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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 008 – agosto 1958

 

Que Pensar da Psicanálise?

CIÊNCIA E RELIGIÃO

L D (Sete Lagoas): “Como se devem julgar a doutrina de Freud e a psicanálise em geral?

 

Começaremos por recordar, sumariamente, as principais teses de Freud, para poder proferir um juízo sobro elas.

 

1. A ideologia de Freud

 

O médico de Viena Segismundo Freud (1856-1939) encabeça uma corrente de psicoterapia que ensina serem as neuroses o produto de fatores ocultos e inconscientes a mover o indivíduo; a descoberta e o reconhecimento de tais fatores seria um dos principais remédios que o médico possa fornecer ao paciente a fim de que se liberte de estados mórbidos e desenvolva harmoniosamente sua vitalidade.

 

Essa corrente psicoterapêutica é comumente chamada «a Escola Psicanalítica» ou simplesmente «Psicanálise» (— exame da alma); depende da «Psicologia das profundezas» (= ciência dos elementos encerrados nas profundidades ou no subconsciente da alma). Verdade é que Freud e seus discípulos ortodoxos querem reservar para seu sistema característico o nome de «Psicanálise»; do seu lado, psicoterapeutas não-freudianos, embora recorram a métodos análogos, preferem designar-se por outro título, a fim de se distinguir bem dos freudistas. Não obstante, o termo «Psicanálise» (tomado no sentido etimológico) tem significado mais amplo que o de «Freudismo»; este representa uma modalidade da psicanálise, modalidade bem marcada por sua Filosofia.

 

Qual seria então essa Filosofia?

 

Para Freud, os processos psíquicos (atos e sentimentos do homem) são rigorosamente determinados por forças afetivas ou, mais claramente, pelo instinto sexual, que tecnicamente é chamado libido (= desejo violento, paixão, em latim). Esta libido, conforme o freudismo, move a criatura humana desde a infância; já certos atos do bebê, entre os quais o de comer, têm significado sexual, são «erotizados» (Eros = amor, em grego). Crescendo em idade, o indivíduo dirige seus desejos sexuais para a pessoa de seus pais; a seguir, para o próprio corpo (fase de «narcisismo» e masturbarão) ou para pessoa do mesmo sexo; finalmente toma o seu aspecto normal voltando-se para o outro sexo.

 

Pode dar-se, porém, no indivíduo um desenvolvimento sexual anormal, devido em parte a recalques (repressões) e supressões que a pessoa exerce sobre si em virtude de «preconceitos» do mundo externo (este, com suas categorias de pudor, exige que cada membro da sociedade ande controlado). Famoso exemplo de aberração é o chamado «complexo de Édipo» (conforme a lenda grega, Édipo, filho do rei e da rainha de Tebas, matou seu pai para esposar sua mãe, enredado que estava em circunstâncias fatais): todo menino, diz Freud, ama naturalmente sua mãe e vê em seu pai um rival; acontece, porém, que, ao crescer em idade, o rapaz não passe dessa primeira fase sexual; não podendo então satisfazer seu desejo erótico com a pessoa de sua mãe, transfere-o (expressão técnica) para outro termo, ou seja, para outra mulher, para a escola, para a pátria, etc. Se se trata de uma menina (que em estado infantil seria voltada para seu pai), o complexo de Édipo, ou melhor, «de Electra» (outra personagem da literatura grega, famosa, por haver vingado a morte de seu pai, que ela muito amava) se transfere para o mestre, o guarda policial, o médico, etc., gerando atitudes mescladas de amor, admiração, respeito, ódio para com tais pessoas. Assim a atividade psíquica do adulto não seria senão sexualidade infantil reprimida!...

 

Freud enumerava ainda, como outros fatores de estados psíquicos anormais, o complexo de castração, os instintos da vida e da morte (este com suas duas modalidades: o masoquismo, tendência do indivíduo a se maltratar, e o sadismo, tendência a infligir pena aos outros), a força da «censura», etc.

 

Muito importante no freudismo também é a divisão da psyché (alma) em três partes: o Id (Es, em alemão), sujeito neutro, que vem a ser.o cabedal ou reservatório de instintos inatos que cada indivíduo inconscientemente traz em seu íntimo; o Ego, que representa a personalidade consciente, sujeito dos pensamentos, afetos e movimentos humanos; o Super-Ego, que é o poder censor e orientador do indivíduo; aparece geralmente aos cinco anos de idade e equivale à chamada «consciência moral», constituindo-se, em parte, de forças inconscientes que se recalcam ou que se sublimam (termo técnico), aplicando-se a objetos mais nobres do que os normais.

 

Freud não hesitou em avaliar à luz destes princípios todas as manifestações da vida humana, inclusive as da religião, as da cultura e da civilização. Uma das vias que ele mais explorou para desvendar o subconsciente, foram os sonhos («via regia», como dizia); estes constituiriam manifestações de desejos latentes, apresentados sob falsas vestes de modo a burlar o poder de censura do próprio indivíduo; por conseguinte, interpretar os «símbolos» que aparecem nos sonhos, é tarefa de primeira importância para o psicanalista freudiano.

 

Tais proposições já bastam para que possamos passar a uma apreciação da posição doutrinária de Freud.

 

2. Um juízo sobre a questão

 

No nosso julgamento devemos distinguir entre o Freudismo estritamente dito e a Psicanálise, conceito mais largo, de que falamos atrás.

 

a) O sistema de Freud, na verdade, vem a ser mais do que um método de técnica psicoterápica; equivale a uma concepção geral do homem e do mundo. Com efeito, o Freudismo toca as questões capitais: «Quem é Deus? Quem é o homem?». Ora da resposta dada a estas duas perguntas depende a solução de todos os problemas morais, religiosos e filosóficos que o homem possa formular.

 

À primeira das duas grandes questões responde Freud, segundo os princípios acima enunciados, que Deus não é uma realidade objetiva, mas apenas uma idéia subjetiva, mero produto da mente humana afetada por um complexo doentio. Os freudistas apresentam mais de uma tese para explicar o surto dessa idéia. Uns julgam que provêm do deslocamento da atitude da criança para com seus pais: o pequenino concebe os genitores como entes cheios de bondade, sabedoria e poder, que lhe incutem segurança na vida; em idade mais adiantada, procurando ainda gozar da mesma sensação de segurança, evoca em sua mente outra figura cheia de bondade, sabedoria e poder, e projeta-a chamando-a «Deus». Outros afirmam que a noção de Deus não é senão a projeção do Super-Ego interior e um produto de sublimação da libido.

 

Quanto ao homem, diz-nos Freud, numa quase definição, que é um animal sexual ou, mais precisamente, «bissexual».

Ao identificar o psiquismo humano com a sexualidade, o sábio austríaco julgava propor ao mundo a terceira grande descoberta registrada pela antropologia recente ou o terceiro desmentido à megalomania do homem clássico: o primeiro desmentido teria sido o de Copérnico, o qual provou ao homem que ele não habita o centro do universo, pois a Terra não é senão um astrozinho a girar em torno do Sol; o segundo se deveria a Darwin, que fez descer o homem da sua posição privilegiada de «rei da criação» para o nível dos demais animais; o terceiro, o de Freud, subtraía finalmente ao indivíduo humano o último título de garbo, fazendo-lhe crer que não é senão o joguete de seus instintos mais baixos, instintos dos quais muitas vezes nem é consciente. Estranha insistência em humilhar o homem!

 

Se, porém, se perguntasse a Freud como provaria essa concepção antropológica, responderia tranquilamente que a única prova consiste em se aceitar a doutrina já formulada. O fato de que alguém nutra dúvidas a respeito das teses da Psicanálise, ensina o mestre, provém de preconceitos; e, para que o homem se liberte desses preconceitos que induzem ao erro, é necessário se submeta à Psicanálise; em consequência, ninguém, antes de se render a um tratamento freudiano, é apto para julgar a doutrina de Freud e lhe opor alguma objeção válida. O douto autor se encastelava assim num fortim aparentemente irredutível. Fechava a porta à discussão, distanciando-se de todos os sistemas da ciência humana, os quais recorrem a critérios objetivos para obter a aceitação do público. A posição freudiana, porém, equivale a uma afirmação gratuita, coisa que é pouco convincente. Ademais bons médicos, depois de submetidos à Psicanálise por Freud mesmo ou por algum de seus discípulos, recusaram aceitar integralmente as teorias do mestre (é o que referem os dois autores Vanderveldt e Odenwald na notável obra «Psychiatrie et Catholicisme». Paris 1954, 217).

 

Na verdade, o pansexualismo de Freud é errôneo; rejeitam-no psiquiatras cada vez mais numerosos, admitindo, como independentes do instinto sexual, outros agentes da vida psíquica, quais as tendências à ambição, à inveja, ao egoísmo, à cobiça de riqueza e fama, etc. Dentre os próprios discípulos de Freud, houve quem cedo abandonasse a tese do pansexualismo (assim em 1912 Alfred Adler, Carl Gustav Jung); outros se afastaram mais tarde, como Bleuler, Stekel. O testemunho destes cientistas é corroborado pelo de S. Santidade o Papa Pio XII num discurso proferido aos membros do I Congresso Internacional de Histopatologia do sistema nervoso, em 14 de setembro de 1952:

 

“Não está provado, é mesmo inexato» que o método pansexual de certa escola de Psicanálise seja parte integrante indispensável de toda a psicoterapia séria e digna deste nome; que o fato de se ter no passado descurado este método tenha causado graves males psíquicos, erros de doutrina e de aplicações em educação, em psicoterapia e também em pastoral; que urja preencher essa lacuna e iniciar todos aqueles que se ocupam com questões psíquicas, nas idéias diretrizes e mesmo, se fôr preciso, no manejo prático dessa técnica da sexualidade” (transcrito da «Revista Eclesiástica Brasileira» XII [1952] 949).

 

Vã é outrossim a afirmação de que o homem é animal não simplesmente sexual, mas bissexual. Os casos dos indivíduos simultaneamente heterossexuais e homossexuais não bastam para sustentar tal proposição; o comportamento de certos adolescentes, que parece argumento mais persuasivo, explicar-se-ia melhor se se admitisse que são assexuais.

 

Passando agora ao setor da educação, verifica-se que os princípios de Freud dão frutos nocivos: o pedagogo que os adota, toma por norma «não criar inibições para não produzir neuroses»; em consequência, pais e mestres receiam impor disciplina aos jovens a fim de não criar neles um «recalque» qualquer; não dizem mais que alguém esquece alguma coisa, mas que a «retém», e a retém por razões de libido; os erros da linguagem e da escrita, os atos desajeitados, os devaneios da fantasia, as pilhérias são anàlogamente explicados como expressões de um instinto oculto propulsor e consequentemente subtraídos ao foro da moralidade; o Freudismo os aprecia principalmente enquanto são indícios reveladores dos complexos psicológicos do respectivo sujeito. Assim Freud se colocou num plano semelhante ao de Nietzsche, seu contemporâneo, plano em que são desvirtuadas ou pretensamente ultrapassadas as categorias do bem e do mal (o que vem a ser grave erro não somente de Ética, mas também de Metafísica; cf. «Pergunte e Responderemos» 7/1958 qu. 5). Reconheça-se, porém, que o sábio austríaco até o fim da vida manteve uma conduta moral irrepreensível, mostrando-se marido atencioso e pai dedicado de seis filhos.

 

As considerações acima evidenciam que o Freudismo redunda em materialismo, reduzindo o ser humano a uma de suas expressões mais baixas, mais remotas da dignidade intelectual e livre, característica de nossa espécie. Nem Deus nem destino transcendente têm cabimento dentro dessa ideologia.

 

Nas suas aplicações psicoterápicas, o Freudismo tem tido consequências não raro daninhas, deformando a personalidade do paciente, incutindo-lhe noções errôneas, que lhe suscitam problemas novos e vãos. Um médico destituído de consciência moral facilmente se tornará destruidor da consciência do próximo mediante as idéias que irá comunicando ao seu cliente.

 

b) Eis, porém, que as concepções filosóficas de Freud são separáveis do método terapêutico que este médico (honra lhe seja feita) instaurou na psiquiatria moderna, A existência de fatores inconscientes a motivar o comportamento humano é hoje em dia comumente reconhecida, de sorte que a pesquisa dos mesmos mediante a técnica psicanalista se justifica sem dificuldade.

 

Contudo, como dizíamos, nem todos os psicanalistas (no sentido etimológico da palavra) interpretam os resultados da análise segundo os princípios filosóficos de Freud: muitos são fiéis à mais pura crença religiosa, reconhecedores da dignidade espiritual da alma, do destino transcendental do paciente e, em particular, da graça de Deus na cura de um estado patológico. Pondo os resultados da Psicanálise a serviço de sã filosofia, só podem contribuir para o reerguimento espiritual dos que sofrem, e exercer assim uma função muito próxima à do sacerdote. Será, pois, importante desfazer-se a concepção, hoje muito propalada, de que a Psicanálise por si exclui a Religião e não pode reconhecer o valor das noções de Deus e da alma, como se fossem construções imaginativas geradas por «complexos». A fim de não citar muitos nomes, lembraremos apenas que, para Jung, a Religião, longe de ser uma ilusão subjetiva, constitui a expressão mais significativa e respeitável da vida psíquica.

 

Por último, convém notar que a confissão sacramental é independente de Psicanálise, pois a sua eficácia se deriva essencialmente de fator sobrenatural ou da ação da graça de Deus, de que o sacerdote é mero ministro. Não há dúvida, porém, de que muito poderá lucrar o ministério sagrado se o confessor, além de habilitado canonicamente, estiver outrossim munido de conhecimentos psicológicos que o habilitem a constituir no penitente um fecundo receptáculo natural da graça sobrenatural.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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