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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 547 – janeiro 2008

"O Verbo se fez carne":

 

"JESUS E MARIA MADALENA"

por Jean-Yves Leloup

 

Em síntese: O autor não ousa afirmar que Jesus era casado, mas insinua-o - o que não condiz com o pensamento católico.

 

Jean-Yves Leloup é sacerdote ortodoxo (não católico), que tem estudado a Escritura Sagrada e os apócrifos para dirimir a dúvida: era Jesus casado? Acaba de sair do prelo em português a tradução de uma de suas últimas obras com o título "Jesus e Maria Madalena. Para os puros, tudo é puro" (Ed. Vozes, Petrópolis, 2007).

 

Desse livro passamos a comentar os tópicos mais significativos.

 

1. Pontos salientes

À p. 129 escreve Leloup:

 

"Qual o interesse de saber se leshua era casado ou não no sentido que entendemos? A questão é a de saber se leshua era realmente humano, de uma humanidade sexuada, normal, capaz de intimidade e de manifestar preferências".

 

Esse texto parece supor que o ser humano só é plenamente humano se contrai matrimônio e gera filhos. - Em réplica observamos que o homem considerado como mero organismo ou como máquina biológica, de fato se realiza plenamente exercendo a sua genitalidade em consórcio com uma mulher. Eis, porém, que no homem há muito mais do que fisiologia; há uma alma espiritual, que está aberta para valores transcendentais, ou para o Absoluto e Infinito. Tudo o que as criaturas, mesmo as mais puras, possam oferecer de bom e belo é insuficiente para satisfazer às aspirações inatas da pessoa humana; o homem é pequeno demais para bastar a si mesmo. Em consequência, pode haver casos em que essa abertura ao infinito suscita o desprendimento de tudo que possa entravar a dedicação do homem à procura do Absoluto, que o leva a renunciar a bens materiais para mais intensamente usufruir os valores espirituais. Diz o Concílio Vaticano II:

 

"Na verdade, o homem não se engana quando se reconhece superioras coisas materiais e não se considera apenas uma partícula da natureza ou um elemento anônimo da cidade humana. Com efeito, por sua interioridade, ele transcende o universo inteiro. Penetrando nesta intimidade profunda, quando se volta para o seu coração, onde o espera Deus, que perscruta os corações, é onde ele, sob o olhar de Deus, decide seu próprio destino" (Gaudium et Spes no 15).

 

Por isto, os Evangelhos canônicos e a tradição de vinte séculos não apontam esposa para Jesus. Este veio a ser o protótipo do homem novo, que sublima os mais legítimos impulsos carnais ao plano de peregrino do Absoluto; o celibatário imita Jesus neste aspecto. Portanto, a abstinência da genitalidade não diminui o ser humano, mas, ao contrário, permite-lhe cultivar mais intensamente as suas mais genuínas aspirações.

 

Estas ponderações não contradizem ao valor do Matrimônio, que é santificado por um sacramento. Por ele se realiza plenamente a criatura que Deus chama ao casamento.

 

Merece ser realçado o caráter de novidade da Boa Nova assim apregoada por Jesus. Leloup cita a tradição judaica segundo a qual um homem solteiro, por ser considerado incompleto e desobediente ao mandamento de Deus, não podia ser sacerdote nem entrar nos lugares santos do Templo (p. 128s); a vida una ou indivisa tornou-se um traço marcante do Cristianismo desde o tempo dos Apóstolos; cf. 1Cor 7, 25-35.

 

Outro tópico do livro de Leloup merece atenção.

 

2. Quem foi Maria Madalena?

 

O autor cita doze aspectos de Maria Madalena, alguns dos quais são colhidos na literatura apócrifa. - Duas observações sejam feitas a respeito:

 

a) Leloup identifica entre si três mulheres que a moderna exegese distingue: a pecadora anônima de Lc 7, 36-40; a mulher da qual foram expulsos sete demônios e Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro. Ora, Lucas guarda o anonimato em relação à mulher que banha com suas lágrimas os pés de Jesus, arrependida de sua vida devassa; não a identifiquemos, portanto, com Maria de Betânia; esta é uma santa mulher, que não deve ser identificada com aquela pecadora que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas. Quanto a Madalena, não há por que a identificar com a pecadora anônima (ver Lc 8, 1 -3).

 

b) Não se coloquem no mesmo plano os Evangelhos canônicos e os apócrifos gnósticos de Nag-Hammadi. Os Evangelhos gnósticos ditos "de Maria, de Filipe..." são posteriores aos canônicos (Mt, Mc, Lc e Jo) e derivam-se de uma visão filosófica dualista, que não é cristã nem bíblica. É nos evangelhos gnósticos que aparece Maria como a predileta de Jesus, que o beijava na boca. Maria Madalena aí é apresentada como a confidente a quem Jesus terá revelado doutrinas secretas, que ela terá transmitido aos Apóstolos. Ver PR 482/2003, p. 302; 489/2003, pp. 106ss; 494/2003, pp. 338ss.

 

3. A posição final do autor

 

Em todo o decorrer do seu livro, Leloup se empenha por mostrar que a sexualidade e a genitalidade são partes integrantes do ser humano, de modo que o exercício do sexo é condição para que alguém seja plenamente humano. Desta premissa decorre que Jesus, homem verdadeiro, deveria ter tido vida sexual com Madalena. Para corroborar esta conclusão, cita um ditado dos antigos escritores da Igreja. "O que não foi assumido pelo Verbo na Encarnação não foi redimido". Portanto a genitalidade ou o exercício do sexo deverá ter sido assumido e santificado por Jesus.

 

Todavia em suas páginas finais, Leloup não chega a dizer que Jesus foi casado; deixa a questão aberta, como se depreende do Credo que ele compõe:

"Professo

A plena encarnação de meu Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, sem confusão nem separação: o Verbo fez-se carne. Ele permanece entre nós.

Ele fez-se verdadeiramente homem e homem inteiro (totus): espírito, alma e corpo ([1]).

Professo

Que seu corpo era íntegro e perfeito, que sua sexualidade era saudável, santa e sem pecado.

Renuncio

Às falsas crenças dos anticristos (cf. Jo), que negam a vinda de Cristo na carne, uma carne semelhante à nossa para que esta seja curada, salva e divinizada...

Apesar das tradições veneráveis, do contexto histórico, nada me permite afirmar que Jesus tenha exercido a plenitude da sua sexualidade (evidentemente esta pode ser reduzida à genitalidade) com Maria Madalena ou com qualquer outra mulher.

No respeito pela mais estrita ortodoxia e pelo dogma da Encarnação, nada me permite igualmente negá-lo.

Tendo sido criada por Deus e tendo sido associada à própria transmissão da vida, a sexualidade não é algo de mau; e, além disso, o eventual uso dessa dimensão humana, sem pecado (ou seja, sem cobiça, nem objetivação, redução ou consumo do outro), dá testemunho da sua redenção e de sua possível divinização (participação do Ágape Criador)" (pp. 137s).

 

Como se vê, a posição do autor é indefinida: não afirma o que a sua argumentação anterior enunciara: Jesus teve relações sexuais.

 

A Igreja Católica não aceita hesitação sobre tal ponto. Jesus veio trazer algo de inédito, que é concretizado e simbolizado por sua vida una e indivisa. Ele é o protótipo do homem peregrino do Absoluto.

 



[1] Notamos que a alma humana espiritual não se distingue do espírito. O ser humano é composto de corpo e alma espiritual (N.d.R.).


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