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Teologia da Prosperidade

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

 

Virá o dia em que os homens estarão tão cansados de ouvir falar do homem, que chorarão de alegria quando se lhes falar de Deus!” Cura d’Ars (frase frequentemente citada por Pe. Emiliano Tardif).

 

Teologia da Prosperidade

 

A Teologia da prosperidade é a inversão do próprio cristianismo. É a atualização da mentalidade pagã que coloca a divindade a serviço dos seus próprios interesses. Mas, qual é o malefício que está por trás da teologia da prosperidade?

 

ORIGEM

 

Antes de definir a Teologia da Prosperidade (TP), vamos ver de onde vem. Ela vem do movimento pentecostal e se trata de uma modificação desse movimento.

 

Para entender o todo dessa teologia, o que estamos vivendo hoje no Brasil, com a questão dessa teologia pregada pela Igreja Universal, pela Igreja Internacional da Graça, do Poder de Deus... todas essas igrejas pregam uma teologia da prosperidade, enraizada no movimento histórico pentecostal.

 

Esse movimento pentecostal teve três grandes ondas:

 

A primeira onda no Brasil está representada pela Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil ... igrejas pentecostais clássicas, de história recente, com raízes maiores no início do movimento pentecostal. Essa onda foi caracterizada pelo seguinte: eles recebiam o chamado batismo pelo Espírito Santo, o chamado dom de línguas, o dom de curas... mas a ênfase estava na centralidade de Deus, 'Jesus vai voltar e nós temos que responder a Ele com santidade enraizada na fé'.

Essas igrejas receberam uma influência direta de um movimento chamado holiness nos EUA, que enfatizava a grandeza de Deus, o retorno de Jesus e a santidade de vida pessoal.

Essa primeira onde pode ser caracterizada como uma busca da santidade e da presença da vida diante de Deus.

 

Mas, como passar do tempo, veio uma segunda onda de pentecostalismo, aqui no Brasil manifestada na igreja Deus é Amor, na igreja do Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo... essas igrejas passaram a colocar a ênfase não mais em Deus, nem no retorno de Jesus, ou na santidade para estarmos preparados para esse retorno, mas nos carismas. Houve aqui uma mudança que é muito importante: antes era o Deus dos carismas, agora são os carismas de Deus, a ênfase agora está nos milagres, nos sinais... é por isso que são igrejas taumatúrgicas, mais voltadas para a realidade das curas, dos prodígios, das poderosas unções, para todo tipo de serviços ou cultos religiosos voltados para os milagres. Um certo “milagrismo”, onda que chegou no Brasil em meados do século 20.

 

Finalmente, agora temos uma terceira onda, em que a ênfase do movimento pentecostal é a teologia da prosperidade.

Essa onda começou basicamente na década de 70 aqui no Brasil e está em plena expansão.

Em que consiste essa terceira onda? Antes era Deus dos carismas, depois eram os carismas de Deus e agora vemos que o homem tomou o centro. Agora o que interessa é Deus a meu serviço.

 

EM QUE CONSISTE A TP?

 

A teologia da prosperidade se baseia na lei da reciprocidade, ou seja, se eu for bom com Deus, Deus é obrigado a ser bom comigo. Um Deus matemático, onde a lei da ação e da reação é inevitável. Se sou fiel, se mostro a minha fé materialmente, dando meu tudo para Deus, irei necessariamente receber prosperidade AQUI nesta vida. Vejam como mudou o foco completamente... enquanto inicialmente havia uma ênfase na santidade, aos poucos o movimento pentecostal foi resvalando para uma centralidade cada vez maior do ser humano, ou seja, antes era Jesus que vai voltar, depois são os milagres de Jesus que importam e agora o que importa sou EU que recebo os milagres. Ou seja, houve uma progressiva concentração antropológica, o homem tomou o centro. O pentecostalismo da teologia da prosperidade é um pentecostalismo antropocêntrico.

 

Na verdade, não é o homem que serve a Deus, mas Deus que serve ao homem. São igrejas que se caracterizam, por exemplo, pelo fato de que não têm fiéis, porém mais clientes do que fiéis.

 

Há pessoas que pulam de igreja em igreja procurando um serviço, a realização de um desejo ... e nessa situação há uma progressiva paganização do cristianismo. A teologia da prosperidade na verdade trai o cristianismo de forma fundamental. Enquanto podemos ainda olhar para a primeira onda do movimento pentecostal e ver que o núcleo cristão ainda está relativamente intacto, na TP temos o desagregamento do que é próprio do cristão. Os evangélicos que seguem a TP não estão somente traindo os princípios evangélicos da teologia evangélica histórica, mas a própria teologia do cristianismo.

 

1- Toda a tradição evangélica segue uma teologia de que o importante é somente a fé e não as obras. Já a TP consegue perverter até isso, transformando com um jogo linguístico as obras em manifestação material da fé. Para a TP o que é importa é só a obra, que você dê algo ou faça algo que Deus então irá lhe pagar. Ora, isso é uma traição e perversão da própria teologia evangélica.

Os evangélicos que antes acreditavam na salvação apenas pela fé, agora começam, por esse jogo linguístico, aceitando que a obra é a materialização da fé, colocando mais esperança na obra que na própria fé.

 

2- Em segundo lugar, é também uma traição do cristianismo, pois a TP não exige conversão! Não se trata de converter-se... é típico dessas igrejas não exigir uma vida moral reta, pois enquanto o pentecostalismo clássico da Assembleia de Deus exige uma certa moralidade, por influência do Holiness, na TP há uma tendência cada vez mais de se acentuar o fato de que as obras morais são desprezíveis e pode-se viver todo tipo de desregramento sexual como, por exemplo, ao vermos membros dessas igrejas aparecerem na TV e dizerem 'eu tenho uma sexshop, sou uma profissional do sexo, e não tem problema nenhum, porque tudo o que faço, essa minha prostituição, já foi lavada no sangue de Jesus', o que importa é que eu faça esta oferenda e receba de Deus a bênção da prosperidade.

Ora, isto é muito parecido com um terreiro de macumba!

 

Qual é o princípio básico do paganismo? O pai de santo não vai lhe perguntar qual a vida moral você leva, não vai lhe pedir mudança de vida... nada disso, ele vai dizer que você precisa fazer uma 'oferenda', um despacho! Assim, na verdade, a TP é a paganização do cristianismo onde você faz um despacho moderno... em vez de fazê-lo nas encruzilhadas, é realizado na conta bancária da igreja. Você vai lá com um cartão e de forma moderna e eficiente, quase indolor, você faz sua oferta, seu depósito, seu sacrifício. Ou seja, você está pagando pelos serviços que Deus irá lhe prestar. Isto, minha gente, é PAGANISMO.

 

O paganismo é a inversão do cristianismo. Enquanto que no cristianismo cremos que estamos a serviço de Deus e eu é que devo servir a Deus, no paganismo é deus que é colocado ao nosso serviço e são usadas fórmulas mágicas para que esse deus seja meu escravo e realize meus caprichos.

 

A teologia básica do cristianismo é: Deus, seja feita a vossa vontade, pois vós sois Deus e eu sou uma pobre criatura.

No paganismo é o contrário, seja feita a minha vontade, eu é quem procuro a divindade que vai me servir.

 

Por isso a TP é certamente muito equivocada e é uma traição perversa do cristianismo. Não se compreende como tantos evangélicos caem nesse tipo de mentalidade... só podemos explicar a TP como verdadeira tentação satânica, em que cristãos vão transformando aos poucos o cristianismo e o nome de Jesus numa fórmula mágica e pagã, quando então o feitiço vira contra o feiticeiro. Enquanto que os evangélicos historicamente sempre acusaram os católicos de serem 'cristãos paganizados', agora finalmente eles conseguiram aquilo que eles mesmos diziam e acusavam, eles paganizaram o cristianismo.

 

Alberto F. Kanatani

Fonte: Blog Jovens Sois Fortes

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Ver também vídeo “Teologia da Prosperidade” do Pe. Paulo Ricardo.


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