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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 351/agosto 1991

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Sob a perseguição:

A Igreja "Clandestina" na Tchecoslováquia

 

Em síntese: As quatro décadas de perseguição religiosa (1950-1990) na Tchecoslováquia, na Hungria, na Romênia e na Bulgária suscitaram o heroísmo dos católicos, que lutaram para sobreviver; especialmente importante era, para eles, poder contar sempre com o ministério de seus presbíteros e bispos. Principalmente na Tchecoslováquia vêm a público pessoas que dizem ter recebido clandestinamente de bispos legítimos a ordenação sacerdotal ou mesmo a episcopal; entre essas pessoas há homens casados e, a quanto pensam alguns historiadores, também mulheres. Eram ordenados candidatos que a polícia secreta não suspeitaria pudessem receber ordens sacras segundo a praxe habitual da Igreja Católica.

Atualmente a Santa Sé dispõe de um dossiê volumoso de casos — bem ou mal documentados — de presbíteros e bispos ordenados clandestinamente, cuja situação na Igreja deve ser examinada meticulosamente para se averiguar o que de fato houve, e se foram válidas as respectivas ordenações.

=-=-=

A queda dos regimes comunistas no Leste Europeu (1989/90) trouxe à tona toda uma realidade de Igreja que ficara necessariamente oculta durante os quarenta e mais anos de perseguição religiosa. Em Roma a Congregação para a Doutrina da Fé e outras instâncias que assessoram o Papa, vêem-se diante de casos inéditos: aparecem homens da Tchecoslováquia, da Hungria, da Romênia, da Bulgária, que dizem ser autênticos sacerdotes e bispos ordenados clandestinamente sob o regime comunista, mas não acompanhados da documentação e das testemunhas habituais. — Impõe-se, portanto, à Santa Sé a tarefa de examinar caso por caso (foram ordenações válidas?. . . legítimas?) e tomar as providências daí decorrentes.

É interessante e útil ao público tomar conhecimento desses fatos, pois tais notícias manifestam o horror da perseguição e o heroísmo dos cristãos que lutaram para defender a sua fé. Começaremos por examinar a situação na...

 

1. TChecoslováquia

O Ecumenical Press Service, boletim publicado em Genebra (Suíça), no fim de 1990, deu breve notícia do problema das ordenações clandestinas. A seguir, o embaixador da República Federativa Tcheca e Slovaca junto ao Vaticano, Dr. Frantisek Halas, credenciado no dia 21/12/1990, ampliou a notícia, declarando:

"Há três tipos de sacerdotes clandestinos na Tchecoslováquia. Há os que foram ordenados regularmente por bispos tchecoslovacos, impedidos, porém, pelo Governo comunista de exercer o seu ministério. Há também os que secretamente estudaram e foram ordenados na Alemanha Ocidental, na Áustria e na Polônia. Existem ainda aqueles que foram ordenados clandestinamente por bispos tchecoslovacos clandestinos. A situação legal dos dois primeiros tipos é clara. As dificuldades ocorrem, porém, no tocante à terceira modalidade, pois tudo se fez tão clandestinamente que nem mesmo a Santa Sé teve conhecimento de tais ordenações. Por isto também não há a documentação respectiva e surgem dúvidas sobre a validade dessas ordenações".

 

Uma.fonte eclesiástica da Tchecoslováquia, mantida em anonimato, confirma:

"É verdade. Eis aí o problema. Mas não se podia proceder de outro modo. Tudo começou após 1951, quando se tornou claro que o Governo comunista de Praga tinha em mira extirpar a Igreja Católica".

Um sacerdote tchecoslovaco, já idoso, declarou que na década de 1950 Pio XII "deu ordens para que se formasse um primeiro grupo de bispos clandestinos". A minuta de um documento datada no Vaticano de 21/07/1954 (minuta da qual não foi possível encontrar a redação e o texto definitivos) autorizava os Religiosos presentes na Tchecoslováquia "a escolher. . . um sacerdote idôneo que será sagrado bispo, de modo que. . . fique assegurado, para qualquer emergência, o exercício do ministério sagrado no país".

Tal minuta observa ainda que "em circunstâncias tão excepcionais" se pode contornar "a aplicação de várias disposições canônicas concernentes às sagradas ordenações". Pergunta-se, porém: tal minuta é autêntico documento? Monsenhor Pavel Hnilica, tchecoslovaco, de 69 anos de idade, ordenado clandestinamente sacerdote em 1959 e feito bispo aos 02/01/1960 por Mons. Roberto Pobozny (titular de Roznava), admite a existência de "disposições legislativas especiais vigentes nos anos de perseguição".

Foi na base de tais normas de emergência que se constituiu na Tchecoslováquia uma hierarquia eclesiástica assaz numerosa e respeitável.

 

Alguns dos bispos assim ordenados já assumiram o governo pastoral de dioceses tchecoslovacas após explícita e regular designação do Papa. Entre eles, contam-se Mons. Jan Chryzostom Korec (secretamente ordenado bispo por Mons. Hnilica aos 24/08/1961) e atualmente, desde 06/02/1990, bispo de Nitra. Também é claro o caso do bispo clandestino Mons. Karel Otcenasek, que, aos 21/12/1989, foi nomeado por João Paulo II para a diocese de Hradec Kralové. A lista se prolonga a partir do inicio da década de 1960, contendo cerca de trinta bispos e algumas centenas de presbíteros. Aparecem sempre mais sacerdotes ordenados secretamente no estrangeiro. O embaixador Halas afirmou que algumas dezenas deles foram ordenados em Cracóvia pelo Cardeal Karol Wojtyla (hoje João Paulo II).

 

O receio de que desaparecesse por completo o clero na Tchecoslováquia era tão grande que alguns bispos chegaram a ordenar homens casados. Um destes prelados é Mons. Felix Marin Davidek, da diocese morávica de Brno, ele mesmo ordenado clandestinamente e em 1988 falecido. Explica o embaixador Halas: "Em caso de perseguição era menos suspeito aos olhos da Polícia". Como se vê, o critério era ordenar pessoas idôneas que não dessem lugar a suspeitas das autoridades comunistas.

 

Aliás, a própria figura de Mons. Davidek tem seus mistérios. O embaixador Halas, interrogado, respondeu: "Sei que a sua ordenação episcopal é fato certo. Mas nada mais posso dizer, porque estou obrigado ao segredo".

 

O ex-provincial dos Salesianos na Eslováquia confirma: "Davidek esteve comigo no cárcere de Mirov na Morávia em 1953 e 1954. Naquela época eu não sabia que ele era bispo. Mais tarde vim a saber que ordenou vários homens casados, e até mesmo um bispo, que ainda vive". Outras instâncias eclesiásticas da Tchecoslováquia, interessadas no anonimato, confirmam tais notícias. Diz um bispo: "Davidek era um homem genial; fazia coisas ousadas e corajosas. Parece que ordenou também mulheres como sacerdotisas, mas disto não tenho provas". O embaixador Halas não nega a possibilidade: "Sei que o bispo Davidek julgava possível ordenar mulheres, mas não sei se o fez realmente. Ouvi contar dois casos de mulheres ordenadas, mas ninguém me pôde dizer os seus nomes".

 

A Congregação para a Doutrina da Fé está examinando o volumoso acervo de ordenações clandestinas na Tchecoslováquia. Cada bispo do país mandou à Santa Sé as fichas daqueles que são tidos como sacerdotes e de cuja ordenação sacerdotal os bispos diocesanos nada sabem dizer.

No tocante aos homens casados, uma das fontes eclesiásticas daquela nação esboça uma possível solução: "Se a ordenação ocorreu na Igreja de rito latino, poder-se-á propor a tais presbíteros que passem para o rito oriental, pois este admite regularmente sacerdotes casados. Poderiam ser incardinados na diocese greco-católica de Presov". Para mudar de rito, é necessário um indulto da Congregação Vaticana para as Igrejas Orientais.([1]) Acontece, porém, que o Papa pode permitir a existência de sacerdotes casados também na Igreja latina em circunstâncias excepcionais. Será este o caso de Igreja na Tchecoslováquia, provada por um regime ateu durante quarenta anos?

Refere o bispo Mons. Pavel Hnilica:

"As perseguições que sofremos, foram piores do que as que Nero e Diocleciano no início da era cristã infligiram aos cristãos. Talvez o preparo doutrinário dos nossos sacerdotes não esteja à altura do preparo dos ocidentais, mas certamente é mais profunda a fortaleza espiritual dos nossos. Isto nos leva a agradecer a Deus o próprio comunismo, porque ele nos fez realmente experimentar a Cruz".

Quando serão dados a lume os resultados das pesquisas feitas no Vaticano? — Responde o embaixador Halas: "Desejo exprimir um anseio: haja pressa! Procedam rapidamente! Sei que é muito difícil encontrar adequadas soluções canônicas. Mas também é verdade que na minha pátria há dezenas de sacerdotes que, após anos de duras perseguições, hoje não desejam outra coisa senão poder celebrar publicamente a S. Missa. Talvez seja a última da sua vida".

2. Um caso particular: Frantisek Polak

Eis um significativo espécimen das angústias por que passavam os candidatos ao sacerdócio sob o regime comunista. Trata-se do Pe. Frantisek Polak, de 35 anos de idade, salesiano, que dá o seguinte depoimento:

 

"Nasci em Vysoka Pri Morave, pequena aldeia da Eslováquia, perto de Brastislau. Os meus pais eram religiosos e deram-me uma educação cristã. Durante a adolescência tive que lutar pela minha fé: era pouco recomendável frequentar a paróquia. Mas o ateísmo do Estado ajudou de certo modo a minha vocação. Na minha aldeia havia mais de duzentos anos que não surgiam vocações sacerdotais; sou o primeiro desde o fim de 1700.

 

Em 1974 encontrei um salesiano, Pe. Ivan Grof, que era professor e fazia apostolado clandestino. Tornou-se meu diretor espiritual, e através dele aproximei-me dos salesianos. Mas, para tornar-me aspirante, tive que esperar quatro anos; a polícia secreta estava sempre na espreita e nós tínhamos que ser muito prudentes.

Comecei a estudar Pedagogia na Universidade. Quase chegara ao término quando a polícia secreta descobriu que eu era cristão. O Decano da Faculdade me convocou e ameaçou de expulsar-me. Eu era 'causa de vergonha para 3.000 estudantes', disse-me ele. Felizmente consegui acabar o curso, mas, já que estava rotulado, não obtive a licença para ensinar.

 

Em 1980 comecei a trabalhar como simples operário em Pomprad, numa pequena fábrica de transformadores de eletricidade. A seguir, tentei também atuar como educador num Internato para estudantes de escola média; mas, após cinco dias de trabalho apenas, o meu chefe me chamou e me disse que sabia que eu era cristão. E fui obrigado a deixar o emprego. Por último encontrei trabalho como técnico de uma firma de implantes de aquecimento em grandes condomínios.

 

Entrementes eu estudava às ocultas Filosofia e Teologia. Em 1979 tornara-me noviço e em 1980 fiz os meus primeiros votos, tudo sempre às escondidas. Até muitos confrades salesianos ignoravam tudo isso; procurávamos dar o mínimo de publicidade possível a tais coisas porque havia infiltração e espiões até entre os Religiosos. Sabíamos, por exemplo, que um sacerdote era capitão da polícia secreta.

 

Fui ordenado clandestinamente sacerdote aos 19/02/1988 em Brastislau por Mons. Jan Chryzostom Korec, que então era bispo clandestino e hoje se tornou bispo residencial da diocese de Nitra. Tudo foi resolvido por meus superiores, em particular pelo Padre Inspetor Provincial da Congregação Salesiana, Pe. Kaiser. Sabíamos que se aproximava o dia da ordenação, mas não sabíamos nem onde, nem quando, nem o nome do bispo que ordenaria. O lugar em que eu havia que ser ordenado, foi-me comunicado apenas uma hora antes da cerimônia. Tomei um bonde e fui para lá; era o pequeno apartamento em que morava Mons. Korec. A cerimônia não foi solene; o rádio ficou ligado a todo volume durante a celebração; havia música rock soviética para perturbar os microfones de espionagem escondidos pela polícia secreta na casa do bispo. Fora chovia, e mesmo o tempo litúrgico — era Quaresma — pareceu-me um sinal do deserto em que nós, cristãos da Tchecoslováquia, peregrinávamos naquela época.

Após a ordenação nenhum dos meus parentes sabia que eu era sacerdote; nem minha mãe, nem meu pai, nem os meus irmãos. Era demasiado perigoso para eles. Comuniquei-lhes a realidade três dias antes de partir para Roma em dezembro de 1989.

Hoje estudo na Faculdade de Ciências da Educação da Pontifícia Universidade Salesiana em Roma. Estou-me especializando em catequese e pastoral da juventude; a princípio eu queria estudar teologia, mas os meus superiores me explicaram que há grande necessidade, na Tchecoslováquia, de trabalho pastoral em favor dos jovens".

 

O relato, eloqüente como é, dispensa comentários. Passemos agora a

 

3. Outros países do Leste Europeu

Também na Hungria, na Romênia e na Bulgária houve ordenações episcopais e sacerdotais clandestinas. Todavia o fenômeno não assumiu as proporções que teve na Tchecoslováquia.

O Padre Peter Erdo, professor de Direito Canônico na Universidade Gregoriana de Roma, narrou que em 1959 o Governo expulsou de Budapest os seminaristas que se recusaram a participar de uma assembléia destinada a criticar a obra do Cardeal Josef Mindzsenty, de Budapest: "Continuaram clandestinamente os seus estudos e foram ordenados às ocultas por dois bispos: Mons. Zadravec e Mons. Szabo. Na Hungria houve um total de trinta casos de sacerdotes clandestinos. Todos puderam comprovar a legitimidade da sua ordenação, de modo que a maioria deles hoje trabalha em paróquias".

Na Romênia há incerteza no tocante a várias pessoas que afirmam ter recebido a ordenação sacerdotal ou até mesmo a episcopal. Os maiores problemas se encontram nas comunidades de rito bizantino-romeno ou entre os "uniatas".([2]) 0 Núncio Apostólico está examinando o caso de dois bispos de rito grego: para um, parece não haver problemas; o outro, porém, está menos bem documentado, embora insista em afirmar a legitimidade da sua ordenação episcopal.

Na Bulgária, ao iniciar-se a década de 1960, um bispo de rito oriental conferiu secretamente a ordenação episcopal a um prelado de rito latino, Mons. Bogdan Dobranov. Em 1970 este bispo fez pública profissão de sua fé e foi reconhecido pelas autoridades comunistas. Faleceu, porém, em 1983.

=-=-=

Eis alguns fatos que o mundo tem interesse em conhecer, pois revelam a tenacidade da fé e a magnanimidade de comunidades sufocadas por regimes ateus durante alguns decênios. O Senhor, que vive em sua Igreja, soube assistir-lhe para que permanecesse corajosa nas trevas e no silêncio, esperando melhores dias.

Este artigo muito deve ao de Alberto Bobbío e Giovanni Ferro: Esiste all' Est una Chiesa Clandestina, publicado em JESUS, fevereiro de 1991, pp. 26-29.

Estêvão Bettencourt O.S.B.



[1] Na Igreja Católica, entregue a Pedro e seus sucessores, há diversos ritos: além do latino (mais conhecido), há o bizantino, o maronita, o copta, o me/quita, o milanês, o lionês, o mozarábico. . . Cada rito implica a celebração da liturgia, segundo um cerimonial próprio (com a consagração eucarística válida) e costumes próprios, entre os quais a ordenação de homens casados em alguns ritos orientais.

[2] Chamam-se "uniatas" os cristãos que passaram do cisma bizantino (aberto em 1054) para a Igreja Católica, unindo-se ao Papa e à hierarquia da Igreja, sem perder os costumes próprios dos cristãos orientais.


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