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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 011 — Novembro de 1958

 

O Agnus Dei e sua Eficácia

DOGMÁTICA

CAMILO (São Paulo): “Que é o AGNUS DEI ?

E que crédito se pode dar às maravilhosas promessas anexas ao seu uso ? Não se assemelham às dos bentinhos e demais objetos mágicos ?

Pelo fato de serem aprovadas por um censor eclesiástico, qual a autoridade que compete a essas promessas ?

 

Os Agnus Dei são medalhões de cera branca, forma oval, tamanho variável, bentos pelo Sumo Pontífice. Trazem, de um lado, a imagem do Cordeiro Pascoal deitado sobre o livro de sete selos do Apocalipse (cf. 5,1) e acompanhado do dístico: «Ecce Agnus Dei qui tollit peccata mundi», assim como do nome do Papa que benzeu o medalhão; do outro lado, apresentam a imagem de um santo ou o símbolo comemorativo de um acontecimento importante.

 

Os cristãos sempre dedicaram grande estima a tais objetos. Sendo assim, percorramos rapidamente o histórico do Agnus Dei e averiguemos qual seja precisamente a sua eficácia.

 

1. Breve histórico do Agnus Dei

 

Embora não se possa dizer muita coisa sobre a origem do Agnus Dei, consta que ela se deve à praxe dos cristãos de Roma. O primeiro documento que fala desse objeto, é um «Ordo Romanus» (livro de ritos e preces) do séc. IX. Goza de pouca probabilidade a teoria que associa o uso dos Agnus Dei com o costume dos antigos fiéis de guardar consigo fragmentos do círio pascoal, ao qual (como se supõe) atribuíam especial poder de proteção.

 

Na Idade Média a bênção do Agnus Dei era efetuada no sábado santo na basílica do Latrão, em presença do Sumo Pontífice; o arquidiácono, a quem competia oficiar o rito, misturava à cera liquefeita o óleo santo do crisma, benzia a mistura e a colocava em fôrma, onde a massa recebia os traços do Cordeiro. Os fragmentos assim oriundos eram guardados até a oitava da Páscoa, domingo em que vinham distribuídos aos fiéis após a S. Comunhão. Os cristãos os conservavam e, ao correrem um perigo qualquer, os queimavam com devoção.

 

Aos 21 de março de 1470, o Papa Paulo II, para evitar o comércio e os abusos do Agnus Dei (que o povo muito prezava), reservou ao Sumo Pontífice o direito de mandar fazer e de benzer tais objetos. Esta reserva continua em vigor, sendo que a confecção dos Agnus Dei está hoje em dia confiada aos monges cistercienses da basílica da Santa Cruz de Jerusalém (Roma).

 

O Santo Padre procede à benção dos Agnus Dei durante a oitava de Páscoa do primeiro ano de seu pontificado e a renova de sete em sete anos, fora as ocasiões de afluência extraordinária de peregrinos a Roma (jubileus, canonizações, etc.), quando se esgota a reserva de tais objetos, fazendo-se necessária nova provisão.

 

2. Eficácia do Agnus Dei

 

O Agnus Dei constitui um dos chamados «sacramentais» da Igreja, e é como tal que ele produz seus efeitos.

1. Pergunta-se então: que são os sacramentais?

 

Os sacramentais (adjetivo que foi substantivado no séc. XII) são objetos ou ritos que, ostentando semelhança com os sacramentos, são utilizados pela Igreja a fim de obter de Deus efeitos primariamente espirituais. Exemplificando:

a) Pertencem à categoria dos sacramentais as bênçãos que a Igreja confere aos elementos materiais com os quais o homem lida no desempenho de sua tarefa neste mundo. A Igreja confere tais bênçãos a fim de que nenhuma das funções humanas fique profana ou neutra perante a religião, mas, ao contrário, todas, por mais corriqueiras que pareçam, constituam uma extensão da obra da Redenção ao setor em que o operário, o artista, o estudioso, o pai de família... vivem; assim as bênçãos dos alimentos, das casas, das oficinas, dos navios, etc.

b) Sacramentais são também certos objetos bentos ou consagrados para servirem exclusivamente a fins religiosos, concorrendo do seu modo (vê-Io-emos abaixo) para a santificação do indivíduo. Assim, um terço bento, uma medalha benta, as cinzas bentas na quarta-feira inicial da Quaresma, as palmas do domingo anterior a Páscoa, e também a cera benta sob a forma do Agnus Dei.

c) É um sacramental outrossim o uso dos objetos indicados sob a letra b; o uso, por exemplo, da água benta e, em particular, o uso ou a leitura da Sagrada Escritura, a recitação do Oficio Divino ou Breviário.

 

Mediante as preces que a Igreja realiza sobre os sacramentais quando os benze ou mediante a autoridade que lhes confere quando os promulga, o uso desses objetos adquire uma eficácia própria, muito maior do que a que proviria unicamente das boas disposições do indivíduo. É todo o peso, por assim dizer, da oração da Igreja (sempre agradável a Deus) que se coloca por detrás dos sacramentais a fim de impetrar do Divino Esposo efeitos salutares para os fiéis que os usam. — Contudo é preciso acentuar bem que a eficácia dos sacramentais nada tem de mecânico ou mágico; o uso desses objetos (medalha benta, escapulário, água benta...) não força Deus a dar as suas graças nem por si garante a salvação do homem. Exigir-se-á sempre que quem recorra aos sacramentais o faça conscientemente, excitando contrição, fé e caridade em seu ânimo. Os sacramentais pressupõem tais disposições e visam avivá-las mais ainda, sendo que, para a consecução de tal efeito, concorre, no caso, a oração pura e sempre válida da Igreja.

 

Embora geralmente os efeitos colimados pelo uso dos sacramentais sejam de índole espiritual (graças atuais que fomentem o progresso nas virtudes, fuga do espírito maligno,alguns podem ter anexos também benefícios de ordem temporal ou material (obtenção de saúde, de tempo bom, de messe abundante), pois o corpo do cristão pertence, como o espírito, ao plano religioso e sobrenatural; é objeto digno da prece da Igreja. Requer-se, porém, que quem se serve dos sacramentais para impetrar algum benefício temporal não faça desse beneficio o termo quase absoluto de suas aspirações, identificando sua felicidade com a posse de um objetivo material; lembre-se de que Deus só concede os bens temporais na medida em que sejam compatíveis com a salvação eterna dos fiéis; a dor e o sofrimento não são, para o cristão, enigma inconciliável com a Providência de sorte que o discípulo de Cristo deva crer que o Senhor o libertará da cruz todas as vezes que orar com piedade e devoção; não, não creia nisto o cristão.

 

2. À luz de tais idéias é que se deve considerar o uso do Agnus Dei.

 

Esse objeto, colocado dentro de um invólucro de pano, pode ser trazido nas vestes dos fiéis ou exposto em uma sala, aplicado a um órgão doente, contraposto às chamas, como também pode ser osculado com a recitação concomitante de uma jaculatória. Estas práticas serão profícuas se forem inspirados pela pura intenção de servir a Deus na fé e na caridade (caridade cujo objetivo primário é a identificação incondicional com a vontade do Pai do céu).

 

Na verdade, são maravilhosos os efeitos atribuídos ao Agnus Dei pelos formulários que costumam acompanhar tais objetos;... tão maravilhosos que merecem uma análise ao menos sumária:

 

a) entre os benefícios espirituais, promete-se infusão ou aumento da graça, apagamento dos pecados veniais.

Como entender isto ?

 

Nenhum desses efeitos é diretamente obtido pelo Agnus Dei. Ensinam os teólogos que o uso piedoso dos sacramentais, em virtude da intercessão da Igreja, pode obter graças atuais que despertam a contrição e a caridade; estas duas virtudes é que vão diretamente alcançar o perdão de pecados veniais e o aumento da graça santificante ou mesmo a infusão desta em uma alma que não a possua (desde que tal alma, embora o deseje, não possa receber o sacramento da penitência).

 

Ainda será obtendo graças atuais que o recurso ao Agnus Dei poderá indiretamente alcançar, como diz o mencionado formulário, «o desenvolvimento da piedade, a dissipação da tibieza, a preservação contra o vício, a predisposição para a virtude». Está claro que as graças atuais assim alcançadas e o progresso na virtude favorecido por elas tornam a alma apta « se desvencilhar das ciladas do demônio e a escapar à eterna ruína». Isto, porém, está longe de significar que as pessoas portadoras do Agnus Dei são isentadas de tentações diabólicas. As tentações, no plano de Deus, devem constituir ocasiões de purificação e mais consciente adesão ao Senhor (cf. 1 Cor 10,13); por isto muito se enganaria quem julgasse poder santificar-se sem passar pelo cadinho das tentações ou poder adquirir um «passaporte» que imunizasse contra os assaltos do demônio; a vida dos santos atesta mesmo que, quanto mais uma alma progride na virtude, tanto mais também pode Deus permitir que seja perseguida pelo Maligno, para o maior bem dessa alma (sejam citados o Abade S. Antão outrora residente no deserto e o Santo Cura d'Ars, filho do séc. XIX);

 

b) benefícios temporais: tais seriam, segundo os formulários distribuídos com o Agnus Dei, a isenção de morte repentina e dos terrores causados pelos fantasmas; mais ainda: a imunização contra doenças, pestes, epilepsia, venenos, raios, saraiva, incêndios, inundações... Em uma palavra, os Agnus Dei «armam com a proteção divina contra a adversidade, fazem evitar os perigos e as desgraças, dão prosperidade».

Que interpretação dar a tais dizeres ?

 

Tais promessas têm primariamente o sentido seguinte: o uso devoto do Agnus Dei imuniza não propriamente contra o sofrimento temporal, a doença e as catástrofes físicas como tais, pois nada disto é realmente um mal para os fiéis, desde que Cristo tomou sobre si as nossas dores e a nossa morte física (desde então o sofrimento e a morte são instrumentos de Redenção e santificação para o discípulo de Cristo que as abrace em união com o Salvador). Mas, em termos positivos, o uso devoto do Agnus Dei pode concorrer eficazmente para se evitar o verdadeiro e único mal, que muitas vezes está anexo às desgraças físicas, isto é, o desespero, a revolta contra Deus, a perda de coragem, de espírito de fé e confiança sobrenaturais... Estas, sim, são calamidades, as únicas calamidades para o cristão, pois são os únicos males que Cristo não tomou sobre si e não transformou (nem podia transformar) em meios de santificação; por conseguinte, destas desgraças é que o cristão procura a todo transe fugir, sendo nisto auxiliado pela prece da Igreja e as graças atuais que o Agnus Dei pode comunicar. A doença e os demais flagelos desta vida só são um mal para o homem caso se tornam ocasião para que peque.

 

Repitamo-lo, pois: já que o pecado e a impiedade são não raro ocasionados pelo sofrimento físico, diz-se que o Agnus Dei preserva do sofrimento físico. Isto significa que imuniza não da cruz como tal (pois então é que seria verdadeiramente digno de compaixão e infeliz o cristão), mas da única desgraça (que é espiritual, sobrenatural) frequentemente decorrente do sofrimento físico. O Agnus Dei tornar-se-á mesmo canal de força e caridade para que os fiéis sofram com o máximo proveito, usufruindo tão zelosamente quanto possível as graças que jorram da cruz.

 

Com estas observações não se quer negar que o Senhor possa realmente isentar de males temporais os devotos do Agnus Dei. Ele o fará, porém, segundo os desígnios imprevisíveis de sua Providência, visando favorecer a santificação dos fiéis, sem que em caso algum possamos de antemão prometer-nos a isenção de tais males em troca do recurso ao sacramental.

 

3. Nos formulários explicativos das «Virtudes do Agnus Dei», ainda se lê:

«Eis, segundo os Papas Urbano V, Bento XIV, Paulo II, Júlio III e Xisto V, as propriedades que se têm reconhecido nos Agnus Del em favor de quem os trazem com devoção e confiança».

 

Quer esta frase envolver a autoridade dos Sumos Pontífices nas promessas do Agnus Dei?

 

Não, em absoluto. Note-se bem: o texto acima dá a entender apenas que os Papas nomeados atestaram a crença popular, ou seja, atestaram que eram geralmente atribuídas pelos fiéis tais e tais propriedades ao objeto bento. Esta atestação não significa de modo nenhum declaração ou definição dogmática. Implica unicamente que os Pontífices citados julgaram não haver, a rigor, erro dogmático em tal crença popular, podendo esta ser entendida devidamente, nos termos acima explanados mencionaram em alguns breves e bulas tal estima do povo para com o Agnus Dei, não propriamente por causa dos efeitos materiais prometidos, mas principalmente por causa dos benefícios espirituais, ou seja, dos estímulos que para a vida de piedade podia trazer a divulgação de tal crença popular; referindo, pois, a opinião pública, os Papas visavam, antes do mais, despertar o espírito de fé e de oração nos cristãos.

 

Quanto às cláusulas «Imprimatur» e «Reimprima-se» que encerram os folhetos explicativos do Agnus Dei, elas representam o resultado da censura eclesiástica. Está claro que não têm significado mais amplo do que o testemunho dos Papas que acabamos de elucidar. Observe-se que à censura eclesiástica cabe unicamente verificar se em determinado texto se encontram erros dogmáticos ou morais ou algo que se oponha ao decoro da religião cristã. O resultado da censura é, por conseguinte, meramente negativo; está longe de significar que o censor ou o prelado diocesano fazem suas as idéias expressas no texto examinado; eles apenas reconhecem que tais idéias são compatíveis com o edifício dogmático do Cristianismo, embora não falem sempre daquilo que há de mais belo e profundo na fé cristã. É à luz destes princípios que se deverá entender o «Imprimatur» dado ao folheto «Virtudes do Agnus Dei».

 

Lembremo-nos de que a Santa Igreja é sempre sóbria e cautelosa ao admitir promessas e fenômenos portentosos. Que os fiéis não se afastem desta sabedoria !

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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#0•A2464•C201   2012-12-06 11:43:15 - Convidado/[email protected]
é bom lembrar que o agnus Dei, conforme entendi não é um amuleto.

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