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A Liceidade Moral dos Bailes

 

 

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 009 – setembro 1958

PIEDADE (Curitiba) :

O baile será permitido aos católicos? Ainda têm valor certas proibições dos antigos com referência ao assunto ou já fizeram seu tempo?

Um breve histórico do significado da dança em geral ajudar-nos-á a avaliar os bailes.

 

1. Um esboço histórico

Por «dança» entendemos uma sucessão de movimentos do corpo, principalmente dos pés, ritmados de acordo com um tempo musical sugerido por canto ou por instrumentos aptos.

 

1. Tal exercício já estava em uso entre os povos primitivos, inspirado geralmente por um motivo religioso. Como se entende, não raro conceitos supersticiosos e aberrantes davam ocasião à execução das mais estranhas danças.

Assim entre certas tribos da Austrália, a dança tinha (e ainda tem) por finalidade produzir uma espécie de êxtase ou alta excitação psíquica semelhante à da embriaguez, durante a qual o dançarino se torna capaz de realizar o que normalmente não faria, ou seja, perceber segundo nova sensibilidade ou à distância, proferir oráculos em nome da Divindade, “profetizar”, etc.;

- as danças de guerra, em suas diversas modalidades, desempenhavam semelhante papel, visando despertar o entusiasmo (palavra derivada, em grego, de en + theós, para significar endeusamento ou possessão do indivíduo humano por parte da Divindade); excitado pela dança, o iniciado se tomava corajoso è empreendia uma espécie de combate simbólico contra poderes superiores, que ele julgava estarem tentando a sua ruína;

- as danças agrícolas visavam provocar a descida dos espíritos bons, que fomentariam o desenvolvimento e a frutificação das sementeiras;

- as danças mágicas, em geral, propunham-se, por meio de atos simbólicos, atrair do céu efeitos benéficos (como, por exemplo, a chuva);

- as danças de iniciação representavam misticamente a morte e o renascimento espirituais de um candidato às religiões orientais «de mistérios» ;

- as danças de amor, usuais nas festas de noivado e casamento, tinham muitas vezes por fim significar a fecundidade da mulher.

Embora inicialmente inspiradas por nobres sentimentos, as danças tendiam frequentemente a degenerar em expressões de afetos desordenados. É o que bem se entende, se se considera que os deuses celebrados pelos rituais pagãos não davam aos homens o exemplo de vida digna; consequentemente o culto a eles prestado facilmente se tornava ocasião para a afirmação das paixões de seus cultores. Os próprios escritores pagãos reconheciam por vezes que as danças populares não eram senão representações de revoltante lascívia (cf„ por exemplo, Amiano Marcelino, +400, XIV 5,6). Tenha-se em vista o que foi dito sobre as origens do Carnaval em «P. R.» 5/1958, qu. 9,

 

2. No povo de Israel, as danças não eram estranhas, como bem atesta a Sagrada Escritura. Como é de esperar, tinham frequentemente caráter religioso (o sentimento religioso é dos que mais movem o homem), servindo para expandir na presença de Deus veementes estados de alma: agradecimentos, adoração, louvor...

Basta recordar os episódios seguintes :

- Maria, irmã de Moisés, acompanhada por um coro de mulheres, pôs-se a tocar, cantar e dançar para exaltar o poder do Senhor, que libertara da terra da idolatria o seu povo (cf, £x 15,20s);

- após a vitória de Davi sobre o filisteu Golias — façanha teocrática —, as mulheres de Israel de novo se reuniram em coro para cantar e dançar (cf. 1 Sam 18,Gs);

- foi dançando e tocando tamboril que a filha de Jefté recebeu seu pai que regressava de uma batalha, na qual o Todo-Poderoso interviera visivelmente (cf. Jz 11,3);

- tornou-se famosa a figura de Davi a dançar, movido por santo entusiasmo, por ocasião da transferência da arca do Senhor para Jerusalém (cf. 2 Sam 6,14s);

- os salmos 67,26; 149,3 falam igualmente das danças rituais de Israel;

- diante do vitelo de ouro, falsamente cultuado, o povo não hesitava em cantar e dançar tcf. Êx 32,19).

Além disto, os judeus conheciam suas danças ocasionadas por festas familiares ou nacionais ícf. Jz 21,21).

 

3. Foi nesse mundo judaico-romano que se originou o Cristianismo. Este não se mostrou, em tese, avesso à dança. É verdade que os antigos Padres da Igreja tiveram que recriminar muitas vezes a tendência, de grupos de fiéis a imitar os orgiásticos festejos dos pagãos; assim fizeram São Pedro Crisólogo, Sto. Ambrósio, São Jerônimo, no séc. IV. Havia, porém, danças populares reconhecidas pelas autoridades eclesiásticas como manifestações de sadia alegria por ocasião de celebrações profanas e até mesmo religiosas; Eusébio, bispo de Cesaréia (+339), por exemplo, refere como os cristãos dos campos e das cidades acolheram com júbilo e dança a notícia da liberdade religiosa finalmente outorgada por Constantino em 313. Contra certos rigoristas, que tinham em mira o abuso das danças tal como se verificava no paganismo, alguns pregadores cristãos observavam que a dança, executada com temor de Deus (como fizera Davi), se podia tornar a expressão da graça divina existente na alma do cristão. Comprovavam a liceidade das danças apelando para precedentes do Antigo Testamento : Is 5,1; Dan 3,24; Ez 6,11; SI 46, além dos já citados.

Em certas seitas gnósticas e heréticas da Antiguidade a dança foi diretamente introduzida no culto sagrado e nos cemitérios; era a expressão de um ardor fanático, contra o qual os bispos e escritores cristãos tinham constantemente que admoestar os fiéis.

Na Idade Média, a alma popular recorreu abundantemente à dança e às representações cênicas em geral, para externar seu afeto religioso, tanto nas ocasiões de alegria como nas de luto. Algumas dessas manifestações foram afirmações sadias de um fervor que não se contentava com as formas hieráticas da Liturgia, mas fora dos templos sagrados criava «paraliturgias», autos e mistérios, para continuar a se afirmar. Outras manifestações que recorriam ao palco ou à dança, deixavam de ser louváveis, chegando mesmo a tomar o aspecto de abusos irreverentes (talvez, porém, fossem menos graves aos olhos dos medievais do que aos do homem moderno, que tem o espírito crítico muito mais aguçado): tais eram a festa dos Loucos ou dos Asnos (no dia dos SS. Inocentes), a festa da Pelota, a da «Bergerette», etc, — A dor e a penitência prorrompiam nas procissões de Flagelantes, que, aplicando a si mesmos o açoite, desfilavam pelas regiões da Europa por ocasião das calamidades públicas,... nas danças epidêmicas, fenômeno mórbido de pessoas que, repentinamente tomadas pela fúria de dançar, contagiavam outras...

A partir da época do Humanismo (séc., XV/XVI), que inspirou a laicização do homem e de suas atividades, a dança foi perdendo o seu primitivo cunho religioso, para mais e mais se tornar expressão de sentimentos profanos, não raro lascivos: passou a se executar principalmente nos grandes bailes dos salões nobres e régios, não tanto por grupos e coros como por pares de um cavaleiro e uma dama; a princípio aquele tocava apenas a mão desta; aos poucos, porém, tornou-se usual o abraço. Além disto, as tradições folclóricas européias foram sendo abandonadas, para se adotarem cerimônias e danças dos índios ou dos selvagens das terras recém-descobertas. Essas inovações, que até hoje se vêm multiplicando, acarretaram certa revolução na moralidade da dança. Em consequência, as autoridades eclesiásticas têm considerado o baile como um problema de consciência, sobre o qual se pronunciaram nos últimos decênios a Santa Sé e os bispos.

 

2. Uma apreciação cristã

Por si mesmo o baile não é instituição ilícita ou intrinsecamente má. Pode ser concebido qual manifestação de ânimo nobre a artístico.

Contingentemente, porém, o baile pode tomar aspecto contrário ao senso cristão. É o que se tem dado nos últimos tempos, quando industriosamente se estudam modalidades de dança (gestos, movimentos, atitudes), vestiários e música aptas a excitar e entreter a lascívia, tornando quase impossível evitar-se o pecado. A dança, de rito religioso que era nos seus primórdios, tornou-se rito irreligioso.

Sendo assim,

a) a Moral cristã ainda reconhece a liceidade dos bailes em que se observa o devido recato entre os participantes. Isto na prática não se verifica muitas vezes; ocorre mais facilmente em casas de família ou em ambientes reservados do que nos salões franqueados a todo o público. O católico pode frequentar tais festas, desde que tenha a intenção de se recrear (Deus e a salvação eterna pairam acima de um divertimento momentâneo).

b) A Moral cristã condena os bailes abertamente libertinos,. em que são de praxe vestes e atitudes impudicas. A um católico não será lícito frequenta-los, a menos que a isto se veja coagido por motivos imperiosos. Não se poderiam justificar tais bailes, dizendo-se que a consciência da sociedade moderna está cauterizada e já não considera malicioso o que outrora era tido como tal; o cristão sabe que o bem e o mal moral não dependem da apreciação dos homens nem da moda de um século, mas que têm seu fundamento na Lei eterna de Deus manifestada pela lei natural; por conseguinte, todo e qualquer divertimento que excite a concupiscência e as funções sexuais fora de tempo e oportunidade é tido como um atentado contra a natureza ou contra a instituição do Criador. Será, em qualquer época, condenável.

c) Há, por fim, bailes em que a licenciosidade, embora não seja de todo banida, ê mais ou menos sujeita a controle público, não oferecendo senão ocasião remota de pecado. — O católico não os frequentara sem motivo especial; caso, porém, haja causa justa, poderá deles participar, precavendo-se de antemão contra os perigos que o possam assaltar. Essa causa justa será, segundo os moralistas, a procura de uma ocasião de casa- * mento, o desejo de evitar discórdias graves entre esposos ou familiares, ou a obrigação imposta pelos pais a filhos menores...

 

Os critérios para se definir se a ocasião de pecar é próxima ou remota não podem ser indicados de maneira geral e peremptória; toca em parte à consciência do indivíduo ou ao respectivo confessor avaliar o perigo, na base da sensibilidade e das experiências da pessoa interessada. Em qualquer caso, nunca será lícito a um cristão entregar-se conscientemente e sem motivo sério a uma ocasião que para ele pessoalmente seja perigosa, embora para outros não se apresente igualmente grave.

Os moralistas lembram não convir aos sacerdotes e às instituições católicas promover bailes, ainda que sejam decentes e destinados a um fim de beneficência. As autoridades eclesiásticas proibiram formalmente tal praxe nos Estados Unidos e no Canadá, onde ela havia entrado em vigor (vedando mesmo aos clérigos comparecer a tais bailes promovidos por leigos); veja-se o cân. 290 do III concilio plenário de Baltimore (1886), cânon que foi de novo inculcado pela S, Congregação Consistorial em 31 de março de 1916 e 10 de dezembro de 1917 (cf. «Acta Apostolicae Sedis» 9 [1916] 147; 11 £1918] 17).

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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