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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 510 – dezembro 2004

Esoterismo?

 

OS TEMPLÁRIOS: QUEM SÃO?

 

Em síntese: Quem fala de Templários, deve distinguir a Ordem medieval, extinta em 1311, e a Ordem Renovada do Templo, que pretende ser a continuadora daquela.

A Ordem medieval dos Templários foi fundada em 1118 por nove cavaleiros que se dispunham a proteger os peregrinos cristãos da Terra Santa no tempo do Reino latino de Jerusalém. A Ordem teve grandes benemerencias, mas, após a queda de Jerusalém no ano de 1291, perdeu a finalidade principal; passou então a prestar serviços de outro tipo, principalmente no campo financeiro, aos cristãos do Ocidente. O poderio da Ordem excitou a cobiça do rei Filipe IV o Belo da França, que obteve da Santa Sé a extinção da Ordem em 1311.

Dizem, porém, os modernos templários que a Ordem não deixou de existir, mas subsistiu secretamente até que em 1968 na catedral de Chartres foi publicamente restaurada com o nome de Ordem Renovada do Templo. Os templários contemporâneos já não são cristãos, mas esotéricos; guardam nomes cristãos, mas atribuem-lhes significado por vezes panteísta. Observam seus graus de iniciação, de modo que só aos poucos e a pessoas seletas revelam as suas doutrinas ocultas.

 

O romance policial "O Código Da Vinci", da autoria de Dan Brown, refere-se aos Templários à p. 270, nos seguintes termos:

 

"A REVELAÇÃO DOS TEMPLÁRIOS

Guardiães Secretos da Verdadeira Identidade de Jesus" ([1])

 

Estes dizeres geram confusão, que, a bem da verdade, se faz necessário dissipar. Com efeito; há duas principais Ordens de Templários: a medieval, extinta em 1311, e a Renovada Ordem, que impropriamente diz ser a continuação da anterior; esta, mesmo oficialmente extinta, terá continuado a existir secretamente ([2]). Daí abordarmos sucessivamente uma e outra.

 

1. Os Templários medievais

Diremos, antes do mais, uma palavra sobre as Ordens de Cavaleiros medievais em geral.

 

1.1. As Ordens de Cavaleiros na Idade Média

 

O ideal de libertar a Terra Santa do domínio árabe, que sufocava a fé cristã, suscitou na Igreja da Idade Média a fundação de Ordens Religiosas que adotavam, como finalidade principal, o exercício da milícia sagrada: visavam a guiar os peregrinos à Terra Santa, defendê-los contra piratas e acidentes de viagem, tratá-los em casos de enfermidade e, de maneira geral, promover os interesses do Reino de Cristo em meio aos muçulmanos e pagãos.

 

Como se compreende, as novas famílias Religiosas foram colocadas sob a dependência imediata da Santa Sé, única autoridade capaz de conceder licença aos Religiosos para entrar em combates armados sem incorrer em irregularidade canónica (o uso de armas fora, sim, repetidamente proibido aos monges por Concílios dos séculos anteriores). A autoridade eclesiástica costumava indicar às novas Ordens alguma das Regras Religiosas já existentes, como a de S. Bento, a de S. Agostinho, a dos Cistercienses, Regra que devia ser adaptada à finalidade própria das Ordens militares.

 

A direção suprema de cada Ordem tocava a um Grão-Mestre, eleito pelos seus cavaleiros. Os Irmãos emitiam os três votos religiosos de pobreza, obediência e castidade; em época tardia, porém, tornou-se lícito aos cavaleiros de Espanha e Portugal contrair matrimônio, ao menos uma vez na vida.

 

Passemos agora diretamente a

 

1.2. Os Templários: origem e declínio

 

No início do século XII oito cavaleiros da Champanha e da Borgonha, sob a guia de Hugo de Payens, se estabeleceram na Palestina, recém-ocupada pelos cruzados, a fim de proteger os peregrinos da Terra Santa. Por volta de 1118 o rei Balduíno II de Jerusalém lhes deu sede sobre as ruínas do antigo Templo de Salomão; donde o nome de "Templários" que lhes tocou (é esta nomenclatura que dá ensejo aos maçons modernos de os considerar, juntamente com o rei Salomão e com Hirã rei de Tiro, como precursores seus). Aos poucos, os Templários se tornaram uma Ordem Religiosa militar; além dos três votos regulares, emitiam o de vigiar as estradas e proteger os peregrinos.

 

Os inícios da nova Ordem foram difíceis. Todavia em 1128 o Concílio de Troyes confirmou a existência da mesma, atribuindo-lhe hábito próprio caracterizado por um manto branco para os cavaleiros, preto ou avermelhado para os escudeiros; sobre esse manto o Papa Eugênio III mandaria fixar uma cruz de pano vermelho. O mesmo Concílio pediu a S. Bernardo que redigisse uma Regra para os Templários.

 

As prescrições impostas pela Ordem eram severas. Incutiam especialmente o espírito de disciplina e excluíam todo luxo no equipamento dos cavaleiros. Pobre em suas origens, a Ordem recebeu autorização para possuir terras, das quais tiraria os recursos necessários ao desempenho de sua missão militar.

 

Os Templários tornaram-se beneméritos por suas façanhas na defesa de Gaza (1171), na batalha de Tiberíades (1187), na conquista de Damietta (1219), na expedição ao Egito (1250). Apesar disto, porém, não conseguiram evitar o declínio do Reino de Jerusalém e a volta dos sarracenos à Terra Santa. Em 1291, com a queda de S. João de Acre, extinguiu-se o domínio latino no Oriente. Os Templários então perderam a sua finalidade e passaram a viver na Europa,onde possuíam avultadas riquezas doadas por benfeitores (que assim lhes queriam proporcionar mais livre exercício da profissão das armas). Para justificar a sua existência, os Templários começaram a servir à população européia mediante amplo sistema bancário; por sua habilidade financeira granjearam o crédito e a confiança dos interessados.

 

Tanto prestígio excitou contra os Irmãos a inveja do público. É de crer também que a prosperidade material tenha acarretado arrefecimento do espírito religioso entre eles. O fato é que no fim do século XIII a opinião pública lhes era desfavorável, lançando-lhes as acusações de venalidade e costumes depravados.

 

Ora Filipe o Belo, rei da França (1285-1314), viu nesse estado de coisas ótimo pretexto para agir contra os Templários e apoderar-se dos seus haveres. O instrumento para mover o processo havia de ser, como se compreende, a Inquisição eclesiástica. Esta, pois, foi instigada pelo monarca.

 

O processo, confiado primeiramente ao Inquisidor Geral da França, Guilherme de Paris O.P., em breve foi entregue à chefia do chanceler do rei, Guilherme de Nogaret. Entrementes o Papa Clemente V não dava grande crédito às acusações que Filipe lhe comunicara. Por isto o rei, sem o conhecimento do Pontífice, aos 13 de outubro de 1307 mandou prender todos os Templários da França; Nogaret justificou esta medida, alegando que "os Templários no dia de sua recepção na Ordem renegavam o Cristo, cuspiam no crucifixo, praticavam a sodomia, adoravam um ídolo (Bafomé), etc". O chanceler, aliás, era apoiado por um jurista -Pedro du Bois -, que o ajudava a conceber vasto plano de ação, assim interpretado no século XIX pelo insuspeito Renan:

 

"Fazer do rei da França o Chefe da Cristandade, sob pretexto de promover a Cruzada; colocar-lhe em mãos as posses temporais do Papado, parte das rendas eclesiásticas e principalmente os bens das Ordens consagradas à guerra santa, eis o notório projeto da escolazinha secreta da qual Du Bois era o mentor utopista e Nogaret o pioneiro de ação" (L'histoire littéraire de la France, t. XXXVII, p. 289).

 

Desta maneira o rei da França e os seus colaboradores visavam a voltar a Inquisição contra o próprio Papado...

Clemente V, embora fosse de temperamento fraco, percebia o deplorável alcance das intenções do monarca; sabia que a Santa Igreja seria atingida simultaneamente com os Templários. Por isto, em vez de aceitar o projeto de supressão da Ordem, propôs ao rei a fusão da mesma com os Cavaleiros Hospitalarios.

 

Filipe, tendo rejeitado a contra-proposta, mandou dar andamento à ação contra os acusados. Foi então que os oficiais do rei, aplicando a tortura, obtiveram dos mesmos as mais diversas confissões de crimes. Aconteceu, porém, mais de uma vez que os cavaleiros interrogados em nova instância não apenas diante de oficiais do rei, mas também em presença de Cardeais, retrataram as suas confissões de crimes...

 

Perante a situação assim criada, Clemente V resolveu confiar aos bispos e inquisidores pontifícios a tarefa de examinarem os Templários individualmente; quanto à sorte da Ordem como tal, ele a decidiria num Concílio Geral.

 

Filipe o Belo não perdia oportunidade de fazer pressão sobre o Pontífice. Em 1308 foi a Poitiers com grande comitiva entender-se diretamente com Clemente V; durante a visita, um dos cortesãos, Plaisians, assim interpelou o Papa:

 

"Santo Padre, Santo Padre, procedei depressa (faltes vite). Se não, o rei não se poderia impedir de agir, e, se o pudesse, os seus barões não se poderiam impedir, e, se seus barões o pudessem, os povos deste glorioso reino não se poderiam impedir de vingar eles mesmos a injúria de Cristo... Entrai em ação, portanto, entrai em ação. Caso não o façais, ser-nos-á preciso falar outra linguagem".

 

O rei, porém, não esperou o pronunciamento dos bispos e da Inquisição anunciado por Clemente V, mas, tendo constituído um tribunal provincial em Paris, obteve, sem ouvir os legados pontifícios, que este, aos 11 de maio de 1310, condenasse 54 Templários à morte de fogo.

 

O apregoado Concílio Geral reuniu-se de fato em Viena (França) no ano de 1311: depois de ouvir a comissão de prelados encarregada de julgar o caso, o Papa resolveu finalmente extinguir a Ordem dos Templários

 

"por via de provisão, e não de condenação" (isto é, a fim de prover à paz dos ânimos, não para condenar os cavaleiros). Como quer que fosse, o rei com isto triunfava. Havia, porém, de sofrer suas desilusões...

 

Com efeito, os bens dos Templarios, que muito excitavam a cobiça do público, tiveram destino totalmente imprevisto: Clemente V, resistindo a Filipe o Belo, determinou que tocariam à Ordem do Hospitalarios de São João de Jerusalém, exceto nos reinos de Aragão. Castela, Portugal e Majorca, onde seriam entregues às Ordens nacionais que lutavam contra os sarracenos. Verdade é que os Hospitalarios não receberam de forma líquida os bens dos Templários. Filipe e os monarcas estrangeiros exigiram deles uma compensação monetária.

 

Quanto à sorte dos membros da extinta Ordem, Clemente V entregou o julgamento a Concílios provinciais, reservando a si apenas a sentença sobre o Grão-Mestre Tiago de Molay e os seus dignitários. Para julgá-los, nomeou uma comissão de três Cardeais, que se mostraram indecisos a respeito do alvitre a tomar, pois Tiago de Molay e Godofredo de Charnay, um de seus sucessores, protestavam ser a Ordem pura e santa, isenta das culpas que os adversários lhe queriam imputar. Filipe o Belo, descontente com tal desenrolar dos acontecimentos, resolveu pôr fim às protelações: aos 18 de março de 1314, fez que um Conselho Régio de Justiça, sem ulterior demora, decretasse a morte dos dois mencionados cavaleiros, tidos como reincidentes. Ao pôr do sol, então, uma fogueira foi acesa na ilha de Javiaus (Paris), fogueira que iluminava os muros do palácio do rei; e, com os olhos voltados para a Igreja de Notre-Dame, Molay e Charnay expiraram heroicamente entre as chamas, proclamando a sua inocência...

 

Examinemos agora o que seja

 

2. A Ordem Renovada do Templo (ORT)

 

1. A atual Ordem Renovada do Templo diz-se herdeira das tradições dos Templários medievais. Essas tradições, afirmam, não pereceram quando a Ordem foi extinta em 1311, mas foram preservadas de geração em geração por adeptos secretos ou pelos mestres guardiães da Ordem; o poeta Dante Alighieri, Santa Joana DArc e o abace Cc~e us Agnpoa são mencionados pelos atuais Templários como fautores dessa preservação.

 

Os mestres guardiães da Ordem, em nossos tempos, houveram por bem designar como Grão-Mestre da Ordem Renovada um Templário, cujo nome é guardado em segredo e que aos 23/09/1968, às 12h, na cripta da catedral de Chartres recebeu os poderes e as autorizações necessárias ao ressurgimento da Ordem.

 

A Ordem do Templo, dizem, só se torna notória na história em períodos nos quais a humanidade mais necessitada se ache, ou seja, quando os homens correm graves perigos ou se encontram em fase de transição. Ora, diz-se que atualmente a humanidade passa da era de Peixes para a de Aquário - o que lhe causa problemas de diversos tipos: econômicos, sociais, políticos..., que a põem em perigo mortal. A Ordem Renovada do Templo tem por objetivo facilitar essa transição e preparar as elites para o mundo de amanhã; ela realiza "a gestão alquímica de um cicio novo".

 

2. A Ordem Renovada do Templo diz possuir uma gnose ou um conhecimento de índole secreta, que é revelado paulatinamente aos iniciados. O conhecimento comunica ao homem poder, pois manifesta a este as forças que ele traz em si latentes. Em consequência, duas são as tarefas que a Ordem tenciona realizar:

 

a) levar o maior número possível de indivíduos a certo nível de compreensão do universo (inclusive do seu universo pessoal) e ajudá-los a desenvolver certas potencialidades não utilizadas. Desta maneira poderão controlar-se diante dos acontecimentos da vida;

b) tornar essas pessoas aptas a agir no mundo e a servir à humanidade em suas crises econômicas, sociais, políticas, morais, etc.

 

As tarefas da ORT se situam primeiramente no plano espiritual. Trata-se de transmitir a Tradição e de lutar contra o ocultismo desviado, sexualizado e comercializado de nossa época. Trata-se de reconciliar Ciência e Tradição, Religião e Tradição e de revalorizar a noção do sagrado.

A Ordem tem também a tarefa de redefinir os verdadeiros valores da Educação, da Cultura e da Arte e - mediante Centros de Educação, de Ensino e de Pesquisa - efetuar a transformação da sociedade.

 

Desta maneira assegura-se o futuro da humanidade, tanto no plano moral como no plano biológico. O homem se encontrará então em harmonia com a Natureza, que há de ser salvaguardada.

 

Segundo a Tradição dos Irmãos mais velhos, os Templários da ORT têm importante missão econômica e social (criação de comunidades, atividades hospitalares...).

 

3. Os ensinamentos da Ordem são ministrados gradativamente, compreendendo:

 

a)  o envio mensal de boletins e publicações a cada membro da Ordem;

b)  a transmissão oral de doutrinas iniciáticas, reservadas a quem tenha preenchido satisfatoriamente um período de provação.

 

Os ensinamentos versam sobre:

- os meios que facultam o autodomínio;

- exercícios adequados a tal finalidade: concentração, meditação, contemplação, relax, dinâmica da mente;

- exercícios parapsicológicos: percepção extra-sensorial, clarividência, telestesia, telepatia, psicocinésia, radiestesia...

- estudo comparado das diversas filosofias e religiões da antiguidade: Cabala, Alquimia, Astrologia, Yoga...

- participação efetiva em rituais e cerimônias simbólicas de culto.

 

Os membros da Ordem passam por três graus de iniciação assim dispostos: irmão servidor, escudeiro e cavaleiro. A transição de um grau a outro não é, de modo nenhum, automática, mas é função da evolução espiritual e da dedicação dos membros.

 

"A Cavalaria é a presença terrestre e militar da religião do Espírito. Certamente está fundada nas virtudes cavaleirescas, mas também na prioridade do combate espiritual, na generosidade, na salvaguarda da justiça e da liberdade. Escola de valor, de honra e de liberdade, a Cavalaria sorve as suas forças na Tradição e no misticismo (São Miguel, São João, o Templo, o Graal, o Velo de Ouro). A Cavalaria terrestre autêntica é sempre o reflexo da Cavalaria celeste e o Cavaleiro aspira a realizarem si a encarnação dos princípios do Senhor, isto é, do Cristo" (Los Templarios..., p. 6).

 

4. A ORT admite em seu seio homens e mulheres, sem discriminação de idade, nacionalidade, raça, condição social ou cultural, religião...

 

Não está vinculada a alguma denominação ou comunidade religiosa nem à Igreja Católica.

 

É Ordem Religiosa tão somente no sentido do termo latino religare: ela re-liga o homem à Divindade. Por isto dizem os documentos oficiais da Ordem que qualquer pessoa, de qualquer Credo, se pode filiar à mesma sem ter que abjurar a sua fé. Em particular, no tocante ao Cristianismo diz um prospecto da Ordem:

 

"Hoje, como ontem, o Templário é o pobre soldado de Cristo. Em virtude da sua Divindade, Cristo é o ponto de sublimação de toda a Tradição que vem da Atlântida, do Egito, da Grécia, da Palestina, do druidismo, do Cristianismo. Por sua gnose (= conhecimento) o Cristianismo veio a ser o detentor da Tradição divina; alterou-se posteriormente até a dessacralização, mas conserva uma possibilidade latente de regeneração.

 

A Ordem Renovada do Templo reivindica para si a Tradição mística antiga de São João, cuja existência nos é recordada nesta passagem do Evangelho:

 

'Quando viu Jesus, disse-lhe Pedro: E este, Senhor? Jesus respondeu-lhe: Se quero que ele fique até que eu venha, que importa a ti?' (Jo 21, 21s).

 

"A Ordem Renovada do Templo é a guardiã do Esoterismo Cristão, isto é, do Esoterismo Universal. O seu Cristianismo, portanto, é da mais pura fonte. A este título, ela se levanta contra a atual libertinagem do sagrado e da Tradição" (Los Templários... p. 5).

 

"A Ordem Renovada do Templo afirma científica e filosoficamente a fé universal. O seu Cristianismo, portanto, é da mais pura fonte. A este título, ela se levanta contra a atual libertinagem do sagrado e da Tradição" (Los Templários... p. 5).

 

"A Ordem Renovada do Templo afirma científica e filosoficamente a fé universal (catholicos) através do Cristianismo esotérico (1) restaura a ideia da alma e a ideia de Deus. Somente assim poderá restituir às ciências a sua unidade orgânica, às artes o seu ideal comprometido, à humanidade dividida o seu equilíbrio, à alma humana a sua dimensão perdida, à vida terrestre a sua aspiração e a sua fé divina" (ib. p. 8).

 

"A Ordem Renovada do Templo é... um laço entre os distantes impérios dos Atlântidas e o maravilhoso e inquietante porvir do homem entre as estreias achadas de novo; o amor de Cristo está aí, entre nós. É hora de afirmar que a inteligência é eterna e que a nossa vida é um dos elos sagrados da grande cadeia do conhecimento iniciático que nos leva de eternidade a eternidade até a comunhão total" (ib. p. 9).

 

Os manuscritos entregues confidencialmente aos membros da Ordem não são vendidos; ficam sendo propriedade da Ordem Renovada do Templo, à qual devem ser devolvidos tão logo sejam solicitados. Isto se explica pelo fato de que a Ordem é uma sociedade secreta.

 

(1) Por esoterismo entende-se um sistema cujas principais proposições são reservadas aos membros iniciados ou de dentro (eso, em grego).

 

São estas as informações que os membros da Ordem oferecem ao grande público interessado em conhecer o respectivo ideal. Procuremos avaliar a mensagem proposta.

 

3. Que pensar?

 

Proporemos três pontos de reflexão.

 

1) A ORT já nada tem em comum com a doutrina e a fé dos cavaleiros medievais do Templo. Estes eram professadamente cristãos, dedicados à Igreja e às suas grandes intenções. Jamais teriam dito, como afirma a Ordem atualmente, que não estavam vinculados à Igreja Católica, mas apenas a um Cristianismo dito esotérico, ou seja, secreto, iniciático. O Cristianismo autêntico, fundado por Cristo, nada tem de oculto; não possui doutrinas reservadas a poucos "gnósticos" privilegiados (cf. Mt 10, 26s).

 

2) A ORT, por isto mesmo, não se identifica nem com o próprio Cristianismo. Torna-se impossível ser Templário renovado e membro fiel da Igreja Católica. Esta tem seu centro de unidade e a garantia da veracidade da sua doutrina no ministério apostólico de Pedro e de seus sucessores.

Embora a ORT afirme receber em sua sociedade os fiéis de qualquer crença religiosa, ela induz indiretamente os seus adeptos a deixar a respectiva crença para adotara filosofia religiosa gnóstica dos Templários (em geral, os Gnósticos, dos quais existem algumas correntes ainda hoje, são panteístas, como eram os Gnósticos dos séculos ll/lll, e não monoteístas).

 

3) Em consequência, a ORT vem a ser uma nova forma de Ordem ou Sociedade secreta, ao lado de outras mais antigas, como

-   a Maçonaria, que começa em 1717 na Inglaterra, como sociedade filosófica secreta herdeira dos títulos e dos nomes das corporações de pedreiros medievais;

-   a Rosa-Cruz, que tem início na Alemanha em 1610 com a divulgação do manuscrito "Fama Fraternitatis Rosae Crucis", da autoria do escritor luterano Johannes Valentín Andreae (1568-1654). Este se referia a um sábio lendário chamado Christian Rosenkreutz, que nunca existiu e que teria viajado pelo Oriente e pelo Egito para aprender a mística dos antigos;

-   a Cabala, que, a partir do século III d.C, fundiu autênticos ensinamentos da tradição judaica com doutrinas heterogêneas "reveladas" secretamente por Moisés e outros mestres; tais "revelações" ficavam reservadas a iniciados. No século XII a Cabaia atingiu o auge da sua evolução; além de assumir novas teorias secretas do Oriente, da Grécia e de Alexandria, dedicou-se à prática da magia, da alquimia, da quiromancia, da astrologia, etc.

-    

As seitas secretas exercem grande atrativo sobre o espírito humano, pois parecem elevar os seus adeptos acima do comum dos homens, oferecendo-lhes o conhecimento de verdades importantes de que somente os privilegiados podem usufruir. Todavia verifica-se que nenhuma das correntes esotéricas da história conseguiu até hoje afastar os males que afligem os homens; a fantasia é que constrói as teorias esotéricas, baseando-se não raro em teses científicas, que podem dar um foro de verossimilhança a tais teorias. A influência benéfica que o esoterismo possa exercer sobre os seus adeptos se deve ao poder da sugestão incutida pelos mestres ocultistas e aceita pelos respectivos discípulos. O esoterismo explica-se psicologicamente pelo fato de que o ser humano traz em si numerosas interrogações que a ciência e o raciocínio não conseguem elucidar; consequentemente a imaginação "cria" tais respostas para si, atribuindo-as a comunicações do além.

 

 

Estêvão Bettencourt O.S.B.

 



[1] De acordo com o romance, Jesus terá sido mero homem, casado com Maria Madalena e pai de uma linhagem até hoje existente. A documentação referente a Jesus Cristo estaria, juntamente com os despojos mortais de M. Madalena, escondida no Santo Graal. Ver comentário do romance de Dan Brown em PR 508/2004, pp. 455-461.

[2] À guisa de complemento, pode-se ainda dizer: é grande o número de Ordens do Templo fundadas a partir do século XIV. Atualmente, além da Ordem Renovada do Templo, existe a Soberana Ordem do Templo Solar, fundada no castelo de Arginy (França) em junho de 1952; tem sua sede principal em Villié-Morgon (França) sob o patrocínio de São João Batista; professa concepções não cristãs.


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