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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 009 – setembro 1958

O Rearmamento Moral

MORAL

AGOSTINHO (Barra do Piraí): “Que dizer do movimento chamado 'Rearmamento Moral’ ?”

Para poder apreciar devidamente esta instituição, proporemos, antes do mais, um esboço biográfico e as principais doutrinas do seu fundador,

1. O fundador e a ideologia do Rearmamento Moral

O Rearmamento Moral deve sua origem ao pastor luterano Franz Nathan Daniel Buchman.

Buchman nasceu em 1878 na Pensilvânia (EUA.), de família oriunda da Suíça. Fez-se pastor luterano em 1902, passando a dirigir pequena igreja de seu credo. Após um incidente, viajou para a Inglaterra, onde concebeu a intuição muito nítida da utilidade de que cada homem conheça os próprios pecados, os confesse a outrem, confie em Deus e atenda às inspirações do Espírito Santo. Voltou à pátria, visitou o Oriente, até finalmente estabilizar-se em Oxford, na Inglaterra, onde passou a viver com um grupo de estudantes, discípulos seus, que se tornaram ardorosos pioneiros de novo Movimento.

Buchman ensinava um método de vida baseado sobre quatro grandes valores («standarts of Life»): honestidade absoluta (nos negócios), pureza absoluta (nos costumes), altruísmo absoluto, amor absoluto

... e sobre quatro práticas essenciais:

Sharing: consiste em que cada indivíduo comunique aos outros as próprias experiências religiosas, confessando os pecados, as tentações, etc. (consoante Tg 5,16; Ef 4,25);

Surrender: abandono total ã guia de Deus;

Restitution: reparação do mal cometido;

Listening to God's Guidance: docilidade, para que todos escutem e sigam a direção do Espírito Santo. Para se poder preencher este quarto requisito, Buchman preconiza o Quiet time, ou seja, quinze minutos de recolhimento diário, a fim «de se escutar calmamente no silêncio a voz esquecida da consciência e obedecer-lhe», ou ainda a fim de que cada cidadão «situe a sua existência pessoal num universo que já não é apenas o do espaço e o do tempo, mas um mundo espiritual, que comporta perspectivas totalmente novas».

Com esses elementos Buchman visava restaurar entre os seus discípulos o Cristianismo primitivo e renovar o mundo, renovando as ideias, os homens e as nações.

O movimento buchmaniano tomou sucessivamente as designações de “Group Movement”, “Oxford Group Movement”, por se ter propagado inicialmente entre os estudantes de Oxford, e, a partir de 1939, “Moral Re-Armament”; donde a abreviatura M. R. A.

A data oficial de fundação do Rearmamento Moral é o dia 4 de junho de 1938. Famosa se tornou a grande assembleia rearmamentista realizada em Holywood aos 19 de julho de 1939, à qual compareceram 30,000 pessoas a representar trinta nações congregadas sob o dístico : «Novos homens, novas nações, novo mundo». Cada membro do grupo é essencialmente um Life-changert ou seja, um missionário ardoroso, ávido de converter ou transformar, quanto antes, a vida dos indivíduos e dos povos. Este grande anseio, expresso em discursos por meio de calorosos apelos e descrições ideais de um futuro mundo mergulhado na paz e na prosperidade, explica a vultuosa expansão do Movimento, que em breve se estendeu das Ilhas Britânicas à Escandinávia, à América do Norte, à Austrália e à Nova Zelândia. Em 1945, após a segunda guerra mundial, retomou, de maneira fulminante e com notável êxito, as suas atividades, forçosamente detidas pela catástrofe internacional. Hoje em dia o Rearmamento Moral conta um centro de difusão em Mackinac (Michigan) nos Estados Unidos, e outro em Caux-sur-Montreux na Suíça, achando-se, de resto, implantado em quase todos os países do mundo. O Movimento oficialmente declara não ter caráter religioso, isto é, não professar dogma nem credo particular; aceita, por conseguinte, fiéis de todas as confissões, os quais poderão, como dizem os rearmamentistas, tomar consciência mais viva de sua ideologia religiosa própria.

2. Rearmamento Moral e Moral Católica

Os arautos do novo Movimento enunciam notáveis resultados obtidos na pacificação de conflitos sociais, com satisfação para as partes contendentes. Citam os nomes de chefes comunistas que abandonaram o marxismo para aderir à ideologia rearmamentista, que seria a genuína chave para os problemas sociais.

Na verdade, o Rearmamento Moral pode ter concorrido decisivamente para despertar a consciência de muitos homens indiferentes ou imbuídos de puro materialismo. Isto, porém, não basta para que mereça aprovação e seja tido como solução dos males contemporâneos. Justamente por distinguir entre Moral e Religião (daí chamar-se Rearmamento Moral sem explícita crença religiosa), por querer reerguer o homem no plano da moralidade, fazendo abstração de qualquer confissão precisa de Deus, o Rearmamento toma posição falsa, embora aparentemente honesta. Deus — e, note-se bem, o Deus único, que se revelou por Cristo e pela Igreja — não é mero complemento, de caráter particular, que se possa dar a um programa humanitário concebido independentemente de Cristo e da Igreja. Qualquer tentativa autêntica de reerguimento da sociedade tem que ser iluminada desde o inicio não somente pela idéia de Deus, mas também pela realidade de Cristo e da Igreja, que é inseparável daquela idéia. Em caso contrário, o homem de certo modo se opõe aos desígnios de Deus : «Quem não é por Mim, é contra Mim, e quem não recolhe comigo, dispersa» (Lc 11,23).

Além disto, apontam-se no Rearmamento Moral falhas particulares, como sejam a comunicação (Sharing) de experiências interiores, abertura de consciência feita a qualquer pessoa, mesmo entre rapazes e moças; o perigo de se tomarem por inspirações do Espírito Santo as manifestações da fantasia ou das inclinações pessoais concebidas durante o Quiet time, tempo cotidiano em que «se escuta a palavra de Deus». Em suma, o subjetivismo impregna profundamente as práticas do Rearmamento.

Durante anos as autoridades da Igreja não tomaram posição definida perante o Rearmamento Moral; a muitos católicos seduziam os termos nobres do respectivo programa... Aos poucos, porém, foi-se verificando que o Movimento não pode deixar de insuflar certo relativismo e indiferença em matéria de religião; como há rearmamentistas que conscientemente se querem imunizar contra este mal, há também muitos que se tornam vitimas dessa mentalidade. Em consequência, a Santa Sé houve por bem baixar normas restritivas ao Rearmamento Moral.

Tal é a instrução do Santo Oficio publicada em 1955:

“O Santo Oficio se admira por ver. católicos e mesmo eclesiásticos procurarem a obtenção de fins morais e sociais, ainda que louváveis, no seio de um movimento que está bem longe de possuir o patrimônio de doutrina, de vida espiritual e de meios sobrenaturais de graça próprio da Igreja Católica. Notou-se ainda, com o maior assombro, o modo como certos indivíduos, defendendo com entusiasmo exagerado os métodos e os meios propostos pelo Rearmamento Moral, parecem pensar — conforme a impressão que fazem — que estes são mais eficazes no seio daquele movimento do que no seio da própria Igreja Católica. Além disto, muitos veem no Rearmamento Moral um perigo de sincretismo e indiferentismo religioso. Por este motivo o Santo Ofício repete as diretivas seguintes:

1º) Não ê conveniente que sacerdotes seculares ou Religiosos, e muito menos Religiosas, participem dos encontros do Rearmamento Moral.

2º) Se em casos ou circunstâncias excepcionais se torne oportuna uma tal participação, a permissão do Santo Ofício deve ser pedida antecipadamente. Esta permissão não será concedida senão a sacerdotes doutos e particularmente prudentes, especialmente do ponto de vista doutrinal e teológico.

3º) Enfim não é conveniente que leigos católicos aceitem postos de direção no Rearmamento Moral.”

 

Em 1957 o «Osservatore Romano» lembrava que permaneciam válidas as normas acima: aos sacerdotes não explicitamente autorizados pela Sta. Sé fica proibida a participação nas reuniões do Rearmamento Moral; quanto aos fiéis leigos, não lhes é lícito aceitar funções e cargos dentro desse Movimento. Justificando a admoestação, o jornal observava que o Rearmamento “de tal modo obscureceu os princípios elementares da Religião que tornou manifestos e sérios os perigos da indiferença” em matéria religiosa.

 

Sobre o humanitarismo leigo, cf. P, R. 7/1957, qu. 16; sobre a Moral leiga, cf. P. R. 7/1958, qu. 5.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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