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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 009 – setembro 1958

A Comunhão do Cálice

TIUBEANTE (São Paulo) :

Porque é que a Igreja não dá aos fieis a comunhão do cálice consagrado? Não mandou Jesus que todos comessem da sua carne e bebessem do seu sangue (cf. Jo 6,34s) ?

A S. Comunhão foi distribuída aos fiéis sob as espécies do pão e do vinho até o séc. XII no Ocidente cristão. No Oriente, não somente entre os cristãos cismáticos, mas também em comunidades unidas a Roma continua-se até hoje a tradição de dar a beber a todos do cálice, consagrado.

Desde o início, porém, da celebração da Eucaristia, os ministros do altar muito se empenharam por evitar qualquer derramamento ou perda das espécies do vinho ou do preciosíssimo sangue.

Fazia-se passar geralmente um só cálice por todos os ' comungantes : ou o cálice mesmo de que bebia o celebrante, ou um cálice consagrado especialmente para a comunhão dos fiéis e chamado em Roma «calix ministerialis» (caso fossem muito numerosos os comungantes, podiam-se usar vários destes cálices). Aos poucos, o costume de recorrer a um cálice próprio para a comunhão dos fiéis parece ter sugerido um rito novo, que visava diminuir o perigo de profanação da sagrada espécie : a taça dada aos leigos continha vinho não consagrado misturado com algo do preciosíssimo sangue. Este uso parece ter entrado em vigor no Oriente, desde época muito remota; a ele talvez aluda o concilio de Laodicéia (cerca de 380) no seu cân. 25, cujo conteúdo não é muito claro. No Ocidente o costume é atestado a partir do séc. XII pelos «Ordines Romani»; segundo este documento, os acólitos (clérigos), após a comunhão do celebrante, apresentavam a este alguns vasos com vinho, dentro dos quais o oficiante lançava parte do preciosíssimo sangue contido no único cálice consagrado durante a Missa.

Outro expediente utilizado para evitar profanação foi o de se fazer que os fiéis bebessem do cálice não diretamente, mas mediante pequeno canudo («pugillaris, calamus, fistula»); parece que até os clérigos usavam de tal recurso; podia haver grande número desses tubozinhos.

Fora de Roma ainda outro rito foi adotado visando a mesma finalidade que os dois anteriores : distribuía-se aos fiéis a sagrada partícula de pão previamente mergulhada no preciosíssimo sangue, evitando-se destarte que o cálice passasse de pessoa a pessoa. Este costume é mencionado pela primeira vez no 3° si- nodo de Braga (675); deve-se ter tornado muito comum no Norte da Europa. Na administração da S. Eucaristia aos doentes, este era por vezes o único rito exequível para se dar as duas espécies consagradas aos enfermos. Entre os orientais, mesmo entre os que estão unidos a Roma, a praxe continua em vigor.

A partir do séc. XII, porém, foi declinando na Liturgia latina o costume de se dar o vinho consagrado a todos os fiéis, pois não se conseguiam evitar pequenos incidentes na distribuição da S. Comunhão; foi, portanto, um motivo de reverência ao SSmo, Sacramento que levou as autoridades da Igreja a dar lentamente tal passo; o motivo ainda hoje é imperioso, principalmente nas paróquias onde grande é o afluxo dos fiéis que muito louvavelmente querem comungar durante a Missa.

Quanto ao mandamento de «comer da carne e beber do sangue do Senhor», consignado em Jo 6,54s, não sofre derrogação alguma pela supressão do «cálice dos leigos». Com efeito, sob qualquer das duas espécies consagradas, se acham presentes o corpo, o sangue, a alma e a Divindade de Jesus Cristo. Verdade é que as palavras da consagração do pão indicam apenas a presença do corpo, e as do vinho unicamente a presença do preciosíssimo sangue do Senhor; acontece, porém, que o corpo de Cristo não existe atualmente separado do seu sangue, mas a este reunido, assim como à sua alma e à Divindade, no céu; ora Cristo se torna presente na S. Eucaristia tal como Ele se acha na glória; como se sabe, o mesmo Jesus, presente no santuário celeste por sua presença natural, se torna presente no SSmo. Sacramento à guisa de substância ou segundo a modalidade própria que chamamos «sacramental» (cf. resposta, à questão anterior). Em consequência, os fiéis que comungam apenas do pão consagrado, não deixam de receber o sangue de Cristo juntamente com o seu corpo santíssimo. Somente se na realidade natural, como aconteceu durante a estada de Cristo no sepulcro, o corpo e o sangue do Senhor estivessem separados, é que na Eucaristia as palavras de consagração do pão nos dariam apenas a presença do corpo, e as de consagração do vinho unicamente a presença do sangue de Jesus.

De resto, enganar-se-ia quem julgasse que nos primeiros séculos não se distribuía a S. Comunhão sob uma espécie apenas: tal era, sem dúvida, a praxe adotada quando, logo após o batismo, se administrava o SSmo. Sacramento às criancinhas; dava-se-lhes somente o vinho consagrado. O mesmo acontecia na comunhão distribuída aos moribundos. Também é claro que, quando os fiéis em dias de semana comungavam em casa tomando as sagradas espécies que haviam trazido da igreja no domingo anterior (caso não raro nos dois primeiros séculos), comungavam apenas sob as espécies do pão (pois somente estas se podiam guardar facilmente em domicilio).

Embora fosse declinando, o costume de dar a S. Comunhão sob as duas espécies manteve-se em algumas paróquias até o séc. XIV; conservou-se ainda por mais tempo na cerimônia de coroação de um rei ou imperador e na Missa que o Sumo Pontífice celebrava todos os anos no domingo da Ressurreição. Em alguns mosteiros de Ordens mais antigas o rito protraiu-se até os inícios da Idade Moderna. No séc. XV um grupo de hereges Hussitas da Boêmia (Europa Central) fez do «cálice dos leigos», que já caíra em desuso, uma de suas reivindicações mais acaloradas; a Santa Igreja concedeu então a S. Comunhão sob ambas as espécies para a Boêmia no ano de 1433. Mais tarde em 1564 o Papa Paulo IV, atendendo às instâncias do Imperador Ferdinando I e do Grão-Duque Albrecht da Baviera, outorgou, sob certas condições, a mesma faculdade a algumas dioceses do território germânico. As experiências, porém, não foram satisfatórias, de sorte que o privilégio foi definitivamente revogado na Baviera em 1571; na Áustria em 1584; e na Boêmia, assim como no restante do orbe católico, em 1621.

A ab-rogação do «cálice dos leigos» não prejudica em absoluto os fiéis que recebem a S. Eucaristia; vem a ser exigência imposta polo curso mesmo dos acontecimentos à piedade dos cristãos, que certamente não desejariam ver exposto à profanação o sacramento do corpo e do sangue do Senhor!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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Claudio Maria

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