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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 529 – julho 2006

Nos tempos modernos:

 

OS ILUMINADOS: QUEM SÃO?

 

Em síntese: A Ordem dos iluminados da Baviera foi uma sociedade secreta fundada por Johannes Adam Weishaupt (1748-1830) no ano de 1778 com o programa radical de destruir toda autoridade, inclusive a Igreja. Propagou-se rapidamente, mas dissolveu-se por desentendimento entre os dirigentes ainda em fins do século XVIII. Quanto aos místicos iluminados da Espanha dos séculos XVI/XVII nem sempre foram ortodoxos.

 

A palavra "iluminados" tanto pode sugerir uma sociedade secreta anticatólica do século XVIII como grupos de místicos espanhóis - os Alumbrados - do século XVI/XVII. A seguir, serão consideradas sucessivamente uma e outra entidade,

 

1. Os Iluminados da Baviera

 

A Ordem dos Iluminados da Baviera foi fundada por Johannes Adam Weishaupt (1748-1830) no ano de 1778.

 

O fundador foi aluno bolsista dos padres jesuítas e tornou-se professor de Direito Natural na Universidade de Ingolstadt (Baviera). Passou a conceber ódio por seus antigos educadores e benfeitores jesuítas, ao mesmo tempo que voltava sua atenção para as Sociedades secretas, que lhe pareciam poderosas e influentes; todavia criticava a Maçonaria por julgá-la ainda insuficientemente atuante na sociedade. Em consequência resolveu fundar a sua Sociedade secreta, destinada a destruir toda autoridade, inclusive a Igreja, mediante o aperfeiçoamento moral e político dos seus membros. Por isto estes tomaram o nome de Perfectibiles (Aperfeiçoáveis) e, posteriormente, o de Ordem dos Iluminados, decididos a esvaziar toda e qualquer autoridade desde a do pai de família até a do Estado e a da Igreja. Os candidatos a essa sociedade eram rigorosamente selecionados - tarefa esta que era facilitada pelo fato de ser Weishaupt professor universitário. Cada membro da Ordem recebia um nome de guerra: Weishaupt, o de Spartanus; o seu principal discípulo, chamado Knigge, ficou sendo Philon. Weishaupt deu à Ordem uma estrutura de três graus, cada qual com seu ritual próprio; os recrutas eram, a princípio, muito convictos do programa que abraçavam. Em 1777 Weishaupt pediu e obteve ser recebido na Maçonaria; tinha a intenção de submetê-la aos seus ditames, tornando-a uma forma de Propedêutico para a Ordem dos Iluminados. No tocante à religião, tencionava cultivar uma religiosidade natural, que suplantaria o Cristianismo.

 

A Ordem propagou-se rapidamente pela Alemanha e a Holanda. Mas em breve se enfraqueceu por desentendimentos entre os seus dirigentes. Autoridades civis e políticas, tomando consciência do programa da Ordem, puseram-se a combatê-la. Em 1785 Weishaupt foi deposto da sua cátedra universitária. Um dos seus discípulos chamado Lanz morreu na estrada fulminado por um raio; em seu bolso foram encontrados documentos que comprometiam a Ordem no plano civil e político. Outros documentos comprometedores foram encontrados pela Polícia em casa do barão de Bassus e de outro discípulo. Weishaupt foi então obrigado a deixar a Baviera e a Ordem entrou em franco declínio, acabando por desaparecer. No século XIX foram feitas tentativas para restaurá-la, mas todas baldadas.

 

A Ordem dos Iluminados foi formalmente dissolvida por decreto do Governador Carlos Teodoro da Baviera datado de 22 de junho de 1784. O Papa Pio VI reprovou a Ordem dos Iluminados em duas cartas dirigidas ao Bispo de Freisingen respectivamente em 18 de junho e 20 de novembro de 1785. Foi preciso, porém, que ocorresse a Revolução Francesa em 1789 para que se extinguisse por completo a Ordem dos Iluminados.

 

2. Alumbrados (Iluminados Espanhóis)

 

Alumbrados é o nome dado ao movimento de falsa mística espanhola nos séculos XVI e XVII. Tais místicos diziam-se especialmente Iluminados pelo Espírito Santo; donde o respectivo nome, que aparece pela primeira vez em 1494 numa carta escrita pelo franciscano Antônio de Pastrono ao Cardeal Ximenes de Cisneros.

 

A doutrina desses místicos ensina que o cristão, peregrino mesmo na terra, pode chegar à visão da essência de Deus, ou seja, pode ser elevado ao grau de perfeição máxima. Este, uma vez conquistado, jamais pode ser perdido. Cabe-lhe então dispensar-se dos meios de santificação em geral (sacramentos, prática da caridade, sacrifícios corporais). A mente do místico mergulha no estado contemplativo, que une o orante a Deus, que o priva da própria liberdade e individualidade. Tal místico é tido como impecável. Paradoxalmente, muitos dos alumbrados, seguros de que não seriam acusados, se entregaram a um comportamento de orgias e graves abusos.

 

Como se compreende, tais concepções foram rigidamente reprovadas pela Inquisição, que, intervindo neste setor, preservou de graves falhas a Mística espanhola, presente em Santa Teresa de Ávila, São João da Cruz, Santo Inácio de Loyola, São Pedro de Alcântara...

 

Os Alumbrados contaram com a adesão não só de camadas da população simples, mas também de adeptos poderosos e de parte do clero.

 

A origem de tais ideias está na doutrina de certos místicos alemães (Mestre Eckard, Mestre Tauler...) como também na Mística muçulmana, que atribui à contemplação um papel quase exclusivo na santificação do indivíduo, papel independente da ascese e do cumprimento dos deveres. Os que julgavam ter atingido o cume da vida espiritual, eram chamados "espirituais perfeitos ou abandonados (dejados)". Eis alguns casos de falsa Mística ocorrentes na Espanha e em Portugal dos séculos XVI/XVII.

 

Em Sevilha a Irmã Catalina de Jesus, carmelita, declarava: "Cheguei a tal grau de perfeição que já não rezo por mim, mas pelos outros". Fazia a distribuição das relíquias de si mesma. Em 1627 o Pe. De Villalpando, que a orientava, teve que proceder à abjuração de 279 proposições heréticas; foi condenado a quatro anos de reclusão com proibição de pregar e ouvir confissões.

 

Em Cordova a Clarissa Ir. Madalena da Cruz confessou em 1546 que os seus pretensos estigmas eram falsos. Durante doze anos ela havia comido às ocultas para dar a entender que eia só vivia do pão eucarístico. Fora eleita três vezes abadessa de sua comunidade e durante 38 anos gozara de fama de santidade.

 

Em Lisboa a dominicana Ir. Maria da Visitação foi durante muitos anos falsamente tida como estigmatizada e enganou o Venerável Luís de Granada.

 

Em Madri a Inquisição condenou as Religiosas da Encarnação de San Plácido assim como o seu confessor.

 

Em certos casos as suspeitas de heresia não foram confirmadas pelo atento exame.

 

Santo Inácio de Loyola foi submetido a um processo em Alcala no ano de 1526 e permaneceu encarcerado durante 42 dias. No ano seguinte foi novamente detido em Salamanca e durante 22 dias teve os pés presos por ferros. Finalmente o livro dos Exercícios Espirituais foi reconhecido como isento de erros, e o Inquisidor Matias de Ocy teve que proclamar a inocência de Inácio. Não obstante, em 1538 o Santo foi tido como suspeito de heresia em Veneza e em Roma.

 

Em 1578 Santa Teresa de Ávila foi acusada de Iluminismo, mas a Inquisição recusou abrir um processo contra ela. Também foram acusados São João da Cruz e São José de Calasans.

 

São Francisco de Borja, terceiro Preposto Geral da Companhia de Jesus, escreveu o tratado das Obras do Cristão, que foi denunciado como livro do Iluminismo e posto no índice de Livros Proibidos na Espanha em 1559 e 1583.

 

João de Ávila, cognominado "o Apóstolo da Andalusia", ficou internado durante vários dias num cárcere de Sevilha.

 

O ambiente do século XVI, tão marcado pela reviravolta protestante, fazia suspeitar de qualquer novidade mais saliente.

 

A Mística do Iluminismo (1) protraiu-se nos séculos XVIl/XVl11 através do chamado "Quietismo", de que trataremos em PR 530.

 

1 A palavra "Iluminismo" (Aufklärung em alemão) também designa a filosofia racionalista do século XVIII. Não é neste sentido que a entendemos aqui, mas no decorrente que se diz especialmente inspiradas e iluminadas pelo Espírito Santo.


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Sto. Inácio de Antioquia (35-110)

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