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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 019 – julho 1959

 

As Farsas de 1º de Abril

MORAL

ÚLTIMA HORA (Rio de Janeiro):

Que dizer das chamadas ‘farsas de 1º de abril’ ? Terão origem supersticiosa ou pagã?

 

O costume de recorrer a artimanhas enganadoras no dia 1º de abril não é antigo: parece ter tido origem no séc. XVI na França, donde se propagou pelo mundo ocidental. Os franceses designam essa praxe pela expressão «donner un poisson d'avril» (dar um peixe de abril); os alemães falam comumente de «Aprilschicken», isto é, de um envio, uma remessa ou um presente de abril, ao passo que os ingleses costumam referir-se à zombaria do «april-fool ou do «tolo de abril».

 

1. Qual terá sido o motivo inspirador desse costume popular?


As opiniões propostas pelos historiadores não dissipam por completo as sombras que pairam sobre o assunto. Na França mesma, terra de origem da praxe, eis as principais explicações aventadas:

a) Outrora a estação da pesca em alguns países se abria a 1º de abril. O peixe, porém, nesse dia inaugural do período costumava ser muito escasso, de sorte que somente os homens simplórios acreditavam na pescaria de 1º de abril. Em reminiscência deste fato, ter-se-ia introduzido na sociedade o costume de «dar peixes de abril», isto é, de oferecer presentes ilusórios ou lançar falsas notícias a 1º de abril.

b) Outros autores apelam para o seguinte tópico: o rei Carlos IX da França, achando-se no castelo de Ronsillon (Dauphiné) no ano de 1564, decretou que doravante começaria a 1º de janeiro o ano civil que até então tivera inicio a 1º de abril. Em conseqüência, os presentes e votos de felicidades de Ano Novo foram deslocados para o mês de janeiro. Muitos cidadãos, porém, lamentavam a troca; para estes então (dizem os mencionados autores) certos concidadãos irônicos reservaram presentes simulados e mensagens enganadoras que a 1º de abril os «consolassem» em sua amargura!... O uso ter-se-á generalizado com o decorrer dos tempos. — Mais ainda: já que, conforme os astrólogos, no mês de abril o sol deixa o signo zodiacal dos Peixes, conjetura-se que, por este motivo, os homens foram dando a tais presentes ilusórios o nome, ainda hoje usual, de «peixes de abril».

c) Uma terceira teoria se baseia no fato de que o rei Luís XIII (1610-1643), da França, detinha como prisioneiro no castelo de Nancy um príncipe da Lorena. Este, porém, conseguiu fugir do cárcere a 1º de abril, atravessando a nado o rio Meurthe. Em conseqüência, os lorenos terão espalhado o rumor de que haviam entregue um «peixe» à guarda dos franceses. E, para solenizar sarcàsticamente o acontecimento, terão introduzido na sociedade o costume de dar presentes «que escapam (como peixe)» ou presentes fictícios, no dia 1º de abril. — Esta explicação, porém, carece de probabilidade, pois a praxe de gracejar a 1º de abril é comprovadamente anterior ao reinado de Luis XIII.

d) Há, por fim, quem recorra à história da Paixão de Cristo... Com efeito; julga-se que o Senhor Jesus padeceu no início de abril (a data mais provável da morte do Salvador seria a de 7 de abril do ano 30). Ora, justamente por ocasião do seu padecimento, Jesus foi enviado de um tribunal para outro, ou seja, de Ana a Caifaz, de Caifaz a Pilatos, de Pilatos a Herodes, de Herodes a Pilatos, sofrendo através dessas peripécias o insulto e a burla tanto das autoridades como do poviléu. Na Idade Média, tão doloroso processo era reproduzido em autos e mistérios que visavam a edificação popular. No séc. XVI, porém, os cidadãos haveriam tomado a liberdade de gracejar irreverentemente, infligindo ao próximo um «jogo de empurra» (ou um tratamento insincero, zombeteiro) semelhante ao que recaiu sobre Jesus. Tal costume equivaleria, por conseguinte, a revoltante abuso das veneráveis cenas da Paixão do Senhor. — Dentro desta hipótese, julgam alguns historiadores, a expressão «peixe de abril», usual em francês, não seria senão a deturpação de «paixão de abril» (passion d'avril = poisson d’avril). O historiador Quitard, porém, julga que, longe de ser deturpação, o apelativo «peixe» foi escolhido intencionalmente, no caso, para designar de modo velado o Cristo (ninguém ousaria, como se compreende, nomear explicitamente o Senhor Jesus por ocasião de tão indignas brincadeiras); a escolha terá sido sugerida pelo fato de que o peixe é realmente antigo símbolo de Cristo, pois a palavra ichthys (peixe, em grego) se compõe das letras iniciais dos cinco vocábulos gregos seguintes: Jesous Christós, Theou Yiós Sotér = Jesus Cristo, de Deus, Filho, Salvador (em ordem direta : Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).


É a esta quarta explicação que os autores franceses mais verossimilhança atribuem. É também a que os escritores de outras nações geralmente apresentam como a mais provável. Alguns destes, porém, lançam ainda uma quinta hipótese: os gracejos de 1º de abril seriam a reminiscência de antigos festejos pagãos, talvez de origem celta, celebrados outrora no início da primavera.


Vão seria prolongar as conjeturas sobre o assunto. Faz-se mister, ao menos por ora, renunciar à plena clareza neste setor.

 

2. A história registra algumas famosas brincadeiras de 1º de abril

 

Tal é, por exemplo, a que se verificou na Inglaterra em 1846. A 31 de março deste ano, o jornal Evening Star anunciava aos seus leitores grandiosa exposição de asnos a ser inaugurada no dia seguinte num pavilhão de agricultura de Islington. Na manhã, pois, de 1º de abril, notável multidão de interessados se reuniu no local indicado; teve, porém, de verificar que os asnos expostos à burla dos expertos não eram senão eles mesmos, os simplórios amadores...


Os autores consignam, outrossim, certas pilhérias de 1º de abril clássicas nos diversos setores da atividade humana, isto é, nas casernas, nas lojas de comércio, nas oficinas, etc. Parece que no século passado cidadãos finórios se compraziam em mandar os ingênuos e as crianças à procura («certamente bem sucedida» a 1º de abril) de «uma corda para ligar o vento» ou de «um bastão que só tivesse uma ponta» ou de «uma onça de espírito em garrafa» ou de «um lúcio (peixe) sem espinhas»... (não há dúvida, tais gracejos já não encontrariam ambiente no nosso século XX).

 

3. As práticas zombeteiras de 1º de abril, qualquer que seja a sua origem, não deixam de constituir uma ofensa à moral cristã, pois se reduzem à mistificação enganadora. Verdade é que a gravidade de tais abusos é atenuada pelas circunstâncias da respectiva data: a 1º de abril, todos os cidadãos têm de certo modo a obrigação de estar de sobreaviso, ou seja, acautelados contra as decepções de que a credulidade pode ser vitima; dado, portanto, que alguém caia numa armadilha de 1º de abril, isto se deverá talvez não exclusivamente à malícia do autor da fraude, mas em parte à imprudência da própria vítima.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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