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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 346 – março 1991

Um caso desconhecido:

 

São Basílio (+379) e a Defesa da Vida

 

Em síntese: A Igreja sempre foi contrária ao aborto, apesar de estarem voga na antiguidade a teoria de Aristóteles segundo a qual a vida humana masculina só começa quarenta dias após a concepção e a feminina somente oitenta dias. .. Entre os testemunhos mais significativos dessa antiga posição da Igreja, conta-se o de São Basílio Magno, Bispo de Cesaréia (Capadócia, Turquia hodierna), que desencadeou intensa campanha contra o infanticídio e o comércio de crianças abortadas, logrando sucesso notável em seu tempo.

 

Há quem diga que a Igreja favoreceu o aborto durante séculos, baseando-se na teoria aristotélica segundo a qual a vida humana masculina só começa quarenta dias após a concepção e a vida feminina só oitenta dias após. . . É certo que os cristãos compartilharam essa teoria — hoje ultrapassada —, pois não tinham os necessários conhecimentos de Genética. — Todavia também é certo que, mesmo professando o aristotelismo no caso, a Igreja sempre condenava o aborto como sendo a extinção de um processo vital de tipo humano. A propósito já foi publicado um longo artigo com a adequada documentação em PR 324/1989, pp. 231-239.

 

Neste fascículo acrescentaremos ao material já proposto mais um dado, ou seja, a enérgica ação de S. Basílio Magno (f379), Bispo de Cesaréia da Capadócia (Turquia de hoje), contra o aborto e o infanticídio.

 

1. São Basílio: traços biográficos

 

Basílio nasceu em 329 na Capadócia, de família muito ilustre. Seu pai era um retórico estimado e sua mãe uma mulher de fé. Entre os seus irmãos, contam-se três santos: Gregório de Nissa (Bispo), Pedro de Sebaste e Macrina.

Estudou em Cesaréia, Constantinopla e Atenas, formando-se em letras. Ensinava Retórica em Cesaréia, cedendo ao fascínio da celebridade e de uma carreira mundana, quando foi chamado pelo Senhor para receber o Batismo e levar autêntica vida cristã.

 

Fez-se monge às margens do rio Oronte e pôs-se a escrever as Regras Monásticas, que tiveram grande influência sobre o monaquismo posterior. Em 362, porém, tendo ido a Cesaréia para assistir aos últimos momentos do Bispo Diânios, que o batizara, Basílio foi ordenado presbítero pelo sucessor de Diânios. Passou a viver em Cesaréia, ajudando o próximo e defendendo a reta fé contra os arianos.

 

Em 370, morto o Bispo Eusébio de Cesaréia, Basílio foi feito Bispo apesar de sua saúde muito franzina; era de inteligência brilhante e profunda vida espiritual.

 

Em seu regime episcopal, Basílio teve que enfrentar não somente problemas teológicos suscitados pelos hereges, mas também a displicência das autoridades públicas: o povo vivia miseravelmente, ainda não plenamente evangelizado; em um de seus escritos, Basílio narra o drama de um pai obrigado a vender um de seus filhos como escravo para remediar à indigência da família. São suas palavras textuais: "As exigências chegam ao cúmulo da desumanidade. Exploras o desespero, fazes dinheiro com lágrimas, estrangulas quem está nu, esmagas o faminto".

 

Basílio deu o exemplo distribuindo seus bens entre os pobres e dedicando-se à construção de uma cidade para os desamparados chamada Basilíada: havia ali um hospital, com uma ala reservada às doenças contagiosas, um asilo para idosos, alojamento para operários com distribuição de sopa aos indigentes.

 

Foi nesse quadro de atividades que o Bispo se deparou com o grave problema do infanticídio.

 

2. A defesa das crianças

 

Basílio descobriu uma quadrilha de malfeitores que ganhavam dinheiro às custas do aborto. Com efeito; forneciam ervas, chás, pessários e até meios cirúrgicos a mulheres que queriam interromper a gravidez. Após o aborto assim praticado, levavam as criancinhas e as vendiam a fabricantes egípcios de cosméticos, que utilizavam a gordura humana para a fabricação de vários cremes de beleza.

 

Basílio, ao tomar conhecimento do fato, dirigiu-se às autoridades civis para pedir coibição; foi, porém, surpreendido pela resposta de que tal comércio era legal e sempre existira.

 

Sem demora então começou ele mesmo a tomar providências: pregou uma série de sermões sobre a sacralidade da vida humana; mobilizou os cristãos de sua região para levarem socorro às famílias e às mulheres que sofriam a crise da gravidez. Empenhou-se, persuadindo amigos e povo, por conseguir a mudança das leis homicidas. Empreendeu um programa de educação em toda a região para mostrar à população a gravidade do infanticídio; publicamente protestou contra os comerciantes egípcios, que se valiam do sofrimento das famílias locais para matar crianças e ganhar dinheiro. São palavras do Santo:

 

"A mulher que deliberadamente destrói uma vida, deve ser punida como assassina. Mais: aqueles que a ajudam e lhe fornecem substâncias abortivas para exterminar crianças no seio materno, são também assassinos, e devem receber a punição correspondente".

 

Todavia a campanha de Basílio encontrou forte resistência. Isto se entende pelo fato de que o costume de abortar estava profundamente arraigado na tradição dos cidadãos do Império Romano. Com efeito; um pater familias (pai de família) tinha o direito de decidir se uma criancinha recém-nascida em seu lar teria a chance de sobreviver ou não. Quando o pai, com seus familiares, resolvia não patrocinar a criança, abandonava-a aos estranhos: a maioria das cidades romanas tinha, fora de seu perímetro, lugares especiais e muros onde os recém-nascidos indesejados eram expostos para morrer ou para ser recolhidos por quem os quisesse adotar.

 

Basílio se surpreendeu profundamente quando lhe disseram que essa prática era perfeitamente legal. Por isto pôs-se a lutar para que tal direito do pai de família fosse ab-rogado e se destruíssem os depósitos públicos de crianças abandonadas.

 

A campanha do Bispo Basílio chegou aos ouvidos do Imperador Valentiniano. . . Este, finalmente, em 374 deu o primeiro passo para modificar a tradição, decretando:

 

"Todos os genitores estão obrigados a responsabilizar-se pelas crianças que eles concebem. Aqueles que violentam ou abandonam seus filhos, devem sofrer as penalidades prescritas pela lei".

 

Assim pela primeira vez na história do Império Romano o aborto, o infanticídio, a exposição e o abandono de crianças foram considerados ilegítimos. A quadrilha de comerciantes que vendiam aos egípcios, foi rechaçada oficialmente e os lugares de exposição de crianças abandonadas foram destruídos.

 

São Basílio morreu quatro anos após obter tão alvissareiros resultados. Faleceu prematuramente com a idade de cinquenta anos, esgotado pelas tribulações e as austeridades de sua existência. Seus funerais foram um triunfo. O povo avaliava a perda que a sua morte representava.

 

Merece relevo outrossim a firmeza de Basílio na defesa da fé contra a heresia de Ário, que negava a Divindade do Filho de Deus ou da Segunda Pessoa da SS. Trindade. Os Imperadores Romanos favoreciam os hereges e maltratavam os Bispos ortodoxos. Ora o Imperador Valente, ariano, delegou o prefeito Modesto para ameaçar Basílio, caso persistisse em defender a doutrina da Igreja. Modesto não conseguiu dissuadir Basílio. Finalmente, não tendo mais argumentos, disse o prefeito:

 

"Até hoje ninguém ousou falar-me com tal liberdade".

Ao que respondeu Basílio: "Sem dúvida, nunca encontraste um Bispo!"

 

Pois bem. Os cristãos de hoje são herdeiros dos Santos, aos quais não é lícito trair tão nobre linhagem, em que Basílio figura como modelo de rara grandeza!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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