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Aulas: Doutrina - Por que ex-padres podem comungar e divorciados não? - por Padre Paulo Ricardo

Por que ex-padres podem comungar e divorciados não?

Algumas pessoas afirmam que a Igreja usa dois pesos e duas medidas ao permitir que ex-padres comunguem, mas não as pessoas divorciadas. Estas mesmas pessoas dizem que a Igreja protege os ex-padres dando a eles um regime disciplinar mais ameno, enquanto pune os divorciados, afastando-os da mesa da Comunhão. Isso é verdade?

Para responder a essa questão, primeiro é necessário esclarecer que a Igreja não usa dois pesos e duas medidas: a regra única válida para todos é: não é possível realizar atos sexuais fora do santo matrimônio. Como dito, essa regra vale para todos: leigo, padre, ex-padre, bispo, Papa, até o último fiel, no último lugar da Igreja. É para todos: a sexualidade só pode ser exercida dentro do sacramento do matrimônio.

Ora, dizer que o matrimônio é um sacramento é o mesmo que dizer que ele foi instituído por Jesus Cristo, ou seja, é um vínculo indissolúvel entre um homem e uma mulher e, uma vez contraído, nem mesmo a Igreja tem o poder de dissolvê-lo. Somente a morte pode quebrar esse vínculo.

Sendo assim, o que dizer dos Tribunais Eclesiásticos? Para que servem? Eles existem para, na maior parte dos casos, averiguar se aquele matrimônio realmente aconteceu. O que o Tribunal faz é declarar, após a devida investigação, que aquele matrimônio foi nulo, ou seja, jamais aconteceu. Assim sendo, ambos são livres e podem namorar, até mesmo casar.

O celibato sacerdotal, por sua vez, não é um sacramento, mas tão somente uma forma de Igreja enxergar que o sacerdote ordenado configura-se ao Cristo celibatário. É um estilo de vida, uma promessa que o sacerdote realiza na ordenação diaconal. A promessa é feita à Igreja. Sendo assim, ela tem o poder para dispensá-lo da promessa.

A Igreja, porém, não é tão pródiga ao conferir a dispensa do celibato. É necessário um processo diocesano ser apresentado à Santa Sé e a Congregação para o Clero julgar. Quando esses juízes apresentarem seu parecer, a causa é encaminhada ao Santo Padre em pessoa que decidirá, por fim, se concede ou não a dispensa solicitada. A dispensa é concedida aos diáconos por causas graves e aos sacerdotes por causas gravíssimas.

Assim, é preciso atentar para a natureza diversa das duas realidades, pois, uma coisa é o sacramento do matrimônio, sobre o qual a Igreja não tem poder, e outra coisa é o celibato, uma promessa sobre a qual a Igreja pode exercer o poder das chaves.

Padre Paulo Ricardo
Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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#0•A2558•C225   2013-01-28 19:51:44 - Convidado/amon72011@yahoo.com.br
Li e reli as explicações. Mas ficou algumas duvidas ainda. Poderia, por favor, em outro artigo, explicar em linguagem mais simples e objetiva? O matrimonio é um sacramento, mas e a Ordem tb não é um sacramento - o sacramento da ordem ?! Grata pela atenção.

Responder

#1•R225•C230   2013-02-06 09:43:39 - 14/Claudio Maria
Um casamento válido não se anula.
O que o tribunal eclesiástico examina (primeira instância no país de origem, segunda no Vaticano) são casos possíveis, de ocorrência raríssima, em que o casamento não é anulado, mas é considerado nulo, ou seja, inválido, nunca existiu.

O que o tribunal eclesiástico X, Y ou Z cobra é responsabilidade das pessoas que ali trabalham, do diretor do mesmo, não é a Igreja a especificar preços! Note-se que tem muita gente trabalhando nesses tribunais, o que implica em gastos, salários, material... em termos executáveis, práticos, isso não é tão simples......

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