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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 523/Janeiro 2006

Sagrada Escritura

Mistérios decifrados?

 

"O CÓDIGO DA BÍBLIA"

por Michael Drosnin

 

Em síntese: O jornalista americano Michael Drosnin julga que a Bíblia prediz, de maneira cifrada, acontecimentos dos séculos XX e XXI. Tal interpretação é arbitrária e não merece crédito; obedece à fantasia e não à razão; por isto não pode ser tida como científica.

* * *

Despertou interesse o livro intitulado "O Código da Bíblia" do jorna­lista norte-americano Michael Drosnin, que afirma ter a Bíblia predito cifradamente acontecimentos contemporâneos. Além das tragédias ter­roristas recém-ocorridas, outras estariam profetizadas nas páginas sa­gradas assim como o próximo fim do mundo. Tais notícias serão conside­radas nas páginas subseqüentes.

 

1. Como interpretar a Bíblia?

Sendo a Bíblia um livro divino e humano ou a Palavra de Deus feita palavra do homem, a interpretação da Bíblia decorre em duas etapas:

1)  Livro humano. A primeira face da Bíblia é a de um livro humano, com as características próprias dos orientais antigos. Disto se segue que o primeiro cuidado do intérprete deve ser o de compreender o texto como o escritor sagrado o entendia: estude a lingüística antiga, a arqueologia, a história de outrora... para poder definir exatamente o sentido literal ou o que a letra do texto quer dizer. Assim verificará, por exemplo, que a pala­vra grega adelphós, nos Evangelhos, traduz o vocábulo aramaico ah e, por conseguinte, deve ser entendida no sentido amplo de "parente, fami­liar"; verificará também que o vocábulo porneia em Mt 5, 32; 19, 9 deve traduzir o aramaico zenut, que significa "união ilegítima"...

2)  Livro divino. Os autores sagrados escreveram sob a moção e inspiração do Espírito Santo. Por isto o exegeta, depois de estabelecer o sentido literal do texto bíblico, deve procurar lê-lo de acordo com as in­tenções deste Santo Espírito ou deve colocar o texto no conjunto da Re­velação divina; compare-o com passagens bíblicas paralelas ou afins, auscultando outrossim a Tradição oral e o magistério da Igreja. Numa palavra: esforçar-se-á o exegeta por ler a Bíblia como a Igreja a lê, vivificada pelo Espírito Santo. Em conseqüência verá que o maná do deserto era uma imagem do pão eucarístico (cf. Jo 6, 49s)..., o cordeiro da Páscoa judaica é figura do Cristo imolado na Cruz (cf. 1Cor 5, 7), ... Melquisedeque, Rei e Sacerdote, é imagem do Cristo Rei e Sacerdote (cf. Hb 7, 1 -28) ... A procura do sentido teológico, quando calcada na Bibiia, é sempre válida (pode-se dizer então que o Espírito Santo a intencionou); quando destituída de explícito apoio bíblico pode ressen­tir-se, em certo grau, de uma intuição meramente subjetiva do estudioso; pode haver mesmo distorções do texto bíblico lido dentro de uma falsa concepção teológica.

As duas etapas assinaladas, quando bem conduzidas, levam o leitor ao conhecimento fiel da mensagem bíblica. Para além de tais etapas, não há que procurar na Bíblia mistérios, segredos cifrados ou um tal "código"; nos casos de "mensagem decifrada" é a fantasia que fala, e não a Bíblia.

Até certo ponto entende-se que, sendo a Bíblia um livro inspirado, muitos queiram encontrar nela a resposta aos seus mais íntimos anseios, especialmente ao de conhecer o futuro. Na verdade, porém, a Escritura foi redigida para atender ao interesse mais comum de todos os homens, o de saber "quem sou eu, de onde venho, para onde vou, que haverá após a morte?...". Na Bíblia existem profecias, sim; todavia são todas referentes à salvação do gênero humano ou ligadas ao Messias e sua obra redentora; no tocante à data do fim do mundo, é de notar que Jesus se furtou a revelá-la (cf. At 1, 8) de modo que não é de crer que a tenha deixado codificada no texto sagrado para ser decifrada no começo do século XXI. Em suma, a mensagem bíblica é religiosa, diz respeito estri­tamente à história da salvação e não à história geral.

O anseio de conhecer o futuro através da Bíblia fez que periodica­mente no decorrer dos séculos surgissem "profetas" que, com o Apocalipse ou outros livros nas mãos, predissessem para breve o fim do mundo; não é necessário enfatizar longamente que tais predições foram todas desmentidas pelo decurso mesmo dos acontecimentos.

 

2. Fala o Concílio do Vaticano II

As duas etapas da interpretação da Bíblia são assim descritas pela Constituição Dei Verbum:

"12. Entretanto, uma vez que Deus, na Sagrada Escritura, falou por meio de homens e de modo humano, deve o intérprete [interpres] da Sa­grada Escritura, para bem entender o que Ele nos quis comunicar, inves­tigar com cuidado o que realmente quiseram dizer [significare] os hagiógrafos e o que Deus desejava [Deo placuerit] manifestar com Suas palavras.

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem-se levar em con­ta, entre outras coisas, também os gêneros literários [genra lítteraría], pois a verdade é apresentada e expressa de maneiras diferentes nos textos de gêneros diferentes: históricos, proféticos, poéticos, ou em ou­tros gêneros de expressão. Além disso, é preciso que o intérprete procu­re o sentido que, em determinadas circunstâncias, quis o hagiógrafo ex­primir, conforme a situação de seu tempo e de sua cultura, e exprimiu por meio dos gêneros literários então em uso. Para entender corretamente o que o autor sagrado quis afirmar por escrito é preciso atentar bem tanto para aqueles modos regionais [nativos (...) modos] de sentir, de exprimir-se e de narrar, vigentes no tempo do hagiógrafo, como para os modos que então costumavam ser usados no trato mútuo dos homens.

Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com a ajuda do mesmo Espírito por meio do qual foi escrita [eodem Spiritu quo scripta est, para captar com exatidão o sentido dos textos sagrados, deve-se atentar, com não menor zelo, para o conteúdo e para a unidade de toda a Escritura, tendo também em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da Fé. É dever dos exegetas trabalhar segundo estas diretri­zes para entender e expor mais profundamente o sentido da Sagrada Escritura a fim de que, por seu estudo como que preparatório, amadure­ça o julgamento [iudicium] feito pela Igreja. De fato, tudo aquilo que se refere ao modo de interpretar a Sagrada Escritura está sujeito, em última instância, ao juízo da Igreja, que é quem tem o mandato divino e o minis­tério de guardar e interpretar a palavra de Deus".

3. Um espécimen de descodificação

O jornal "Mensagem para você" da primeira igreja batista de João Pessoa (PB), em data de 21/09/05, publica longa entrevista concedida pelo Pastor João Pereira Gomes Filho, que acredita que "a Bíblia contém passado, presente e futuro da humanidade". A seguir, transmitiremos e comentaremos algumas das declarações do Pastor João P. G. Filho.

Repórter: É possível haver um código?

- É possível. Eu não sei se o Código do Michael Drosnin (jornalista americano que escreveu o livro 'Código da Bíblia', que teria desenvolvido com a ajuda do computador, encontrando palavras cruzadas que revela­riam fatos históricos) é o verdadeiro código da Bíblia, ou a Cabala, mas que existe um código, existe. Existe uma escatologia presente no texto, eu não tenho dúvida. E pode ser descoberta? Pode. Eu creio que nós vamos ter cada vez mais revelações proféticas ao longo do tempo de coisas que estão inseridas aqui e que vão se repetir na história, porque a profecia é eterna, ela se repete na história, continuamente.

Comentando: A expressão "profecia eterna" é imprópria. Só Deus é eterno, porque só Ele não tem começo nem fim. É gratuita ou não com­provada a afirmação de que os acontecimentos preditos em profecias se repetirão.

R: Em que consiste a dimensão escatológica do texto bíblico? E que conseqüências tem para nós a eternidade de Deus?

É um quarto sentido, o escatológico, o profético. Ele anuncia algu­ma coisa que também virá. Só que, para entender esse sentido, você tem que entender que Deus é eterno e nós somos temporais. Ou seja, Deus não trabalha com categorias de passado, presente e futuro, quem traba­lha com isso somos nós, e, por causa disso, não entendemos o sentido escatológico. Por exemplo, a Bíblia diz assim: "Por que Ele morreu...". Ele não morreu, Ele está morrendo, ou seja, a Bíblia é um eterno presen­te contínuo, está sempre acontecendo.

Comentando: O Pastor João confirma suas idéias professando que "a Torá - os cinco primeiros livros da Bíblia Cristã - contém passado, presente e futuro da humanidade". Daí a justificativa de profecias nas páginas sagradas. - Tal afirmação, genérica e vaga como é, torna-se inaceitável. Mais: o fato de que Deus é eterno não impede que tenha entrado no tempo, ficando sujeito às categorias do passado, presente e futuro.

São Lucas coloca Jesus dentro dos parâmetros do seu tempo.

Lc 3, 1: "No ano décimo quinto de Tibério Augusto..."

Lc 3,23: "Quando Jesus começou seu ministério, tinha trinta anos..."

Lc 2, 1: "Saiu um decreto de César Augusto que prescrevia o re­censeamento do mundo inteiro".

R. - Voltando ao código da Bíblia, no livro do jornalista ameri­cano Michael Drosnin ele cita o fim do mundo, que estaria relaciona­do com o ano 2006? Qual a sua opinião?

-Acho improvável ele poder especificar hora e momentos da reve­lação bíblica, até porque Deus não trabalha com esse tipo de coisas. Deus não trabalha com anos, não trabalha com ocasiões. O nosso é que é cronos, cronológico. Sempre digo que Deus não tem relógio de pulso, então não trabalha com esse tipo de datas... A gente pode sempre imagi­nar e profetizar: olha, os acontecimentos proféticos estão nos levando a crer que vai haver... Por exemplo: vou profetizar que em 2006 vão acon­tecer outros grandes desastres naturais. Vão acontecer porque a Bíblia diz que o fim dos tempos vai vir pela agressão do homem ao meio ambi­ente, que sinais nos céus e na terra vão ser mostrados, como estão sen­do mostrados a todo dia. Agora, especificar a data, a hora eu não acredi­to. Agora, a proximidade, sim.

Comentando: O entrevistado volta a um chavão contemporâneo: a proximidade do fim do mundo,... proximidade que as características da historia contemporânea anunciam. - A propósito é preciso lembrar que sempre houve catástrofes, mas "nunca houve fim do mundo até hoje". Visto que o Senhor Jesus recusou peremptoriamente indicar a data final da humanidade na terra, é recomendável não perder tempo propondo conjeturas. Mais importante é "pisar no chão" e trabalhar em prol do Rei­no de Deus.

Eis algumas ponderações que podem ocorrer a quem reflita sobre "o Código da Bíblia".

 

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Claudio Maria

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