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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 008 – agosto 1958

 

Que é Altar Privilegiado?

PERTURBADO (Rio de Janeiro): “Que é um altar privilegiado? E como se justifica esse privilégio?

 

A resposta a esta questão supõe o que foi dito sobre o purgatório em «Pergunte e Responderemos» 8/1957 qu. 3, e sobre - as indulgências em «P. R.» 2/1958 qu. 2.

 

Resumindo o que se refere às indulgências, lembraremos que os méritos de Cristo (os quais frutificam nos da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos) constituem o chamado «tesouro da Igreja». Este depósito sagrado está confiado à Esposa de Cristo qual mandatária do Senhor e depositária dos meios da salvação; ela pode dispor de tal tesouro segundo o seu justo critério. Na verdade, ela o faz associando a certas obras a remissão de penas devidas a pecados já perdoados. Tão liberal remissão se chama «indulgência». As indulgências podem ser lucradas em favor de quem age ou do seu próximo aqui na terra; podem outrossim ser oferecidas a Deus em sufrágio dos fiéis defuntos que alguém queira beneficiar, obtendo-lhes a remissão da pena expiatória póstuma.

 

Ora acontece que entre as obras enriquecidas de indulgências está a celebração da S. Missa em «altar privilegiado», Este, por definição, proporciona indulgência plenária (remissão total das penas do purgatório) ao defunto pelo qual se celebra a S. Missa. A Santa Igreja, constituindo um altar privilegiado, geralmente visa chamar a atenção dos fiéis para tal verdade ou tal fato histórico que se relacionem com o mencionado altar — o que deve redundar em beneficio da piedade dos cristãos.

 

Não se poderia, porém, deixar de notar que a aquisição de indulgências fica sempre sujeita a incertezas, pois supõe, da parte de quem age, contrição e caridade tais que ninguém pode assegurar que de fato as possui (cf. «Pergunte e Responderemos» 2/1958, qu. 2). A aplicação de indulgências aos fiéis defuntos ainda está envolvida em maiores dúvidas, pois os mortos já não pertencem à jurisdição da Igreja militante na terra; Cristo não nos revelou a maneira como lhes aplica os nossos sufrágios, como nota o conceituado teólogo P. A. Michel:

 

«Quando se lucram indulgências por via de sufrágio pelos mortos, a incerteza aumenta... Já não estamos aqui no setor da justiça pura e simples como... seria o caso se alguém satisfizesse por si mesmo e porque o deve; quem oferece a Deus o sufrágio em favor dos defuntos, procura agir sobre outra alma que não a sua própria. A cota penitencial, que já é incerta no tocante a nós, é então aplicada à realidade de além-túmulo, que para nós é o mistério quase absoluto» (Indulgences, em ‘Dictionnaire de Théologie Catholique’ VII 2. Paris 1930, 1622).

 

Sendo assim, entende-se que, no caso particular do «altar privilegiado», a Santa Sé, por meio da Sagrada Congregação das Indulgências, haja declarado em 1840:

 

«Por indulgência anexa a um altar privilegiado, se se considera a mente de quem a concede e o uso habitual do poder das chaves, entenda-se uma indulgência plenária, que liberta a alma imediatamente de todas as penas do purgatório; se, porém, se considera a aplicação dos frutos, entenda-se uma indulgência cujas proporções correspondem ao beneplácito e à aceitação da misericórdia divina» (Decreta authentica 283).

 

Como se vê, falso seria crer que o altar privilegiado produz efeito mecânico. No caso, a Santa Igreja faz uso legítimo do chamado «tesouro da Igreja»; não se sabe, porém, em que medida os cristãos na terra estão aptos para obter e os defuntos no purgatório capacitados para receber tão liberai aplicação dos méritos do Redentor.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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