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Devoção Popular Mariana e Santo Rosário

Prof.: Ricardino Lassadier*

 

DEVOÇÕES MARIANAS

Nós Católicos temos grande veneração pela Santa Mãe de Deus. Queremos, a exemplo de São João, ter a Mãe da Igreja sempre conosco, por isso manifestamos nosso amor a ela de diversas maneiras, vejamos sucintamente apenas algumas:

Consagração a Nossa Senhora ao despertar e ao deitar. A consagração é por vezes acompanhada de três Ave-Marias, que é uma referência da comunhão singular da Virgem com a Santíssima Trindade.

 

Imagens e pinturas de Nossa Senhora em casa. É um símbolo da presença da Virgem Santíssima na família.

 

Angelus ou Regina Coeli. Recordação de momentos importantes da vida de Nossa Senhora. Também é uma forma de

aproximarmos nossas vidas da vida de Maria Santíssima.

 

Dedicação dos meses de Maio e Outubro. A Igreja propõe que lembremos de Nossa Senhora com mais intensidade, daí o costume de ornamentar imagens, da coroação, dentre outras devoções que podem ser realizadas no mês de Maio. Desde o séc. XIX Outubro é dedicado á Nossa Senhora sob o título de Senhora do Rosário, por isso Outubro é o “mês do Rosário”. O Papa Leão XIII foi quem assumiu a responsabilidade de popularizar e divulgar essa belíssima devoção. O referido pontífice escreveu dezesseis encíclicas ou cartas apostólicas sobre o tema, incluindo a belíssima a Augustíssimae Virginis Mariae.

 

O uso do Escapulário. Lembra-nos que devemos, constantemente, recorrer à proteção de Nossa Senhora.

 

O uso da Medalha Milagrosa. Originou-se em 1830 com as aparições da Virgem Maria a Santa Catarina Labore. É Uma forma de testemunhar amor e veneração à Senhora das Graças, colocando-se sob sua proteção materna.

Tanto o uso da Medalha como o do Escapulário deve supor por parte dos filhos da Igreja “uma adesão humilde e constante à mensagem do evangelho, uma oração perseverante e confiante, e uma vida coerente” (KRIEGER, 2005, p. 24). Logo, não podemos confundir as devoções com superstições, estas supõem um poder mágico sobre a realidade, além de não requerer um compromisso de conversão.

 

Dedicação do Sábado a Virgem Santa. O sábado antecede o domingo (dia do Senhor). Dedicar o sábado a Nossa Senhora indica que ela prepara-nos para o encontro com Jesus Cristo e diante dele confessemos seu senhorio de modo que todos os joelhos se dobrem diante dele (cf. Ef 2, 10-11), é o que fazemos aos domingos.

 

Visitar em espírito de peregrinação Santuários Marianos. É como ir visitar a casa da Mãe do Céu.

 

Solenidades e festas de Nossa Senhora. A Igreja, durante o ano, dedica a Nossa Senhora várias festividades para indicar que ela, como Mãe de Deus e da Igreja, caminha conosco nas mais diversas circunstâncias e maneiras. É de grande proveito espiritual participar desses momentos de riqueza mariana. As solenidades marianas não estão restritas ao espaço da piedade popular, porém como esta é enriquecida pela Liturgia Oficial da Igreja é muito profícuo que façamos uma referência a elas, ainda que breve. Então citemos apenas as festas de maior importância, ou seja, as solenidades: Santa Maria Mãe de Deus (1º de Janeiro), Purificação de Virgem Maria (2 de Fevereiro), Anunciação (25 de Março), Assunção de Nossa Senhora (15 de Agosto), Natividade de Nossa Senhora (8 de Setembro), Imaculada Conceição (8 de dezembro).

 

Dentre as devoções marianas, merece menção singular a oração do Santo Rosário (ou mesmo do Terço). Essa piedosa devoção é tradicionalmente muito preciosa à Igreja de Cristo de modo que atinge o coração do fiel mais simples até ao do Romano Pontífice. Há o reconhecimento de que essa simples devoção tipicamente mariana é de profunda riqueza espiritual, teológica e até psicológica.

 

Em razão do grande valor dessa simples oração muito se tem a meditar. Mas na presente reflexão queremos abordar alguns aspectos que possam evidenciar o esplendido patrimônio dessa oração e despertar em cada um de nós o desejo e o hábito de realizar, todos os dias, esse verdadeiro exercício espiritual. Para tanto, seguiremos a seguinte percurso: Estudaremos o conceito de devoção (piedade) popular, já desenvolvendo certas considerações acerca do Rosário; verificaremos a provável origem bem como desenvolvimento histórico do Rosário; por fim meditaremos sobre certos aspectos teológicos de acordo com os ensinamentos do Sagrado Magistério.

 

DEVOÇÃO POPULAR: Compreendendo o conceito.

 

Iniciemos nossa reflexão tomando a seguinte passagem bíblica: “Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou da multidão e disse: ‘Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram” (Lc 11, 27). Essa expressão brotou de uma mulher simples que estava presente em meio da multidão. É a manifestação de louvor que demonstra espontaneidade, e não é, portanto, fruto de uma meditação calculada demoradamente. É, diríamos, um simples impulso imediato e, de certo modo inocente. É em sentido último expressão de piedade popular.

 

A oração do Rosário (ou do Terço) tem essa característica, ou seja, é algo que brota da simplicidade do coração. Paras podermos entender corretamente o que isso significa faz-se necessário compreendermos o que vem a ser piedade popular.

 

Vejamos a seguinte definição: “Piedade Popular é a maneira pela qual o cristianismo se encarna nas diversas culturas e se manifesta na vida do povo. Trata-se pois, de diferentes manifestações culturais de caráter privado ou comunitário, que no âmbito da fé cristã se exprimem  não com os elementos da Sagrada Liturgia, mas através da formas peculiares, que nascem do jeito do povo, de sua etnia ou cultura” (KRIEGER, 2005, p. 6). Isto é, a piedade popular tem o seu berço no contato da Igreja com as mais variadas culturas.

 

Algumas pessoas não bem informadas, ou mal formadas (ficamos tentados em dizer, “deformadas”), supõem que a Igreja “não vê com bons olhos” a piedade popular. Isso, absolutamente, não é verdade! O que a Igreja – como Mãe que é – se preocupa é com a educação de seus filhos. O princípio básico para a educação do povo, no que tange a devoção popular, se estabelece nos seguintes termos: O culto popular à Virgem (assim como aos demais santos), deve levar o fiel a olhar para Deus, a adorá-lo e, ao mesmo tempo, despertar a consciência do amor e do serviço ao próximo. Desse modo, as devoções marianas são cristocêntricas (tem como ponto central Nosso Senhor Jesus Cristo) e logicamente trinitárias (nos leva a reconhece e louvar ao Senhor como Deus Uno e Trino). É o que nos diz o Papa Paulo VI: “É da máxima conveniência, antes de mais nada, que os exercícios de piedade para com a Virgem Maria exprimam de maneira clara, a característica trinitária e cristológica que lhes é intrínseca e essencial. O culto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ou conforme se expressa a Liturgia, ao Pai por Cristo no Espírito” (MC, 25). Também o Sumo Pontífice João Paulo II ensina: “o Rosário é, de fato, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Na sobriedade de sues elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica, da qual é quase um compêndio” (RVM, 1). Ambos os Pontífices ressaltam o valor cristológico e trinitário da oração do Rosário. Se assim não fosse, a oração ganharia um caráter idolátrico, pois estaríamos colocando a Virgem no lugar do próprio Deus e não seria um culto, uma oração cristã, uma oração católica.

 

Se bem notarmos, Paulo VI diz que é intrínseca e essencial à piedade mariana o seu caráter cristológico e trinitário, e isso significa que se alguém rezar o Rosário sem colocar a Trindade Santíssima no centro, não estará efetivamente rezando o Rosário Mariano. Assim sendo, podemos considerar que a oração do Rosário é muito mais do que uma formula bem recitada. Pode acontecer de alguém recitar todo o Terço sem realmente ter rezado. O Rosário implica em nos achegarmos à Maria, rogarmos à Maria, implorarmos sua poderosa intercessão e aprendermos com ela que do Filho é Mãe, do Espírito é Esposa e do Pai é Filha; olhar e contemplar adequadamente o Mistério UNO e TRINO que é Deus. Tentando simplificar: recitar o Terço sem considerar como seu centro Jesus, sem considerar como essência a Santíssima Trindade, não esta rezando verdadeiramente.

 

FORMAÇÃO HISTÓRICA DO ROSÁRIO.

 

Vale considerar inicialmente que rezar recorrendo a jaculatória não uma exclusividade do Cristianismo, também os budistas, os hindus, os mulçumanos têm seus “terços”. Isso quer dizer que essa forma de oração é uma expressão comum a religiosidade humana, independentemente de sua crença. Essa maneira repetitiva de rezar que é aparentemente monótona faz com que a mente se tranquilize, aquieta o coração, é simples, disciplina os pensamentos, é um exercício de concentração. No caso do Rosário, além de todos esses benefícios psicológicos ainda nos possibilita um encontro com Nossa Senhora que nos conduz à contemplação de Nosso Senhor.

 

Não é possível determinar com exatidão quando nasceu a oração do Santo Rosário. É mais correto afirmar que essa bela devoção foi sendo gerada paulatinamente no seio da Igreja. De acordo com Pe. Cleodon(2004, p.106) “por volta do séc. X os monges tinham os costume de rezar os salmos. Os professos que não tinha condições de rezar os salmos, durante a oração comunitária recebiam a incumbência de rezar varias vezes o Pai-Nosso”. Para melhor poderem conter os “Pais-nossos” confeccionaram cordões com nós, geralmente, em dezenas correspondentes aos Salmos. Essa Maneira de rezar popularizou­–se em virtude de sua simplicidade e praticidade, de forma que, no final do séc. X não somente os  monges mais simples rezavam dessa forma, também os fies leigos rezavam o Paternoster. Nome pelo qual ficou sendo identificada não somente a oração, mas também o objeto que se usava para rezar. Paralelamente ao Paternoster desenvolvia-se o hábito de saudar a Virgem Maria com as palavras do anjo Gabriel (Lc 1,28) e as palavras inspiradas de Santa Isabel (Lc 1, 42). Inicialmente o Rosário da Virgem (como era chamado) tinha em sua composição apenas a primeira parte da “Ave-Maria”, não havia o “Gloria ao Pai...” e nem a contemplação dos mistérios.

 

D. Estevão Bettencourt (1997, p. 126) diz que um monge chamado Henrique de Calcar († 1408) orientava que antes de cadê dezena de “Ave-Maria” fosse recitado o “Pai-Nosso”. Será que, já nesse tempo, o monge, inspirado pelo Espírito, não queria ressaltar o aspecto cristológico do Rosário que ainda estava em formação?

 

A divisão ou composição do Rosário de Nossa Senhora, segundo a explicação de Pe. Cleodon Lima (2004, p.107), na contemplação dos mistérios da vida de Nosso Senhor foi obra de frei dominicano chamado Alano Rocha († 1475). Mas foi o Papa São Pio V (1566-1672), de origem dominicana, que definiu a forma do Rosário em vigor até nossos dias. Foi o referido Papa quem definiu o número de “Pais-Nossos” e “Ave-Marias” assim com os mistérios a serem contemplados. D. Estevão Bettencourt (1997, p. 127) nos conta acerca do Papa Pio V e o Rosário: “O Santo Pontífice atribuiu à eficácia dessa prece a vitória naval de Lepanto que aos 7 de outubro de 1571, salvou de grande perigo a cristandade ocidental”. Em consequência dessa certeza “Pio V introduziu no calendário litúrgico da Ordem de São Domingos a festa de Nossa Senhora do Rosário. Em 1716, a devoção a Nossa Senhora do Rosário já tinha se divulgado por toda a Igreja Católica e o Papa acabou instituindo sua devoção a toda a Igreja” (lima, 2004, 107, 108).

 

A oração do Rosário só sofreria outra modificação no século XXI, no ano de 2002 quando o Santo Padre João Paulo II escreve para toda a Igreja a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae e propõe a contemplação de mais alguns mistérios denominados “Luminosos” ou “mistérios da Luz” que referem-se à vida pública de Jesus. Na mencionada carta apostólica, João Paulo II ensina: “Com efeito, é no âmbito desses mistérios que contemplamos aspectos importantes da pessoa de Cristo, como a revelação definitiva de Deus. é ele que, declarando Filho dileto do Pai no Batismo do Jordão, anuncia a vinda do Reino, testemunha-a com obras e proclama as suas exigências. É nos anos da vida pública que o mistério de Cristo se mostra de forma especial como mistério de luz: ‘enquanto estou no mundo sou Luz do Mundo’ (Jo 9, 5)”(RVM 19, p.p. 28,19). Desse modo “o Rosário passou de 150 para 200 ‘Ave-Marias’ divididas em quatro, agora em blocos de mistérios” (MURRAD, 2004, p 146). Como podemos notar a formação do Rosário deu-se aos poucos, é o Espírito Santo conduzindo a Igreja.

 

UM BREVE OLHAR TEOLÓGICO

 

Desenvolveremos este tópico procurando explicitar o pensamento da Tradição da Igreja, particularmente no que se refere ao aspecto mais recente. Assim optamos justamente para indicar que o Rosário não perde seu valor com o passar dos anos.

 

Para Bento XVI “o Santo Terço não é uma oração relegada ao passado”. Essa mensagem foi proferida em 5 de maio de 2008 após o Santo Padre ter rezado com os fiéis a referida oração na Basílica de Santa Maria Maior. Considerando que o atual Pontífice é um teólogo de fenomenal importância poderíamos nos perguntar: o que ele quer no indicar afirmando ressaltando a atualidade do Rosário?

 

Quando o Papa Ratzinger destaca a atualidade dessa oração simples podemos entender que a reza do Terço implica em nos exercitarmos  (na medida em que procuramos cultivar um espírito de contemplação), no “tempo de Deus”. A oração do Rosário nos coloca em caminho com Cristo e sua Mãe pela contemplação dos mistérios. Aprendemos de Nossa Senhora a nos voltarmos para Jesus e nele concentrarmos o nosso existir. Bento XVI, na citada mensagem diz que o Terço “contem em si a potencia curadora do nome santíssimo de Jesus, invocado com fé e com amor no centro de cada Ave-Maria”.

 

De certa forma é como se cada vida se convertesse em uma “Ave-Maria”, pois cada existência ganhará um caráter mariano, ou seja, será uma existência que tem Jesus como eixo central de sua vida. Rezar o Terço não resulta em rejeição da centralidade do Cristo. Muito pelo contrário, significa afirma a centralidade de Cristo em nossas vidas.

 

Quando rezamos o Terço, sem dúvida, estamos prestando um culto à Virgem Maria, porém o culto que a Igreja dirige a ela difere do culto prestado a Deus. O culto prestado aos Santos é denominado dulia (veneração, admiração). O culto que é prestado a Deus é um culto de latria (adoração), de reconhecimento e uma potência criadora e redentora. O culto dedicado a Nossa Senhora é um culto de hiperdulia, dizendo popularmente, “super admiração”, que é inferior apenas ao culto prestado a Deus. Felipe Aquino (2002, p.123) explica: “Para a Igreja Católica o culto dos santos é perfeitamente, legítimo porque quando enaltece as suas vidas e os seus atos, antes de tudo, está glorificando a Deus, já que os santos nada seriam sem a graça de Deus”. Em outras palavras, se ao rezar o Terço é verdade que estamos cultuando Maria, é também verdade que o centro do culto mariano é e sempre será Deus.

 

A Igreja sempre nos lembra que a salvação está em Jesus, ou melhor, é ELE a nossa salvação. No entanto, a Igreja não quer esqueçamos que a salvação inicia na Encarnação, isto é, no ventre de Maria; a salvação começa por Maria. Logo, podemos legitimamente concluir que a salvação pessoal de cada um pode perfeitamente iniciar-se e firmar-se mediante a contínua oração do Terço.

 

O Santo Padre Leão XIII em sua encíclica Augustissimae Virginis Marie (abreviatura: AVM, 10), esclarece que a oração do Terço “longe de ser incompatível com a dignidade de Deus – como se insinuasse que nós devemos confiar mais em Maria do que no próprio Deus – tem, ao contrário uma particularíssima eficácia para O comover e no-lo tornar propício. Com efeito, a fé católica nos ensina que nós devemos orar não só a Deus como fonte de todos os bens; aos Santos, como intercessores”. É como se em cada Ave-Maria recitada no Terço estivéssemos pedindo que Nossa Senhora tornasse atual, em nossas vidas, sua mediação realizada em Caná na Galiléia.

 

A fé católica é uma fé que tem sua raiz em um Deus que misteriosamente é Trindade. O Cardeal Geraldo Magella Agnelo (2007, p.7), ao apresentar o Subsídio publicado pela CNBB Sou Católico, Vivo minha Fé, afirma: “É importante dar-nos conta de que não estamos sozinhos na nossa fé: cremos com os apóstolos, os mártires, os santos e todo o povo de Deus do passado e do presente, com o Papa e os Bispos, com tantos irmãos espalhados pelo mundo inteiro, no passado e no presente. É graça de Deus crer com toda a Igreja, e com a Igreja crer”. Quando o católico reza o terço acontece exatamente isto! Quantos Papas, Bispos, santos, mártires fiéis leigos (trabalhadores, pais e mães, catequistas...) durante toda a gloriosa, porém difícil caminhada da Igreja repetiam e repetem “Ave-Maria...Santa Maria, rogai por nós...?” É assim é a fé da Igreja, é assim nossa fé.

 

O Papa Leão XIII (AVM, 11), considera que ao rezarmos Terço e contemplamos os mistérios do de nossa salvação estamos imitando e fazendo eco aos anjos. Foram esses seres celestiais que muitas vezes serviram como mensageiros da revelação dos Mistérios Eternos. Isto é, ao rezarmos o Terço e ao propagarmos essa bela devoção, tornamo-nos mensageiros dos mistérios de Deus, prolongadores dos serviços angelicais. Não é muito fácil compreender essa linguagem visto que é carregada de sentido poético e místico. Entretanto pode aqui ser ressaltado o aspecto evangelizador da propagação do Santo Terço! Quantas pessoas simples não fizeram da oração diária do terço uma síntese bíblica e, dessa maneira tornaram-se conhecedores do Senhor?

 

O grande Papa João Paulo II indicou em sua encíclica Rosarium Virginis Marie (abreviatura: RVM, 1) que a oração do Santo Rosário suscita santidade, já que é uma oração que foi inspirada e paulatinamente formada pelo Espírito Santo.

 

Não pode haver Cristianismo sem oração, e rezar é uma arte que se faz necessária em todos os tempos, logo também em nossos dias marcado de um lado por um crescente materialismo e por outro por variadas correntes de espiritualidades sob a influencia de muitas religiões, diante disso, João Paulo II diz que “é extremamente urgente que as nossas comunidades cristãs se tornem ‘autenticas escolas de oração” (RMV, 5). Ora, a recitação do Terço é uma perfeita resposta a essa necessidade citada pelo Santo Padre. Pela reza do Terço as comunidades tornam-se escolas de oração, visto que as pessoas se desenvolvem e se tornam “treinadas” arte da oração que é dirigida por Maria de forma pedagógica, em outros termos, a oração do Terço nos faz matriculados na “escola de oração de Nossa Senhora”, pois, ela mesma recitou o Rosário. Isso mesmo, Maria foi a primeira que, de certo modo recitou o rosário, porém com sua própria vida (cf. RVM, 11). A vida de Nossa Senhora foi e é uma contínua oração!

 

A oração nos coloca na dimensão da recepção do Espírito. Lembremos que o evento de Pentecostes ocorreu após Jesus ter partido para junto do Pai. A Igreja recebeu o Espírito em espírito de oração e entre os orantes se destacava a Virgem Maria. Não essa a primeira novena da história da Igreja? Essa novena não se constitui como um Rosário somente recitado, mas sobretudo vivenciado e contemplado.

 

Maria, mais do que qualquer outra pessoa podia apreciar os dons do Espírito, ou como diz João Paulo II (2003, p.121): “Tendo já feito uma experiência muito singular acerca da eficácia desse dom, a Virgem Santíssima estava na condição de o poder apreciar mais do que qualquer outro; com efeito, à intervenção misteriosa do Espírito Ela devia a sua maternidade, que fazia dela a via do ingresso do salvador no Mundo”. Foi pela intervenção do Espírito que ocorreu a divina maternidade de Maria. Foi pela súplica de Maria, juntamente à Igreja nascente, que o Paráclito se fez presente e tornou Virgem Santa novamente Mãe, porém, de todo o Povo de Deus.

 

Na Encarnação o corpo físico do Senhor forma-se no ventre de Maria, com Pentecostes forma-se o Corpo Místico de Cristo (que é a Igreja) gerado no seio espiritual da Santa Virgem. A vinda do Espírito se deve de modo particular à intercessão de Nossa Senhora, ensina João Paulo II (2003, p 122): “O Pentecostes, portanto, é fruto também da incessante oração da Virgem, que o Paráclito acolhe com favor singular, porque é expressão do amor materno dela para com os discípulos do Senhor”. Então, sendo o Terço uma oração na qual nos dirigimos não apenas à Maria, mas com Maria ao Senhor, é uma oração extremamente eficaz para rogarmos e presença do Espírito e dos seus dons em nós, ou seja, é uma oração eficaz para sermos realmente de Deus. É nesse sentido que afirma são Luiz Maria Grignion de Monfort: “não tenho melhor segredo para saber se uma pessoa é Deus, do que ver se ela gosta de rezar o Ave-Maria e o Terço” (2002, p. 169).

 

É bem verdade que muito mais se poderia falar e escrever acerca dessa singular oração, no entanto, diante do que já foi dito parece-nos mais adequado tomar o Terço nas mãos e rezar e pedir à Virgem Santíssima que rogue a Deus para que sejamos agraciados com o dom que é Espírito, de modo a sermos fiéis e santos. Que a oração do Santos Rosário (Terço), marque o ritmo de nossas vidas e nos conduza ao Reino Eterno de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

*O autor é graduado (Licenciado e Bacharel), em Filosofia (UFPa), Especialista em Filosofia (Epistemologia das Ciências Humanas/ UFPa). Especialista em Teologia (Teologia e Realidade com ênfase em bioética/CESUPA). Professor do IRFP (as disciplinas “História da Filosofia Moderna”, “História da Filosofia Contemporânea”). Lecionou na Escola Diaconal Santo Efrém da Arquidiocese de Belém (disciplinas:“Antropologia Teológica”, “Escatologia”). Lecionou no Curso de Teologia (CCFC), as disciplinas “Teologia Fundamental”, “Mariologia” e “Escatologia”. Nesta mesma instituição ministra o curso “Razões e Fundamentos da Fé: Estudo do Catecismo da Igreja Católica”. É professor da Rede pública estadual (colégios: Ruth Rozita e Barão de Igarapé Miri), onde leciona Filosofia.

 

 

BIBLIOGRAFIA GERAL:

-KRIEGER, Murilo. Maria na Piedade Popular. São Paulo: Paulus, 2005.

-AQUINO, Felipe. Porque sou Católico. Lorena-SP: Cléofas. 2002.

-BETTENCOURT, Estevão Tavares. Católicos Perguntam. São Paulo: O Mensageiro de Santo Antonio, 1997.

-ANGELO, Geraldo MAGELLA. Sou Católico, Vivo a Minha Fé. Brasília: CNBB, 2002.

-MURAD, Afonso. Maria, Toda de Deus e tão humana. São Paulo: Paulinas, 2006.

-MONTFORT, Luiz Maria Gringnion de. Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria. Anápolis-GO, 2002

-CLEODON, Lima. A palavra Liberta: Conhecendo Maria. São Paulo: Ridel, 2004.

 

DOCUMENTOS PONTIFÍCIOS:

-LEÃO XIII. Encíclica Augustissima Virginis Marie, sobre o Rosário de Nossa Senhora, 1897. SITE: Vaticano

-JÕAO PAULO II. Encíclica Rosarium Virginis Marie, sobre o Rosário. São Paulo: Paulinas, 2002.

-Maria e o Dom do Espírito. In: AQUINO, Felipe (Org.). A Virgem Maria – Papa João Paulo II: 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora. Lorena-SP: Cléofas, 2003.

-BENTO XVI. Mensagem de 5 de Maio de 2008. SITE: Vaticano.

-PAULO VI. Exortação Apostólica Marialis Cultus. 1974. SITE: Vaticano.

 


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