Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 523/Janeiro 2006

Ciência e Fé

 

Macaco aperfeiçoado?

 

HOMEM E MACACO

 

Em síntese: Embora o corpo do homem se assemelhe ao do chim­panzé, o ser humano como tal se distingue do macaco pelo seu senso ético e seu senso religioso derivados da espiritualidade da alma humana.

* * *

Em nossos dias registra-se forte tendência a despojar o ser huma­no de todos os predicados que sempre foram tidos como características exclusivamente suas. Charles Darwin (+ 1882) insinuava que o ser hu­mano não vem a ser senão um macaco aperfeiçoado; Freud (+ 1939) gloriava-se de haver reduzido o homem a joguete de instintos cegos, ao passo que a filosofia estruturalista decompõe o homem em elementos estruturais sem conteúdo específico: proclama assim a morte do ho­mem, como passo conseqüente à morte de Deus.

Este problema nos oferece a ocasião de continuar a estudar valo­res específicos do homem, que o distinguem dos animais infra-humanos. Assinalaremos três traços, que complementam quanto foi dito anterior­mente sobre a espiritualidade da alma humana.

1. O Senso Ético

Já Charles Darwin em 1871 procurava enumerar os caracteres que distinguem o ser humano de maneira típica, permitindo assim estabele­cer a linha divisória entre o homem e o animal inferior. Dizia então:

"Sem restrição, subscrevo a tese dos especialistas que afirmam que, dentre todas as diferenças existentes entre o homem e o animal inferior, o senso moral ou a consciência é a mais importante" (Die Abstammung des Menschen, p. 144).

Observações efetuadas em pessoas surdas e cegas de nascença revelaram que ao homem a consciência ética é inata, ou seja, anterior a qualquer experiência.

Somente o homem tem a noção do bem e do mal. Somente o ho­mem pode tornar-se réu ou culpado. Em conseqüência, só o homem tem responsabilidade.

A responsabilidade, por sua vez, supõe liberdade de opção, facul­dade esta que falta aos animais inferiores.

Não há dúvida, o animal tem uma bondade espontânea, a qual se manifesta principalmente no instinto materno; todavia não se pode dizer que essa bondade resulta de uma opção consciente. É inconsciente e indeliberada; o animal reage espontaneamente a certos estímulos como é o caso da prole ou dos filhotes. O ser humano também reage esponta­neamente a tais estímulos; haja vista como as crianças gostam de brin­car com bonecas, cachorrinhos, coelhinhos, etc. Todavia, à diferença dos animais, o homem é capaz de proceder contra os seus instintos; assim fazendo, ele se perverte ou... segue um ideal e cultiva valores que ele julga superiores à satisfação proporcionada pelos instintos. Só o homem pode assumir certas atitudes aparentemente paradoxais ou antitéticas aos instintos: a paciência, a misericórdia, o amor aos inimigos, a compai­xão e a benevolência com os criminosos e perversos; tais virtudes estão fora do alcance dos animais, mas elas não são sobre-humanas; são, ao contrário, profunda e tipicamente humanas.

Mais: o animal não é capaz de assumir deveres ou compromissos; não se lhe podem impor normas, mesmo que se lhe imponha determina­da aprendizagem. Por isto também a educação é fenômeno especifica­mente humano; sem educação não só o psiquismo do homem é prejudi­cado, mas também o próprio desenvolvimento biológico e corporal do homem sofre detrimento.

Tais ponderações evidenciam como o senso moral caracteriza o ser humano, distinguindo-o especificamente dos animais, e colocando o homem em posição singular no reino dos viventes.

 

2. O Marco Religioso

Dividiremos o nosso estudo em duas partes: 1) capacidade de re­fletir; 2) o fenômeno religioso propriamente dito.

 

2.1. A capacidade de refletir

Ainda ao estudar as diferenças entre o ser humano e os animais inferiores, Darwin apontava a consciência que o homem tem de si mes­mo; esta é a chamada consciência psicológica, à diferença da consci­ência moral [1]

Quais as conseqüências deste fato?

1) Por sua consciência psicológica, o homem é capaz de refletir so­bre si mesmo, sobre o seu presente, o seu passado e o futuro. Essa capa­cidade de refletir é característica do ser humano, pois só este é sujeito de recordação propriamente dita; com efeito, um animal pode reconhecer o seu patrão ou determinados objetos quando estes lhes são apresentados de novo; mas somente o homem pode recordar-se de pessoas ausentes e de acontecimentos já ocorridos. Visto que os animais não conseguem isto, vivem quase exclusivamente no presente como vivem os bebês.

2)   É precisamente a capacidade de recordar realidades ausentes que permite a formação de conceitos universais e de uma linguagem tal como o homem possui: linguagem que exprime noções universais, como homem, criança, beleza, justiça, injustiça..., recorrendo aos mais diver­sos sons (francês, russo, chinês, bantu, tupi, etc).

3)   Notemos outrossim: um ser para o qual só existe o presente imediato, não pode cultivar a história, como o homem a cultiva...

4)   ... Nem pode ter responsabilidades, porque não pode prever as conseqüências de determinado comportamento seu...

5)... Nem pode ter Religião como o homem tem, visto que a Reli­gião põe o homem em contato com a transcendência ou com os valores históricos e trans-históricos. A Religião vem a ser. pois, um sinal típico e inconfundível do ser humano. Detenhamo-nos um pouco mais sobre esta afirmação.

 

2.2. O fenômeno religioso

O senso religioso, pondo o homem em contato com valores transcendentais, exprime-se, entre outras maneiras, através da crença na vida póstuma. É por isto que, desde os remotos tempos da pré-histó­ria, o ser humano sepulta os seus mortos. Os animais irracionais, diante dos seus semelhantes exânimes, experimentam sentimentos mistos de medo, insegurança, curiosidade, intranqüilidade... Mesmo a fêmea do macaco, apesar do seu instinto materno, não se preocupa com o sepultamento do filhote falecido: após a morte deste, ela ainda procura insisten­temente alimentá-lo, carrega-o para diversos lugares,... mas, logo que o cadáver entra em decomposição e as características físicas do filhote se vão extinguindo, ela abandona o cadáver em qualquer lugar e não mais se interessa por ele.

Ora entre os homens a atenção aos mortos é uma característica das mais antigas.

Os fósseis do homo erectus (devidamente identificado) encontra­dos na Europa e na Ásia atestam esta verdade. O homem de Neandertal, por exemplo, sepultava seus mortos na posição de quem está dormindo, com a cabeça pousada sobre uma pedra; sobre o cadáver lançava pó de ocre, que tem a cor da vida (pardo, amarelo, vermelho, castanho...); junto ao defunto colocava alimentos, armas, instrumentos diversos e figuras ornamentais, que lhe serviriam na viagem para o além... O homem de Cromagnon também adotava tais costumes. Estes atestam a fé numa vida póstuma ou numa realidade transcendente.

Chamam outrossim a atenção dos estudiosos as pinturas encon­tradas nas cavernas da pré-história: representam motivos da caça ou da magia. Ora todo cultivo da arte está originariamente associado à Reli­gião: esta sempre inspirou os pintores, os poetas, os músicos...

Ora a Religião, voltada para os valores transcendentais, é certa­mente uma característica do espírito; ela é tão antiga quanto o homem, pois se manifesta desde a pré-história até hoje, e nunca foi cultivada pelo animal irracional. A existência, no homem, de sentimento religioso e de expressões correspondentes abre um hiato entre o ser humano e o ma­caco, hiato este que não foi superado ou transposto até hoje. Nem há possibilidade de superação, visto que a Religião supõe, no ser humano, a realidade do espírito ou da alma espiritual, ao passo que o princípio vital dos irracionais é meramente material. É a alma espiritual ou não material que faculta ao homem ter expressões de si que transcendem os dados concretos, materiais, a que está confinado o ser irracional. Pela religião, o homem se eleva aos valores invisíveis e ao Infinito, procuran­do assim resposta às suas aspirações mais espontâneas que são aspira­ções à Verdade, ao Amor, à Justiça, à Vida, à Felicidade sem limites. É tão somente através do caminho da Religião e da Mística que o homem encontra os verdadeiros bens para os quais foi feito e dos quais o animal irracional não tem a mais pálida noção.

A Religião é inspirada pela necessidade que o homem experimenta de dar sentido à sua vida ou de justificar, perante a sua consciência, a sua luta, o seu trabalho, o seu sofrimento e a sua morte. Na verdade, se não existem valores transcendentais que respondam às aspirações congêni­tas de todo homem, a presente realidade é vazia e frustrativa; o homem se torna um absurdo, perdido em meio às coisas passageiras que o cercam. E o homem-absurdo seria uma exceção no conjunto do universo, visto que este reflete ordem e harmonia - expressões de uma Inteligência Suprema.

Em nossos dias, a Religião continua sendo um fator típico da inteli­gência humana. Mesmo os que se dizem ateus, cultivam o Absoluto sob formas leigas ou secularizadas; é o caso do comunismo, ao qual o judeu Karl Marx deu a estrutura de um messianismo sem Deus; o proletariado sacrificado na luta de classes seria o Messias, que, morrendo, prepararia o surto de um homem novo, morigerado e pacífico. As categorias religiosas do judaísmo foram transpostas por Karl Marx para o plano da sociologia e da política; sobrevivem, porém, no esquema de pensamento marxista. - O marxismo cultua religiosamente certos valores meramente humanos ou profanos; este esquema caricatural já não satisfaz a muitos cidadãos, que hoje em dia se afastam do marxismo e das suas pantominas para procurar a verdadeira fé e autênticas expressões religiosas. O senso religioso, inato em todo homem, vem de novo à tona apesar das tentativas de erradicação a que o marxismo o submeteu. Este fenômeno bem evidencia quanto o senso religioso é característico do ser humano. São sempre válidas as palavras de S.Agostinho (+430): "Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti" (Confissões I 1).

Atraído irresistivelmente pelo Senhor Deus, o homem "ateu" de nossos dias cria suas místicas, seus "absolutos", seus deuses, suas su­perstições, que inadequadamente lhe fazem as vezes do único Deus.

-=-=-=-=-=-

Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
8 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 9346631)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?82.60
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns21.70
Diversos  Igreja  4166 Papa Leão XIII e a visão de Satanás20.36
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação15.17
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?13.67
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?13.15
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo12.97
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino12.04
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas11.15
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia10.89
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?10.40
Diversos  Testemunhos  4164 Testemunho de minha travessia9.16
Diversos  Apologética  3729 Desmascarando Hernandes Dias Lopes8.29
Diversos  Mundo Atual  4163 A Armadilha da Misericórdia8.24
Vídeos  Testemunhos  3708 Terra de Maria8.21
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.89
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade7.83
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.76
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes7.73
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?7.69
PeR  O Que É?  1372 Eubiose, que é?7.43
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?7.32
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová6.94
Aulas  Doutrina  4165 Indulgências Plenárias, como obter?6.87
Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do Amor de Deus, deixai que este Amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de 'sair' de vós mesmos para 'ir' ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.
Papa Bento XVI

Católicos Online