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PERGUNTE E RESPONDEREMOS -003 / outubro 1957

 

Igreja e igrejas, seitas e protestantismo

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

WALTER (Matias Barbosa, M. G.): "As igrejas luterana, batista e metodista pertencem a um mesmo núcleo? São elas que constituem a sociedade dos chamados Protestantes? E estes serão assim designados porque protestam contra a virgindade de Nossa Senhora? Qual é afinal a diferença entre Igreja e Seita?"

 

As perguntas nos levam a reconstituir sumariamente a história do movimento religioso que começa com Lutero (1483-1546).

 

Este em 1517, julgando que quinze séculos de vida haviam corrompido a mensagem do Evangelho, quis cancelar de seu horizonte a tradição cristã e colocou-se imediatamente diante da Sagrada Escritura; começou a interpretá-la exclusivamente à luz do que lhe parecia certo, sem levar em conta a autoridade de um milênio e meio de magistério. Assim fazendo, julgava "redescobrir" o Cristo encoberto pela tradição; o Senhor Deus teria permitido que através dos séculos se perdesse o genuíno senso do Cristianismo.

 

A principal doutrina que Lutero "achou" na Bíblia, doutrina nuclear de toda a ideologia luterana, é a seguinte: o pecado nunca é apagado na alma, pois o cristão continua sempre a sentir a concupiscência, e esta é o próprio pecado. Por conseguinte, não se pode falar de graça santificante que transforme ou regenere ontologicamente o homem batizado; apenas Deus se digna não imputar o pecado, atribuindo-nos como simples título extrínseco os méritos de Cristo. Disto se segue, outrossim, que as boas obras (tão entravadas pela concupiscência) não são necessárias à salvação; basta crer ou ter confiança inabalável no Cristo para ser salvo. — A negação da virgindade de Maria, a rejeição das imagens e outras teses do luteranismo vêm a ser pontos secundários em comparação com esta doutrina central.

 

O movimento de Lutero tomou o nome de Protestantismo por motivo assaz acidental: o Parlamento alemão instalado em Espira no ano de 1529 decretou que a pretensa "Reforma" luterana seria detida em seus progressos (não, porém, cancelada) até se reunir um concilio ecumênico para julgar a situação; entrementes o culto e os direitos dos católicos continuariam a ser reconhecidos nas regiões onde não haviam sido supressos. Tal medida provocou o protesto de seis príncipes e quatorze cidades da Alemanha aos 19 de Abril de 1529. Donde a designação de Protestantes daí por diante atribuída aos discípulos de Lutero; embora os "reformados" tenham repetidamente deplorado este título, ele prevaleceu.

 

Lutero encontrou entre os seus contemporâneos quem de perto lhe seguisse o exemplo, encabeçando semelhantes movimentos inovadores, de modo a formar, fora da Alemanha, blocos religiosos mais ou menos congêneres; tais eram Ulrico Zwingli (1484-1531) na Suíça alemã (Zürich) e João Calvino (1509-1564) na Suíça francesa (Genebra) e na Franca. As doutrinas passaram para a Inglaterra pouco depois que o rei Henrique VIII em 1534 se separou da Igreja Católica por motivo de seu divórcio; lá constituíram o bloco anglicano. É a estas modalidades da Ps.-Reforma oriundas da primeira metade do séc. 16 e ainda hoje existentes (o Zwinglianismo se fundiu em breve com o Calvinismo) que se costuma atribuir o nome de Igrejas Protestantes (tenha-se consciência, porém, de que esta denominação é imprópria, pois só pode haver uma Igreja de Cristo: aquela que remonta ininterruptamente até os Apóstolos e o próprio Cristo). São animadas por um espírito assaz sério e tradicional; conservam certa etiqueta e nobreza próprias do tipo anglo-saxão; seus adeptos têm contribuído com estudos valiosos para o progresso da filologia e da exegese bíblicas.

 

Contudo o que no Brasil e no mundo contemporâneo em geral tem chamado a atenção por seu espírito proselitista não é o Protestantismo das Igrejas Protestantes; são facções religiosas que nos séculos 17/20 (mormente no séc. 19) se separaram de uma Igreja Protestante, produzindo uma "reforma da Reforma", uma "heresia da heresia"; às vezes só têm de comum com o Luteranismo, o Calvinismo ou o Anglicanismo o repúdio da tradição, o princípio da livre interpretação da Bíblia. São para o Protestantismo aquilo que as superstições e as heresias são para o Catolicismo.

 

A tais grupos dissidentes se atribui a denominação de seitas; existem centenas destas (somente nos Estados Unidos da América do Norte se contam 343 reservadas à população de raça branca; as seitas dos cidadãos de raça negra ainda são mais numerosas). As mais famosas são as dos Batistas, Metodistas, Presbiterianos, Adventistas, Testemunhas de Jeová, Pentecostais, etc. Compreende-se muito bem esse fracionamento progressivo do bloco protestante; uma vez admitido o princípio de Lutero segundo o qual todo cristão, por seu livre exame, independentemente de algum magistério tradicional, é intérprete das Escrituras, “cada Protestante, tomando a Bíblia nas mãos, se tornou Papa” (ou cabeça de uma Ps.Igreja), como diz Boileau (Sátira XII 224). As Federações Protestantes da Europa e da América geralmente não admitem em seu grêmio as seitas; por sua vez, algumas destas se opõem tanto  ao Catolicismo como ao Protestantismo tradicional.

 

Há na verdade sobejo motivo para se manter a distinção entre “igrejas” e “seitas” do Protestantismo, pois estas últimas são animadas por mentalidade bem característica; em geral originaram-se de uma reação contra o aburguesamento de um dos antigos blocos protestantes (a atitude psicológica básica de um fundador de seita frequentemente é a de recomeçar a partir do zero, como se ninguém entendesse mais o Evangelho em sua época); seu entusiasme é, não raro, despertado e alimentado pelo anúncio de uma nova revelação, que se justapõe à Revelação bíblica (e às vezes chega a sufocá-la); também acontece que as seitas esperem o fim do mundo para breve, baseando-se em exegese rebuscada de textos bíblicos; apresentam-se como a arca em meio à corrupção universal; por vezes prometem, e parecem realizar, curas maravilhosas; em geral seus membros se deixam guiar mais pela experiência subjetiva e pelo sentimento do que por sólida compreensão das Escrituras e do Cristianismo.

 

Por fim, não se poderia deixar de notar que o pulular das seitas modernas tem seu significado positivo: é uma afirmação vibrante da alma humana naturalmente religiosa, sequiosa do Místico e do Transcendente, em reação contra os credos materialistas e mecanicistas que têm sido apresentados às gerações dos séculos 19 e 20.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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