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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 019 – julho 1959

 

Evocação de Mortos e a Aparição de Samuel a Saul

SAGRADA ESCRITURA

B. C. L. (Morros):

Como se pode condenar a evocação dos mortos, se Deus mesmo permitiu a aparição de Samuel a Saul mediante a intervenção da pitonisa de Endor?

 

Antes do mais, convém recordar o episódio de 1 Sam 28,4-25, a que alude a pergunta, para depois procurarmos a sua genuína interpretação.

 

1) O rei de Israel, Saul, certa vez em guerra, vendo diante de si o acampamento armado dos filisteus, sentiu-se receoso e consultou o Senhor sobre o que havia de fazer. Não tendo obtido resposta, resolveu recorrer a uma pitonisa ou adivinha, que em seu nome evocasse o espírito de Samuel, antigo conselheiro de Saul. Mudou, pois, de trajes a fim de não ser reconhecido como rei, e à noite foi ter com a adivinha, rogando-lhe fizesse a evocação; a mulher, porém, a princípio recusou-se, lembrando que o rei (o próprio Saul) proibira severamente o exercício de tal arte. Tendo, contudo, insistido, Saul conseguiu que a pitonisa executasse seu ritual. Apareceu então (como diz o texto hebraico) um elohim, isto é, um ser de extraordinária majestade, envolvido em um manto, o qual subia do seio da terra (os judeus julgavam que os mortos habitavam o cheol, isto é, as regiões subterrâneas ;. cf. Is 14,9s ; Ez 32,18). Ao vê-lo, a mulher prorrompeu em um grito de espanto ; Saul, que não o contemplava, compreendeu então tratar-se do vulto de Samuel; prostrou-se, e perguntou o que havia de fazer diante da ameaça filistéia. O ex-conselheiro respondeu-lhe que Saul, na qualidade de rei, fora definitivamente reprovado por Deus (cf. 1 Sam 15,28) e que, em consequência, no dia seguinte ele e seus filhos estariam com Samuel no cheol. Tendo ouvido isto, o monarca se encheu de temor; depois que a pitonisa e os dois servos do rei o reconfortaram, Saul voltou para seu acampamento e, de fato, pereceu em breve sob os golpes dos filisteus.

 

2) Que pensar de tal aparição ?

 

Três são as interpretações que desde a antiguidade os comentadores propõem:

a) a aparição e a resposta de Samuel não seriam mais do que produto da arte fraudulenta da pitonisa; esta teria conseguido enganar Saul, dando-lhe a crer que realmente o defunto evocado aparecera. — Tal explicação, porém, embora patrocinada por S. Jerônimo, é pouco provável, pois o texto sagrado refere que a pitonisa mesma se espantou ao verificar o efeito de suas artes...

b) Outra sentença diz que a pretensa aparição de Samuel era efeito direto do demônio. Este haveria provocado a manifestação de uma imagem ou de sinal sensível que parecia corresponder ao vulto de Samuel, e teria feito a pitonisa falar em nome do defunto. — Tal opinião, embora mais provável do que a anterior, não satisfaz plenamente, pois o fenômeno tem o caráter de admoestação dirigida a Saul para o incitar ao bem e à penitência, finalidade esta que o Maligno não visa. Resta, pois, dizer que

c) de fato, o espírito de Samuel, por permissão de Deus, apareceu a Saul. É o que insinua o texto de Eclo 46,23 :

«Depois de se ter adormecido (morrido), Samuel profetizou e revelou ao rei seu fim; e fez sair da terra a sua voz em profecia para apagar a impiedade do seu povo».

 

Uma vez admitida esta sentença, impõem-se algumas observações:

 

As artes e o ritual praticados pela pitonisa não foram em absoluto a causa da aparição do espírito de Saul. O fato de que a necromante se tenha surpreendido com o efeito da evocação, significa que algo de extraordinário, mesmo para ela, acabava de se verificar; tal mulher não estava acostumada a obter aparições reais de defuntos; nem soube identificar o vulto que ela via subir da terra ; foi, antes, Saul quem reconheceu tratar-se de Samuel.


Não há, na verdade, ritual algum que nos ponha infalivelmente em contato com os defuntos, pois não temos meios naturais para nos comunicar com aqueles que não podemos apreender com os sentidos (visão, audição...), nem o Senhor Deus nos revelou alguma fórmula que nos dê certamente o intercâmbio com os defuntos; estão subtraídos ao alcance da nossa jurisdição ou da nossa influência natural... Toda comunicação com os mortos depende, por conseguinte, meramente do beneplácito divino, beneplácito que é gratuito e não se associa necessàriamente a alguma arte humana. Quando o cristão se dirige aos santos, supõe-se que o Senhor benevolamente revele a esses justos o conteúdo das preces que lhes são dirigidas. Tal suposição tem sobejo fundamento na experiência cotidiana.


Por conseguinte, o Senhor quis fazer da visita do rei à adivinha a ocasião para permitir que o espírito de Samuel respondesse ao quesito de Saul. A finalidade de tal permissão é indicada pelas circunstâncias do caso: o Senhor desejava admoestar o rei à penitência ao menos no fim de sua vida e, para fazê-lo de maneira que mais impressionasse o monarca, consentiu em que a exortação tivesse lugar em meio a circunstâncias tão extraordinárias; Saul, profundamente abalado pela visão, se deixaria mais fàcilmente mover ao bem...


O fato de que Samuel realmente apareceu a Saul não significa que Deus se digne permitir fenômenos análogos todas as vezes que os homens os pretendem provocar mediante rituais e artes. Ao contrário, a evocação dos mortos é prática formalmente proibida pela palavra do Senhor:

 

«Se alguém se dirigir aos que evocam os espíritos e aos adivinhos, para se entregar às suas práticas, voltarei minha face contra esse homem e o afastarei do meu povo» (Lev 20,6).


«Todo homem ou toda mulher que evocar os espíritos ou se der à adivinhação, será punido de morte; lapidá-lo-ão; seu sangue recairá sobre eles» (Lev 20,27).


De resto, o próprio Saul é diretamente censurado na Sagrada Escritura por haver evocado o espírito de Samuel:


«Saul... se tornara culpado diante do Senhor... porque interrogara e consultara os que evocam os mortos» (
1 Cron 10,13).


Donde se vê que, se o Senhor se dignou permitir a resposta de Samuel, não o fez para aprovar ou confirmar a prática da necromancia, mas, antes, a fim de usar de gratuita misericórdia para com o rei Saul, que em determinada situação de sua vida precisava de ser mais veementemente impressionado.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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