Católicos Online - - - - AVISOS -


...

Pergunte!

e responderemos


Veja como divulgar ou embutir artigos, vídeos e áudios em seu site ou blog.




Sua opinião é importante!









Sites Católicos
Dom Estêvão
Propósitos

RSS Artigos
RSS Links



FeedReader



Download







Cursos do Pe Paulo Ricardo


Newsletter
Pergunte!
Fale conosco
Pedido


PESQUISAR palavras
 

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 003 – março 1958

 

A Legião da Boa Vontade

 

MORAL OBSERVADOR (Rio de Janeiro):

“Não será injusta a campanha movida contra a chamada Legião da Boa Vontade ?”


Independentemente de quanto se diga sobre a pessoa do Sr. Alziro Zarur, interessa-nos aqui analisar à luz do Cristianismo (ao qual o Sr. Zarur quer satisfazer) o significado do movimento que ele chefia.


Uma das teses mais apregoadas pela LBV é a prática da caridade. O convite, em si atraente, não podia deixar de provocar a adesão de muitas pessoas bem intencionadas.


Eis, porém, que, ao se praticar a caridade, cedo ou tarde se verifica ser impossível prescindir da questão religiosa. Caridade implica sacrifício e abnegação da parte de quem a exerce; implica o reconhecimento de um valor (natural ou sobrenatural) na pessoa do próximo; implica um juízo sobre os bens e a felicidade desta vida. Ora estes são pontos que inevitavelmente se relacionam com a ideia de Deus, do sentido que tem a existência humana sobre a terra, ou seja, com a religião. Por seu lado, nem o Sr. Zarur quer abstrair da religião na sua campanha; muito ao contrário — e aí começa o mal da história — a fim de mais estimular os ouvintes a seguir as suas instruções, apela para o sentimento religioso da nossa sociedade, e, sendo a grande maioria dos brasileiros cristã, é com o Evangelho nas mãos que ele os quer aliciar.


Nesta altura, porém, é preciso observar que, embora seja ótima obra divulgar o Evangelho, a ninguém é lícito fazê-lo a seu bel-prazer. Só há uma face do Cristo autêntica, como só há um rebanho e um aprisco do Cristo, e é somente em meio a este que Ele se encontra (como Ele mesmo o declarava, segundo
Jo 10,16). A ninguém, portanto, será lícito dizer que está em contato com o Cristo pelo fato de abrir o Evangelho e de se unir em espírito, numa. linha vertical, ao Cristo que está no céu. Cristo está muito mais próximo de nós: está na terra; foi-se ao Pai, mas voltou ao mundo e permanece conosco, como prometeu (cf. Jo 14,18s); é preciso, por isto, procurá-Lo primeiramente em linha horizontal, ou seja, através das gerações que ininterruptamente retrocedem a partir dos nossos tempos até atingir o Cristo histórico no limiar da era cristã. É nessa linha horizontal (que se chama a Tradição cristã), e somente nela, que o Cristo se encontra vivo; foi nessa linha horizontal que os Evangelhos foram concebidos, escritos e transmitidos continuamente através de dezenove séculos. Se alguém quer separar dessa linha ou dessa Tradição cristã o Evangelho, separa do Cristo o Evangelho, o que simplesmente quer dizer: já não prega o Cristo.


Pergunta-se, pois, ao Sr. Zarur: como está unido ao Cristo a fim de pregar autenticamente o Evangelho?


O Presidente da LBV repetir-nos-ia que do alto Jesus se lhe comunica diretamente. — Isto, porém, já o afirmaram muitos, posteriormente comprovados como falsos arautos do Senhor. A via das revelações é muito suspeita, porque demais explorada; nem é o caminho usual pelo qual o Senhor se comunica aos homens. Jesus mandou que nos acautelássemos contra profetas e Messias (cf. Mt 24,23s).


Estaria então o Sr. Zarur unido ao Cristo na linha horizontal? Ou em linguagem mais simples: estaria unido à família sobrenatural do Cristo, à linha de 55 gerações (aproximadamente) que medeiam entre Cristo e nós?


Não; precisamente não. A sua campanha dá a entender, em última análise, que não há uma família tradicional do Cristo a prolongá-Lo desde o século 1º da nossa era, mas que, a família espiritual do Cristo, é o Sr. Zarur mesmo quem a faz, lendo e revelando, «redescobrindo» o Evangelho para o mundo. A fim de suprir o vazio e a incoerência de suas idéias, o Presidente da LBV serve-se muitas vezes de um tom de voz mística, que impressiona o público pouco dado ao raciocínio; assim ele «mistifica» realmente, inebriando a alma religiosa do povo brasileiro, que inconscientemente se vai afastando do Cristo, Filho de Deus feito homem, para seguir o Sr. Zarur, novo Messias, e um ideal de filantropia meramente humana. Tal ostentação, tal aparato, com que o Presidente da LBV tenta angariar legionários, são de todo condenáveis, não somente aos olhos do Cristianismo, mas também aos da honestidade humana.


Se, não obstante as suas falhas radicais, a LBV encontrou adeptos e ainda conta com defensores, duas parecem-nos ser as causas do fenômeno:


1) o sentimentalismo pouco esclarecido da nossa boa gente. Basta falar em miséria para que muitas pessoas se emocionem e façam alarde (o que não quer dizer que respondam como deveriam responder). Um dos casos mais típicos de exploração do sentimentalismo, exploração superficial que não leva em conta o raciocínio, é o amor a Satanás, «meu irmão», apregoado pelo Sr. Zarur. . .


Com efeito. Reflitamos um pouco sobre o que isto significa.

Satanás é um anjo que Deus criou dotado de inteligência penetrante, mas que abusou da liberdade de arbítrio para se tornar avesso ao Criador; optou conscientemente pela autossatisfação em vez de seguir o plano de Deus; e a sua opção é irrevogável, dada a perfeição da natureza angélica (no homem, enquanto consta de alma unida ao corpo, ou seja. durante esta vida, as opções são revogáveis, porque o corpo obscurece a perspicácia da inteligência, a qual consequentemente pode reconsiderar os seus atos e reformá-los). Satanás, portanto, não quer em absoluto amar nem a Deus nem aos homens (o seu tormento é justamente viver odiando); e ele tudo faz para atrair ao seu ódio e à sua desgraça outros parceiros, ou seja, os homens. Sendo assim, que posição pode o cristão tomar diante de Satanás?


— Enquanto Satanás é um ser, uma criatura inteligente, ele é um bem, que do seu modo (por sua existência mesma) glorifica a Deus. Mas Satanás não ó um mero ser... Em última análise, é um ser livre, sujeito à ordem moral; enquanto tal, ele é o contrário do bem, é um mal, e um mal irreformável. Ora o mal como tal nunca pode ser objeto de amor; é a Psicologia, não somente a Religião, que o ensina (conceber Satanás de outro modo para poder amá-lo seria conceber um Satanás que não existe).


Donde se vê que não tem cabimento, à luz da inteligência, falar de «amor a Satanás»; é contradição apta para embriagar os simplórios. O fato, porém, é que quem apregoa esse absurdo passa talvez por mais caridoso do que os caridosos, mais santo do que os santos; parece mais próximo de Jesus do que qualquer dos anteriores arautos do Evangelho.


2) Tocamos aqui o segundo fator que, a nosso ver, dá voga à LBV; muitos talvez lhe prestem adesão por motivo de orgulho (consciente ou, em não poucos casos, inconsciente). Ocasiões para praticar a caridade não faltam em instituições já vigentes, principalmente na Igreja Católica; mas na LBV a pessoa socorre os indigentes sem professar a Dogmática do Cristianismo e sem se obrigar a observar as leis da religião e do culto de Cristo; na LBV crê-se na existência de um «Deus» e de um «Jesus»; mas não se abraça oficialmente nenhum credo religioso; é cada um quem faz a sua religião (caso a queira), escolhendo os seus dogmas e obedecendo às normas que agradem ao seu bom senso subjetivo. Ora a não poucos atrai (talvez sem que o saibam) a perspectiva de não estar sujeito a alguma obrigação religiosa, sem, porém, passar por ateu ou ímpio aos olhos da sociedade! Quantos não gostam de pôr Deus no bolso e tirá-Lo, ostentá-lo, quando isto lhes convém!


O que acaba de ser dito, visa apenas incitar a uma reflexão e abrir caminho à verdade. Em vista disto, foi preciso falar contra o procedimento do Sr. Zarur; mas note-se bem: — contra o procedimento. Quanto à sua pessoa, ela é muito cara a todo cristão: o discípulo de Cristo, enquanto repudia o erro, quer bem ao homem que erra, pois sabe que por ele Jesus derramou a última gota de seu sangue.


Já que o Sr. Zarur tanto estima o Evangelho, entre finalmente na família sobrenatural do Redentor! A Igreja de Cristo ama sinceramente a pessoa do Presidente da Legião da Boa Vontade.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL

Ver N artigos +procurados:
TÓPICO  ASSUNTO  ARTIGO (leituras: 7793699)/DIA
Diversos  Espiritualidade  4121 O Espírito Santo entre nós85.26
PeR  Escrituras  1355 Jesus jamais condenou o homossexualismo?29.51
Vídeos  História  4117 O nascimento da Igreja Católica23.92
Diversos  Igreja  4111 9 coisas que afastam as pessoas da Igreja22.40
Diversos  Aparições  4119 Nossos tempos são os últimos?21.99
Diversos  Doutrina  4120 A importância do catecismo19.53
Diversos  Apologética  4109 A virgindade perpétua de Maria na Bíblia15.84
Diversos  Testemunhos  4118 Como a Igreja mudou minha vida15.62
Orações  Comuns  2773 Oração de Libertação14.25
Diversos  Mundo Atual  4113 É o fim do cristianismo e da religião?12.47
Diversos  Sociedade  4116 O controle do povo11.87
Diversos  Apologética  4102 Somente a Bíblia? Mentira!11.79
PeR  O Que É?  0516 O Que é a ADHONEP?11.64
Diversos  Igreja  4114 Unidade e Contradição11.43
PeR  O Que É?  2142 Quiromancia e Quirologia11.24
Diversos  História  4042 R.R. Soares e Edir Macedo11.05
Pregações  Doutrina  4091 O discurso do pobre11.03
PeR  História  0515 O Recenseamento sob César Augusto e Quirino10.53
Diversos  Sociedade  4115 Honestos e Corruptos10.47
Diversos  Testemunhos  3922 Como o estudo da fé católica levou-me ao catolicismo10.17
Diversos  Protestantismo  1652 Desafio aos Evangélicos: 32 Perguntas9.79
Diversos  Doutrina  4110 Cristo assumiu todas as fraquezas humanas?9.16
Pregações  Espiritualidade  4112 O que é necessário para ser santo?8.87
Diversos  Protestantismo  3970 A prostituição da alma8.71
Aquelas bem-aventuradas virgens, que se consagraram a Jesus Cristo, podem estar certas de que não encontrarão, nem no céu nem na terra, um esposo tão belo, tão nobre, tão rico, tão amável como Aquele que lhes foi dado, Jesus Cristo.
Sto. Inácio de Antioquia (35-110)

Católicos Online