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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 508 – outubro 2004

 

A um amigo perplexo:

 

ONDE ESTÁ A VERDADE?

 

Em síntese: A verdade religiosa só pode ser encontrada no monoteísmo, que, cultivado pelo judaísmo, chega a sua plenitude em Jesus Cristo, o Messias prometido a Abraão; o islamismo é uma forma de monoteísmo, em parte derivada das anteriores, mas avessa à lei natural, permitindo a poligamia e favorecendo a "guerra santa". As aparentes contradições da Bíblia se resolvem desde que se leve em conta o expressionismo dos antigos semitas.

 

A Redação de "Pergunte e Responderemos" recebeu a seguinte mensagem, que revela a perplexidade do missivista:

 

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (S. João, 8:32).

 

É este o lema de todas as religiões. Cada uma é dona da verdade. No entanto, elas se contradizem.

Destarte, permanece no ar a dúvida e a pergunta: 'Que é a verdade?'(S. João, 18:38).

 

O que me fez sentir-me mais distante da verdade, não foram as opiniões contrárias das religiões, mas as existentes na própria Bíblia, que, segundo todas as religiões, contém palavras divinamente inspiradas.

'É a Bíblia um livro coerente, sem qualquer contradição'. É a afirmação que sempre se ouve dos pregadores religiosos. Recebi a idéia e assim pensei; porém, ao estudar atentamente, não consegui manter a mesma linha de pensamento. Contradições saltavam aos meus olhos, e, quando pedia explicações aos mestres religiosos, suas explanações me soavam destoantes, não me convencendo da pretensa harmonia".

 

Caro amigo leitor, vamos apresentar-lhe a resposta em três etapas: 1) Onde está a verdade religiosa, 2) O Cristianismo: Credenciais e 3) As aparentes contradições da Bíblia.

 

1. Onde está a verdade religiosa?

 

Há multidão de religiões; todavia elas se agrupam sob três principais títulos: politeísmo, panteísmo e monoteísmo. Consideremos cada bloco de per si.

 

1.1. Politeísmo

Admite vários deuses ou deusas com sua mitologia fantasiosa. Tal posição fere a lógica, que ensina só poder haver um Deus, ser infinitamente perfeito. O politeísmo é uma modalidade rudimentar de religião.

 

1.2. Panteísmo

O panteísmo professa que tudo (pan) é Deus (Theós, em grego). Também peca contra a lógica, pois admite que a divindade possa evoluir. Ora, toda evolução é sinal de imperfeição, pois é mudança, ou para melhor ou para pior. Além do quê é preciso observar que não se podem atribuir ao mesmo sujeito finitude e infinitude, eternidade e temporalidade, necessidade e contingência.

 

1.3. Monoteísmo

Admite um só Deus, como é lógico, distinto do mundo e do homem, que são criaturas dele.

 

Em meio ao mundo pagão do século XIX a.C, surge o monoteísmo com o patriarca Abraão, talvez restaurando o monoteísmo primitivo da humanidade; cf. PR 255/1981, pp. 98ss.

 

São três as religiões monoteístas da humanidade: o judaísmo, o Cristianismo e o islamismo. O judaísmo é essencialmente a expectativa de um Messias. Este veio no Cristianismo, que é o auge da religião judaica. Quanto à religião islâmica, é a fusão da antiga religião árabe com elementos do judaísmo e do Cristianismo; ofende a lei natural, que é a lei de Deus, permitindo a poligamia e a "guerra santa". Donde se vê que o monoteísmo é por excelência representado pelo Cristianismo. Dentro deste existem várias denominações, mas só uma foi fundada por Jesus Cristo, com a promessa da sua assistência infalível até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20). Deste percurso se conclui que, objetivamente falando, existe uma só religião verdadeira; a católica. Afirmando isto, não se nega a possibilidade de salvação para as pessoas que de boa fé, candidamente professam outra crença religiosa; não serão julgadas por Deus conforme os parâmetros do Evangelho (que o Senhor não lhes terá revelado), mas segundo a fidelidade de sua consciência às normas por ela tidas como obrigatórias. Ver Constituição Lumen Gentium n° 16.

Aprofundemos a conclusão acima.

 

2. O Cristianismo: Credenciais

 

A fé não é um ato cego e irracional; ao contrário, ela tem que se basear em credenciais, que a razão, com seu espírito crítico, examina para averiguar a autenticidade ou não de uma determinada corrente religiosa. - Ora o Cristianismo tem as suas credenciais muito significativas, como passamos a considerar:

 

a) a ressurreição de Cristo, que, conforme São Paulo (1Cor 15, 14.17), é a pedra de quina da fé cristã. Na época dos Apóstolos, ninguém pôde provar que o anúncio da ressurreição era falso, embora os judeus muito o desejassem; conforme Mt 28,11-15, as autoridades judaicas ofereceram dinheiro aos guardas do sepulcro para que estes dissessem ter sido roubado o cadáver de Jesus enquanto dormiam; queriam assim valer-se do testemunho de guardas adormecidos! Os Apóstolos apregoavam a ressurreição de Jesus sem que pudessem ser tidos como mentirosos, a tal ponto que Gamaliel disse ao Sinédrio (Conselho) dos judeus:

 

"Agora, digo-vos, deixai de ocupar-vos com esses homens. Soltai-os, pois, se o seu intento ou a sua obra provém dos homens, destruir-se-á por si mesma; se vem de Deus, porém, não podereis destruí-los. E não aconteça que vos encontreis movendo guerra a Deus" (At 5, 38s).

 

Ora nenhum fundador de religião ressuscitou, como, de fato, Jesus ressuscitou. A ressurreição de Cristo é o sinete que Deus colocou sobre a sua pregação para confirmá-la e autenticá-la. Conscientes do significado de tal sinete, muitos cristãos morreram mártires em vinte séculos de Cristianismo; ora ninguém morre por fidelidade a uma mentira ou por uma alucinação, já que cedo ou tarde esta é desmascarada.

 

b) A mensagem cristã é altamente valiosa; corresponde aos anseios mais espontâneos do ser humano a ponto que o apologeta Tertuliano (+220 aproximadamente) podia dizer: "Ó alma humana naturalmente cristã!". Daí a rápida propagação do Evangelho no Império Romano perseguidor; o sangue dos mártires era semente de novos cristãos (Tertuliano).

 

Aliás, a mensagem cristã aparece como algo que a razão humana não ousaria "inventar" por si mesma; com efeito, a filosofia grega conheceu a Divindade, mas uma Divindade que não responde aos anseios do homem, porque o homem em sua finitude não lhe interessa (Platão) ou nem sequer conhece os anseios do homem por ser perfeita (Aristóteles).

 

Ao contrário, em São João se lê não somente que Deus é amor (1 Jo 4, 16), mas é o Amor que primeiro amou o homem, amou gratuitamente o homem rebelde e pecador:

 

1 Jo 4, 19: "Ele nos amou primeiro".

Rm 5, 6-8: "Foi quando ainda éramos fracos que Cristo, no tempo marcado, morreu pelos ímpios. Dificilmente alguém dá a vida por um justo; por um homem de bem talvez haja alguém que se disponha a morrer. Mas Deus demonstrou seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores".

 

Realmente os filósofos jamais conceberam tal conceito de Deus; a tendência do espírito humano é imaginar Deus como um grande banqueiro, ao qual o homem dá para poder receber.

 

Ora não se encontram credenciais tão eloquentes em algum Credo não cristão; na verdade, o budismo é panteísta (Deus, o mundo e o homem seriam uma única realidade) e o islã fere a lei natural, que é a lei de Deus, admitindo a poligamia. Quanto ao judaísmo, é a expectativa do Messias, que comprovadamente já veio.

 

Deus permite que haja tantas religiões, porque há um senso religioso inato em todo homem, ficando a cada qual a liberdade de o desenvolver subjetivamente, segundo lhe pareça melhor. Daí diversos Credos, que não podem ser equivalentes entre si, pois há uma só verdade e uma só Ética natural, ditada pela lei natural impressa em todo homem.

 

3. As aparentes contradições da Bíblia

 

Escreve o amigo perplexo:

 

3.1. Criação do mundo

Por que a Bíblia informa que todas as coisas vieram a existir há mais ou menos seis mil anos, sendo criadas em um período literal de sete dias (tardes e manhãs - Gênesis, 1: 1-31; 2: 1)?

 

Observamos que o relato de Gênesis 1,1-2;4a (hexaémeron) não pretende ser científico. O autor sagrado não podia saber como o mundo teve origem (coisa que a ciência moderna ainda pesquisa) a não ser por revelação milagrosa, que Deus não quis fazer. Analisando atentamente o texto, conclui-se que é um hino litúrgico a ser cantado em sábado para justificar o repouso sabático; Deus parece dar o exemplo: em seis dias (cada qual com tarde e manhã) Ele fabricou o mundo inteiro e repousou no sétimo dia ficticiamente. A Bíblia não permite calcular a idade do gênero humano, pois a longevidade atribuída aos Patriarcas em Gênesis 1-11 é simbólica. Compete às ciências humanas estudar tais questões, o interesse dos autores sagrados é religioso. A respeito ver ainda "Pergunte e Responderemos" 495/2003, p. 416.

 

3.2.Mentalidade do Clã

Eis o problema levantado:

Por que um Deus bom (Salmos, 34: 8), perfeito (Matheus, 5: 48) e justo (Salmos, 145: 17) "vinga a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração" (Deuteronômio, 5: 9)?

 

Em resposta: "Até a terceira e a quarta geração" é expressão inspirada pela mentalidade do clã. Esta não reconhecia diretamente o indivíduo e a sua responsabilidade pessoal, de modo que, quando alguém pecava, o pecado era atribuído a toda a tribo ou toda a família. A linguagem de Dt 5,9 adapta-se a este modo de pensar arcaico, que foi corrigido no decorrer dos tempos. Com efeito; no século VI a.C. os judeus foram deportados para a Babilônia em consequência das suas infidelidades à lei de Deus; no exílio, porém, recusavam-se a reconhecer suas falhas alegando: "Os pais comeram uvas verdes e nós é que temos os dentes embotados" (Jr 31, 29; Ez 18,1-10). Os profetas intervieram então afirmando que a responsabilidade é pessoal; ninguém paga pelas culpas de seus antepassados.

 

De resto, não imaginemos um Deus vingativo, que castiga os homens como policial. É o homem quem castiga a si mesmo violando os mandamentos da Lei de Deus. Este pode pôr o homem à prova com finalidade pedagógica, como um bom pai trata o filho a quem ele quer bem; cf. Hb 12, 5-13. Até mesmo os Santos foram provados para consolidar sua fé.

 

3.3. Geocentrismo

Eis o problema:

Por que Jeová, Deus criador de todas as coisas, não informou a Davi que o sol não "principia numa extremidade dos céus, e até a outra vai o seu percurso" (Salmos, 19: 4-6)?

 

Em resposta seja enfatizado que a Bíblia não é um livro de ciências naturais, mas sim um indicador de roteiro para a vida eterna. Por isto ela alude às realidades deste mundo utilizando as concepções "científicas" dos autores sagrados sem as corrigir, pois não impedem a transmissão da mensagem religiosa.

 

Com outras palavras ainda: a Bíblia é inspirada de ponta a ponta, mas nem sempre contém revelação. A inspiração consiste na iluminação da mente do autor sagrado para que, utilizando os recursos de sua cultura e linguagem, transmita uma mensagem religiosa fiel ao pensamento de Deus.

 

Não há dúvida, os antigos julgavam que a Bíblia, sendo inspirada, era uma enciclopédia de ciências naturais. A celeuma suscitada por Galileu contribuiu para dissipar este equívoco. Rios de tinta correram a propósito sem afetar o magistério infalível da Igreja, que só se exerce em matéria de fé e de Moral.

 

3.4. Estilo Apocalíptico

O amigo interroga:

Por que Cristo disse que as estrelas cairão do firmamento (Matheus, 24: 29)? Seria possível as estrelas do céu caírem "pela terra como a figueira, quando abalada por vento forte, lança seus figos verdes" (Apocalipse, 6: 13)?

 

Respondemos que a expressão citada é de estilo apocalíptico, que recorre a muitas imagens e símbolos. Seja recordado que cada idioma tem seus gêneros literários ou suas maneiras de expressar-se sobre determinado assunto: assim um é o estilo da poesia (figurada e reticente), outro é o estilo de uma lei (clara e concisa); de um modo alguém escreve a seus familiares, de outro modo escreve a uma autoridade, a um comerciante fornecedor... Assim também os idiomas bíblicos (o hebraico, o aramaico e o grego) têm seus gêneros literários; a fim de entender o texto sagrado é preciso, antes do mais, discernir o respectivo gênero literário para não tomar ao pé da letra uma parábola nem atribuir sentido metafórico a um relato histórico.

 

A expressão "as estrelas cairão do céu" significa o abalo da natureza por ocasião da vinda final do Senhor Jesus.

 

3.5. Revelação

Diz o mesmo autor:

Tanto orava para que Cristo me mostrasse, pelo menos em sonho, quem estava com a verdade, contudo nenhuma revelação recebia.

 

O Senhor não falta a ninguém, mas nem sempre se manifesta sensivelmente, ou de maneira extraordinária. Para perceber sua mensagem, temos de recorrer ao nosso raciocínio, dando atenção aos "sinais dos tempos", como também é oportuno consultar pessoas idôneas, que ajudem a discernir a mensagem de Deus. Ele não deixa ninguém perplexo, incapaz de se orientar e de aproveitar cada minuto do nosso tempo.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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