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Segurança familiar: sem filhos não há progresso

Fonte: Jornal do Brasil

Sergio Sebold

Desde que o cristianismo se instalou na Roma antiga, um dos pressupostos básicos era estabelecer um modelo familiar, que garantisse a perpetuação da espécie humana. Isto decorreu num período de decadência moral que avassalava Roma e que, por efeito de seu domínio, contaminava toda a Europa.

A institucionalização sacramental da união de dois jovens (homem/mulher), como compromisso de se manterem unidos por toda a vida, deu a necessária garantia da sobrevivência da civilização romana e de toda a Europa cristianizada. Felizmente, este princípio basilar até hoje persiste.

A descoberta da América foi um alívio das disputas de terras, e também a fuga das disputas religiosas que surgiram com o cisma protestante. Nestas novas terras com abundância incomensurável, foi possível a constituição de famílias numerosas, como garantia do domínio e posse deste novo continente.

Entretanto, os que ficaram na Europa, com o tempo, sentiram a necessidade de reduzirem a prole, diante da escassez física de terra pelo desmembramento familiar e baixos recursos tecnológicos (esgotamento das terras) até então aplicados na agricultura. Com o conhecimento científico mais desenvolvido do que o dos demais povos do planeta, foi possível também buscar novas formas de reduzir a prole. As duas grandes guerras do século passado levaram os remanescentes a uma redução drástica em troca de um conforto sem igual para as gerações sucessivas. Hoje, a Europa está pagando um preço alto pela falta de contingente humano jovem para se autossustentar.

Tem-se agora um novo fenômeno, com um modelo capitalista de competição, ninguém tem mais segurança de trabalho, ficou difícil para os jovens terem família com muitos filhos, em que pese o Estado oferecer certos confortos, garantias de saúde, escola para os filhos. Além de que o que o Estado oferece é insuficiente para garantia da família. O modelo capitalista vigente também nada garante.

Outro fator é de ordem subjetiva. O Estado não dá sustentáculo  jurídico eficaz para as famílias se manterem íntegras. Há uma insegurança que leva os jovens a se unirem apenas fisicamente, não mais juridicamente, por não verem vantagem alguma na forma consagrada do estatuto jurídico. O próprio Estado está destruindo o modelo familiar. E, pior, o Estado é estimulado por pseudolegisladores, que em razão de seus fracassos familiares procuram destruir a família promovendo oportunidades para outras formas de uniões que não permitirão a continuidade da espécie.

É de se levar em conta que a estabilidade da família é um “valor agregado” para a sociedade. Este é o impacto positivo do casamento eficaz. Essa estabilidade limita os efeitos desastrosos do divórcio fácil e banal, na situação econômica dos cônjuges e no desenvolvimento dos filhos. Estes últimos geralmente acabam se tornando um peso social diante da insegurança de vida de seus pais. Geralmente se tornam cidadãos, além de outras consequências psicológicas, de baixa produtividade pela frustração que carregam. A desagregação da família está sendo um fator de instabilidade social, onde um véu é o vazio existencial escoando para as drogas, caminhando para a violência.

Não basta o Estado encontrar maneiras de pagar aposentadorias e reembolsar gastos com a saúde, mas encorajar fortemente a retomada, na Europa (como também no Brasil), por uma opção preferencial de um casamento bem-sucedido, para toda a vida, na busca da retomada demográfica.

A desistência de herdeiros levará a economia e a sociedade à ruína. Não se está conclamando ninguém a aumentar mais ainda o enxame, mas a preservá-lo. Com sabedoria e conhecimento científico é possível. A rainha mãe-terra tem espaço para acolher  a todos nós.

“A adoção de políticas fiscais favoráveis à família, como incentivo para um terceiro ou quarto filho; criação de estruturas de assistência à infância; ajuda para as famílias conciliarem trabalho e vida doméstica; valorização da contribuição econômica e social do trabalho educativo, particularmente das futuras mães, seria um caminho para a Europa sair da estagnação”, sugere dom Leonard, arcebispo de Malines, Bruxelas. Na mesma extensão serve para o Brasil.

 


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