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PERGUNTE e RESPONDEREMOS 10 - Outubro de 1958

 

A Igreja Oriental

HISTÓRIA

F. G. L. (João Pessoa): “Que se entende por 'Igreja Oriental'? Qual a sua situação presente?

 

«Igreja Oriental» (também se diz «Igrejas Orientais») é expressão que pode designar um ou mais dos três seguintes blocos de cristãos. Com efeito, no Oriente há:

 

1) Fiéis unidos à Igreja universal, que obedecem ao Vigário de Cristo residente em Roma. Diferem dos cristãos ocidentais por usos disciplinares, de importância secundária, usos veneráveis, porém, por sua antiguidade e ainda recentemente confirmados pelo Código de Direito Canônico Oriental; assim esses fiéis celebram a S. Liturgia em idiomas diversos e segundo ritos próprios (rito cóptico, celebrado em idioma árabe e cóptico; rito etiópico; rito antioqueno, em sírio e grego; rito maronita, em sírio; rito armeno; rito greco-bizantino, etc.); recebem a S. Comunhão sob a forma de pão às vezes fermentado e mergulhado no vinho consagrado; os seus clérigos não têm obrigação de guardar o celibato (com exceção dos bispos, que, por isto, são nomeados geralmente dentre os monges).

 

No Brasil são dignamente representados pelos Maronitas ou sírios do Monte Líbano, os quais devem seu nome a um monge, S. Maron, organizador da respectiva comunidade religiosa nos séc. IV/V. Dentre os orientais hoje unidos a Roma, dizem alguns historiadores que somente os Maronitas jamais aderiram à heresia e ao cisma (conforme outros autores, porém, os libaneses professaram durante séculos os erros do Monotelismo, tendo uma boa parte deles voltado à Igreja universal em 1181; e os restantes, em 1445).

 

Aos católicos ocidentais é lícito participar dos ritos dos orientais unidos à Igreja universal.

 

2) Cristãos cismáticos chamados «ortodoxos». São os bizantinos e todos os demais fiéis que seguiram Miguel Cerulário ao se separar da Santa Igreja no séc. XI (ver a resposta no 11 deste fascículo – O Cisma dos Irmãos Ortodoxos).

 

3) Cristãos heréticos e cismáticos. Aderiram a alguma heresia concernente a Cristo (ou ao Nestorianismo, que afirma haver em Cristo duas naturezas e duas pessoas; ou ao Monofisismo, que só admite uma natureza e uma pessoa, divina, em Cristo); separaram-se da Igreja universal nos séc. V/VI. Em princípio, nada têm a ver com o cisma de Miguel Cerulário.

 

O mais numeroso desses três blocos é o dos cristãos cismáticos ortodoxos. Estes não constituem uma sociedade ou Igreja única, mas um agrupamento de igrejas, mais ou menos independentes umas das outras, ligadas entre si por certa unidade de fé, de ritos, assim como por relações amigáveis. Em geral, cada uma dessas igrejas é governada por um santo Sínodo, presidido pelo respectivo Patriarca ou Arcebispo, sínodo em que o voto da maioria decide sobre questões de fé, de moral, de culto. Ao Patriarca ecumênico de Constantinopla tocam apenas privilégios de honra, não de jurisdição sobre as demais igrejas; estas podem apelar para ele em suas contendas, mas não têm obrigação de o fazer.

 

É a falta de Supremo Cabeça visível que mina a vida das comunidades cismáticas, como atestam seus próprios teólogos. São impotentes para resistir às indevidas ingerências dos governos civis. Além disto, os cismáticos têm consciência de que eles por si, sem a adesão dos latinos, não constituem a Igreja universal e de que, por conseguinte, não podem reunir um concilio ecumênico (geral); para eles, após o cisma, não há mais órgão que lhes interprete autenticamente o depósito revelado (pois este órgão seria o testemunho unânime de toda a Igreja); a voz viva da Tradição está representada, para eles, pelos sete primeiros concílios ecumênicos apenas (dos quais o último foi o segundo de Nicéia em 787); cf. «P.R.» 6/1958, qu. 10, Note-se, porém, que nas comunidades cismáticas ortodoxas geralmente se conserva a sucessão apostólica; o que quer dizer: confere-se o verdadeiro sacerdócio de Cristo e consagra-se validamente a Eucaristia. Contudo não é licito a um católico participar dos ritos dos cismáticos.

 

Segue-se abaixo uma tabela dos dois grupos constitutivos da Igreja Oriental dissidente (ns. 2 e 3 acima), à qual se acrescenta uma terceira lista representativa dos cristãos unidos ou católicos (n1 acima; a cada um dos principais grupos dissidentes corresponde um grupo católico, que segue os mesmos ritos e usos). Fazemos notar que as cifras são apenas aproximativas.

 

1. Cristãos Cismáticos Ortodoxos

1) Patriarcado de Constantinopla: abrange a sede de Constantinopla, as quatro dioceses de Derkos, Imbros, Calcedônia e Prikipo, o mosteiro do monte Athos (Grécia), pequenos grupos da Europa, da América e da Austrália, num total de 120.000 fiéis.

2) Patriarcado de Alexandria: os cristãos do Egito setentrional caíram no Monofisismo, de modo que, a partir de 541, o Patriarcado (não monofisita) se constituía de gregos imigrados, ditos «Meiquitas» (porque aderiam à reta fé, professada pelo Imperador bizantino = Melek). O Islamismo destruiu quase por completo a Patriarcado em 638; o que ficou, separou-se de Roma na época de Fócio (séc. IX). O Patriarcado atual conta cerca de 150.000 almas.

3) Patriarcado de Antioquia: parte dos respectivos fiéis aderiu ao Nestorianismo, parte ao Monofisismo (séc. V/VI); os que conservaram a reta fé, caíram no cisma de Cerulário (séc. XI). O Patriarca reside em Damasco (Síria). Conta 180.000 membros no Oriente e na América.

4) Patriarcado de Jerusalém: Jerusalém foi destruída por Tito em 70 d.C.; em 135, os Romanos edificaram em seu lugar a cidade de «Aelia Capitolina»; o bispo cristão aí instalado dependia do metropolita de Cesaréia da Palestina. O concilio de Calcedônia (451) declarou-o Patriarca independente. O Patriarcado conservou-se isento de qualquer heresia, mas caiu no cisma no fim do séc. XI, Compreende 40.000 fiéis na Palestina e 20.000 na Transjordânia. Além do Patriarca cismático de Jerusalém, existem dois Patriarcas católicos do mesmo título: um de rito melquita, residente em Antioquia, e outro de rito latino, morador na Cidade Santa.

5) Patriarcado de Moscou : os russos se converteram ao Cristianismo sob o Grã-Duque Vladimir de Kiev (980-1015); aderiram, porém, ao cisma de Cerulário. O Patriarcado conta cerca de 100.000.000 de almas.

6) Patriarcado da Sérbia: é integrado por 6.785.000 fiéis, esparsos pela Iugoslávia, a Hungria e os Estados Unidos da América.

7) Patriarcado da Romênia: abrange 18 dioceses e 13.067.000 almas.

8) Igreja grega: desmembrou-se de Bizâncio em 1821. É dirigida pelo Santo Sínodo, que o rei da Grécia preside. Consta de 7 bispos e do metropolita de Atenas, com jurisdição sobre 6.000.000 fiéis.

9) Igreja da Bulgária: em 1235 aderiu definitivamente ao cisma. Consta de 11 bispados com 5.350.000 almas.

10) Igreja albanesa: tornou-se autônoma dentro do cisma em 1929, integrada pela metrópole de Tirana, 4 bispados e 200.700 fiéis.

11) Igreja polonesa: independente dentro do cisma desde 1924. Conta 954.500 fiéis.

12) Igreja da Letônia: emancipada dentro do cisma em 1935. Conta 180.000 almas.

13) Arcebispado de Chipre : seu primeiro bispo terá sido S. Barnabé, Apóstolo. Adotou o rito latino no séc. XII. Logo que Chipre foi conquistada pelo turcos em 1571, aderiu ao cisma. Conta 300.000 almas.

14) Arcebispado do Sinai: compreende o mosteiro de Sta. Catarina no monte Sinai e uma pequena comunidade monástica no Cairo, A partir de 1575, é circunscrição independente; o superior religioso recebe a sagração episcopal.

15) Catolicato da Geórgia: a principio, estava sujeito a Antioquia; no séc. V começou a ter um «Katholikós» (bispo) próprio, com sede em Tiflis. Conta 2.500.000 almas.

 

2. Cristãos Cismáticos Orientais Não Ortodoxos

 

1) Nestorianos da Síria Oriental: cerca de 100.000 almas (no Iraque, no Irã, na Síria propriamente dita).

2) Armênios Monofisitas: 2.500.000 almas (na Rússia, na Turquia, na Pérsia, na Síria, na Palestina, na Grécia, em Chipre, na China, nos EE. UU. da América).

3) Sírios jacobitas (monofisitas): comunidade organizada por Tiago (Jacobus) Baradai em 542/544. Conta 80.000 almas na Mesopotâmia setentrional, no Kurdistão, na índia,

4) Cristãos de São Tome (nestorianos convertidos ao monofisismo em 1665) : 200.000 almas na Síria, na Pérsia, na índia, na China.

5) Igreja copta monofisita ; 800,000 almas, no Egito.

6) Igreja abissínia monofisita: 4.000.000 de almas.

 

Eis agora a lista das comunidades católicas que, tendo voltado do cisma à Igreja, correspondem aos grupos dissidentes:

 

3. Católicos Orientais

 

1) Cristãos unidos a Roma correspondentes aos cismáticos ortodoxos:

Gregos de Constantinopla e da Grécia: 3.000 almas. Melquitas : 170.000 almas, no Oriente próximo e dispersos.

Rutenos: 5.162.400 almas, na Polônia, na Tchecoslováquia, na Hungria, na Romênia, nos EE.UU. da América, Russos dispersos: 3.000 almas.

Russos na Rússia Branca e na Polônia: 40.000 almas. Sérvios e croatas: 43,000 almas. Búlgaros: 6.000 almas. Romenos: 1.7000.000 almas.

Húngaros da diocese de Hajdu-Doroph: 142.000 almas.

Albaneses: poucos.

Ítalo-albaneses : 70.000 almas, na Itália e dispersos. Estônios: poucos. Geórgios: poucos.

 

2) Cristãos unidos a Roma correspondentes aos nestorianos:

Sírios: 71.300 almas, no próximo Oriente e dispersos.

Cristãos de Malabar: 947.109 almas, na índia.

 

3) Cristãos unidos a Roma correspondentes aos monofisitas:

Cristãos de Malancar : 60.000 almas (na Índia).

Coptas: 63.000 almas (no Egito).

Etíopes: 35.000 almas.

Armênios: 100.000 almas, no próximo Oriente e dispersos.

 

O único grupo ao qual não corresponde uma parte cismática, ou único grupo oriental inteiramente católico é o dos Maronitas: 336.000 almas (em 1932).

 

Estas cifras perfazem um total de mais de 9.000.000 de fiéis católicos orientais (por seus ritos e tradições) unidos a Roma. Revelam outrossim a existência de mais de 150 milhões de cristãos orientais, cifra que muito concorrerá para excitar o interesse dos fiéis latinos por esse notável bloco de irmãos depositários de tesouros antigos e veneráveis da espiritualidade cristã.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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