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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 021 – setembro 1959

 

Os Livros de Macabeus são Inspirados?

SAGRADA ESCRITURA

P. J. (São José do Rio Preto) :

Como crer que o 2º livro dos Macabeus faça parte das Escrituras inspiradas, como afirmam os católicos, se o respectivo autor admite possa haver imperfeições nesse escrito (cf. 2 Mac 15,39s)?

 

O texto de que trata o enunciado da questão, se encontra no fecho do 2º livro dos Macabeus. Eis o seu teor verbal:

«Se a disposição dos acontecimentos narrados (neste livro) é feliz e bem concebida, (saiba o leitor que) foi isto o que desejei. Se, porém, é imperfeita e medíocre, (saiba que) foi tudo o que pude fazer. Assim como é nocivo beber somente vinho ou somente água, ao passo que vinho misturado com água proporciona suave e agradável deleite, assim também a arte de dispor harmoniosamente a narrativa encanta os ouvidos do leitor. É, pois, aqui que termino.» (2 Mac 15,39s).

 

Como se vê, o autor não se refere a possíveis erros doutrinários do seu livro, mas, sim, a eventuais imperfeições de redação ou estilo. Não obstante esta observação, ainda resta a dúvida: como se poderia conciliar tal declaração do segundo livro dos Macabeus?

 

Em resposta, proporemos, antes do mais, o que se entende por inspiração bíblica; a seguir, faremos ao caso de 2 Mac 15,39s a aplicação das noções explanadas.

 

1. Em que consiste a inspiração bíblica ?

 

O conceito de inspiração bíblica causa dificuldades aos leitores da Sagrada Escritura, porque é fàcilmente identificado com a noção de inspiração no sentido profano: na vida cotidiana, diz-se que um mestre inspira seus discípulos quando lhes comunica idéias ou intuições hauridas no rico cabedal de cultura do mestre; o discípulo inspirado escreve então coisas que ultrapassam o seu grau de adiantamento pessoal. Não é isto, porém, o que se dá no caso da inspiração bíblica. Sendo assim, distingamo-la exatamente de duas noções afins.

 

1.1) Inspiração bíblica não significa revelação nem profana nem religiosa.

 

Revelação, no sentido religioso, importa que Deus, por via sobrenatural, manifeste verdades desconhecidas ao homem. É o dom de que gozavam, por exemplo, os profetas do Antigo Testamento, quando, em nome do Senhor, prediziam aos seus contemporâneos os acontecimentos futuros.


Quando, porém, Deus inspirava um autor sagrado (Moisés, Davi, S. Paulo ou S. Lucas...), não lhe comunicava necessariamente novas noções de ciência, de história ou de teologia; não retocava em absoluto o grau de cultura em que se encontrava esse escritor. Em outros termos: não aprimorava necessàriamente os conhecimentos adquiridos por tal autor na escola de seu povo e de sua época. Não raro os escritores bíblicos afirmam ter examinado documentos e ouvido testemunhos, dos quais receberam as concepções que eles nos transmitiram (cf. Lc 1, 1-4; 2 Mac 2,24-32).


1.2) De outro lado, inspiração bíblica não é mera assistência extrínseca, mediante a qual o Senhor Deus preservaria de erro o autor sagrado. Esta simples assistência extrínseca é privilégio reservado ao Sumo Pontífice ou a um concilio universal, quando definem proposições de fé ou de costumes para a Igreja inteira.


Passando agora a termos positivos, diremos que, no caso da inspiração bíblica, Deus supõe o cabedal de noções religiosas e profanas que tal indivíduo (seja um oriental, seja um grego, seja do séc. XIII a. C., seja do séc. I d. C.) tenha adquirido por seus estudos ou sua educação. Ilumina, porém, a mente desse homem para que veja com a clareza e a certeza do próprio Deus que tais e tais noções (já existentes em sua mente) são aptas a exprimir determinada mensagem religiosa que no momento o Senhor quer comunicar aos homens, ao passo que tais outras noções e expressões (também existentes em sua mente) seriam infiéis ao pensamento de Deus ou à doutrina sagrada.


Posto então sob a ação dessa luz divina, o autor distingue com todo o acerto e a lucidez de Deus mesmo o que deve e o que não deve escrever. A seguir, ainda sob a influência do Senhor (influência que não extingue a liberdade de arbítrio), escreve com toda a fidelidade aquilo que em sua mente viu ser a expressão autêntica da doutrina religiosa que Deus quer transmitir aos homens.

Dentro do que acaba de ser exposto, é importante frisar os dois seguintes pontos:

 

1 - A ação de Deus descrita acima de modo nenhum modifica as concepções, o expressionismo e o estilo que o autor antigo possa ter; ela apenas garante que tal aparato de cultura oriental, devidamente selecionado à luz de Deus, é genuíno veiculo de um ensinamento não científico nem profano, mas estritamente religioso e, como tal, válido para todos os tempos. — Os autores bíblicos aludiam, sim, às noções de ciências naturais segundo o modo de falar popular da sua época, sem pretender definir nem sugerir alguma sentença de astronomia, geologia ou biologia; esse modo de falar popular era suficiente para comunicar verdades de índole não profana, mas religiosa; por isto é que o Espírito Santo não retocava tal expressionismo. — Donde se vê que, para entender a mensagem bíblica, é absolutamente necessário considerar o aspecto humano do livro sagrado e reconstituir a mentalidade do respectivo escritor, pois sòmente através desta e dentro da roupagem que esta oferece é que se vai encontrar o ensinamento válido e perene da Escritura Sagrada.

2 - A mencionada ação de Deus não dispensa a ação do homem, ou seja, o trabalho que um escritor humano costuma prestar para redigir um livro, desde a concepção e concatenação das idéias até a confecção da última linha escrita. Antes, a ação de Deus, na inspiração bíblica, suscita e acompanha o labor do redator humano, para que este seja fiel à verdade religiosa intencionada pelo Espírito Santo. Assim se explica que os escritores bíblicos mencionem não sòmente as fontes de que se serviram, mas também a fadiga, as dificuldades que a elaboração de determinada obra lhes possa ter causado (cf. Lc 1,1-4; 2 Mac 2,24-32; 11, 16-38). Nem é necessário admitir tenham tido sempre .consciência de que o Espírito Santo garantia, por um dom próprio, o bom êxito ou a veracidade de seu trabalho; este lhes parecia em tudo semelhante ao trabalho de qualquer outro escritor humano.


Apliquemos agora o que acaba de ser dito ao texto de 2 Mac.

 

2. O caso de 2 Mac 15,39s

 

À luz das noções propostas, verifica-se que a passagem de 2 Mac 15,39s em absoluto não é incompatível com a inspiração bíblica. Vejamo-lo de perto.


Ao encerrar o livro, o autor em 15,39s faz ligeira observação sobre o respectivo estilo, como no inicio da obra fizera algumas advertências sobre o método que havia de seguir: com efeito, em 2 Mac.2,20-33 (prólogo do livro), o escritor sagrado anunciava que' estava para resumir cinco tomos de um certo Jasão de Cirene concernentes à história de Judas Macabeu e de seus irmãos ; observava, porém, que esta tarefa não lhe seria coisa fácil; antes exigiria muitos esforços e vigílias noturnas.


Uma vez terminada a obra, o autor em 15,39s lança um olhar retrospectivo sobre a mesma, e admite possa ter cometido falhas; note-se, porém :... falhas não contra a veracidade das narrativas, mas contra as regras de composição literária e de estilo. Esta advertência é bem compreensível: o autor humildemente reconheceu a limitação de seu cabedal de escritor ; o Espírito Santo não julgou oportuno dar-lhe intuições de estilo e de literatura, modificando os habituais processos de redação de tal escritor ; nem quis conceder a tal autor consciência de que estava sendo particularmente agraciado para redigir o seu livro; o Espírito de Deus apenas fez que a obra, penosamente elaborada, ficasse imune de qualquer erro doutrinário.                                                               1


Se, advertidos pela observação de 2 Mac 15,39s, nos damos ao trabalho de examinar o estilo do livro, verificamos, com os melhores comentadores modernos, que o autor sagrado não somente foi fiel à história real dos acontecimentos, mas também preencheu com arte a difícil tarefa de resumir em quinze capítulos uma coleção de cinco volumes. Os escrúpulos do escritor quanto ao estilo e às regras de composição do livro, mostram-se infundados: o hagiógrafo fez obra digna de encômio, até mesmo do ponto de vista literário.

 

Eis o depoimento de um dos mais modernos comentadores de 2 Mac:

«O autor fazia questão de que seu estilo e sua arte de composição literária merecessem o apreço dos leitores. Na verdade, ele escreveu obra bem composta e de leitura fácil, obra que expõe com piedade acontecimentos muitas vezes assaz dramáticos e que, apesar de sua concisão, fornece numerosos pormenores complementares da história do primeiro livro. Atribuamos, pois, a Jasão a trama das narrativas e reconheçamos ao abreviador inspirado a fidelidade à sua fonte assim como a arte da apresentação» (M. Grandclaudon, Les livres des Macchabées, em «La Sainte Bible» de Pirot-Clamer VIII 2. Paris 1951, 232).

 

Quanto às imperfeições de estilo, se tivessem de fato ocorrido na redação de 2 Mac (como em verdade elas ocorrem, por exemplo, no Apocalipse de S. João, em que há construções de sintaxe grega um tanto difíceis), elas de modo nenhum seriam inconciliáveis com a inspiração bíblica. Efetivamente, Deus na Bíblia não recusou fazer passar sua verdade pura e santa através das categorias imperfeitas da linguagem de homens rudes, contanto que estas imperfeições linguísticas não deturpassem o pensamento do Senhor nem atraiçoassem o sentido da mensagem religiosa. Deus sempre se quis comunicar aos homens utilizando tudo que há de humano; por isto serviu-se da carne mortal na Encarnação, serviu-se da linguagem humana rude na inspiração bíblica, serve-se dos elementos materiais (água, óleo, pão, vinho...) nos sacramentos cristãos. Este vestiário material ou humano, por mais desprezível que seja aos olhos da carne, torna-se sob a ação de Deus veículo perfeito de dons celestes.

 

Ó admirável condescendência divina, que, sem realizar milagres a esmo, vai utilizando certeiramente as criaturas oscilantes para executar um plano de estupenda sabedoria !

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 


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