Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 016 – abril 1959

 

Quem Eram os Templários?

AGALIÈME (Salvador):

Quem eram os Templários? Ocultistas internacionais ou cavaleiros cristãos?

 

Para se entender a dolorosa sorte dos Templários, será preciso prèviamente dizer algo sobre o monarca de França Filipe o Belo e suas relações com a Inquisição eclesiástica.

 

1. Filipe IV o Belo e a Inquisição

 

A Inquisição, organizada no séc. XIII como tribunal eclesiástico, não podia deixar de provocar aos poucos o desagrado dos príncipes absolutistas que na Europa foram surgindo durante os séc. XIV/XV. Com efeito, a Inquisição constituía dentro de cada pais um tribunal que julgava segundo código e normas próprias. O braço civil no séc. XIII procurava coadjuvá-la. Era óbvio, porém, que numa época de surto nacionalista os príncipes temporais tentassem inverter os papeis: em vez de servir à Inquisição, servir-se-iam dela para promover os interesses do Estado. Foi precisamente isto o que visou fazer Filipe IV o Belo da França (1285-1314). Cf. «P. e R.» 8/1957, qu. 9 e 8/1958 qu. 9 (sôbre a Inquisição e sua evolução).


Este monarca, desde o início do seu governo, procurou submeter a Inquisição ao seu controle.

Assim, por exemplo, em maio de 1291 deu ordens ao Senescal ou Provedor régio de Carcassona para não atender aos juízes da Inquisição a não ser que o acusado fosse herege público. Pouco depois, decretou que nenhum judeu convertido poderia ser preso como herege a pedido dos Inquisidores, a menos que os motivos do encarceramento fossem examinados pelo Senescal ou pelo juiz civil. No fim de 1295 estendia esta lei a todos os súditos do reino: ninguém poderia ser detido por ordem de um Inquisidor antes que o Senescal tivesse investigado o caso. Esta última lei equivalia a exigir o exsequatur ou o beneplácito do rei para todo e qualquer processo da Inquisição.


Não seria, porém, o desejo de moderar os rigores da Inquisição que inspirava tais medidas ao monarca?


Não parece lógico supor tal intenção, pois Filipe o Belo não hesitou em recorrer à violência sempre que esta foi vantajosa aos seus interesses. Sucessivamente mandou ao Senescal de Carcassona e ao Visconde de Narbona tomassem providências rigorosas contra os judeus. Em 1306 deu ordens para se prenderem e expulsarem do reino todos os israelitas, ameaçando de morte os que ousassem voltar. Em 1304, aliás, Filipe o Belo afirmou a autoridade da Inquisição e condenou como sediciosa toda liga que se formasse contra ela.


Assim pode-se dizer que a atitude de Filipe perante a Inquisição eclesiástica durante certo tempo variou segundo o andamento de suas relações com os Papas Bonifácio VIII (1294-1303) e Bento XI (1303-04).


A situação se agravou quando em 1305 foi eleito Pontífice um Cardeal francês — Bertrando de Got — com o nome de Clemente V. Este começou a residir na França mesma (Avinhão). É nesta altura que se coloca o famoso processo dos Templários, que os romancistas exploram e que algumas escolas esotéricas colocam entre as etapas do ocultismo internacional.

 

2. Os Templários e seu processo

 

1. Quem eram pròpriamente os Templários ?


No inicio do séc. XII oito cavaleiros da Champanha e da Borgonha, sob a guia de Hugo de Payens, se estabeleceram na Palestina, recém ocupada pelos cruzados, a fim de proteger os peregrinos da Terra Santa. Por volta de 1119 o rei Balduíno II de Jerusalém lhes deu sede no palácio régio construído sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão; donde o nome de «Templários» que lhes tocou (é esta nomenclatura que dá ensejo aos maçons modernos de os considerar, juntamente com o rei Salomão e com Hirã rei de Tiro, como antessignanos seus). Aos poucos, os Templários se tornaram uma Ordem Religiosa militar; além dos três votos regulares, emitiam o de vigiar as estradas e proteger os peregrinos.


2. Os cavaleiros do Templo granjearam grandes méritos por seus feitos militares; mas, como as demais Ordens congêneres, perderam sua finalidade em 1291. Para justificar sua ulterior existência, tornaram-se os grandes banqueiros da Europa (possuíam, sem dúvida, avultadas riquezas, que benfeitores lhes haviam doado para poderem exercer mais livremente a profissão das armas).


Tanto poder excitou contra os Irmãos a inveja do público. É de crer também que a prosperidade material tenha acarretado arrefecimento do espírito religioso entre eles. O fato é que no fim do séc. XIII a opinião pública lhes era desfavorável, lançando-lhes as acusações de venalidade e costumes depravados.


Ora Filipe o Belo viu nesse estado de coisas ótimo pretexto para agir contra os Templários e apoderar-se de seus haveres. O instrumento para mover o processo havia de ser, como se compreende, a Inquisição eclesiástica. Esta, pois, foi instigada pelo monarca.


O processo, confiado primeiramente ao Inquisidor Geral de França, Guilherme de Paris O. P., em breve foi entregue à chefia do chanceler do rei, Guilherme de Nogaret. Entrementes o Papa Clemente V não dava grande crédito às acusações que Filipe lhe comunicara; prometera «inquirir», mas mostrava-se moroso. Por isto o rei, sem o conhecimento do Pontífice, aos 13 de outubro de 1307 mandou prender todos os Templários de França; Nogaret justificou esta medida, alegando que «os Templários no dia de sua recepção na Ordem renegavam o Cristo, cuspiam no crucifixo, praticavam a sodomia, adoravam um ídolo (Bafomé), etc». O chanceler, aliás, era apoiado por um jurista — Pedro Du Bois —, que o ajudava a conceber vasto plano de ação, assim interpretado no século passado pelo insuspeito Renan:


«Fazer do rei da França o Chefe da Cristandade, sob pretexto de promover a cruzada; colocar-lhe em mãos as posses temporais do Papado, parte das rendas eclesiásticas e principalmente os bens das Ordens consagradas à guerra santa, eis o notório projeto da escolazinha secreta da qual Du Bois era o mentor utopista e Nogaret o pioneiro de ação» (L'histoire littéraire de la France t. XXXVII pág. 289).

 

Destarte o rei de França e seus colaboradores visavam voltar a Inquisição contra o próprio Papado...


Clemente V, embora fosse de temperamento fraco, percebia o deplorável alcance das intenções do monarca; sabia que a Santa Igreja seria atingida simultaneamente com os Templários. Por isto, em vez de aceitar o projeto de supressão da Ordem, propôs ao rei a fusão da mesma com os Cavaleiros Hospitalários.


Filipe, tendo rejeitado a contraproposta, mandou dar andamento à ação contra os acusados. Foi então que os oficiais do rei, aplicando a tortura, obtiveram dos mesmos as mais diversas confissões de crimes. Aconteceu, porém, mais de uma vez que os cavaleiros interrogados em nova instância não apenas diante de oficiais do rei, mas também em presença de Cardeais, retrataram suas confissões...


Perante a situação assim criada, Clemente V resolveu confiar aos bispos e inquisidores pontifícios a tarefa de examinarem os Templários individualmente; quanto à sorte da Ordem como tal, ele a decidiria num concilio ecumênico.


Filipe o Belo não perdia oportunidade de fazer pressão sobre o Pontífice. Em 1308 foi a Poitiers com grande comitiva entender-se diretamente com Clemente V; durante a visita, um dos cortesãos, Plaisians, assim interpelou o Papa:


«Santo Padre, Santo Padre, procedei depressa (faites vite). Se não, o rei não se poderia impedir de agir, e, se o pudesse, os seus barões não se poderiam impedir, e, se seus barões o pudessem, os povos deste glorioso reino não se poderiam impedir de vingar eles mesmos a injúria do Cristo... Entrai em ação, portanto, entrai em ação. Caso não o façais, ser-nos-á preciso falar outra linguagem».


O rei, porém, não esperou o pronunciamento dos bispos e da Inquisição anunciado por Clemente V, mas, tendo constituído um tribunal provincial em Paris, obteve, sem ouvir os legados pontifícios, que este, aos 11 de maio de 1310, condenasse 54 Templários à morte do fogo.


O apregoado concilio ecumênico reuniu-se de fato em Viena (França) no ano de 1311: depois de ouvir a comissão de prelados encarregada de julgar o caso, o Papa resolveu finalmente extinguir a Ordem dos Templários «por via de provisão, e não de condenação» (isto é, a fim de prover à paz dos ânimos, não para condenar os cavaleiros). Como quer que fosse, o rei com isto triunfava. Havia, porém, de sofrer suas desilusões...


Com efeito, os bens temporais dos Templários, que multo excitavam a cobiça do público, tiveram destino totalmente imprevisto: Clemente V, resistindo a Filipe o Belo, determinou que tocariam à Ordem dos Hospitalários de S. João de Jerusalém, exceto nos reinos de Aragão, Castela, Portugal e Majorca, onde seriam entregues às Ordens nacionais que lutavam contra os sarracenos. Verdade é que os Hospitalários não receberam de forma líquida os bens dos Templários. Filipe e os monarcas estrangeiros exigiram deles uma compensação monetária.


Quanto à sorte, dos membros da extinta Ordem, Clemente V entregou o julgamento a concílios provinciais, reservando a si apenas a sentença sobre o Grão-Mestre Tiago de Molay e os seus dignitários. Para julgá-los, nomeou uma comissão de três Cardeais, que se mostraram indecisos a respeito do alvitre a tomar, pois Tiago de Molay e Godofredo de Charnay, um de seus assessores, protestavam ser a Ordem pura e santa, isenta das culpas que os adversários lhe queriam imputar. Filipe o Belo, descontente com tal desenrolar dos acontecimentos, resolveu pôr fim às protelações: aos 18 de março de 1314, fez que um Conselho Régio de Justiça, sem ulterior demora, decretasse a morte dos dois mencionados cavaleiros, tidos como reincidentes. Ao pôr do sol, então, uma fogueira foi acesa na ilha de Javiaus (Paris), fogueira que iluminava os muros do palácio do rei; e, com os olhos voltados para a igreja de Notre-Dame, Molay e Charnay expiraram heroicamente entre as chamas, proclamando a sua inocência...

 

3. Um juízo sobre o juízo


Após este resumo do famoso processo, interessa ao estudioso saber até que ponto os Templários podem ser tidos como culpados.


Como se compreende, somente a parte francesa da Ordem entra em consideração, pois apenas contra ela se dirigiam as acusações de renegar o Cristo, cuspir no crucifixo, adorar o ídolo Bafomé, incitar à sodomia, etc.


Para avaliar o significado destas incriminações, os historiadores lembram que, se de fato tais ritos e costumes estiveram em uso nas sessões dos Templários, é de esperar que os arquivos nos tenham conservado um ou outro documento ou vestígio dessas práticas.


Ora tal não se dá. Não se encontrou, nem durante o processo mesmo dos cavaleiros nem nos tempos subsequentes, algum exemplar das Constituições ou do Ritual infamantes da Ordem. Apenas se acharam a Regra muito nobre que São Bernardo lhe deu, exemplares da Bíblia traduzida para o vernáculo e grande número de livros de contabilidade. Nenhuma das tentativas de identificar estatuetas, cofres ou relicários descobertos em arquivos medievais, com utensílios do culto idolátrico de Bafomé resistiu à critica dos estudiosos; foram sucessivamente propostas e refutadas. Donde se conclui não haver provas materiais das infâmias imputadas aos Templários.


Quanto às confissões de culpas proferidas pelos irmãos em julgamento, reconhecem os autores que não podem ser tomadas como base de apreciação objetiva, pois é evidente que tais depoimentos, obtidos sob a pressão da tortura, pouco crédito merecem. Somente em Paris morreram 36 prisioneiros em consequência dos maus tratos que lhes foram infligidos. Para o acusado, só havia uma escapatória: a confissão do crime. Verifica-se mesmo que por vezes os depoimentos dos acusados eram desconexos e contraditórios entre si, parecendo corresponder não a fatos reais, mas às sugestões dos juízes.


Assim, quando se lhes perguntava que aspecto tinha a cabeça do Ídolo que eles adoravam, um respondia que era branca, outro que era negra, outro que era dourada. Um dizia que era uma estátua; outro, que era um painel. Para alguns, era o Deus Criador que faz florescer as árvores e crescer as sementes; para outros, era um amigo de Deus, um poderoso intercessor. Alguns a tinham visto transformar-se bruscamente em gato negro ou em corvo ou em demônio ou em mulher...


Em conclusão, parece que se deve dizer: o processo dos Templários é efeito da política absolutista instaurada na França por Filipe o Belo e seu chanceler Nogaret, apoiados pelos legistas do reino. Os dois promotores da ação exerceram forte pressão sobre o Papa Clemente V, que era pouco enérgico e demasiado conciliador. No conflito assim ocasionado, a Inquisição foi reduzida à categoria de instrumento do monarca francês; o que equivale a afirmar: injusto seria atribuir à autoridade oficial da Igreja os feitos que em nome da Inquisição se praticaram no caso dos Templários.


Sem derrogar a esta conclusão, dever-se-á reconhecer, na medida em que os documentos positivos o demonstram, decadência do fervor religioso, e quiçá práticas de ocultismo na extinta Ordem (o ocultismo aliás, por toda a Idade Média até o séc. XVI, tendia a se introduzir até nos mais piedosos redutos do Cristianismo). Isto, porém, está longe de significar que os Templários tenham sido os maçons da Idade Média...

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
7 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 9677938)/DIA
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?81.13
Diversos  Prática Cristã  3780 Os pecados mortais mais comuns25.96
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação15.83
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo14.26
Aulas  Doutrina  1497 Ser comunista é motivo de excomunhão?13.99
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?13.45
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino12.42
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas11.37
Diversos  Prática Cristã  3185 Anticonceptivos são Abortivos?11.32
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia10.74
Diversos  Apologética  3729 Desmascarando Hernandes Dias Lopes9.66
Vídeos  Testemunhos  3708 Terra de Maria8.78
PeR  O Que É?  0565 Lei Natural, o que é? Existe mesmo?8.37
PeR  Escrituras  2389 O Pai Nosso dos Católicos e dos Protestantes8.31
Diversos  Ética e Moral  2832 Consequências médicas da homossexualidade8.15
PeR  O Que É?  1372 Eubiose, que é?7.90
PeR  Prática Cristã  1122 As 14 estações da Via Sacra7.82
PeR  História  2571 Via Sacra, qual a origem e o significado?7.55
PeR  Filosofia  0085 De Onde Viemos? Onde Estamos? Para Onde Vamos?7.53
PeR  Testemunhos  0450 Eu Fui Testemunha de Jeová6.89
Diversos  Testemunhos  3465 Ex-pastor conta como fazia para converter católicos6.51
Diversos  Anjos  3911 Confissões do demônio a um exorcista6.44
Diversos  Apologética  3960 Deus não divide sua glória com ninguém?6.43
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo6.34
Onde não há virtudes naturais a graça não pode operar.
Carlos Ramalhete

Católicos Online