobre esse período dentro de cem ou cento e cinquenta anos talvez o fará tentando resolver uma questão: por que o clero, mesmo tendo diante dos olhos a ruína do edifício da Fé e de tudo que fora solidamente construído pela Igreja em dois mil anos de história, não mudou de direção e insistiu e avançou orgulhosamente num caminho cujo fim era um precipício?

 

O desastre é tão grande e o estrago feito por aqueles que deixaram de catequizar e transmitir o que a Igreja sempre transmitiu é tão sério que alguns não acreditam na sua reversibilidade. Uma das provas é a de que o episcopado francês trabalha há algum tempo com a possibilidade, e em muitos casos mesmo com a realidade, de ter que adaptar dioceses e províncias inteiras a subsistir com número reduzidíssimo de padres, quer dizer: num futuro próximo, alguns poucos padres se encarregarão apenas de celebrar algumas missas e enviar o Santíssimo Sacramento para as diversas paróquias; já os fiéis leigos, ao menos os que sobrarem, se encarregarão de todo o resto. Os bispos das dioceses que serão reduzidas umas às outras delegarão quase todo o serviço aos leigos. Eis o motivo de sua preocupação atual em formá-los, para que estes possam substituir o clero nas mais diversas funções e sacramentos. Guardadas as devidas proporções, veremos um conjunto de dioceses sem clero, mais ou menos como a federação protestante e suas milhares de dissidências experimenta há uns quase 500 anos. Talvez quando chegarmos nesse estado, compreenderemos o que quer realmente dizer a expressão ambígua « subsistit in », da constituição dogmática Lumen Gentium. Veremos uma parte da Igreja que apenas subsiste, sobrevive quase asfixiada.

 

É como se estivéssemos nos suicidando para pôr Deus à prova e ver se Ele nos ressuscitaria depois. Isso é apenas uma metáfora, uma ideia que revela algo não muito difícil de se constatar: o ato de extremo orgulho e impiedade, como que um querer coagir Deus pela sua promessa de misericórdia e de Eterna Aliança deixando que a Igreja se esmigalhe. Em muitos casos, trata-se de uma concepção esquizofrênica segundo a qual o avançar ou recuar da Igreja independe da ação do seu clero, mas varia segundo um sentimento social comum. Desse modo o « ide e ensinai a todas as nações » é posto na gaveta do politicamente incorreto e a transmissão da fé, dos preceitos, dos valores fica a cargo do Espírito Santo, como se Ele agisse magicamente. Estamos diante de uma nova face da religião completamente desencarnada! Conheci freiras de alguns conventos moribundos cuja única atividade era o auxílio aos maometanos imigrantes a bem se adaptarem do ponto de vista administrativo, com vistos e documentos legais. Nem é preciso dizer que elas jamais ousaram falar de Jesus Cristo àquelas muitas mulheres de burca. Aliás, é impossível saber que as freiras são freiras sem perguntar.

 

Isso revela igualmente um outro grave problema, o do relativismo e do indiferentismo religioso. Eles acreditam – e isso revela realmente um fideísmo mais que cego – no ecumenismo com os protestantes e no diálogo inter-religioso. Ora, para que haja um dialogo é necessário que as duas partes partam de princípios filosófico-religiosos comuns, com termos cabais por ambas aceitos. Só então se poderá estabelecer realmente o que chamamos de diálogo, no qual a troca de idéias e julgamentos permitirá uma conclusão amistosa e enriquecedora para todos no final. Sabemos que isso não é mais possível nem mesmo dentro da nossa própria casa, a Santa Igreja Católica. O que se vê comumente são monólogos proferidos num mesmo recinto à guisa de diálogo: enquanto um fala do amor e da partilha e respeito às consciências individuais, o outro discursa sobre a futura vinda de um messias ou sobre a autenticidade das profecias de Maomé. Para uma grande parte do clero, os ensinamentos marcados pela Igreja com o selo da verdade e incorruptibilidade, o que com consistência pode alimentar a fé e o espírito de todo homem em todas as épocas, não é mais admissível. Para essa mesma parte do clero, é como se o homem tivesse evoluído demais para tolerar todo um conjunto doutrinário obsoleto que não deixaria espaço para a expressão das liberdades individuais. No entanto, o que vemos é que o homem contemporâneo, desamparado, parece ter avançado tanto na busca de técnicas e idéias novas para descobrir o que ele é, que se inclinou sobre si mesmo e já não vê nada além do seu próprio umbigo. O hegelianismo, o existencialismo e a fenomenologia se imiscuíram de tal forma na teologia e criaram uma Babel, onde tantos teólogos, reclamando o nome de católicos, se arvoram em fundadores de uma concepção cristológico-sócio-humanista da fé do apóstolo São Pedro. Variada e múltipla seja essa concepção, esses teólogos católicos estão quase todos de acordo ao dizer que todas aquelas interpretações são válidas; conclusão: cada um cria seu deus à sua própria imagem. Depois esses mesmos teólogos se reúnem hipocritamente com « agentes de pastorais » para tentar trazer esclarecimentos sobre o individualismo presente na sociedade contemporânea e a implicação disso no domínio da fé, que fez da prática religiosa algo  subalterno e subjacente às culturas dos muitos grupos que compõem a sociedade. O clero quis ser outra coisa abandonando sua identidade e, hoje, o que vemos é uma humanidade que, privada de seus pastores e do remédio espiritual que Nosso Senhor Jesus Cristo confiou à Igreja, se afunda mais e mais no abismo de suas patologias, evidenciando o pecado original e deixando o mundo cada vez mais distante de um paraíso.

 

E o amado papa Bento XVI deixa o seu pontificado tendo aberto o Ano da Fé. Que visão!

 

O que eu tenho observado na postura, idéias e agir do clero francês é o sentimento de que a sociedade européia dita católica chegou a um tal alto grau de esclarecimento de sua consciência, que ela se permite e se concede, quando não se acha mesmo no dever, descer ao nível de tudo o que não seja católico para « dialogar », para « partilhar », para « acolher » o ponto de vista e o mundo de outrem, de quem quer que seja, o que quer que seja. Entretanto, nessa postura é preciso sublinhar que o ato de descer só pode traduzir, na verdade e em última análise, um orgulho tal e tal sentimento de superioridade mascarados, que não se poderia não os classificar como doentios. Mascarados porque eles se arrogam uma postura de humildade, mas o que há realmente é o orgulho. Um orgulho que impulsiona ao extremo da temeridade. Nem é preciso dizer que a essa altura a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo já foi completamente desdenhada, espezinhada.

 

Eu conheci há poucos dias, num carmelo no fundo do nordeste da França, num lugar afastado chamado La Fontaine-Olive, uma carmelita parisiense de 85 anos. Era a imagem da desolação e do abandono espiritual de muitos. Ela contou, tentando dissimular a tristeza, que passava até quinze dias sem missa. Confissão então era coisa rara e quando tinha era um diálogo « de cristão para cristã » com o padre que « vivia a eucaristia » no seu carmelo semanalmente, sempre ocupado em reuniões filantrópicas em suas mui numerosas paróquias (cada uma com meia dúzia de fiéis pingados, obviamente). Olhando para aqueles cabelos brancos e aqueles olhos azuis tristes e rodeados de rugas de sofrimento e desolação, jamais se diria que eles escondem pecado, mas só Deus é quem conhece aquela alma desamparada. Quando eu deixei a velha carmelita, chorei. A vida daquela mulher, que há mais de 60 anos escolheu passar seus dias contemplando Jesus Cristo, é um fiasco espiritual! Claro que depois de 15 dias sem missa, as carmelitas não podiam consumir a última hóstia do cibório para guardar ao menos a presença real. Perguntei a Deus até quando Ele vai nos deixar nessa situação… Precisamos de um Bento XVII, um papa que siga o trabalho de Bento XVI pelo triunfo da Igreja e bem da humanidade, duas coisas que não existem separadas.

 

Entre aqueles que sobreviveram ao massacre da fé e mantiveram-se fiéis ao que a Igreja sempre foi e é, olhares esperançosos se voltam para os institutos subordinados à Comissão Ecclesia Dei, mas estes, mesmo jovens e aparentemente bem providos em número, têm uma representação ínfima no contexto europeu. No seminário de Wigratzbad, da Fraternidade Sacerdotal São Pedro,   acham-se uns 80 seminaristas, todavia de 15 ou 16 nacionalidades. O seminário do Instituto do Bom Pastor, com seus mais ou menos 25 seminaristas, tem uma maioria de brasileiros, quase todos originários de São Paulo. Há padres de batina prontos para assumirem as paróquias sem padre, mas os bispos não querem. Suas vidas resumiram-se em aplicar o Vaticano II (muito longe do texto como é sabido), e agora que não lhes resta muito tempo, veem que tudo foi um fiasco, mas não querem ceder: é o orgulho derradeiro cujos efeitos ainda causarão estragos. Esses mesmos bispos acreditam numa mudança a longo prazo, para eles o Vaticano II foi o fogo que consumiu a velha fênix e agora a nova começa a ressurgir dentre as brasas sacudindo as cinzas, mas para eles, que se desculpam diante de si mesmos, só será a fênix em sua plenitude daqui algumas décadas ou século. Ora, isso é falso. Essa fênix que é a Igreja ressurgiu das cinzas no Concílio de Nicéia, na Renascença Carolíngia, na Reforma Gregoriana, no Sacrossanto Concílio Ecumênico de Trento, sempre bela e imortal, jamais desfigurada. Há padres diocesanos com número exorbitante de paróquias, outros saem do asilo de idosos para celebrar missas de exéquias de vez em quando. Muito da atividade pastoral já é feito por leigos. Mas os padres tradicionais, cheios de entusiasmo e juventude, são muito dificilmente tolerados pelo clero diocesano. Eu imagino como pode ser desconcertante e até doloroso para um bispo de 80 anos que usa terno e gravata ver um seminarista de 20 em batina. Mas isso ainda é pouco diante do que há para se fazer e não demonstra nada além de uma possibilidade de restauração; e assim, poderíamos dizer que a Fênix, bem desmantelada como a constatamos, ainda não se ateou – ao menos não nos últimos 50 anos – o verdadeiro Fogo que desceu sobre os apóstolos a si mesma para ressurgir sempre bela e imortal.

 

Logo de sua eleição, quando o Cardeal Ratzinger tomou para si o nome Bento, muitos disseram que era uma homenagem a Bento XV, que teve um papel importante durante a I Guerra. Contudo, o nome Bento nos remete sempre a São Bento de Núrsia, patrono principal da Europa, o monge beneditino que através de seus milhares de filhos fundou os alicerces e delineou o rosto da cristandade européia. Ora, Bento XVI conhecia muito bem o estado de degradação da fé no velho continente, nesse caso a escolha do nome do Patrono da Europa é mais que emblemático. Não que ele se voltasse apenas para essa parte do mundo como seus detratores quiseram sugerir, mas porque sabe que tendo a Europa levado a fé e parte de sua cultura ao mundo todo, tudo o que acontece aqui repercute necessariamente nos outros cantos do planeta. Pergunto-me o que aconteceria nos outros continentes se aqui, onde se situa a sacrossanta cátedra de São Pedro, a fé naufragasse ?

 

O islã, sempre crescente, é a religião mais praticada na França. Será normal uma cidade de 35 mil habitantes nos Alpes franceses ter cinco mesquitas? E isso é apenas um exemplo muito genérico. Não vou me alongar sobre o islã, cuja penetração na Europa é assunto mais que conhecido.

 

Os bispos do Brasil de hoje, que nos anos 60, 70 e mesmo 80 foram tolamente deslumbrados pelo clima de exacerbada euforia da mudança na Europa, e que estudavam em seminários e universidades em Roma, Paris e na Alemanha naquela época, precisam refletir e rezar bastante para julgar se devem realmente continuar com seus projetos, normalmente emprestados e adaptados das conferências episcopais do velho mundo, que poderão resultar numa configuração bem semelhante à européia: um conjunto de dioceses diminuído e decrépito que não sabe mais qual é seu verdadeiro rosto. Tal como se nos dá a ver pelos atuais resultados, essa « evangelização » empreendida pela CNBB há algumas décadas nos fará chegar ao mesmo estado constatado na França, sobretudo no Benelux, na Inglaterra, na Alemanha (com exceção da marial Baviera). Espanha e Itália não estão longe da catástrofe. A única mais ou menos ilesa até agora é a Polônia, onde a fé católica se tornara parte da identidade nacional durante o período de domínio soviético russo. Exemplo que não podemos tomar para nós, visto que a fé católica já não faz mais ou muito pouco parte da identidade nacional brasileira. Os dinossauros marxistas, como sempre, alegariam que foram o desenvolvimento econômico e a riqueza da Europa os responsáveis por sua apostasia (fala-se hoje de 90% de ateus na Europa), mas o que se nota é que o problema vem da própria Igreja, independente da situação econômica dos países. Creio desnecessário dizer que na Escandinávia, outrora da fé de Lutero, o « cristianismo » é mais um folclore reservado à intimidade de cada um. Eis o estado das coisas ao redor da Roma Eterna e da sede que está vaga desde as 20 horas do último dia 28. Calamidades às quais o sucessor de Bento XVI não poderá se furtar.

 

No Brasil, a CNBB « está engajada e caminhando lado a lado ». Já temos, no entanto, uma idéia da direção que segue e aonde chegará!

 

Fonte: Fratres in Unum.com


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
3 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 8741439)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?32.09
Orações  Santos e Místicos  4148 A Sagrada Face21.07
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação14.91
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns13.40
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?13.40
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?12.81
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino11.75
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo11.09
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia11.07
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas10.74
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?9.35
Diversos  Doutrina  4147 Senhor, quantos serão salvos?8.90
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.97
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade7.82
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo7.78
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?7.54
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.41
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes7.14
Vídeos  Testemunhos  4146 A Eucaristia na Igreja7.12
Diversos  Anjos  3911 Confissões do demônio a um exorcista7.08
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová7.02
Vídeos  Liturgia  4145 Missas de Cura e Libertação6.87
Diversos  Testemunhos  3465 Ex-pastor conta como fazia para converter católicos6.87
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?6.65
A Bíblia sem Igreja é apenas um livro, letra morta, que precisa de um testemunho vivo para ser explicado e lhe dar credibilidade e autoridade. Esse é o testemunho que a Igreja de Cristo oferece à humanidade há 2000 anos a partir dos apóstolos e seus sucessores fiéis a Pedro (e papas) em obediência às determinações e promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Claudio Maria

Católicos Online