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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 007 – julho 1958

Moral Sem Pecado?

MORAL

I. E. (Kio de Janeiro) pergunta:  “Pode haver uma Moral leiga, isto é, sem Deus e sem pecado?

 

1) Hoje em dia tendem muitos autores, principalmente em nome da psicanálise, a explicar o que se chama “pecado independentemente de Deus e Religião”; o pecado seria mero efeito do metabolismo patológico; o paciente, porém, lhe atribuiria sentido religioso. A noção de pecado é tida por esses autores como resíduo, na consciência moderna, de antigas concepções supersticiosas ou infantis. Consequentemente, dizem, o senso e o temor do pecado devem ser combatidos em nome da higiene mental; deveriam ser tratados no setor da psicanálise, não no da Religião; doravante dever-se-ia ensinar uma Moral sem pecado, isto é, sem obrigação que envolva o senso de responsabilidade do homem, Moral leiga, porque confinada ao plano meramente biológico.

 

2) Diante dessas teses, que dizer?

 

Não se pode .negar que o senso do pecado tenha repercussões no psíquico humano; será preciso, porém, reconhecer que suas raízes vão alem do plano meramente psicológico c fisiológico.

Que é então o pecado no seu sentido autêntico ou cristão?

 

À guisa de observação preliminar, podem-se citar as palavras muito verídicas dc Kierkegaard:

 

“O conceito que estabelece diferença radical entre a índole do Cristianismo e a do paganismo, é o pecado, a doutrina do pecado; por isto, com muita  lógica, o Cristianismo julga que nem o pagão nem o homem natural sabem o que é o pecado, e que é necessária a Revelação para o ilustrar” (Tratado do desespero)

 

Com efeito, o pecado, para o cristão, pressupõe uma verdade aparentemente desconcertante aos olhos da natureza: existe um Deus que é Amor, e o Amor que se comunicou em primeiro lugar (cf. 1 Jo 4,8). Esse Deus-Amor fez o homem essencialmente destinado a aderir ao Criador. E a voz de Deus que chama o homem a Si, está identificada com a natureza humana, falando no mais intimo de cada indivíduo mediante o que se chama «a lei natural» ou «a consciência»; esta faz ouvir um ditame geral a ser desdobrado e aplicado paulatinamente : «Faze o bem; evita o mal».

 

Tal ditame e suas consequências (não matar, não roubar, não maltratar o próximo, cumprir os deveres de estado, aliviar os misérias alheias, etc.) não são produtos contingentes de uma civilização ou de uma época, mas são normas constantes e universais. Em última análise, constituem o reflexo da infinita santidade de Deus manifestada pela natureza humana, santidade que é imutável. Por conseguinte, as categorias do bem e do mal, tais como a consciência de todos os povos as discrimina, não dependem nem da moda nem dos homens nem de um decreto arbitrário do Criador, mas do Ser eterno e imutável de Deus; são a participação dada ao homem, na retidão imutável de Deus.

 

É por isto que a Morai cristã afirma haver atos humanos que põem o homem em oposição direta a Deus; a perturbação e a melancolia que eles acarretam para quem os comete (e que primariamente chamam a atenção do psicanalista), não são senão consequências da ruptura da harmonia que deveria sempre existir entre o homem e seu Criador. É a esses atos que na linguagem cristã se dá o nome de “pecados”.

 

Entende-se que o pecado, violando a tendência inata do homem a Deus, possa afetar a alma, e, mediante esta, o corpo, causando perturbações psicológicas e somáticas. A medicina e, em particular, a psicoterapia poderão concorrer para sanar o mal, mas não terão senão papel complementar; aplicadas exclusivamente, ou seja, sem recurso à Religião, jamais produzirão a cura autêntica. Quem resiste à Lei de Deus não encontrará restauração da sua paz interior sem que se volte diretamente para o Senhor, repudiando a infração cometida contra a Lei do Criador.

 

É preciso, porém, frisar que essa Lei do Criador não é simplesmente um imperativo frio e anônimo; é, antes, um chamado do Amor (de Deus) ao amor (do homem). O Cristianismo significa encontro de Pessoa com pessoa, de filho com o Pai que atrai e sorri, mais do que encontro de servo ou súdito com o Legislador que amedronta. A Lei, para o cristão, é a necessidade de responder ao Amor que se deu ao homem. E o pecado consiste justamente em recusar essa resposta. Isto explica que o santo, mais do que o pecador, tenha o senso da iniquidade; estando mais próximo de Deus, compreende melhor que o pecado, em última análise, não é senão a rejeição do Amor, rejeição que se pode dar segundo matizes variadíssimos, imperceptíveis aos olhos de quem não tem amor apurado.

 

Do que acaba de ser dito, depreende-se que não há Moral sem pecado ou meramente leiga. Na verdade, o liame que prende o homem a Deus, não é adventício, mas constitutivo da natureza humana; o homem só pode existir como criatura intimamente relacionada com o Criador; consequentemente, em qualquer de seus atos ou ele se conforma à sua natureza e, mediante esta, a Deus, ou ele se afasta de sua natureza e, mediante esta, se afasta de Deus; é-lhe, em suma, impossível escapar a Deus.

 

Afirmando tais concepções, a Moral católica não desconhece haver casos patológicos, em que a vontade e o amor não se podem exercer com plena liberdade em virtude de deficiências fisiológicas (o psíquico e o sobrenatural estão enxertados no corpóreo, e deste dependem no seu modo de agir). Tais casos, na medida em que são doentios, não podem ser julgados segundo os critérios comuns; ficam por vezes abaixo do nível da moralidade.

 

Sobre o sentido do «pecado ofensa a Deus», veja-se Pergunte e Responderemos 6/1957 qu, 2, e a respeito dos casos patológicos, cf, «P, e R». 5/1958 qu. 6 e 7.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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