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RENOVAÇÃO DA IGREJA: CONCÍLIO VATICANO II

 

Acolhendo como vinda do alto uma voz íntima do nosso espírito, julgamos ter chegado o tempo do oferecermos à Igreja Católica e ao mundo do dom de um novo Concílio Ecumênico, em acréscimo e continuação à série dos vinte grandes Concílios, realizado ao longo dos séculos, como uma verdadeira providência celestial para o incremento da graça na alma dos fiéis e para o progresso cristão”.

Papa João XXIII

Convocação do Concílio, 25/12/1961.

 

O pontificado de João XXIII (1958-1963) representou uma guinada importante nas orientações da Santa Igreja Católica; com o Concílio Vaticano II, ele empreendeu uma energética revisão das posições cristãs não-católicas e personalidades do mundo laico. O papa Paulo VI (1963 – 1978), em cujo pontificado o Concílio se encerrou, admitiu na terceira sessão algumas mulheres, leigas e consagradas. Os trabalhos iniciaram-se em 1962 e terminaram três anos depois. O objetivo central foi buscar uma solução para os problemas postos à Igreja pela sociedade e pela idade contemporânea. Ante os quais se fazia necessário redescobrir a mensagem evangélica e renovar as estruturas e disciplinares.

 

“Aggiornare la Chiesa”, isto é, atualizar e renovar a Igreja para o mundo em mudança. Aggiornamento, isto é, atualização, foi a palavra chave e fundamental do Concílio Ecumênico Vaticano II. Este Concílio foi o maior evento na História da Igreja no século XX.

 

OS APELOS DE JOÃO XXIII

 

As encíclicas sociais escritas por João XXIII (Mater et Magistra, de 1961, e Pacem in Terris, de 1963) testemunham a vontade firme desse pontífice de guiar a Igreja na direção que seria assumida pelo Concílio Vaticano II. Na Pacem in Terris, o Papa dirigiu-se, significativamente, não só aos fiéis católicos, mas “a todos os homens de boa vontade”. Deixando no ar um apelo em favor da justiça social e da dignidade do indivíduo, independentemente da sua fé religiosa (1).

 

RENOVAR A IGREJA PELO CONCÍLIO

 

A convocação do Concílio Vaticano II deu-se 90 anos depois da realização do Concílio Vaticano I, que foi interrompido abruptamente dado às convulsões pela unificação da Itália, a 18 de dezembro de 1870. A 25 de janeiro de 1959, na Basílica de São Paulo extramuros, João XXIII, eleito apenas três meses antes, anunciou, inesperada e solenemente, a convocação de um Concílio Ecumênico. Tinha em mente não apenas “o bem estar do povo cristão”, mas também um convite às “comunidades separadas para a busca da unidade”. Sem consultas prévias aos Bispos da Igreja Universal, como tinha feito Pio IX antes da convocação do Concílio Vaticano I, João XXIII decide esta convocação “por uma repentina inspiração de Deus”, apelidando este Concílio com “flor espontânea de uma inesperada primavera”. A Igreja viveu “um novo Pentecostes”, como chamou o mesmo Papa ao Concílio. Um dinamismo de renovação foi experimentado na Igreja, aos mais diversos níveis e quadrantes geográficos.

 

O Papa Paulo VI, na Carta apostólica em que declara encerrado o Concílio, confirma e exorta ao seu cumprimento, assim afirma: “Foi o maior Concílio pelo número de Padres, vindos de todas as partes da terra, mesmo daquelas onde só há pouco foi constituída a hierarquia; foi o mais rico pelos temas que, durante quatro sessões, foram tratados com empenho e perfeição; foi o mais oportuno, enfim, porque tendo em conta as necessidades dos nossos dias, atendeu sobretudo às necessidades pastorais e, alimentando a chama da caridade, esforçou-se grandemente por atingir com afeto fraterno não só os cristãos ainda separados da comunhão da Sé Apostólica, mas até a inteira família humana” (Paulo VI, carta apostólica In Spiritu Sanctu, 1965).

 

A Igreja de Cristo é hoje a Igreja do Concílio Vaticano II, que nos compete continuar a aplicar com fidelidade criativa.

 

Queremos dar graças a Deus por este Concílio providencial que continua a inspirar a Igreja. No decurso do movimento de renovação conciliar, ocorreram hesitações e desvios, que não se podem atribuir a este evento de grandeza ímpar, que João Paulo II apelidou de “seminário do Espírito Santo”, aberto ao mundo. Felizmente a recepção do Concílio Vaticano II deu-se entre nós de um modo globalizado positivo. A celebração do presente aniversário deve levar-nos a um exame de consciência, pessoal e comunitário, para vermos o que falta fazer para implementar o espírito e a letra do Concílio (2).

 

A tarefa do Concílio Ecumênico não está completamente terminada com a promulgação de seus documentos. É preciso que toda a vida da Igreja seja impregnada e renovada pelo vigor e pelo espírito do Concílio, é preciso que as sementes de vida lançadas pelo Concílio no campo que é a Igreja cheguem à plena maturidade”.

Papa Paulo VI

Carta ao Congresso de Teologia

Pós-conciliar, 21/02/1966.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja

Instituto Teológico Bento XVI

Especialista em Ciências Sociais da Religião

E-mail: [email protected]

 

NOTAS

 

(1)                Cardini, Franco. Atlas Histórico do Cristianismo para Jovens: 2000 anos de vida religiosa, de cultura, de sociedade. Vargem Grande Paulista. SP: Editora Cidade Nova; São Paulo: Editora Ave-Maria, 2007, p.89.

(2)                L’osservatore Romano, 05/05/2012, p.2.


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