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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 013 – janeiro 1959

A Purificação de Maria

Pergunta: «Que se entende por Purificação de Maria (cf. Lc 2,22)? Se Maria era imaculada, de que foi purificada?

Maria Santíssima teve ou não verdadeiro parto natural?»

 

A Lei de Moisés mandava que uma mulher, tendo dado à luz um menino, fosse considerada impura durante sete dias: ao cabo destes, far-se-ia a circuncisão do menino (no oitavo dia); a seguir, ficaria mais trinta e três dias evitando todo contato com o santuário. Finalmente, quarenta dias após o parto, devia apresentar-se ao sacerdote para ser purificada; ela ofereceria por essa ocasião um holocausto (em adoração a Deus, que lhe dera um filho) e um sacrifício de expiação para purificar-se das impurezas pressupostas pelo seu estado. Cf. Lev 32,1-8.

Esta prescrição suscita a questão: como se há de entender que a gestação e o parto acarretassem impureza religiosa para a genitora? Será o matrimônio um consórcio indigno dos justos?

 

Para elucidar o problema, será preciso primeiramente reconstituir algo da mentalidade dos povos antigos e, a seguir, considerar como esse patrimônio comum se manifestou no povo de Israel em particular.

 

1. Um pouco da mentalidade dos antigos

 

Os homens primitivos, tendo uma consciência moral muito simples, geralmente avaliavam o bem e o mal pelo aspecto visível dos atos humanos; não costumavam penetrar na consciência, indagando até que ponto um determinado ato era voluntário ou involuntário; não levavam em conta a intenção (boa ou má) de quem agia, pois esta consideração já supõe certo grau de cultura e um espírito aprimorado, conhecedor dos fatores atenuantes e agravantes, que o homem primitivo dificilmente sabe distinguir.

 

Por isto os povos antigos faziam muitas vezes coincidir pureza e impureza do homem perante Deus com pureza e impureza do corpo; estipulavam que certas situações fisiológicas tornavam o homem impuro, impossibilitado de se chegar à Divindade. Assim se criou o conceito de impureza meramente legal, a qual muitas vezes era independente da vontade e isenta de culpa moral. Os critérios adotados para estipular tais estados impuros eram geralmente os seguintes:

 

- O toque de cadáveres (a morte, extinguindo a vida sensível, era considerada alheia a Deus, fonte da vida);

- O surto de certas doenças deformantes, como a lepra, manchas e outras moléstias (desfigurando o homem, pareciam opor-se a Deus e à sua obra);

- O derramamento de sangue menstrual ou de sêmen vital (acarretando debilitação da vitalidade do indivíduo, esses fenômenos também eram tidos como incompatíveis com a união a Deus, que é a Vida forte);

- O aparecimento de bolor ou mofo sobre a lã ou a pele de animais (fenômeno que podia ser comparado à doença); o contato com certos animais, como os quadrúpedes que não têm unhas ou que não ruminam, os aquáticos que não têm escamas ou nadadeiras... (critério de origem obscura).

 

Em particular, os atos que diziam respeito à vida sexual e à geração da prole eram tidos como causa de impureza legal, pois a vida, para os antigos, constituía um mistério no qual os espíritos superiores ao homem (muitas vezes, espíritos maus) tinham seu papel importante; quase todos os povos antigos, até os gregos e romanos, compartilharam consequentemente a tese de que o parto tornava a mulher impura, fazendo que ela não pudesse participar de algum ato de culto antes de se ter purificado, de acordo com os preceitos da respectiva lei religiosa; ao sangue menstrual o naturalista romano Plínio atribuía um poder mágico («Nihil facile reperiatur mulierum profluvio magis monstrificum [mirificum]», Hist. nat. VII 13); entre os árabes, a mulher que estava para dar à luz, era colocada em um tugúrio, fora do acampamento comum...

 

Hoje em dia caiu em certo descrédito a tese de que as prescrições de pureza ritual foram originariamente inspiradas por meros motivos de higiene, que os legisladores haveriam procurado reforçar, dando-lhes aos poucos autoridade religiosa. Admite-se origem diretamente religiosa para esses preceitos legais.

 

2. A legislação de Israel

 

O povo de Israel, oriundo da Mesopotâmia no séc. XVIII, herdou naturalmente de seus antepassados caldeus as observâncias referentes à pureza e à impureza legais; foram mesmo oficialmente reconhecidas pela lei de Moisés...

 

Isto se explica pelo fato de que Deus não quis mudar bruscamente a mentalidade e os costumes de Israel; por isto, sequestrando da Caldeia o Patriarca Abraão, o Senhor apenas cuidou de eliminar qualquer crença politeísta ou supersticiosa que pudesse estar anexa aos usos herdados por Abraão, e sancionou vários desses usos (tão conceituados pela religiosidade antiga) na Lei entregue a Israel por meio de Moisés. Isto não quer dizer que Javé atribuísse valor a esses ritos em si, mas desejava apenas que Israel, observando-os com espírito novo, monoteísta, demonstrasse desse modo, adaptado aos costumes antigos, sua adesão ao único Deus, e assim chegasse à santidade. A chave de interpretação dos preceitos de pureza legal no Código de Moisés é o seguinte versículo, posto no fim de uma lista de animais puros e impuros: «Sou Javé vosso Deus; vós vos santificareis e sereis santos, porque Eu sou santo, e não tornareis impuros» (Lev 11,44).

 

Aos poucos Deus, em sua pedagogia paciente, fez ver ao povo eleito que há valores maiores do que os da pureza física extrínseca,... que acima das categorias do puro e do impuro ritual há os conceitos do bem e do mal moral; é no íntimo da consciência que se decide a vida de união com Deus. Enquanto, porém, Israel era como criança nos primórdios da sua história, jamais teria concebido pureza moral sem ritos sensíveis; a pureza do corpo devia levar o rude povo de Israel a conceber mais facilmente a inocência do espírito.

 

Quando o gênero humano chegou à idade madura, o legislador Divino lhe propôs ideal não diverso daquele que o Levítico lhe sugeria (imitar a santidade de Deus); apenas o propôs sem se servir das leis provisórias e contingentes de pureza e impureza ritual: «Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito», disse Jesus (Mt 5,48); e, para conseguir isto, o Messias incutiu um grande preceito, resumo e consumação dos demais: «Amai... amai até os vossos inimigos, porque Deus é amor» (cf. Mt 5, 44s; 1Jo 4,7-11).

 

Note-se outrossim que, embora as impurezas rituais não fossem por si pecados, elas estavam intimamente associadas ao pecado de Adão como consequências deste; significavam, sim, desordens somáticas acarretadas pela culpa original (lepra, perturbações do metabolismo, morte, etc.), de sorte que incutir o horror a essas desordens era de certo modo inculcar o repúdio ao pecado.

 

São estes precedentes que explicam a lei da purificação estabelecida por Moisés para a mulher que dava à luz em Israel; o rito não supunha nem culpa moral na parturiente nem adesão a crenças supersticiosas.

Maria Santíssima quis submeter-se a esse uso, seguindo o exemplo de Jesus, que houve por bem conformar-se em tudo às prescrições de Moisés; a lei da Encarnação ou do «aniquilamento» sugeria tal sujeição...

Na verdade, Maria não dera à luz como as outras mulheres que se purificavam no Templo. Ela concebeu virginalmente; o que quer dizer: o elemento material nela foi preparado para receber a alma humana de Jesus por intervenção extraordinária de Deus, sem concurso de varão algum. A seguir, ela gerou virginalmente, isto é, sem perda de sua integridade física e sem as dores características do parto; o corpo de Cristo passou pelo seio da Mãe Santíssima que o gerava, deixando-o totalmente intato, como esse mesmo corpo após a ressurreição entrou no cenáculo sem abrir portas nem paredes (cf. Jo 20,19s; comparação usual entre os antigos Padres).

 

Os fundamentos bíblicos da fé do cristão na maternidade virginal de Maria se encontram explanados em «P. R.» 8/1958 qu. 7.

A título de ilustração, acrescentamos que a crença na virgindade perpétua de Maria entrou até no Corã de Maomé (cf. Sura 19). Para o islamismo, Maria é simplesmente «aquela que conservou sua virgindade». Os primeiros protestantes admitiram tal prerrogativa da Mãe de Deus; somente nos séc. XVIII/XIX é que o racionalismo, alheio ao sobrenatural e ao milagre, se insurgiu contra o dogma, procurando em vão equipará-lo a crenças pagãs.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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