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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 395/abril 1995

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Após 1500 anos de dissidência:

 

MONOFISITAS PROFESSAM A DE CALCEDÔNIA

Em síntese: Aos 11/11/94 a comunidade cristã monofisita da Assíria (Iraque), representada por seu Patriarca Mar Dinkha IV, e o S. Padre João Paulo II assinaram uma Declaração conjunta que professa a fé em Cristo como definida pelo Concílio de Calcedônia em 451 e como fora guardada pela Igreja Católica através dos séculos.

 

Aliás, em 1986 semelhante Declaração conjunta foi assinada pelo Patriarca Zikka Iwas I, da comunidade monofisita síria, ratificando Declaração anterior feita pelo Patriarca Moran Mar e Paulo VI.

 

Por sua vez, em 1973 o Patriarca copta Shenouda III, em nome dos monofisitas do Egito emitiu juntamente com Paulo VI uma Declaração de fé cristológica professando a doutrina do Concílio de Calcedônia.

 

Assim se vai processando a aproximação dos cristãos entre si, faltando pouco para que monofisitas e católicos pertençam à mesma Comunhão Eclesiástica.

=-=-=

 

Aos 11/11/1994 deu-se importante acontecimento: a comunidade monofisita da Assíria (Iraque), representada por seu Patriarca, reconheceu o teor da fé em Cristo definida pelo Concílio de Calcedônia em 451 e mantida viva na Igreja Católica. Desta maneira quinze séculos de recesso chegaram a feliz desfecho, estando, em grande parte, superadas as diferenças existentes entre católicos e monofisitas.

 

Para se entender o alcance do evento, faz-se mister expor o que é o monofisismo e como teve origem. Assim percorreremos um pouco da história da Igreja antiga.

 

1. MONOFISISMO: QUE É? COMO SE ORIGINOU?

 

1.1. O Pano de Fundo: Nestorianismo

No século V os teólogos procuraram exprimir em fórmulas precisas o mistério da Encarnação do Filho de Deus.

Houve então uma corrente dita Nestoriana (porque encabeçada por Nestório, patriarca de Constantinopla desde 428); afirmava que em Jesus havia dois Eu ou duas pessoas: uma divina, com a sua natureza divina, e outra, humana, com a sua natureza humana. Esta doutrina foi rejeitada pelo Concílio de Éfeso em 431, pois não ressalvava devidamente a noção de Encarnação. Todavia muitos seguidores de Nestório não aceitaram a decisão do Concílio e separaram-se da Igreja, formando o bloco nestoriano. Espalharam-se até a China e a Índia, mas em nossos dias estão reduzidos a pequeno número, pois nos últimos quatro séculos a maioria voltou à comunhão católica.

 

1.2. A Réplica Monofisita

A luta contra o Nestorianismo, que admitia em Jesus duas naturezas e duas pessoas, deu ocasião ao surto do extremo oposto, que é o monofisismo ou monofisitismo ("em Jesus há uma só natureza e uma só pessoa: a divina").

O primeiro arauto desta tese foi Eutiques, arquimandrita de Constantinopla: reconhecia que Jesus constava originariamente da natureza divina e da humana, mas afirmava que a natureza divina absorveu a humana, divinizando-a; após a Encarnação, só se poderia falar de uma natureza em Jesus: a divina. Esta doutrina tornou-se a heresia mais popular e mais poderosa da antigüidade, pois, para os orientais, a divinização da humanidade em Cristo era o modelo do que deve acontecer com cada cristão.

Eutiques foi condenado como herege no Sínodo de Constantinopla em 448, sob o Patriarca Flaviano. Todavia não cedeu e reclamou contra uma pretensa injustiça, pois tencionava combater o Nestorianismo, Conseguiu assim ganhar os favores da corte.

Solicitado pelo Patriarca Dióscoro de Alexandria, Teodósio II Imperador convocou em 449 novo Concílio Ecumênico para Éfeso, confiando a presidência do mesmo a Dióscoro, que era partidário de Eutiques. Dióscoro, tendo aberto o Concílio, negou a presidência aos legados papais; não permitiu que fosse lida a Carta do Papa S. Leão Magno, que propunha a reta doutrina: as duas naturezas em Cristo não se misturam nem confundem, mas cada qual exerce a sua atividade própria em comunhão com a outra; assim Cristo teve realmente fome, sede e cansaço, como homem, e pôde ressuscitar mortos como Deus. Esse Concilio de Éfeso proclamou a ortodoxia de Eutiques; depôs Flaviano, Patriarca de Constantinopla, e outros Bispos contrários à tese monofisita... Todavia os seus decretos foram de curta duração. Os Bispos de diversas regiões o repudiaram como ilegítimo ou, segundo a expressão do Papa São Leão Magno, como "latrocínio de Éfeso"; pediam novo Concílio, que de fato foi convocado após a morte de Teodósio II pela Imperatriz Pulquería (irmã de Teodósio) e pelo general Marcião, que em 450 foi feito Imperador e se casou com Pulquería.

O novo Concílio, desta vez legítimo, reuniu-se em Calcedônia, diante de Constantinopla, em 451; foi o mais concorrido da antigüidade, pois dele participaram mais de 600 membros, entre os quais três legados papais. A assembléia rejeitou o "latrocínio de Éfeso"; depôs Dióscoro e aclamou solenemente a Epístola Dogmática do Papa São Leão a Flaviano; esta serviu de base a uma confissão de fé, que rejeitava os extremos do Nestorianismo e do Monofisismo, propondo em Cristo uma só pessoa e duas naturezas:

"Ensinamos e professamos um único e idêntico Cristo... em duas naturezas, não confusas e não transformadas, não divididas, não separadas, pois a união das naturezas não suprimiu as diferenças; antes, cada uma das naturezas conservou as suas propriedades e se uniu com a outra numa única pessoa e numa única hipóstase".

Assim terminou a fase principal das disputas cristológicas: em Cristo não há duas naturezas e duas pessoas, pois isto destruiria a realidade da Encarnação.e da obra redentora de Cristo; mas também não há uma só natureza e uma só pessoa, pois Cristo agiu como verdadeiro homem, sujeito à dor e à morte para transfigurar estas nossas realidades. Havia, pois, uma só pessoa (um só eu) divina, que, além de dispor da natureza divina desde toda a eternidade, assumiu a natureza humana no seio de Maria Virgem e viveu na terra agindo ora como Deus, ora como homem, mas sempre e somente com o seu eu divino.

 

O encerramento do Concílio de Calcedônia não significou a extinção do monofisismo. Além da atração que esta doutrina exercia sobre os fiéis (especialmente os monges), propondo-lhes a humanidade divinizada de Cristo como modelo, motivos políticos explicam essa persistência da heresia; com efeito, na Síria e no Egito certos cristãos viam no Monofisismo a expressão de suas tendências nacionalistas, opostas ao helenismo e à dominação bizantina. Por isto os monofisitas continuaram a lutar contra o Imperador, que havia exilado Dióscoro e Eutiques e ameaçado de punição os adeptos destes: ocuparam sedes episcopais; inclusive a de Jerusalém (ao menos temporariamente). No século VII a situação se agravou, pois os muçulmanos ocuparam a Palestina, a Síria e o Egito, impedindo a ação de Bizâncio em prol da ortodoxia nesses países. Em conseqüência, os monofisitas foram constituindo Igrejas nacionais: a armena, a síria, a mesopotâmica, a egípcia e a etíope, que subsistem até hoje com cerca de 10 milhões de fiéis.

 

No Egito, os monofisitas tomaram o nome de coptas, nome que guarda as três consoantes da palavra grega Aigyptos (g ou k, p, t); são os antigos egípcios. Os ortodoxos se chamam melquitas (de melek, Imperador), pois guardam a doutrina ortodoxa patrocinada pelo Imperador em Calcedônia. Há coptas que se uniram a Roma em 1742, enquanto os outros permanecem monofisitas, mas professam quase o mesmo Credo que os católicos. Na Abissínia os monofisitas também são chamados coptas, pois receberam forte influência do Egito. — Dentre os melquitas, grande parte aderiu ao cisma bizantino, separando-se de Roma em 1054; certos grupos, porém, estão hoje unidos à Igreja Católica.

Passemos agora ao exame do texto que pôs fim a quinze séculos de dissidência cristológica na Assíria.

 

2. A DECLARAÇÃO CONJUNTA DE JOÃO PAULO II E MAR DINKHA VI

 

2.1. O texto

"Sua Santidade João Paulo II, Bispo de Roma e Papa da Igreja Católica, e Sua Santidade Mar Dinkha IV, Catholicos-Patriarca da Igreja assíria do Oriente, dão graças a Deus por lhes ter inspirado este novo encontro fraterno.

Eles consideram-no um passo fundamental do caminho rumo à plena comunhão, que deverá ser restabelecida entre as suas Igrejas. De fato eles podem, de agora em diante, proclamar juntos, perante o mundo, a sua fé comum no mistério da Encarnação.

Como herdeiros e guardiães da fé recebida dos Apóstolos, do modo como ela foi formulada pelos nossos Padres comuns no Credo de Nicéia, confessamos um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, o Qual, tendo chegado a plenitude dos tempos, desceu do céu e se fez homem para a nossa salvação. O Verbo de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, pelo poder do Espírito Santo encarnou, assumindo da Santa Virgem Maria um corpo animado de uma alma racional, com a qual esteve indissoluvelmente unido desde o momento da sua concepção.

Por isso, nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, perfeito na sua divindade e perfeito na sua humanidade, consubstancial ao Pai e consubstancial a nós em todas as coisas, exceto no pecado. A sua divindade e a sua humanidade estão unidas numa única pessoa, sem confusão nem mudança, sem divisão nem separação. N'Ele foi preservada a diferença das naturezas da divindade e da humanidade, com todas as suas propriedades, faculdades e operações. Mas, longe de constituir "um e outro", a divindade e a humanidade estão unidas na pessoa do mesmo e único Filho de Deus e Senhor Jesus Cristo, o qual é objeto de uma só adoração.

Portanto, Cristo não é um "homem como os outros", que Deus teria adotado para residir nele e inspirá-lo, como é o caso dos justos e dos profetas. Pelo contrário, Ele é o próprio Verbo de Deus, gerado pelo Pai antes da criação, sem princípio no que se refere à sua divindade, nascido nos últimos tempos de uma mãe, sem um pai, no que se refere à sua humanidade. A humanidade que a Bem-aventurada Virgem Maria deu à luz foi sempre a do próprio Filho de Deus. Por esta razão a Igreja assíria do Oriente eleva as suas orações à Virgem Maria como "Mãe de Cristo, nosso Deus e Salvador". A luz desta mesma fé, a tradição católica dirige-se à Virgem Maria como "Mãe de Deus" e também como "Mãe de Cristo". Nós reconhecemos a legitimidade e a exatidão destas expressões da mesma fé, e respeitamos as preferências que cada Igreja lhes dá na sua vida litúrgica e na sua piedade.

Esta é a única fé que nós professamos no mistério de Cristo. As controvérsias do passado levaram a anátemas pronunciados a respeito de pessoas ou de fórmulas. O Espírito do Senhor concede-nos compreender melhor hoje que as divisões, que se verificaram deste modo, eram em grande parte devidas a incompreensões.

Contudo, prescindindo das divergências cristológicas que se verificaram, confessamos hoje unidos a mesma fé no Filho de Deus que se fez homem para que nós, mediante a sua graça, nos tornássemos filhos de Deus. Desejamos, de agora em diante, testemunhar juntos esta fé n'Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, anunciando-a do modo mais idôneo aos homens do nosso tempo e para que o mundo creia no Evangelho da Salvação.

O mistério da Encarnação que juntos professamos não é uma verdade abstrata e isolada. Ele refere-se ao Filho de Deus enviado para nos salvar. A economia da salvação, que tem a sua origem no mistério da comunhão da Santíssima Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo —, é levada a cumprimento através da participação nesta comunhão, segundo a graça, na Igreja una, santa, católica e apostólica, Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito.

Os crentes tornam-se membros deste corpo mediante o sacramento do Batismo, por cujo intermédio, por meio da água e da ação do Espírito, renascem como criaturas novas. Eles são confirmados pelo sigilo do Espírito Santo, que o sacramento da unção confere. A sua comunhão com Deus e entre si é realizada plenamente pela celebração da única oferta de Cristo, no sacramento da Eucaristia. Esta comunhão é restabelecida para os membros pecadores da Igreja, quando eles são reconciliados com Deus e uns com os outros, por meio do sacramento do Perdão. O sacramento da ordenação ao ministério sacerdotal na sucessão apostólica é garante, em cada Igreja local, da autenticidade da fé, dos sacramentos e da comunhão.

Vivendo desta fé e destes sacramentos, as Igrejas católicas particulares e as Igrejas assírias particulares podem, por conseguinte, reconhecer-se reciprocamente como Igrejas irmãs. Para ser plena e total, a comunhão pressupõe a unanimidade no que se refere ao conteúdo da fé, aos sacramentos e à constituição da Igreja. Visto que tal unanimidade, para a qual tendemos, ainda não foi alcançada, infelizmente não podemos celebrar juntos a Eucaristia, que é o sinal da comunhão eclesial já restabelecida de modo pleno.

Contudo, a profunda comunhão espiritual na fé e a recíproca confiança que já existem entre as nossas Igrejas, autorizam-nos de agora por diante a considerar que é possível testemunhar juntos a mensagem evangélica e colaborar em particulares situações pastorais, entre as quais, e de modo especial, no âmbito da catequese e da formação dos futuros sacerdotes.

Ao dar graças a Deus, que nos concedeu redescobrir o que já nos une na fé e nos sacramentos, empenhamo-nos em fazer tudo quanto for possível para remover aqueles obstáculos do passado, que ainda impedem alcançar a plena comunhão entre as nossas Igrejas, a fim de poder responder melhor ao apelo do Senhor à unidade dos seus discípulos, uma unidade que, evidentemente, deve ser manifestada de modo visível. Para superar estes obstáculos, constituímos uma comissão mista para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja assíria do Oriente.

 

Roma, 11 de Novembro de 1994.

Mar Dinkha   JoannesPaulusPp.il"

 

2.2. Comentário

 

A Declaração conjunta, por mais alvissareira que seja, ainda não significa a plena restauração da comunhão entre católicos e monofisitas da Assíria. Com efeito; como diz o texto mesmo da Declaração, para que haja plena Comunhão, hão de ser preenchidas três condições: 1) unidade na fé; 2) identidade quanto aos sacramentos; 3) convergência quanto à concepção de Igreja (estrutura e constituição). Ora tanto a primeira quanto a segunda destas condições estão preenchidas. Resta, porém, cumprir o terceiro item, que é atingir identidade de concepção sobre a Igreja e sua constituição.

Os monofisitas, como em geral os orientais, separados, se reúnem em comunidades nacionais autocéfalas; cada qual tem seu Patriarca e seu Sínodo responsáveis pelo pastoreio espiritual da comunidade respectiva. Isto não pode deixar de debilitar a vitalidade religiosa desses grupos; a coordenação central é de grande utilidade como serviço prestado ao todo. Eis, porém, que existem dificuldades dos irmãos separados para aceitar a obediência a um Pastor Supremo, sucessor de São Pedro, a quem Jesus confiou o governo da sua Igreja (cf. Mt 16,16-19); preconceitos nacionalistas e culturais o explicam; aliás, o cisma entre orientais e ocidentais é mantido, em grande parte, por razões de cultura e história. Contudo a Declaração afirma que já estão sendo tomadas as providências, mediante uma comissão mista adequada, para que se superem os obstáculos e haja em breve uma só Comunhão Eclesiástica e Eucarística entre católicos e cristãos da Assíria. Sem dúvida, essa unidade nos pontos essenciais não implicará uniformidade absoluta; serão respeitadas as tradições legítimas de cada grupo cultural (assim os orientais continuarão a ter sua liturgia, seu clero casado, seu Direito Canônico próprio...), como nota o S. Padre João Paulo II no discurso proferido por ocasião da assinatura da Declaração conjunta de 11/11/1994.

O mesmo se diga em relação às Declarações com os monofisitas da Síria e do Egito, de que falaremos adiante; estão vencidas as diferenças cristológicas (motivo inicial da dissidência); procuram agora os pastores de cada comunidade superar os obstáculos de ordem jurídica e estrutural que impedem a plena Comunhão Eclesial.

 

2.3. O discurso do S. Padre proferido em 11/11/1994

 

O Papa João Paulo II revelou otimismo em relação ao futuro do ecumenismo entre católicos e orientais, como se depreende do discurso de S. Santidade proferido em 11/11/1994, do qual vão extraídos os seguintes trechos:

 

"Santidade,

1. Já se passaram exatamente dez anos desde o dia em que tive a alegria de lhe dar as boas-vindas aqui, por ocasião da sua primeira visita oficial a esta Sé Apostólica. Este prazer renova-se na data hodierna, dia em que Vossa Santidade está acompanhado por uma delegação de eminentes Bispos do seu Santo Sínodo. Nas palavras do Apóstolo Paulo, desejo-vos "graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor" (1Tim 1,2).

Na época da sua visita precedente, Vossa Santidade compartilhou comigo o seu ardente desejo de que uma declaração do Papa de Roma e do Catholicos-Patriarca da lgreja assíria do Oriente fosse, um dia, capaz de exprimir a comum fé das nossas duas Igrejas, em Jesus Cristo, o Filho Encarnado de Deus, nascido da Virgem Maria. Historiadores e teólogos imediatamente deram início a um exame muito cuidadoso acerca das conseqüências cristológicas do Concílio de Éfeso. Numa atmosfera de fraternidade e de confiança recíproca, um diálogo fecundo fez com que superássemos as ambigüidades e as incompreensões do passado. Hoje, chegamos à Declaração Cristológica Comum, a qual estamos prestes a assinar. Isto constitui um importante testemunho, que não deixará de proporcionar alegria no meio dos fiéis das nossas duas Igrejas...

3.    Dos meus contatos com os vossos irmãos Bispos Caldeus, com os quais estou a encontrar-me de novo durante estes dias, posso assegurar-vos que eles estão prontos para promover o grande movimento rumo à restauração da unidade de todos os cristãos, em conformidade com os princípios do Decreto sobre o Ecumenismo, do Concílio Vaticano II. Eles estão verdadeiramente preocupados em "conservar, na comunhão da fé e da caridade, aquelas fraternas relações que, como entre irmãos, devem existir entre as Igrejas locais" (Unitatis redintegratio, 14). Todos nós reconhecemos que é de suprema importância compreender, venerar, preservar e promover a rica herança de cada uma das nossas Igrejas em particular, e que uma diversidade de costumes e de observancias não constitui absolutamente um obstáculo para a unidade. Esta diversidade abrange o poder de que as nossas Igrejas gozam, de se governarem a si mesmas, em conformidade com as suas próprias disciplinas, e de conservarem determinadas diferenças no que concerne às expressões teológicas que, como temos verificado, sâo com freqüência antes complementarias do que conflituosas (cf. ibid., 15-17). Em todas as coisas e em quaisquer circunstâncias, é essencial que promovamos entre nós mesmos o respeito recíproco e um profundo espírito de caridade, de maneira a eliminartodas as formas de rivalidade (cf. ibid., 18).

4.    Santidade e prezados Irmãos: eis, pois, o espírito em que a Igreja Católica propõe este intercâmbio de dons. Peçamos juntos à Santíssima Trindade, Modelo da verdadeira Unidade no meio das diversidades, que fortaleça os nossos corações para que possamos responder ao chamamento a uma única Igreja visível de Deus, uma Igreja verdadeiramente universal, enviada ao mundo inteiro, a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e seja salvo, para a glória de Deus. Oxalá Deus, que começou em nós esta boa obra, a complete em Cristo Jesus (cf. Fil. 1,6). Amém!"

 

 

3. DUAS OUTRAS DECLARAÇÕES

 

De 4 a 10 de maio de 1973, o Patriarca copta Shenouda 111, de Alexandria (Egito) esteve em Roma, visitando oS. Padre Paulo VI. O resultado deste encontro foi uma declaração comum do Papa Paulo VI e do Patriarca Shenouda, professando a mesma fé cristológica (os coptas ou cristãos do antigo Egito rejeitavam outrora o Concílio de Calcedônia):

 

"Confessamos que nosso Senhor e Deus, Salvador e Rei de todos nós, Jesus Cristo, é Deus perfeito pelo que diz respeito à sua Divindade, e homem perfeito pelo que se refere à sua humanidade. Nele a Divindade está unida à humanidade; esta união éreal,perfeita, sem mistura, sem interferência, sem confusão, sem alteração, sem divisão, sem separação..."

Em junho de 1986, o Patriarca Zakka Iwas I, com importante delegação da comunidade síria monofisita, esteve em Roma, em visita ao S. Padre João Paulo II. Nessa ocasião foi publicada uma declaração de fé comum nestes termos:

 

"Queremos reafirmar solenemente nossa profissão de fé na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como a declararam em 1971 o Papa Paulo VI e o Patriarca Moran Mar Ignatius Jacoub III. Negaram que exista uma diferença na fé que eles professam no mistério do Verbo de Deus feito carne e realmente homem. Por nossa vez, confessamos que Ele se encarnou por nós, tornando para si um corpo real com uma alma racional. Compartilhou em tudo a nossa humanidade, exceto o pecado... Nele estão unidas de maneira real, perfeita, indivisível e inseparável a humanidade e a Divindade, e todas as propriedades de uma e outra nele estão presentes e atuantes.

 

Deus seja louvado pela aproximação dos cristãos! Os fatores que causaram o cisma monofisita, vão sendo reconhecidos como insustentáveis. Possam as barreiras de cultura e história ceder também elas o que há de ser solicitado ao Pai comum em instante oração.


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