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Eritréia, esquecida pelo mundo, asfixiada pelo comunismo ateu

De acordo com um professor africano nos Estados Unidos, o terrível flagelo que a Eritreia sofre recebe pouca atenção internacional porque é um país pequeno, pobre e com população reduzida.

Mas a Eritreia, diz Habtu Ghebre-Ab, é um dos piores lugares do mundo para ser um crente – muçulmano ou cristão.

Ghebre-Ab nasceu e cresceu na Etiópia, de pais eritreus, e viveu na Etiópia até a idade de 18 anos. Agora nos EUA, fundou uma organização sem fins lucrativos, In Chains for Christ. Leciona História na Universidade de Cincinnati.

Nesta entrevista, ele revela detalhes pouco conhecidos da dura política antirreligiosa da Eritreia.

Quando você conheceu Cristo?

Ghebre-Ab: Eu conheci Cristo quando era criança. Nasci e cresci na Igreja Ortodoxa dos meus pais, verdadeiramente piedosos, e por isso a minha exposição ao cristianismo e ao Evangelho remonta aos primeiros anos da minha vida. (…) Oito ou nove anos atrás, retornei à fé de meus pais, à Igreja Ortodoxa, à qual hoje sirvo como diácono.

Embora seja difícil fazer estimativas confiáveis, você poderia nos contar um pouco sobre o panorama religioso atual na Eritreia?

Ghebre-Ab: O povo da Eritreia é muito religioso. A religião é parte integrante da vida das pessoas; o cristianismo e o islamismo coexistiram livremente durante séculos. Hoje, dos 4 milhões de habitantes, cerca 50% deles são cristãos; e a outra metade pertence ao Islã. A Igreja Ortodoxa é, naturalmente, a maior denominação cristã na Eritreia e na Etiópia, e representa cerca de 95% da população cristã.

Um relatório da Freedom House diz: “A Eritreia é uma nação em perpétuo estado de emergência, sob o cerco de seus próprios líderes, com uma população à qual são negadas as liberdades mais básicas de expressão, reunião, imprensa e prática religiosa”. O que isso significa para os cristãos da Etiópia de hoje?

Ghebre-Ab: O que isso significa para os cristãos é que, embora as igrejas ditas minoritárias sejam proscritas, desde maio de 2002, foram literalmente transformadas em criminosas; seus membros e seus líderes são jogados na prisão e o culto não é permitido na Eritreia. No início dos anos 90, houve indícios da política antirreligiosa do governo sobre as Testemunhas de Jeová e a comunidade muçulmana na Eritreia. Quanto à Igreja Ortodoxa eritreia, houve atos de queima de Bíblias desde 1995. Foi em maio de 2002, no entanto, que o governo eritreu pôs em prática sua política antirreligiosa.

Hoje, dentro das forças armadas, as Bíblias ainda são confiscadas e as pessoas que são descobertas em oração são castigadas. Desde 2005, a Igreja Ortodoxa da Eritreia tem sido o principal alvo; seu patriarca, Sua Santidade Abune Antonios, foi colocado sob prisão domiciliar. Embora o patriarca Antonios tenha diabetes e problemas de pressão arterial, não recebe cuidados médicos nem visitas de ninguém. Assim, os líderes religiosos das Igrejas ortodoxas, assim como os das protestantes, foram presos – alguns deles desde 2004.

Eu gostaria de me centrar na perseguição da hierarquia ortodoxa, mas antes, gostaria de saber: o que provoca esta perseguição do governo?

Ghebre-Ab: O pano de fundo desta política antirreligiosa é, naturalmente, um sistema marxista de crenças que o governo da Eritreia adotou durante a luta armada pela independência. Se você consultar certa literatura que remonta à década de 70, encontrará listas com o número e o nome das religiões que seriam eliminadas assim que a Eritreia se tornasse independente.

Então estava tudo planejado?

Ghebre-Ab: Foi planejado desde o início, mas após a independência houve uma tendência entre os eritreus a retornar à sua fé. Seus anos de sofrimento haviam terminado; a Eritreia conseguiu a independência e muitos jovens se tornaram mais religiosos, mais espirituais. Acho que o governo, que tinha esse fundo marxista, sempre se sentiu desconfortável com o fato de que os jovens – independentemente de seu nível de politização – voltaram à sua fé.

Então não se atrevem a atacar os cristãos e tiveram de esperar até recentemente.

Ghebre-Ab: Exatamente. No que diz respeito à Igreja Ortodoxa da Eritreia, chegaram ao ponto de nacionalizá-la, porque é a maior e mais antiga instituição religiosa. Eu acho que eles pensaram que, ao nacionalizá-la, teriam o controle total da Igreja, teriam o controle total de um grande segmento da população do país.

Quase como a Associação Patriótica Católica Chinesa, que está tentando criar uma igreja do Estado?

Ghebre-Ab: Exatamente; ou talvez seja mais correto dizer que é como a Revolução Bolchevique na União Soviética, quando os bolcheviques queriam controlar as igrejas permitidas naquela época. Esse é o estado da igreja cristã na Eritreia hoje – eliminar as religiões menores e controlar aquelas que restam. Alguns têm feito muito para resistir. (…)

Qual é a agenda do governo?

Ghebre-Ab: Eu gostaria de poder dizer que eles têm uma agenda – o mundo parece estar completamente surpreso porque este governo não parece saber quais são seus próprios interesses. Não parece saber para onde ir, porque muitas das ações realizadas são arbitrárias. Aqueles de nós que conhecem o esquema, voltando aos tempos de antes da independência, sabem pelo menos uma coisa: que o governo não é favorável em relação à religião.

Em maio de 2002, começou outra onda de severa perseguição contra os cristãos. O que causou isso e de que tipo de perseguição estamos falando?

Ghebre-Ab: Naquela época, o governo disse aos líderes das igrejas que estas deveriam ser fechadas. O pretexto utilizado pelo governo foi que elas não haviam sido registradas de maneira correta. É preciso registrar-se para se tornar uma religião reconhecida. Este foi o pretexto, foi a cortina de fumaça. Algumas igrejas, na época, procuraram atender até mesmo o menor dos requisitos do governo: deram os nomes dos membros da igreja, onde trabalhavam, o que faziam e qual era sua situação econômica. Ao conhecer o funcionamento interno da Igreja, por assim dizer, é mais fácil eliminá-la. O governo pretende eliminar gradualmente a fé na Eritreia em geral e, considerando a evolução da última década, isso é mais certo do que nunca.

Qual é a resposta dos cristãos? Eles se esconderam na clandestinidade? Emigraram?

Ghebre-Ab: As igrejas evangélicas foram as primeiras que passaram à clandestinidade, ainda que o governo tenha tornado isso impossível por seu aparato de segurança: foram perseguidas. Então, a única coisa que podiam fazer era fugir do país, e milhares de jovens – não apenas os crentes -, bem como milhares de pessoas que não são religiosas, agora estão deixando o país e pedindo asilo político em outros países. Existem campos de refugiados no norte da Etiópia e no Sudão, que hospedam esse número crescente de refugiados que saem em massa da Eritreia.

E isso apesar da ordem de atirar para matar qualquer um que seja descoberto fugindo, na fronteira da Eritreia?

Ghebre-Ab: Exatamente. Isso não parece ter afetado o número de pessoas, especialmente de jovens eritreus, que fogem do país. (…)

O que aconteceu com as instituições e tradições reconhecidas: o Islã, a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa eritreia? Como o governo enfrenta e tenta limitar a atividade religiosa das tradições mais antigas?

Ghebre-Ab: Não tenho a pretensão de falar pelos muçulmanos, mas posso dizer que eles também têm sofrido sob este regime. Neste sentido, o governo da Eritreia é verdadeiramente igualitário na hora de perseguir. No que diz respeito às chamadas “igrejas reconhecidas”, a mídia independente foi abolida em 2001; os principais órgãos das organizações reconhecidas, ou seja, o jornal da Igreja Católica, a florescente jornal da Ortodoxa Eritreia, e também os de outras organizações cristãs que supostamente eram reconhecidas, todos esses jornais foram fechados inclusive antes de fecharem os meios de comunicação leigos independentes.

Outra coisa que o governo ordenou, especialmente à Igreja Ortodoxa e à Igreja Católica, é que os padres de determinada idade deveriam apresentar relatórios sobre seu serviço militar. Eu elogio a eparquia católica por ter adotado uma posição inamovível a este respeito, dizendo que não havia nenhuma maneira de que seus sacerdotes pudessem cumprir o serviço militar, mas dado que a Igreja Ortodoxa estava controlada por uma pessoa política nomeada, não conseguiu resistir e os sacerdotes foram obrigados a ir ao exército.

Os Estados Unidos colocaram a Eritreia na lista do Departamento de Estado dos “Países de Especial Preocupação”. Por que não ouvimos falar disso? Por que não se fala disso na comunidade internacional?

Ghebre-Ab: Esta é uma boa pergunta. A Eritreia é um país muito pequeno, com uma população de menos de 4 milhões de pessoas (outros relatórios afirmam que a população é de 5,7 milhões). Grande parte da população tem fugido nos últimos tempos. Houve ondas de êxodo do país, por uma razão ou outra, mas a Eritreia, ao contrário de muitos de seus vizinhos, não tem petróleo, nem uma grande população.

Devido a isso, enquanto outros países perto da Eritreia e o sofrimento do seu povo recebem muita atenção, o povo eritreu nunca recebeu realmente esse tipo de atenção, mesmo durante o tempo em que lutou pela independência contra a União Soviética. Então, enquanto o país continuar sendo considerado insignificante para o resto do mundo, acredito que continuará também sendo deixado de lado.

O que podemos fazer?

Ghebre-Ab: Eu diria que, acima de tudo, devemos rezar pelo povo da Eritreia, mas também cada crente deveria manter contato com seus representantes eleitos, para garantir que o sofrimento do povo da Eritreia receba a atenção necessária.

Agora existe, como disse, milhares de jovens que abandonam o país. Eles estão sofrendo terrivelmente. Os campos de refugiados estão no norte da Etiópia e no Sudão. Seria preciso dar a esses refugiados os direitos próprios dos refugiados, dar-lhes asilo nesses países.

Temos informações recentes sobre o número de eritreus que se afogam no mar Mediterrâneo, quando tentam atravessá-lo da Líbia à Itália ou a Malta, e muitos desses países repatriam os eritreus. No Egito, existem hoje centenas de refugiados, sem qualquer reconhecimento ou ajuda.

O que acontece com aqueles que são repatriados?

Ghebre-Ab: Os relatos dos que escaparam pela segunda vez depois de ser repatriados são terríveis. O tipo de tortura é quase inimaginável. O governo pretende apresentar a sua melhor cara dizendo: “vamos cuidar deles”. Os relatos, no entanto, revelam uma história diferente. Eles sofreram terríveis torturas e o destino de muitos é desconhecido até hoje.

Quais são as limitações enfrentadas pelas igrejas estabelecidas, em termos de publicações e de licenças de construção?

Ghebre-Ab: As igrejas estabelecidas não puderam agir como vinham fazendo sempre. As licenças para construção ou coisas parecidas são algo em que não se pode sequer pensar. Elas têm dificuldades até para manter os edifícios que já possuem. Por exemplo, a Igreja Católica teve algumas boas escolas e, durante o regime anterior, antes da independência da Eritreia, as escolas foram nacionalizadas. Acho que havia uma esperança e os católicos da Eritreia, as pessoas de boa vontade, estavam esperando que estas escolas voltassem à Igreja Católica e esse foi o pedido da Igreja Católica; mas não se cumpriu nada até agora. (…)

Eu li que mais de 3.200 cristãos estão presos por diversos motivos e atividades. Qual é a situação destes cristãos?

Ghebre-Ab: Ninguém sabe. Na verdade, dizemos 3.200 porque é uma estimativa feita pelo Departamento de Estado norte-americano. Minha estimativa pessoal é maior, porque todo o acampamento militar tem seu próprio centro de detenção. Há muitas prisões não oficiais, nas quais ninguém foi a julgamento e ninguém foi acusado de nada diante de um tribunal legalmente constituído. Assim, o melhor que podemos fazer é fornecer uma estimativa de quantas pessoas estão na prisão. Se você contar todos os prisioneiros de consciência, poderiam ser mais de 3.200 e, se formos falar de cristãos, mais uma vez será um número maior. Deixe-me esclarecer uma coisa: existem muitas pessoas que morreram na prisão por sua fé.

Como são essas prisões?

Ghebre-Ab: Essas prisões foram concebidas para castigar e são sádicas. Há relatos de que pessoas foram presas na parte subterrânea, sem ver a luz durante anos. Não os alimentam bem. Mantiveram pessoas em contêineres de metal, de transporte marítimo. É preciso recordar como essa região do mundo é quente durante o dia e fria durante a noite. E essas pessoas presas em contêineres… Se o governo da Eritreia deixasse as organizações humanitárias internacionais ou a Cruz Vermelha visitar esses locais de detenção ou esses presos, o mundo poderia ver o tipo de condições em que essas pessoas estão. Mas ninguém pôde ver essas pessoas.

Você tem alguma esperança?

Ghebre-Ab: Eu tenho esperança. O povo eritreu é um povo forte. Não vão tolerar esta injustiça por muito tempo. O povo eritreu pagou um grande preço pela liberdade. Eu perdi dois irmãos e doze membros da minha família na guerra pela independência da Eritreia. Pode parecer que minha história é única, mas não é; todos os eritreus contam uma história semelhante. O povo eritreu não pagou todos estes sacrifícios nem sofreu essas indignidades para depois ser proibido de exercer os direitos pelos quais lutou e os direitos que merece.

Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus chora na terra”, um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/


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