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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 547 – janeiro 2008

Calendário litúrgico:

 

A CONTROVÉRSIA QUARTODECIMANA

 

Em síntese: Chama-se "controvérsia quartodecimana" o litígio ocorrido no século II entre a sé de Roma e os cristãos da Ásia menor por causa da data da celebração da Páscoa: os orientais queriam manter a noite de 14 de Nisã (noite de lua cheia), ao passo que os ocidentais e outras comunidades do Oriente esperavam até o domingo seguinte para realizar a Páscoa. Após sérios litígios prevaleceu a sentença de Roma.

 

Com a temática do nosso artigo anterior (Data do Carnaval) associa-se a dita "Controvérsia quartodecimana". Vejamos em que constituiu.

 

1. Os termos da controvérsia

 

No século II havia duas datas para a celebração da Páscoa:

 

1)  os cristãos da Ásia menor (atual Turquia) seguiam estritamente o calendário bíblico (Ex 12, 1-10), celebrando a festa na noite da primeira lua cheia da primavera no hemisfério Norte; na tarde de 14 de Nisã começavam os preparativos da ceia de Páscoa. O dia 15 de Nisã (mês lunar correspondente a março) era o dia festivo, independentemente do dia da semana correspondente à lua cheia. Queriam assim acentuar a morte do Senhor, que terá sido imolado na Cruz ao mesmo tempo que se matava o cordeirinho para a ceia da noite de 14 para 15 de Nisã. Esta praxe correspondia ao que insinua o Evangelho de São João: Jesus foi o verdadeiro cordeiro pascal, imolado na hora em que os cordeiros prefigurativos eram imolados no templo de Jerusalém. Cf. Jo 18, 28; 19, 14.

 

2)  Em Roma e em várias outras regiões (também orientais) os cristãos preferiam celebrar a Páscoa não no dia da morte de Jesus, mas no da sua ressurreição; daí esperarem o domingo para então festejar Páscoa. Esta viria sempre alguns dias após a lua cheia.

 

A diferença de datas suscitou a controvérsia em torno da questão: que é mais importante - a morte ou a ressurreição do Senhor? Os orientais podiam valer-se não só do Evangelho de João, mas também da praxe possivelmente inaugurada pelo próprio Apóstolo, que vivia em Éfeso (Ásia menor). Os ocidentais apelavam para a antiguidade da prática romana, que provavelmente tivera origem com o Papa Sixto I (115-125).

 

A fim de conciliar os ânimos, São Policarpo, Bispo de Esmirna, esteve em Roma, mas sem resultado. No fim do século II o Papa Vítor (189-199) quis pôr termo ao litígio, pedindo que em toda parte na Igreja se reunissem concílios regionais para estudar o assunto.

 

As respostas dessas assembleias eram quase todas favoráveis à praxe de Roma; assim se manifestaram as províncias da Palestina, do Ponto, de Edessa. A Ásia Menor, porém, insistia sobre o seu costume litúrgico, tendo como porta-voz o Bispo Policrate de Éfeso.

 

O Papa Vítor estava disposto a excomungar as comunidades da Ásia menor, quando Sto. Ireneu, Bispo de Lião (França), interveio escrevendo uma carta ao Papa Vítor, pedindo indulgência em favor dos asiatas, o Papa cancelou seu propósito de excomunhão e finalmente os fiéis da Ásia menor se adaptaram à praxe de Roma.

 

2. Conclusão

 

Mediante a atitude firme do Papa Vitor, a Igreja inteira observa o Tríduo Sacro, que vai de quinta-feira santa à tarde até a manhã do domingo. Põe assim em relevo o valor da ressurreição de Cristo como a Nova Criatura, vitoriosa sobre a morte. Todo domingo do ano litúrgico vem a ser uma pequena Páscoa, comemorando a obra da Redenção, que se vai estendendo através dos séculos.

 

Os orientais distinguem - com razão - dois aspectos de Páscoa: Pascha staurósimon (páscoa na Cruz) e Pascha anastásimon (Páscoa na ressurreição). Na verdade, a morte de Cristo na Cruz equivale à morte da morte; todos os seres humanos participarão da vitória de Cristo ressuscitando no final dos tempos. - Daí falar-se de Páscoa já na sexta-feira santa. Daí também se deriva a praxe antiga de celebrar Páscoa no aniversário da morte de Jesus, como faziam os cristãos da Ásia menor.

 

A controvérsia quartodecimana vem a ser um dos primeiros episódios que atestam o primado do bispo de Roma.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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