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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 006 - Junho 1958

 

A Missa e o Sacrifício da Cruz

DOGMÁTICA

E. S. T. (Rio de Janeiro): “Como se entende que a Missa seja o sacrifício mesmo da Cruz? Cristo sofreu uma só vez ou continua a sofrer em cada Missa?

PAULO (Recife): “Na epístola aos Hebreus c. 9, 12-28 e 10, 10-14 está escrito que o sacrifício redentor de Cristo se realizou uma só vez, em oposição aos sacrifícios da Lei mosaica. Sendo assim, como se pode ensinar que a Missa é o mesmo sacrifício da Cruz renovado diariamente sobre os altares? Donde se infere a necessidade de tal renovação da imolação de Cristo?

 

1) Não há dúvida, a epístola aos Hebreus inculca solenemente a unicidade do sacrifício de Cristo oferecido outrora no Calvário: nesse documento Cristo aparece como o Sacerdote Único (cf. 4,14; 6,20; 7,21, 23s) a se oferecer como Vítima Única e Perfeita (cf. 7,28) numa oblação definitiva (cf. 9,11-14; 25-28; 10,10.14). O Senhor Jesus não precisa de se oferecer muitas vezes, mas sua oblação foi feita uma vez por todas, porque, à diferença do que se dava com os sacrifícios de animais irracionais do Antigo Testamento, a oferta de Cristo possui valor infinito, capaz de expiar todos os pecados, passados, presentes e futuros, do gênero humano; cf. 4,14; 7,27; 9,12.25s28; 10,12.14.

 

2) Junto, porém, com a epístola aos Hebreus, devem-se considerar os textos do Novo Testamento que referem a última ceia do Senhor. Nesta, dois traços chamam a nossa atenção:

a) Jesus se apresentou na última ceia como Sacerdote e Vítima. Deve-se mesmo dizer: colocou-se em estado de Vítima que se oferecia ao Pai pelos pecados do mundo;

b) mandou aos discípulos reiterassem tal rito.

 

Com efeito, Jesus, ao dar aos Apóstolos o pão e o vinho consagrados, apresentava-lhes o seu corpo entregue (didómenon, em grego; cf. Lc 22,19) e o seu sangue derramado, ekchunnómenon, pela remissão dos pecados (cf. Mt 26,28: Mc 14,24; Lc 22,20). Ora no estilo bíblico as duas expressões «entregar, dar o corpo (ou a alma)» e «derramar o sangue (pelos pecados)» indicam a imolação de um sacrifício propriamente dito. Quanto a «dar o corpo, a alma», veja-se Is 53,12; Mt 20,20; Rom 8,32; Gál 1,4; 2,20; Ef 5,25; 1 Tim 2,6; Tit 2,14; Hebr 10,10. O sentido sacrifical e expiatório de «derramar o sangue (pelos pecados)» depreende-se de Rom 3,25; 5,9; Ef 1,7; Hebr 9,7; 1 Pdr 1,19; 1 Jo 1,7.

 

Merece atenção o fato de que na última ceia o Senhor não ofereceu apenas o seu corpo e o seu sangue aos discípulos como alimento, mas ofereceu-os pelos discípulos, em favor destes (hyper hymoõn), o que incute o caráter sacrifical do rito (cf. Lc 22,19s). Mais ainda: ao falar do sangue da Nova Aliança na ceia, Jesus aludia a Êx 24,8, texto em que Moisés apresenta o sangue da Antiga Aliança («Este é o sangue da aliança que Javé pactuou convosco»); Cristo assim se oferecia como Vítima para selar a definitiva Aliança, em lugar da vítima irracional cujo sangue selara a primeira aliança no Sinai; Jesus assim opunha sangue a sangue, sacrifício a sacrifício, imolação realizada na última ceia a imolação realizada outrora no deserto. A última ceia destarte aparece como a Nova Páscoa, a qual, mediante o sangue do Verdadeiro Cordeiro imolado pelos pecados do mundo (cf. Jo 1,29), faz cessar os numerosos e imperfeitos sacrifícios do Antigo Testamento.

 

Não seria plausível replicar que Jesus apresentava «seu corpo e seu sangue imolados» na quinta-feira santa quais símbolos vazios de conteúdo e meramente figurativos daquilo que na realidade devia acontecer na sexta-feira seguinte. Não; as palavras do Senhor são simples e claras; Jesus não teria empregado termos ambíguos e metafóricos em circunstâncias tão solenes, acarretando insolúvel confusão na mente dos discípulos. Por conseguinte, repitamo-lo, sobre a mesa (que se transformava em altar) Jesus se colocava em estado de Vitima, realizando uma ação sacrifical. Quem ainda concebesse dúvidas sobre o sentido do texto evangélico, poderia resolvê-las considerando a praxe e o ensinamento das gerações cristãs, que, desde os inícios da Igreja, tomaram as palavras de Cristo no seu significado próprio e natural.

 

Leve-se agora em conta que Cristo mandou aos Apóstolos reiterassem o rito da última ceia, última ceia à qual Jesus atribuía o significado acima exposto; cf. 22,19; 1 Cor 11,24. Desta ordem concluíram os Apóstolos e as gerações subsequentes que, todas as vezes que renovavam a ceia do Senhor (também chamada Eucaristia), realizavam a oblação de uma Vitima (Cristo) ou de um sacrifício. Este, porém, não podia (nem pode) ser a repetição do sacrifício da Cruz, pois Jesus se imolou uma vez por todas, conforme a epístola aos Hebreus. A ceia, por conseguinte, não poderá ser senão o ato de «tornar presente» (sem multiplicar) através dos tempos, e de maneira incruenta, o único sacrifício do Calvário oferecido cruentamente há vinte séculos atrás. Concluir-se-á, portanto:

a) na quinta-feira santa Jesus perante os discípulos tornou presente de modo real, mas incruento, o sacrifício que Ele no dia seguinte devia realizar cruentamente na Cruz; tornou-o antecipadamente presente;

b) atualmente em cada S. Missa Jesus torna presente de modo real, mas incruento, esse mesmo e único sacrifício que Ele já realizou cruentamente na cruz.

 

Justamente este «tornar presente» a todos os tempos, sem implicar repetição nem multiplicação, constitui o «mistério da fé», título dado por excelência à S. Eucaristia. Para facilitar a aceitação deste mistério, pode-se recordar que a oblação de Cristo passou para o plano da eternidade, plano no qual passado, presente e futuro coincidem numa única realidade ou simplesmente não existem como tais.

 

Brevemente o Concilio de Trento (1545-1563) define as relações do rito eucarístico com o sacrifício da cruz nos seguintes termos:

 

“Há (em ambos) uma só e mesma Hóstia, um mesmo Sacerdote que se oferece agora pelo ministério dos presbíteros depois de se ter oferecido Ele mesmo outrora sobre a cruz; apenas a maneira de oferecer é diferente” (sess. 22, c. 2).

 

Em consequência, vê-se que imprópria é a expressão : «A Missa renova o sacrifício da Cruz». Preferir-se-á a seguinte terminologia :

 

A Missa torna presente sobre os altares, (sem o multiplicar) o único sacrifício da Cruz.

A Missa, porém, renova e repete a última ceia de Cristo.

 

Quanto ao ministério dos presbíteros, de que o Senhor agora se serve para oferecer o seu sacrifício, não implica multiplicação do sacerdócio. Cristo fica sendo o único Sacerdote, que santifica os fiéis por meio dos presbíteros, seus instrumentos; nenhum destes se coloca ao lado de Cristo; ao contrário, é mediante especial incorporação a Cristo que cada presbítero se torna participante das atribuições do único Sacerdote.

 

A razão por que o Senhor instituiu o rito da Missa é que Ele queria que seus membros se unissem à Cabeça (participando das qualidades de Cristo, Sacerdote e Hóstia), na oblação do sacrifício de nossa Redenção.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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