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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 508 – outubro 2004

Pedra de tropeço:

 

"NOS PASSOS DE MARIA"

por Sérgio Paim

 

Em síntese: O autor é protestante; embora se proponha respeitar Maria SSma., destrói a devoção a Nossa Senhora, usando linguagem agressiva à Igreja e à piedade católica. A obra é baseada em erros e preconceitos, que a invalidam aos olhos da crítica serena.

 

Está sendo propagado o livro "Nos Passos de Maria" da autoria de Sérgio Paim, que, sob a aparência de respeitar Maria, destrói a piedade mariana com dialética sutil, inspirada por erros e preconceitos. O livro, capcioso como é, sugere comentários.

 

Começaremos por apontar dois erros flagrantes, que demonstram a superficialidade com que o autor aborda a temática.

 

1. Duas afirmações errôneas

Consideraremos as acusações de cultivar a idolatria e de violar a eternidade de Deus.

 

1.1. Idolatria

 

Eis como Sérgio Paim expõe o sentido da devoção mariana, levando em conta o Edito de Milão (313), pelo qual Constantino deu a paz aos cristãos:

 

"A criação de uma religião imperializada por Roma (daí o nome Católica Romana) marcou o início de uma igreja dirigida politicamente. Era de se suspeitar que as religiões pagãs greco-romanas, que cultuavam deusas como Isis, Diana, Ártemis, Afrodite e outras, viessem a transferir, de forma conveniente, seus cultos a Maria e foi exatamente o que aconteceu. Foi de fato uma forma diabolicamente inteligente de contaminar o cristianismo e, ainda, se manter idólatra.

 

À medida em que o tempo passou, a Igreja, agora romana, foi mergulhando de modo desenfreado na mariolatria, até o ponto de não poder mais voltar atrás. O fato de não haver fundamentação bíblica para sustento desta teologia deixou de ser relevante, transformando-se em apenas um detalhe, que propositadamente foi engolido, em nome da conveniência.

 

A atual pergunta: 'Qual o propósito da mariolatria?' pode hoje ser respondida de forma direta, não deixando por isso de ser chocante. Qualquer observador atencioso perceberá que, na atualidade, Maria se tornou para Roma uma questão de sobrevivência. A chamada 'Igreja apostólica' certamente possui na promoção de sua 'deusa' um propósito duplo: Manter as arrecadações e formar um perfil feminino" (pp. 70s).

 

Que dizer?

- Observemos:

 

Não é de estranhar que a Bíblia pouco fale de Maria SSma,; ela não foi escrita como Suma Teológica, mas como resposta a necessidades das primeiras comunidades cristãs, portanto tendo em vista circunstâncias bem definidas. Maria aparece aí tão somente como Mãe do personagem principal, que é Jesus Cristo.

 

Apesar disto, a reverência e a piedade para com Maria brotam da própria Bíblia e não de Interesses espúrios, com efeito, já no século II São Justino apresentava o confronto entre Eva e Maria, qualificando Maria como nova Eva (mãe dos vivos), ou seja, aquela que obedeceu ao invés da primeira Eva desobediente.

 

Com efeito, S. Justino designa Maria como "a Virgem" quatorze vezes. E estabelece um paralelismo entre Eva, aquela que deu crédito ao anjo mau, e Maria, que acreditou no anjo Gabriel, resgatando o papel de Eva:

 

"Fez-se homem por meio da Virgem, a fim de que o caminho que deu origem à desobediência instigada pela serpente, fosse também o caminho que destruiu a desobediência. Eva era virgem e incorrupta; concebendo a palavra da serpente, gerou a desobediência e a morte. A Virgem Maria, porém, concebeu fé e alegria quando o anjo Gabriel lhe anunciou a boa nova de que o Espírito do Senhor viria sobre ela, a Força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, de modo que o Santo que dela nasceria, seria o Filho de Deus. Então respondeu ela:'Faça-se em mim, segundo a tua palavra'. Da Virgem, portanto, nasceu Jesus, de quem falam tantas Escrituras... aquele por quem Deus destrói a serpente" (Diálogo 100, 4-5).

 

Justino faz questão de distinguir dos mitos pagãos o parto virginal de Maria. Com efeito, Trifão lhe diz que, segundo os gregos, Perseu nasceu de Danae virgem, "pois desceu sobre esta, sob forma de chuva de ouro, aquele que é chamado Júpiter"; Justino rejeita qualquer afinidade deste mito com o nascimento virginal de Jesus (cf. Diálogo com Trifão 67,1-2).

 

Poucos decênios depois, S. Ireneu retomava a mesma concepção. Com efeito; desenvolveu o conceito paulino de recapitulação, admitindo Cristo como segundo Adão, que repara o erro do primeiro Adão: o caminho da salvação é o caminho da perdição percorrido com o amor que faltou ao primeiro Adão; Jesus foi obediente até a morte por amor, pois o primeiro Adão foi desobediente até a morte por des-amor. Junto ao segundo Adão, Ireneu vê a segunda Eva resgatando a figura da primeira Eva, como, aliás, já se lê nas obras de S. Justino:

 

"Da mesma forma que aquela (Eva) foi seduzida para desobedecer a Deus, esta (Maria) se deixou persuadir a obedecer a Deus para ser ela, a Virgem Maria, a advogada de Eva. Assim o gênero humano, submetido à morte por uma virgem (1), foi dela libertado por uma Virgem, tornando-se contrabalançada a desobediência de uma virgem pela obediência de outra" (Contra as Heresias V 19).

 

(1) Virgem, porque só depois do pecado é que o texto sagrado narra que ela teve relações com Adão. Como se vê, S. Ireneu se ateve estritamente à letra do texto bíblico. (N. d. R.)

 

Sérgio Paim ignora estes textos, para dar lugar a preconceitos caricaturais. Importa enfatizar que a exaltação de Maria tem origem na própria mensagem bíblica e não em fonte pagã.

 

1.2. Mãe de Deus

À p. 21 do livro em pauta lê-se:

 

"Foi apenas em 431, no Concílio de Éfeso, que o termo 'Mãe de Deus' foi usado pela primeira vez. Nesta ocasião, Maria foi solenemente proclamada com o título de 'Theotókos' (mãe de Deus). Deus não tem mãe; se tivesse, deixaria de ser Deus. Deus é eterno, nada e ninguém existiu antes dele. Maria é a mãe do Deus homem, e nada mais. Se admitimos Maria como mãe de Deus no sentido que desejam alguns cristãos, teremos que trazer a reboque toda a sua parentela".

 

A guisa de réplica, observemos que Maria é chamada "Mãe de Deus" pela primeira vez, de acordo com a documentação existente, no século III e não no século V (431). Até hoje os fiéis católicos rezam a oração encontrada num antigo arquivo do Egito: "A vós recorremos, santa Mãe de Deus...". O Concílio de Éfeso em 431 promulgou tal título para definir o mistério da Encarnação mal formulado por Nestório: afirmou haver em Jesus uma só Pessoa (divina) e não duas pessoas (uma divina e outra humana); por isto Maria deve ser dita "Mãe de Deus", visto que toda mãe é mãe de uma pessoa e não de um pedaço de carne. Disto tudo se depreende que o honroso título Theotókos foi atribuído a Maria em função de Cristo ou para definir a identidade de Cristo.

 

A propósito do título "Mãe de Deus" ver ainda PR 282/1985. pp. 444ss. 32,0/1989. pp 3ss; 487/2003. pp. 15ss.

O livro de Sérgio Paim está cheio de alegações falsas tomadas como base para acusar a Igreja. Sejam apontadas algumas das mais significativas.

 

2. Falsas alegações

Distinguiremos quatro espécimes.

 

2.1. O começo do dia

À p. 68 lê-se o seguinte:

 

"As distorções dos princípios bíblicos doutrinários certamente mergulham as nações que as praticam em trevas. Isso também é ilustrado pela mudança imposta por Roma em seu calendário. A visão de Deus sempre foi de que o dia do ser humano começasse com luz. Por isso, de acordo com a palavra de Deus, o dia inicia-se às 6h da manhã com o nascimento do sol. Este princípio é respeitado até hoje em Israel; porém, os países católicos estabeleceram que o dia do ser humano começaria com as trevas, passando a contar a partir da meia-noite' (p. 68).

Comentando...

 

"O dia do ser humano começa às 6h da manhã com o nascimento do sol"... O autor parece esquecer que o sol nasce às 6h apenas em alguma estação do ano e somente em certa faixa da esfera terrestre. Não é lícito generalizar. Ademais a sociedade civil conta os dias a partir da meia-noite.

 

Ao contrário do que escreve S. Paim, os israelitas contavam, e até hoje contam, os dias de pôr do sol a pôr do sol. No moderno Estado de Israel o sábado começa na sexta-feira à tarde. No primeiro relato da criação é sempre dito: "Houve tarde e manhã; tal foi o ... dia" (Gn 1, 5.8.13...), o que bem exprime a consciência de que o dia começa à tarde, no calendário bíblico.

 

2.2. A hora do encontro com Deus

A incompetência do autor se manifesta também na seguinte passagem:

 

"Parece óbvio que o catolicismo romano tenta, mesmo que discretamente, usurpar o lugar de Deus, infiltrando Maria em seu lugar. Um exemplo bem interessante disso é a oração das 18h, dirigida a Maria nos países católicos. Segundo a Bíblia, Deus tinha comunhão com o homem na viração do dia (Gn 3:8), ou seja, às 18h. Em função disso, me parece razoável acreditar que o horário estabelecido por Roma para um encontro entre o homem e a atual 'Rainha do céu' não foi escolhido ao acaso, o que mostra claramente que se pretende deslocar o que pertence a Deus, entregando a Maria"(p.68).

 

É surpreendente a imaginação de quem assim escreve. No salmo 119,164 o orante diz louvar a Deus não somente à tarde, mas sete vezes por dia. Na verdade os católicos rezam o Angelus às 18h porque o rezam de seis em seis horas: às 6h, às 12h e às 18h.

 

2.3. Irmãos de Jesus

À p. 27 lê-se:

 

"A palavra grega traduzida como irmãos em Mc 6:3 foi 'adelphós', que significa literalmente 'nascido do mesmo útero', o que destrói qualquer argumentação contra o fato de que Maria gerou outros filhos".

 

Observamos que a argumentação não procede pelo seguinte motivo: os evangelistas referem em grego uma catequese apregoada primeiramente em aramaico; consequentemente a palavra grega adelphós tem o sabor do vocábulo aramaico ah que significa parente, familiar; trata-se de um conceito pensado em aramaico e proferido em grego. Ao contrário, em Cl 4, 10 Paulo pensa em grego e escreve em grego ao referir-se a Marcos, primo de Barnabé.

 

2.4. A epístola aos Hebreus

Na mesma p. 27 S. Paim escreve:

 

"O único livro do Novo testamento que foi escrito em hebraico foi a epístola aos hebreus. Portanto, os quatro evangelhos foram escritos em grego".

 

Note-se que no tempo de São Paulo o hebraico deixara de ser a língua habitualmente falada pelos judeus, pois fora substituída pelo aramaico. Em consequência a epístola aos Hebreus não foi escrita em hebraico... nem mesmo em aramaico, mas em grego, pois utiliza um linguajar grego de bom nível literário que não parece resultar de uma tradução. O Evangelho de São Mateus é que foi originariamente redigido em aramaico.

 

3. Conclusão

 

Poder-se-iam apontar várias outras brechas nos arrazoados de Sérgio Paim; as que foram até aqui expostas evidenciam a índole passional e preconceituosa do autor. Pode "lançar areia nos olhos" dos incautos, mas não resiste a uma crítica serena. Agredindo como agride, o autor prejudica a si mesmo, pois o tiro sai pela culatra, manifestando o despreparo de quem escreve. De modo especial o magistério da Igreja é impugnado em favor do livre exame da Bíblia - posição esta da qual resultam o subjetivismo fantasioso e o esfacelamento da mensagem de Cristo. Não é assim que se propaga o Evangelho!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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