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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 012 – dezembro 1958

 

Oferecer a S. Comunhão por Outra Pessoa?

E. S. T. (Rio de Janeiro): “Não raro os fiéis dizem que oferecerão a S. Comunhão por outra pessoa, viva ou defunta. Como se entende isso?

 

Para responder devidamente, distingamos dois aspectos da S. Comunhão: pode ser considerada em sentido estrito, como recepção de um sacramento, ou em sentido largo, como um ato bom, ato da virtude de piedade.

 

1. A S. Comunhão entendida precisamente como sacramento produz em quem a recebe, frutos intransferíveis. Ela constitui a participação na ceia do Senhor, o nutrimento por excelência da vida espiritual. Por conseguinte, ela realiza seus efeitos à semelhança de um alimento; ora este, quando é sadio beneficia necessariamente a quem o recebe, independentemente da vontade ou dos desejos particulares de quem come: “Todos os efeitos que o alimento e a bebida materiais exercem em favor da vida corporal, a saber, sustento, aumento, restauração e deleite, isso tudo o sacramento da Eucaristia o produz no plano da vida espiritual” (S. Tomás, S. Teol. III 79, 1c).

 

Donde se vê que é impossível renunciar aos frutos diretos que a S. Eucaristia produz no comungante, por mais que este queira ser útil ao próximo; o alimento, como alimento, aproveita imediatamente a quem o ingere, e a este só.

 

Sumariamente recordaremos aqui os frutos diretos da S, Eucaristia:

 

1.1) os efeitos principais da S. Comunhão são o aumento da graça santificante e o robustecimento das faculdades a esta anexas (as virtudes infusas, os dons do Espírito Santo); diz S.S. o Papa Leão XIII; «A Eucaristia é a fonte, enquanto os outros sacramentos são os filetes da graça» (Ene. «Mirae caritatis»). Em particular, a S. Eucaristia excita o fervor da caridade; o amor afervorado, por sua vez, concorre para a destruição do pecado venial, para a remissão das penas temporais, para a extinção dos ardores da concupiscência. Em uma palavra: a S. Comunhão torna a alma mais apta a produzir generosas obras meritórias.

 

Costuma-se propor a doutrina acima afirmando que a Eucaristia torna o- homem cristiforme, como o Batismo o torna deiforme. Isto quer dizer que a alma e o corpo do comungante participam mais intimamente da perfeição de que era ornada a santíssima humanidade de Cristo em virtude da união hipostática. Na verdade, o cristão, pela frequentação da Eucaristia, reflete mais claramente a imagem do Cristo Jesus; é mais estreitamente incorporado ao Corpo Místico e adquire novo penhor da ressurreição gloriosa de seu corpo.

 

«A S. Eucaristia, diz Bérulle (+1629), é como que uma imitação do mistério da Encarnação, uma aplicação e extensão deste a cada um dos cristãos e fiéis, assim como o mistério da Encarnação é uma imitação e extensão da comunicação suprema que se dá na Santíssima Trindade» (Discours de l'état et des grandeurs de Jesus).

 

«Sim, ensina por sua vez Bossuet (+1704), Jesus assume a carne de cada um de nós quando cada um de nós recebo a d'Ele. Então Ele se torna homem em nosso favor (e em nós, poder-se-ia dizer), e Ele nos aplica a sua Encarnação» (Méditations sur l'Evangile, 32e. jour).

 

Tais efeitos se verificam todas as vezes que a alma se apresenta em estado de graça à refeição sagrada. São, como se vê, efeitos que não podem ser cedidos a outrem.

 

1.2) Os efeitos secundários do Santíssimo Sacramento são alegria e deleite provenientes de dilatação da alma, que se vai emancipando do amor próprio. Estes dois frutos, porém, não são sempre percebidos experimentalmente pelo comungante... A alma lhes pode opor obstáculos, chegando-se à S. Eucaristia após preparação negligente, solicitada por distrações mais ou menos voluntárias. Da sua parte, o Senhor pode julgar oportuno privar de deleite sensível os cristãos fervorosos, submetendo-os a purificação salutar. Como norma geral, São Boaventura ensina que uma S. Comunhão bem preparada produz mais efeitos do que numerosas comunhões feitas com negligência (In IV Sent. dist. II, punet. II, art. 2, q. II).

 

2. Registraram-se nos primeiros séculos casos em que os fiéis recebiam a S. Comunhão, e até mesmo o Batismo, em favor dos mortos, julgando poder suprir a não recepção do sacramento por parte de pessoas já falecidas (em 1 Cor 15,29 é possível que São Paulo aluda a esse costume). Tal praxe, porém, e sua idéia inspiradora foram reprovadas em 393 pelo concilio regional de Hipona (cân. 4). Não obstante, o abuso continuou a ser cometido, suscitando novas intervenções da autoridade da Igreja no sínodo de Auxerre (585), no sínodo Trulano (692), nos Estatutos de S. Bonifácio (745).

 

Muito afim a esse costume errôneo era a praxe, assaz difusa no séc. IV, de se dar a S. Comunhão aos moribundos, de tal modo que as espécies sagradas estivessem em sua boca quando exalassem o último suspiro ; quando não se podia dar o sacramento antes do desenlace final, o mesmo ainda era colocado na boca do cristão após a morte. Os fiéis queriam beneficiar-se, em grau máximo, da S. Eucaristia entendida como viático ou alimento para a grande viagem da vida eterna e como penhor da ressurreição dos corpos. Já há muito que tal praxe caiu em desuso, pois se sabe que a Eucaristia, atuando à guisa de alimento, só produz seus efeitos quando chega ao estômago de quem a ingere (é o que se dá, aliás, com o nutrimento natural; todo sacramento sendo um sinal eficaz da graça, as leis da sua eficácia se depreendem, em boa parte, do modo como esse sinal atua no plano meramente natural).

 

Movidos por semelhantes idéias, os fiéis enterravam os mortos com as sagradas espécies; principalmente os bispos eram sepultados com uma hóstia consagrada sobre o peito; lê-se, por exemplo, na Vida de S. Basílio c. 4 (ed. Migne gr. XXIX 315) que, quando estava prestes a morrer, mandou celebrar a S. Eucaristia, consumindo então uma parte do sacramento e mandando colocar outra parte dentro do seu túmulo. Também este costume foi posteriormente ab-rogado pela autoridade da Igreja, pois se prestava ao abuso e à superstição.

 

3. Até aqui falávamos da ação sacramental da S. Eucaristia, Demos agora um passo adiante em nossas considerações.

 

Além de ser recepção do Sacramento por excelência, o ato de comungar é um ato bom, ato de virtude. Os méritos desse ato redundam naturalmente em proveito do Corpo Místico ou da comunhão dos santos, podendo consequentemente ser aplicados a tal ou tal pessoa em particular; da mesma forma sabemos que é lícito fazer reverter em favor do próximo, seja vivo, seja defunto, os méritos de uma esmola ou de um sofrimento generosamente abraçado. A S. Comunhão, com todo o cortejo de atos fervorosos que a acompanham, tem diante de Deus grande valor para obter graças e pedir perdão. A recepção da S. Eucaristia é mesmo uma das maiores demonstrações de amor, por isto uma das obras mais agradáveis a Deus Pai e a Cristo. Por conseguinte, podem-se oferecer ao Senhor os frutos de uma boa Comunhão, rogando-Lhe que os faça redundar em proveito de determinadas pessoas ou intenções.

 

É principalmente após a recepção da S. Eucaristia, nos momentos de ação de graças, que se devem formular tais preces ao Pai do céu. Ensinam os teólogos que as orações da alma mais puramente unida a Cristo, enquanto dura a real presença do Senhor no comungante, gozam de eficácia toda especial; as preces dos fiéis são mais corroboradas pela recepção da S. Eucaristia do que pela doação de uma esmola. Donde se vê que os momentos subsequentes à S. Comunhão, por serem particularmente favoráveis à oração, devem gozar da grande estima dos cristãos.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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