Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 018 – junho 1959

 

Gênesis e Simbologia – Como Explicar?

Como explicar, em particular, a narrativa da queda dos primeiros pais (Gênesis 3) ? A fruta proibida era, realidade ou símbolo ? A serpente falava e tinha patas no paraíso ?”

 

1. Prévia observação


A narrativa da queda dos primeiros pais (Gên 3) pertence ao bloco literário de Gên 1-11, que a Pontifícia Comissão Bíblica classifica de história «sui generis», isto é, narrativa que, de um lado, não é mito nem lenda, mas, de outro lado, não cai sob as categorias da historiografia clássica:


“O problema das formas literárias dos onze primeiros capítulos do Gênesis é muito... obscuro e intrincado. Estas formas literárias não correspondem a alguma das categorias clássicas e não podem ser julgadas segundo os gêneros literários greco-latinos ou modernos. Não se lhes pode portanto negar ou afirmar a historicidade em bloco sem lhes aplicar indevidamente as normas de um gênero literário sob o qual não podem ser classificadas. Podemos concordar em que esses capítulos não formam uma história no sentido clássico e moderno; mas é preciso confessar também que os atuais dados científicos não permitem dar solução positiva a todos os problemas que eles suscitam...


Proclamar de antemão que tais narrativas não são históricas no sentido moderno da palavra induziria fàcilmente a se acreditar que elas não o são em nenhum sentido, quando na realidade relatam as verdades fundamentais pressupostas à dispensação da salvação, em linguagem simples e figurada, adaptada às inteligências de uma humanidade pouco desenvolvida, juntamente com a descrição popular- da origem do gênero humano e do povo escolhido» (carta ao Cardeal Suhard. 16 de janeiro de 1948, AAS 40, 46s).


A declaração acima, assim como criteriosos estudos de exegese, levam os comentadores a afirmar que no relato da queda dos primeiros pais um núcleo histórico é apresentado revestido de elementos artificiosos que o autor sagrado tomou de empréstimo ao ambiente em que vivia, ou seja, à literatura e ao expressionismo dos antigos orientais. Esta verificação permite-nos concluir que nem todos os pormenores do texto poderão ser elucidados com igual clareza pelo exegeta moderno; este e, consequentemente, o catequista terão que ser, por vezes, sóbrios nas suas explicações para não se arriscar a cometer erros doutrinários.

Feita esta advertência, passemos à explanação do texto de Gên 3.

 

2. Como explicar...


Uma leitura atenta de Gên 3 dá logo a ver que o autor sagrado visava formular a sua resposta ou a resposta de Deus a uma das questões mais graves de toda a Filosofia: qual a origem e qual o significado do mal neste mundo ? Para explanar o problema, o autor sagrado, em estilo literário muito simples, percorreu as seguintes etapas:

 

1) Deus quis que os primeiros homens (Adão e Eva) gozassem de equilíbrio moral e felicidade perfeita. — Para dizê-lo, o hagiógrafo refere que o Criador colocou o primeiro casal no paraíso terrestre, isto é, num lugar cuja descrição evoca certamente bem-estar e harmonia. Não se pergunte onde ficava o paraíso terrestre, pois esta questão de geografia estava fora das cogitações do autor; retenha-se apenas que Adão e Eva inicialmente usufruíam de toda a colaboração e da felicidade que a natureza e a graça podem proporcionar ; cf. «P. R.» 3/1958, qu. 7.

 

2) Para designar o dom da vida, ou melhor, o «poder não morrer» de que estavam dotados os primeiros pais, o hagiógrafo menciona em particular a existência, no paraíso, de uma árvore misteriosa dita «a árvore da vida». Terá sido árvore real, cujos frutos eram como que o sacramentai da imortalidade? Ou tratar-se-á de imagem literária? É coisa que os exegetas discutem;... não era raro na literatura antiga falar-se de árvores simbólicas para designar os dons da Divindade aos homens; por conseguinte, pode-se admitir que o hagiógrafo tenha recorrido a esse tópico de estilística. — Como quer que seja, independentemente da sua realidade histórica ou não, a «árvore da vida» em Gên 2,9 é mencionada para dizer ao leitor que Adão e Eva gozavam da faculdade de não morrer.

 

3) A felicidade inicial tendo sido outorgada a seres inteligentes e livres como eram os homens, Deus quis que estes reconhecessem e dessem seu livre consentimento ao dom do Criador. Por isto houve por bem apresentar-lhes um preceito determinado, ao qual o primeiro casal devia dizer o seu «sim»; esse preceito daria ensejo a que o homem afirmasse sua adesão incondicional a todo o plano de Deus, assim servindo ao Criador, os primeiros pais reinariam, isto é, seriam confirmados definitivamente na posse da felicidade paradisíaca. Caso, porém, não obedecessem ao referido preceito, isto é, não aceitassem o plano de Deus, o Senhor não os forçaria, mas deixá-los-ia incorrer na miséria e na morte consequentes do afastamento da Vida e da Bem-aventurança.


Para significar este procedimento de Deus, a Bíblia narra que o Criador plantou no paraíso a «árvore da ciência do bem e do mal» e proibiu, sob pena de morte, que os primeiros pais comessem de seus frutos. — Que tipo de árvore era esse? É possível que Deus tenha desejado impor ao homem a abstinência de um fruto real. De outro lado, nada impede que se atribua à expressão «árvore da ciência...» sentido meramente metafórico (como dizíamos sob o no  2, a literatura religiosa antiga não raro usava o termo «árvore» em acepção figurada); neste caso, ficar-nos-ia desconhecida a matéria do mandamento. Em toda e qualquer hipótese, porém, o que importava a Deus não era o objeto (fruta ou outra coisa) assinalado pelo preceito, mas, sim, a entrega total da personalidade que o homem exerceria ao obedecer (ninguém julgará que o Senhor se comprouve em brincar ou «judiar» com a sua criatura, impondo-lhe restrições mesquinhas ou preparando-lhe armadilhas na vida).


Uma sentença antiga entende o preceito paradisíaco como se fora a proibição do ato conjugal; por conseguinte, Adão e Eva teriam pecado por um ato luxurioso. Tal interpretação, porém, carece de fundamento suficiente no texto (cf. «P. R.» 3/1957, qu. 9); seus fautores pleiteiam tal transposição de versículos e tão alegórico uso de vocábulos que já não merecem audiência.


Quanto ao titulo da árvore misteriosa («árvore da ciência do bem e do mal»), ele significa não os frutos (maçã, figo...) de um vegetal, mas os efeitos que para o homem decorreriam do uso do objeto assinalado: por este objeto os primeiros pais ficariam tendo um conhecimento pleno, experimental, e não apenas teórico, daquilo que é o bem (a virtude, a obediência) e o mal (o pecado, a desobediência).


Mais nada se poderia dizer com segurança sobre tais questões. O mestre de Religião, portanto, não insistirá na realidade da árvore e de seu fruto nem em algum objeto preciso ao qual Deus tenha dado «estranho apreço», vedando-o ao uso do homem; ao contrário, chamará a atenção dos discípulos primordialmente para o fato de que Deus no paraíso quis suscitar a consciente e livre adesão do homem ao seu Autor, livre adesão que faria justamente a grandeza do homem, distanciando-o dos irracionais e autômatos.

 

4) Colocados diante do preceito divino, os primeiros pais foram interpelados por outra criatura, ou seja, pelo demônio.


E quem era o demônio? — Deus, antes de fazer o homem, criou espíritos não unidos à matéria, ou anjos; estes, solicitados pelo Criador à semelhança do homem, em parte abusaram do seu livre arbítrio, recusando servir aos desígnios de Deus; tornaram-se então endurecidos no mal e sequiosos de atrair outras criaturas à rebeldia contra seu Autor. Tais são os anjos maus ou demônios, cuja existência é atestada não somente pela Bíblia, mas também pelas narrativas religiosas de vários povos antigos (a crença no demônio parece pertencer ao patrimônio ideológico de todo o gênero humano); cf. a documentação em «Ciência e Fé na história dos primórdios» (ed. AGIR) cap. VIII.


O Todo-poderoso em sua sabedoria concede aos anjos maus certa liberdade de ação, a qual direta ou indiretamente deve concorrer para o bem do homem. Aproximou-se, pois, de Eva o demônio para a tentar. — O autor sagrado apresenta o espírito mau sob a forma de serpente. Neste ponto, o mestre de Religião deve incutir ao discípulo que o que importa não é a alusão à serpente, mas a presença do anjo mau junto a Eva. A serpente mencionada no texto pode ter sido um animal real do qual o tentador se terá servido, fazendo que por suas atitudes (não por sua fala) sugerisse à mulher a rebeldia contra Deus. Pode também ter significado meramente alegórico, pois a serpente simboliza otimamente a hipocrisia e a dissimulação; ademais era frequentemente emblema dos falsos deuses nas religiões pagãs; por estes motivos o autor bíblico pode ter concebido a ideia de apresentar o tentador sob a forma de serpente; tratar-se-ia então de serpente meramente literária, não real.


Sendo aceitáveis uma e outra destas duas interpretações, é mister não insistir junto aos discípulos sobre a realidade da serpente, nem deve o catequista descrever o animal «a alongar o pescoço para entrar em conversa com Eva» nem tentar explicar «como é que a mulher não tinha medo junto a tão grande animal»!... Essas explanações só fariam acumular bagagem inútil na mente do ouvinte, desviando-lhe a atenção da mensagem central do texto.


O Maligno não podia sugerir um pecado da carne, pois esta estava inteiramente subordinada ao espírito; era preciso, sim, agredir diretamente o espírito do homem ; ora o pecado do espírito é a soberba. Por isto o tentador propôs aos primeiros pais, adquirissem a semelhança com Deus independentemente de Deus, ou seja, rejeitando o plano concebido pelo Criador «invejoso». A sugestão foi suficiente para desencadear o orgulho no casal; este orgulho se exerceu no ato de desobediência ao preceito formulado pelo Senhor, tendo por objeto uma matéria x (consumo de um fruto ou algo de semelhante?). É o que em esquema assim se reproduz:


orgulho ------ > desobediência ——> objeto que não estamos habilitados a definir.


Diante deste quadro, será preciso sublinhar bem perante os discípulos que a desobediência dos primeiros pais não significava apenas transgressão de uma ordem acidental do Senhor, mas equivalia à recusa de entregar a personalidade humana ao seu Autor ou, em têrmos positivos, equivalia ao endeusamento da criatura praticado por indivíduos plenamente conscientes do que faziam (os primeiros pais gozavam de ciência infusa, com a qual não lhes era possível enganar-se neste ponto). É desse caráter de totalidade que decorre a gravidade do ato cometido por Adão e Eva.

 

6) Deus é bom ; mas também é justo. Por isto não pode deixar de reprimir os abusos e punir. Quando pune, porém, não «inventa» castigos; apenas permite que as leis da natureza se exerçam até as últimas consequências.


Foi o que se deu no caso dos primeiros pais. Estes, tendo-se afastado do Senhor, que é Bem-aventurança e Vida, só podiam doravante experimentar desgraça e morte. É esta futura sorte dos pecadores que o autor sagrado propõe, colocando nos lábios de Deus a sentença condenatória sobre os réus:

a) O varão é atingido no seu papel característico de trabalhador e chefe de família. Estas funções lhe serão penosas; o ganha-pão lhe custará árduas fadigas, pois a natureza e os elementos não colaborarão com o homem, mas se revoltarão contra este, como este se revoltou contra Deus. Por fim a morte porá termo à dura existência da criatura sobre a terra.

b) A mulher é visada em sua qualidade típica de esposa e mãe: dará à luz em meio às dores e estará sujeita ao domínio do marido.


Estes dizeres simples do Gênesis têm significado profundo, pois exprimem a resposta, a única resposta autêntica, ao problema da existência do mal no mundo. Em linguagem de escola, poderíamos formulá-la distinguindo entre mal físico e mal moral nos seguintes termos:


- o mal físico (dores, doença e morte) é consequência do mal moral (pecado);

- o mal moral, por sua vez, é obra da livre vontade do homem.

 

Em última análise, o livre arbítrio da criatura, abusando dos dons de Deus, vem a ser o responsável por toda a desgraça moral e física existente sobre a terra. Não fora o abuso da liberdade ou o pecado, e o homem não sofreria misérias nesta vida («Deus não fez a morte, nem se alegra pela perda dos vivos», diz o livro da Sabedoria 1,13).


Entende-se bem o processo delineado:


- o espírito soberbo do homem revoltou-se contra o Criador;


- em consequência, as faculdades corpóreas do indivíduo, que estavam imediatamente sujeitas ao espírito, por sua vez se insubordinaram contra o espírito, sonegando-lhe colaboração; instalaram-se então desordem, indisciplina, dor, doença e morte dentro do rei da criação, já que este havia introduzido desordem nas suas relações com o Soberano Rei;


- quanto ao terceiro vinculo da criação, o que estabelecia harmonia entre as criaturas inferiores umas com as outras e com o homem, também este se rompeu; minerais, vegetais e animais irracionais já não convergem docilmente para o homem, visto que este não quis mais reconhecer a Deus por Soberano.


São tais verdades de valor perene que o mestre de Religião deve colocar em foco ao explicar a sentença proferida por Deus sobre os primeiros pais.

 

c) Também a serpente é envolvida na condenação... Amaldiçoada pelo Senhor, é condenada a rastejar sobre a terra e a comer poeira... Se a serpente no texto sagrado é o lugar-tenente (real ou literário, pouco importa) do demônio, está claro que a sentença acima vai atingir o anjo tentador.

E como o atinge ?


Sabe-se que as expressões usadas pelo Gênesis são derivadas da praxe bélica: outrora o rei vencido em batalha era não raro obrigado a servir de supedâneo ao vencedor, que destarte o constrangia a sorver ou lamber a poeira do solo; donde se segue que em linguagem metafórica as locuções «rastejar» e «comer poeira» significam «estar derrotado». Ora, aplicando tais expressões ao demônio, o texto sagrado quer dizer que o tentador, apesar da vitória que obteve sobre os primeiros pais no paraíso, é, não obstante, um vencido; a sua ação hostil aos homens, mesmo que, por permissão de Deus, se prolongue através dos tempos, não obterá a vitória final. É esta verdade que deve interessar o catequista e seus ouvintes.


Quanto à serpente, vão seria indagar se tinha patas e falava antes da condenação referida pelo Gênesis; o que é certo, é que o castigo infligido por Deus visava o demônio. Pode-se assegurar que a serpente como tal sempre se arrastou e nunca falou, pois o pecado não alterou a constituição natural das criaturas; a serpente portanto sempre teve as características que ela hoje apresenta. Acontece, porém, que, aos olhos do cristão, este animal por sua configuração é apto a simbolizar a maldição e o castigo em que incorreu o demônio.

 

7) Por fim, um raio de esperança refulge através das sombras do quadro descrito. Deus não condenou apenas, mas prometeu reconciliar consigo o gênero humano. É o que se acha expresso no vaticínio proferido pelo Senhor ao Maligno: «Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua linhagem e a linhagem dela. Esta (a linhagem da mulher) te ferirá a cabeça, e tu hás de lhe ferir o calcanhar» (Gên 3,15).


Esta passagem constitui a primeira profecia bíblica da vitória que a prole da mulher por excelência (Cristo)) e sua Mãe Santíssima (Maria) haveriam de obter, na plenitude do tempos, sobre o Maligno e todos os seus sequazes.

 

8) Uma consequência ainda decorre de quanto foi dito. Adão, se tivesse perseverado no estado de santidade inicial, teria comunicado a seu filhos a natureza humana ornada de todos os dons preternaturais e sobrenaturais de que ele gozava. Após o pecado, é claro que só pôde transmitir a natureza despojada de tais dons e sujeita às tristes consequências da miséria e da morte derivadas da desobediência. Cada descendente de Adão, portanto, até hoje nasce, por assim dizer, disforme aos olhos de Deus, ou seja, alheio ao exemplar que, segundo a reta ordem das coisas, ele deveria reproduzir. Tal disformidade constitui uma nódoa na alma de todo ser humano, nódoa que se chama «o pecado original».


Este, sem dúvida, não constitui uma culpa pessoal; Deus não o trata como trata o «pecado atual», em que a vontade do indivíduo toma parte consciente e direta. Não obstante, a disformidade original faz que o respectivo indivíduo não possa gozar da visão de Deus face a face ou da bem-aventurança sobrenatural caso morra com tal nódoa na alma (neste caso, julgam os teólogos que a alma vai para o limbo, isto é, passa a gozar para todo o sempre da bem- -aventurança de que é capaz a natureza humana como tal, o que não implica em condenação nem castigo propriamente ditos).


São estas verdades que o texto insinua ao dizer que Deus expulsou do paraíso os primeiros homens e lhes vedou peremptòriamente o acesso desse parque, colocando à sua entrada um querubim portador de espada de fogo. O querubim, na arquitetônica oriental, era uma figura de pedra que, postada à porta dos templos, significava ser o ingresso proibido aos estranhos.


Consciente desta mensagem teológica do texto sagrado, o catequista falará da propagação do pecado de Adão ou do pecado original, mostrando bem que não se trata de punição arbitràriamente infligida por Deus aos descendentes do primeiro casal, mas que é consequência lógica do fato de que o pecado despojou a natureza humana de dons que deviam ter sido conservados e transmitidos pelos primeiros pais (a respeito da propagação do pecado original, cf. «P. R.» 8/1957, qu. 6).


À guisa de conclusão, segue-se em esquema a «tradução» dos principais traços da narrativa bíblica atinentes à queda de Adão e Eva:

 

Apresentação literária x Lição que se deve deduzir

 

O Criador colocou o homem no jardim do Éden (Gên 2,15).

Deus elevou o homem a um estado de graças e dons que ultrapassavam as exigências da natureza humana — estado dito «preternatural» e «sobrenatural». O ambiente harmonioso ou paradisíaco (sem deixar de ser uma realidade genuína) significa a harmonia de corpo e alma que caracterizava o primeiro casal.

 

No Éden se achava a árvore da vida (Gên 2,9).

Os primeiros pais gozavam da faculdade de não morrer.

 

No paraíso também se encontrava a árvore da ciência do bem e do mal, cujo uso Deus proibiu aos homens (Gên 3,3).

A felicidade originária, assim concebida, estava subordinada a um ato de obediência ou de adesão consciente que o homem devia prestar a Deus.

 

A serpente entrou em conversa com a mulher (Gên 3,1-3).

O demônio tentou Eva.

 

A mulher seduzida tomou a fruta e dela comeu (3,6).

Eva sucumbiu à tentação, e desobedeceu movida pela soberba.

 

A mulher apresentou a fruta proibida a Adão, que também dela comeu (Gên 3,6).

O primeiro homem, influenciado pela esposa, desobedeceu, igualmente eivado de orgulho. Não se poderia especificar qual o objeto da desobediência.

 

O Senhor expulsou os primeiros pais do paraíso, colocando à porta deste um querubim portador de espada chamejante (Gên 3,23s).

Os primeiros homens, após o pecado, perderam a intimidade com Deus e os privilégios do estado inicial. Estes dons foram subtraídos a toda a posteridade de Adão.

 

Contudo a linhagem da mulher havia de ferir a cabeça da serpente (Gên 3,15).

Deus prometeu um Salvador, que restauraria a amizade do gênero humano com seu Autor.

 

Se em aula alguma criança, mais vivaz, insistir em perguntar se as árvores do paraíso e a serpente eram reais ou não, responderá o mestre que a doutrina da fé não tem sentença definida sobre esses assuntos, mas que, real ou não, a serpente no texto representa certamente o demônio; real ou não, a árvore da vida significa a felicidade dos primeiros pais; real ou não, a árvore da ciência significa a provação a que foram submetidos.


Seguindo o método acima, o catequista estará incutindo a seus discípulos a impressão de que a narrativa de Gên 3 é realmente portadora de uma das mensagens mais importantes para o pensamento humano.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
10 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 7794521)/DIA
Vídeos  Testemunhos  4122 A conversão de Peter Kreeft96.74
Diversos  Espiritualidade  4121 O Espírito Santo entre nós79.60
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?29.51
Vídeos  História  4117 O nascimento da Igreja Católica23.66
Diversos  Igreja  4111 9 coisas que afastam as pessoas da Igreja22.27
Diversos  Aparições  4119 Nossos tempos são os últimos?21.81
Diversos  Doutrina  4120 A importância do catecismo19.40
Diversos  Apologética  4109 A virgindade perpétua de Maria na Bíblia15.82
Diversos  Testemunhos  4118 Como a Igreja mudou minha vida15.47
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação14.25
Diversos  Mundo Atual  4113 É o fim do cristianismo e da religião?12.52
Diversos  Sociedade  4116 O controle do povo11.79
Diversos  Apologética  4102 Somente a Bíblia? Mentira!11.74
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?11.64
Diversos  Igreja  4114 Unidade e Contradição11.35
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia11.25
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo11.05
Pregações  Doutrina  4091 O discurso do pobre11.05
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino10.53
Diversos  Sociedade  4115 Honestos e Corruptos10.49
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo10.16
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas9.80
Diversos  Doutrina  4110 Cristo assumiu todas as fraquezas humanas?9.14
Pregações  Espiritualidade  4112 O que é necessário para ser santo?8.85
O dia em que Maria for uma mulher qualquer, então todas as mulheres estarão gerando Deus no seu ventre, no seu seio!
Padre Paulo Ricardo

Católicos Online