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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 505 – julho 2004

Fenômeno singular:

 

"A PAIXÃO DE CRISTO"

por Mel Gibson

 

Em síntese: O filme, que reproduz as doze últimas horas de Jesus mortal, tem sido classificado como antissemita e demasiado violento. Na verdade, porém, o filme apresenta a atitude daqueles judeus que pediram a morte de Cristo a Pilatos (como o descrevem os Evangelhos) - o que não quer dizer que todo o povo judeu até hoje é um povo deicida. Quanto à violência, representa, aos olhos da fé, a brutalidade do pecado, que produz dilaceração e morte espirituais, como também significa a intensidade do amor de Deus pela sua criatura. - O filme tem suscitado gestos de arrependimento e magnanimidade da parte de espectadores.

 

Foi ou tem sido um fenômeno singular o filme "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson, provocando extraordinário sucesso de bilheteria. Aos 25 de fevereiro estreou nos Estados Unidos em 4000 salões, ou seja, duas vezes mais que o previsto. Um cinema do Texas começou a respectiva projeção às 6h 30min e continuou até o fim do dia, distribuindo gratuitamente lenços de papel. Uma igreja batista alugou suas vinte salas por um dia inteiro.

 

Logo nos cinco primeiros dias de exibição foi quebrado o recorde de arrecadação; com efeito, a cifra de 125,2 milhões de dólares arrecadados ultrapassou a de 124,1 milhões de dólares correspondentes a "O Senhor dos Anéis", recordista até então.

 

Mel Gibson, produtor e diretor do filme, com 49 anos de idade, é católico de estilo tradicional, fiel à Igreja. Durante doze anos dedicou-se à preparação do filme mediante leituras e investigações; recorreu às visões de Ana Catarina Emmerich, religiosa agostiniana do século XIX, que relata minuciosamente os sucessivos episódios da Paixão de Cristo nos vários volumes da obra "Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus", donde tirou alguns poucos pormenores compatíveis com a trama do Evangelho. Gastou trinta milhões de dólares para produzir o filme, já recuperados através da bilheteria. Há quem julgue que a arrecadação total no mundo inteiro poderá chegar à casa de um bilhão de dólares, sucesso este até agora exclusivo de "Titanic" e do terceiro capítulo de "O Senhor dos Anéis".

 

O filme tem provocado calorosa polêmica. Consideremos os principais títulos de acusação.

 

1. Duas objeções

 

1.1. Anti-semitismo

 

Pelo fato de apresentar os judeus pedindo a morte de Cristo, o filme é tido como provocador do ódio aos judeus. Ora nesta consideração há exagero preconceituoso. Mel Gibson não inventou, mas apenas reproduziu o que os evangelhos referem. Mais: o fato de uma geração de israelitas ter levado Jesus à morte não implica que todo o povo de Israel seja deicida, como não se pode dizer que todo o povo alemão é réu do Holocausto pelo fato de terem os nazistas perseguido os judeus. O próprio Mel Gibson declarou à Folha de São Paulo:

 

"Folha - Na sua opinião, quem realmente matou Jesus?

Gibson - Todos nós matamos Jesus. Ele morreu pelos pecados de todos os homens de todos os tempos e, se você quiser, eu serei o primeiro da fila a aceitar essa culpabilidade. O Papa condenou o racismo e o antissemitismo de todas as formas. Isso ficou bem claro na encíclica do Papa Pio XI. Ser antissemita, então, é pecar, é ser anticristão. E isso eu não sou.

 

Folha - O senhor recentemente cortou uma passagem de seu filme criticada por ser antissemita, na qual o sumo-sacerdote Caifás invoca um tipo de maldição sobre o povo judeu declarando sobre a Crucificação: "Que seu sangue esteja em nós e em nossas crianças".([1]) O que tem a dizer sobre isso?

Gibson - Meus detratores acham que eu estava tentando dizer que existe uma maldição milenar em cima dos judeus. A Igreja nunca ensinou isto, e eu entendo que exista um medo a respeito, e quero acalmar qualquer temor. Acredito em todas as linhas do Evangelho. As nuances teológicas dele são vastas e você não pode explicar tudo em um segundo e meio, que era o tempo em que essa frase aparecia no filme. Não queria que dissessem que fiz um jogo de culpa". (Folha de São Paulo, 22/02/2004).

 

Portanto é infundada a acusação de antissemitismo levantada contra o filme.

 

1.2. A violência extremada

 

O filme reproduz intensa e longamente a flagelação e a crucifixão de Jesus. Quem não tem fé, não verá sentido em tais cenas; só se deterá nos aspectos cruciais e massacrantes das mesmas. Mas quem tem fé, percebe o significado profundo desses quadros; exprimem duas realidades:

 

a) o que é o pecado: é estraçalhamento, dilaceração e morte espirituais. O horror à crueldade de tais cenas seja transferido para o pecado; desperte a vontade de o evitar, custe o que custar;

b) o que é o amor de Deus às criaturas. A violência do filme significa a intensidade do amor do Criador; Ele amou a ponto de assumir a condição do homem maltratado pelo pecado. Aí está o que o filme, em seu linguajar próprio, quer dizer à fé do cristão. Não há sofrimento humano que não tenha sido santificado pela Paixão de Cristo; Ela foi tão brutal quanto pode ser a vida de um homem sobre a terra.

 

2. Frutos positivos

 

Ao lado de reações negativas e depreciativas, a película de Gibson tem obtido resultados valiosos. Além dos que ficam no íntimo de quem os experimenta, existem outros notórios, como se vê na notícia abaixo recebida na internet:

 

NEONAZISTA CONVERTE-SE APÓS VER "A PAIXÃO DE CRISTO"

 

Oslo (Noruega, 30 mar (SN) - Um neonazista arrependido confessou dois atentados contra a sede de um grupo de esquerda dizendo-se inspirado pelo filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson. O caso se deu na Noruega. Johnny Olsen, de 41 anos, se apresentou à polícia no fim de semana e disse ser o responsável pelas explosões de 1994 e 95 na Blitz House, no centro da capital Oslo, que não deixou feridos. A Corte norueguesa decidiu mantê-lo detido para investigações. Olsen, que na adolescência foi condenado a 12 anos de cadeia por assassinato, disse aos repórteres que quer distância do neonazismo e de seu passado. E repetia: "Jesus vive!". Ele é o segundo criminoso arrependido que se diz inspirado pela versão de Mel Gibson para as últimas horas de Cristo. No Texas (EUA) um jovem de 21 anos admitiu ter matado a namorada, grávida. A morte havia sido tratada como suicídio. (Fonte: Agência Estado).

 

Ver também "O Dia" de 30/03/04, p. 19.

 

Comenta o rabino Daniel Lapin:

 

"A fé de milhões de cristãos se tornará mais intensa na medida em que a Paixão de Cristo os emocionar e os inspirar. A Paixão de Cristo irá estimular uma grande quantidade de não religiosos a abraçar o Cristianismo. O filme será um dia reconhecido como arauto do terceiro ressurgimento da maior religião dos EUA. As organizações judaicas que têm gastado tempo e dinheiro à toa, protestando contra 'A Paixão de Cristo' -aparentemente tentando evitar pogroms [massacres] em Pittsburgh -, não se deveriam orgulhar de suas performances. Elas falharam em tudo que almejaram. Esperavam arruinar Gibson ao invés de aprimorá-lo. Esperavam suprimir A Paixão ao invés de promovê-lo. Enfim, esperavam ajudar aos judeus ao invés de prejudicá-los".

 

Ainda merece especial registro o papel saliente atribuído às mulheres em todo o decurso do filme: assim Maria Santíssima, Maria Madalena, Verônica, Cláudia (esposa de Pilatos), o demônio, cada qual tem seu significado próprio; o conjunto, porém, muito contribui para suavizar o que o filme tem de brutal. Maria SSma bem aparece como a Mãe por excelência.

 

Muito significativo é o depoimento do ator Jim Caviezel, o Cristo do filme: confessou que lhe era muito penoso levantar-se diariamente às três horas da manhã, submeter-se à maquiagem durante três horas, começar a filmar ao amanhecer, repetir certas cenas... De tarde passava duas horas retirando os cosméticos, voltava para casa, onde descansava e dormia um pouco. Esse ritmo, ele o terá aguentado de março a setembro de 2003. A tarefa profissional ou a obrigação de reproduzir a imagem de Cristo levou o ator a um aprofundamento da sua espiritualidade, como ele mesmo relata:

 

"Eu não filmei nenhuma cena sem antes receber a Comunhão. E ofereci todas as horas de filmagem pela conversão de todos aqueles que estavam ao meu lado. Eu era consciente de que tinha que representar Cristo e que tinha que agir como Ele; por isso eu quis receber a Eucaristia todos os dias, para me parecer mais com Ele... Depois de ter atuado como Cristo na Paixão, é impossível para mim fazer alguma coisa que ofenda a Ele ou a sua Mãe Santíssima".

 

A conclusão do ator é também a de muitos que assistiram ao filme. A leitura cinematográfica do Evangelho parece falar ainda mais eloquentemente do que a leitura do livro convencional.

 

Em suma, a película de Mel Gibson é muito válida.

 

3. Complemento

 

À guisa de complemento, não se pode deixar de registrar os casos sinistros de que nos dá notícia a imprensa:

 

Homem morre durante filme

 

"O supervisor de produção, Wladimir Matias de Lira, 40, morreu vítima de um ataque cardíaco fulminante dentro da sala de cinema do Shopping Tambiá, durante a exibição do filme Paixão de Cristo, por volta das 20h30 do último sábado, em João Pessoa. Ele foi retirado do cinema e socorrido para o Hospital Santa Isabel, onde já chegou sem vida.

 

No dia 26 de fevereiro, uma mulher americana, de 57 anos, morreu dentro da sala de cinema no dia da estreia do filme, nos Estados Unidos. No último dia 22, aqui no Brasil, um pastor, de 43 anos de idade também sucumbiu impressionado pelo filme". (Correio da Paraíba, 30/3/04, B..5).

 

Deus os tenha em sua santa paz!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Na verdade, o repórter da Folha confunde entre si dois textos do Evangelho que Gibson omite para não ferir os judeus, a saber:

Jo 11, 47-50: "Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: 'Que faremos? Esse homem realiza muitos sinais. Se o deixarmos assim, todos crerão nele e os romanos virão, destruindo o nosso lugar santo e a nação'. Um deles, porém, Caifás, que era Sumo Sacerdote naquele ano, disse-lhes: 'Vós nada entendeis. Não compreendeis que é de vosso interesse que só um homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?'".

Mt 27,25: "A isso todo o povo respondeu: 'O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos'".


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