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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 013 – janeiro 1959

 

Que é Radiestesia?

IV. MORAL

Pergunta: «Que é a radiestesia? Como a julga a consciência cristã?»

 

Em resposta, estudaremos sucessivamente em que consiste a radiestesia, qual o seu valor científico e qual a posição da Moral cristã perante a mesma.

 

1. O que é a radiestesia

 

1) Dá-se o nome de radiestesia à percepção de objetos colocados fora do alcance normal dos sentidos externos, percepção que se faz por meio de raios hipotèticamente emitidos por esses objetos (radio-estesia) e com o emprego de instrumentos tais como uma vara ou um pêndulo, que acusam a suposta emissão desses raios. É, aliás, o uso destes instrumentos que pràticamente caracteriza a radiestesia (entendida no sentido técnico), diferenciando-a dos fenômenos mais gerais de telestesia (percepção à distância), telepatia, clarividência, etc. Por este motivo a radiestesia é também chamada rabdomancia (em grego, rhábdos = vara; mantéia = adivinhação).

 

2) Como se vê, o nome de radiestesia supõe a teoria de Física segundo a qual cada corpo, orgânico ou anorgânico, propaga continuamente radiações ou movimentos ondulatórios. Essas ondas afetam os nervos de homens particularmente sensíveis, neles provocando contrações musculares, que por sua vez se comunicam à vara ou ao pêndulo geralmente posto na mão direita do operador (note-se que a radiestesia explica as oscilações da vara ou do pêndulo como consequências dos influxos que o operador sofre por parte dos objetos que o cercam, não como efeitos diretos destes objetos sobre a vara e o pêndulo).

 

Afirmam os autores que todo indivíduo humano é, em grau maior ou menor, capaz de experimentar os fenômenos de radiestesia. Requer-se naturalmente concentração por parte do operador; este deve colocar-se em «condições aptas» para receber a influência dos raios... Os mestres de radiestesia recomendam aos discípulos o exercício assíduo da sua arte, a fim de poderem mais e mais apurar a sua sensibilidade. Alguns pesquisadores afirmam mesmo que o comportamento de certos viventes inferiores (animais e vegetais) só é explicável caso neles se suponham faculdades radiestésicas.

 

Como dizíamos, os técnicos costumam usar um instrumento indicador do influxo das supostas ondas (o que não deixa de dar caráter misterioso às suas experiências). Preferem à vara o pêndulo, pois este é de uso mais cômodo e se mostra mais fiel nas suas oscilações. O pêndulo há de ser uma massa de 30 a 70 gr. de madeira, osso, matéria plástica ou metal, suspensa a uma corrente ou a um fio (de seda ou linho) do comprimento de 30 a 80 cm, comprimento variável segundo a sensibilidade do operador e conforme o objeto de sua pesquisa. A vara deverá ser de madeira não resinosa nem de oliveira, ou então de barbatana de baleia; poderá ser retilínea ou dobrada em V ou Y (estes desenhos, espontâneos como são, nada têm de supersticioso; nada de especial significam).

 

As reações de tais instrumentos (movimentos elípticos ou circulares, para a direita ou para a esquerda; o levantar-se e o abaixar-se da ponta de vara) são interpretadas segundo um código próprio não de antemão ditado pela razão, mas sugerido pela experiência paulatina e pelas estatísticas confeccionadas pelos observadores (donde se compreende que nem todos os operadores usem exatamente o mesmo código). Os sinais do pêndulo ou da vara indicam, conforme os autores, as notas características dos objetos procurados (sua presença em tal lugar, sua altura ou profundidade, sua natureza característica...). De resto, as exigências e as modalidades da exploração radiestésica vão sendo estabelecidas lentamente pelos técnicos, que, para isto, se baseiam em dados empíricos e estatísticos. O radiestesismo vai sendo aos poucos conquistado, merecendo hoje em dia atenção crescente dos mais sérios estudiosos. Dado. porém, o método estritamente indutivo em que se apoia, suas conclusões são muitas vezes, em grau maior ou menor, sujeitas a reforma.

 

3) A técnica radiestésica tem tido aplicações cada vez mais complexas e frequentemente satisfatórias. Anunciam
alguns pesquisadores ter procurado e encontrado mediante radiestesia:

 

a) objetos postos nas proximidades do operador, conservados, porém, invisíveis (é o que se chama a radiestesia comum). Tais Objetos seriam, entre os anorgânicos: um lençol de água subterrâneo, os dados relativos à quantidade, à extensão, à índole sadia ou nociva dessa água; um veio metalúrgico, um tesouro oculto, o conteúdo de uma carta fechada... Enumeram-se outrossim elementos de índole orgânica, como o sexo de uma criancinha ainda encerrada no seio materno, o estado de saúde de determinada pessoa ou determinado animal, a oportunidade de tal remédio em tal caso preciso, etc. A radiestesia é aplicada à percepção até mesmo das condições psíquicas (sentimentos, afetos, temperamento...), das circunstâncias biológicas e sociais (relações de consanguinidade, grau de responsabilidade) de pessoas humanas ;

b) objetos e acontecimentos distanciados do observador pelo espaço ou pelo tempo (telerradiestesia). Das oscilações do pêndulo sobre um mapa geográfico, por exemplo, procuram os técnicos deduzir em que remotas parte do globo terrestre se encontrem cavernas ou rochas ou fontes de água desejadas; aplicado a uma fotografia, o pêndulo dá ocasião a que o operador diga se a pessoa fotografada ainda vive ou já morreu, diagnostique o seu estado de saúde, indique o paradeiro de um soldado desaparecido (por vezes basta, para isto, um retrato muito antigo). Também uma veste ou outro objeto outrora usado pelo indivíduo focalizado é suficiente material para que o radiestesista fale...

 

2. O valor cientifico da radiestesia

 

1. A radiestesia já não é tida simplesmente, como talvez outrora, na qualidade de produto da imaginação subjetiva, de superstição ou de charlatanismo. Ela, em grande parte, se baseia em fenômenos objetivos, que vão sendo estudados segundo métodos científicos por homens de incontestável idoneidade. Esses estudos, como aliás os da Parapsicologia, ainda se acham muito em seus inícios; é o que explica haja até hoje várias questões abertas em tais setores. Importa, porém, notar que os fenômenos focalizados pelos radiestesistas são geralmente de índole natural, explicáveis por faculdades da alma humana, fenômenos que nada têm de milagroso ou transcendente. Seria falso, por conseguinte, querer atribuí-los indistintamente à intervenção de espíritos superiores ao homem e dar caráter diretamente religioso às explorações radiestésicas.

 

Estes dizeres não excluem a hipótese que se costuma formular em se tratando de fenômenos extraordinários em geral; é possível (embora não frequente), que espíritos bons ou maus ou almas de defuntos os produzam. Faz-se mister, porém, provar a intervenção de tais agentes caso por caso; nunca será lícito supô-la sem fundamento sólido, comprovado (cf. «P. R. 5/1958 qu. 1).

 

Precisando um pouco mais as suas explicações, os estudiosos afirmam hoje em dia, como abaixo se verá, não ser certa a teoria que inspirou a denominação de radiestesia, teoria segundo a qual os corpos emitem radiações ou ondulações: causadoras de reação inconsciente no respectivo observador.

 

2. Entre os resultados científicos mais modernos aptos a ilustrar os fenômenos de radiestesia, devem-se enumerar os que foram obtidos nos últimos anos pelo Professor Joseph Banks Rhine, da Duke University de Durham (Carolina do Norte, U.S.A.). Rhine aplicou-se ao que ele chama «efeito ESP» ou à «extra sensory perception», com resultados que ele considera notáveis.

 

Eis sumariamente o que se pode dizer sobre o assunto.

Em 1928 J. B. Rhine e sua esposa Luisa deram inicio na Universidade Duke a uma série de experiências sobre percepção à distância (incluindo telepatia e clarividência). Em 1934 o estudioso publicava seus primeiros resultados, concluindo haver no homem faculdades de conhecimento que não se reduzem aos sentidos externos ou às faculdades que são comumente enunciadas pelos psicólogos, mas ultrapassam os quadros clássicos da ciência tradicional; ao estudo de tais faculdades recém-descobertas Rhine dava o nome de «Parapsicologia». Essa mensagem do cientista norte-americano foi acolhida com certo ceticismo nos círculos de cientistas da época. Ela conseguiu prevalecer, porém, de sorte que na Holanda, na Alemanha, na Inglaterra se criaram laboratórios e cátedras de Parapsicologia. Hoje em dia, trinta anos após o início das pesquisas de Rhine, já se acumularam nessa matéria resultados que se impõem à consideração do estudioso.

 

Para provar a existência, no homem, de faculdades aptas a perceber à distância, Rhine recorreu a experiências, das quais uma das mais famosas tinha por objeto as cartas de baralho ditas de Zener; estas, em vez dos motivos e números das habituais cartas de jogar, trazem figuras geométricas simples: o quadrado, o círculo, a cruz, a estrela e linhas onduladas. Cada baralho contém vinte e cinco cartas (cinco de cada tipo). Rhine misturava as cartas (utilizando, para isto, uma máquina própria, a fim de assegurar a completa mistura); a seguir, colocava-as sobre uma mesa; solicitava então a um «adivinhador» colocado do outro lado de uma cortina ou em outra sala ou até mesmo em outra casa (algumas experiências foram realizadas a milhares de quilômetros de distância), tentasse «ver» mentalmente as cartas, indicando a ordem em que se achavam sobre a mesa, a começar pela carta de cima: as respostas do adivinhador eram, por fim, comparadas com a ordem real das coisas. Tais experiências foram repetidas muitas e muitas vezes. Para avaliar o alcance das respostas, Rhine se serviu do cálculo das probabilidades; este, segundo a curva de Gauss, indicava quantas vezes, em determinada quota de ensaios, um adivinhador, por mero acaso, adivinharia a posição certa de 5, de 6, de 7 cartas... Pois bem; Rhine obteve na prática resultados que os técnicos em estatística qualificam de altamente significativos: o estudante Hubert Pearce, por exemplo, em 1625 experiências, marcou 482 pontos positivos; ora, segundo o cálculo das probabilidades, um tal resultado só se poderia conseguir por acaso uma vez em 100 quatrilhões de experiências!...

 

Foram efetuados na Inglaterra outros testes de adivinhação de cartas através de uma cortina ou através de paredes, e a distâncias notáveis (50m no mínimo): verificou-se que certos adivinhadores em uma experiência acertaram a posição ora de 22, ora de 20, ora de 18, ora de 17, ora de 15, ora de 12 cartas dentre 25; por duas vezes um observador (Glyn Jones), que era examinado pelo Prof. Soal, acertou a posição exata das 25 cartas. As probabilidades para que tais resultados fossem simplesmente efeito do acaso são pràticamente desprezíveis.

 

O Prof. Soal também conseguiu, com êxito surpreendente, que seus discípulos indicassem qual a carta colocada no baralho imediatamente antes ou imediatamente depois de uma carta que ele tirava ao acaso: verificou outrossim que em 3789 experiências Basil Shackleton predisse 1101 vezes a carta que o Professor estava para retirar do baralho; ora o acaso só explicaria tais resultados na proporção de 1 para centenas de quatrilhões.

 

Foram tais fenômenos que levaram Rhine e seus colaboradores a afirmar que no homem existe o que se chama a percepção extrassensorial, isto é, autênticas faculdades de conhecer diferentes dos sentidos externos; se não se admitisse a percepção extrassensorial, argumenta Rhine, os resultados acima deveriam ser explicados pelo mero acaso (o que seria absurdo, dada a desproporção entre as probabilidades do acaso e as. cifras obtidas na realidade).

 

Sendo assim, os estudiosos de nossos dias, sem discutir tanto a realidade da percepção extrassensorial, mais e mais procuram averiguar quais são as melhores condições para que se exerça esse tipo de percepção; já podem afirmar, por exemplo, que o temperamento do observador influi sobre os seus resultados, e que os extrovertidos acertam mais fàcilmente do que os introspectivos, ... que a hipnose, em alguns sujeitos, é favorável; não se poderia dizer precisamente qual o efeito dos narcóticos e dos estimulantes.

 

Segundo alguns autores, as experiências acima citadas contribuem para remover a hipótese de que o pensamento se transmite por ondas eletromagnéticas: as telas interceptoras utilizadas e as grandes distâncias mantidas entre o sujeito e o objeto parecem-lhes refutar tal hipótese, pois as ondas de que os físicos têm conhecimento, se debilitam ao percorrer distâncias ou ao atravessar determinados tipos de tela.

 

Como quer que seja, as experiências de Rhine parecem comprovar que há de fato fenômenos de percepção à distância. Ora a radiestesia não é senão um tipo de percepção à distância, tipo em que um pêndulo ou uma vara servem de indicador próximo (na radiestesia não é essencial, apesar do que o nome insinua, a teoria dos raios ou das ondulações emitidas pelos objetos que se procuram).

 

Os dados de ciência referidos se devem ao artigo de D. Vincendon: Clairvoyance et Télépathie, na revista «Science et Vie» 493 (octobre 1958) pág. 104-109.

 

3. O aspecto moral da radiestesia

 

A radiestesia, sendo fenômeno de índole natural, fisiológica, pode ser licitamente investigada pelo cristão; a sua fé não lhe proíbe o cultivo da ciência... A Moral só protesta quando os operadores associam de maneira arbitrária tais fenômenos com valores religiosos, atribuindo a causas sobrenaturais efeitos naturais ou vice-versa; nisso entra superstição, magia, isto é, derrogação ao puro conceito de Deus e dos espíritos (a respeito de superstição, veja «P. R.» 8/1958 qu. 8).

 

Verdade é que os espíritos bons ou maus, assim como as almas de pessoas falecidas, podem provocar efeitos extraordinários, preternaturais. Mas será preciso comprovar que tais são os agentes responsáveis, neste e naquele caso preciso. Muitas reações parapsicológicas que outrora eram tidas como estranhas ou milagrosas, hoje já são perfeitamente explicáveis pela ciência.

 

Também é lícito ao cristão fazer uso da radiestesia para fins honestos, ou seja, para a descoberta de elementos necessários ou úteis ao progresso e ao bem-estar da sociedade (fontes, minas, depósitos...). Está claro, porém, que os abusos, tão facilmente verificáveis, são condenados; não será, pois, lícito usar da radiestesia em detrimento dos bons costumes ou da piedade e da confiança dos cristãos na Providência Divina.

 

Para os clérigos estão em vigor determinações próprias. Por decreto de 1o de maio de 1942 (cf. A.A.S. 34 [1942] 148), o S. Ofício, visando evitar escândalo e desprestígio do estado religioso ou sacerdotal, proibiu-lhes certas modalidades de radiestesia que aparentem indiscrição, tendo por objeto o íntimo da pessoa humana (diagnóstico e tratamento de doenças, investigação de dotes intelectuais e morais, lugar de residência, circunstâncias da morte de alguém, etc.).

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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