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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 468 – maio 2001

 

Viagem fora do corpo:

 

VOLTAR DO AMANHÃ

por George G. Ritchie e Elisabeth Sherrill

 

Em síntese: O livro refere as peripécias de pretensa viagem fora do corpo efetuada por um jovem soldado norte-americano, quando certa vez caiu em estado de coma num Hospital militar. Descreve o céu e o inferno como se fossem novas edições do que há de bom e menos bom na terra. Jesus Cristo, sob a forma de um homem refulgente de luz, terá acompanhado o viajante, mostrando-lhe as localidades do além. - Embora o relato e a experiência narrada tenham por autor alguém de nível superior ou um psiquiatra, trazem todas as características de uma estória fantasiosa, não merecedora de crédito.

 

O Dr. George G. Ritchie é um psiquiatra norte-americano que julga poder descrever sua experiência de "viagem pelo além" num livro que em 1980 estava em sua oitava edição brasileira (1). Na quarta capa da obra encontra-se um resumo do conteúdo respectivo nos seguintes termos:

 

(1)  Voltar do Amanhã. Tradução de Gilberto Campista Guarino. - Ed. Nórdica, São Paulo 1980 (8° edição) 135 x 210 mm, 115 pp.

 

'"Eu vi o céu e o inferno'. Essa frase não foi retirada de nenhuma poesia. São palavras do Dr. George Ritchie, que resumem sua fantástica experiência. Ele morreu e nove minutos depois, inexplicavelmente, estava vivo de novo. Em VOLTAR DO AMANHÃ, o leitor percorrerá, junto com este psiquiatra norte-americano, os caminhos para além da vida. Foram nove minutos, mas com a intensidade de anos".

 

A seguir, serão apresentadas em destaque as principais fases dessa viagem fantástica; ao que se seguirá breve comentário.

 

1. As principais etapas

 

1.1) Saída para fora do corpo

 

O Dr. Ritchie volta aos anos de sua juventude, quando era soldado do exército norte-americano e caiu em coma num Hospital militar. Foi então que fez a experiência sensacional a qual começou do seguinte modo:

 

"Achava-me num quarto minúsculo, o qual eu jamais vira... Onde estaria eu? E como ali chegara?...

 

Levaram-me para a sala de radiografias e... eu devo ter desmaiado ou qualquer coisa...

 

Alguém estava deitado sobre a cama. Cheguei mais para perto. Tratava-se de um jovem de cabelos castanhos e curtos, imóvel. Mas... aquilo era impossível! Eu acabara de saltar daquela cama! Por um momento lutei com o mistério do que se passava" (pp. 33s).

 

Esse jovem imóvel era o próprio George Ritchie, cuja alma ou cujo espírito (o autor não usa algum destes dois vocábulos), egresso do corpo, contemplava sua realidade corporal.

 

O autor continua, dizendo que esse núcleo incorpóreo de sua personalidade saiu assustado pelos corredores do Hospital, interpelou os atendentes que encontrou, mas de nenhum recebeu resposta (vivia ele em outra dimensão), até que finalmente voltou ao seu cubículo de enfermo.

 

1.2) A Vinda do Homem de Luz

 

O jovem então tomou consciência de que estava morto corporal- mente, mas vivo em seu "ser desencarnado" (p. 44). Nesse momento deu-se o seguinte fenômeno:

 

"Começou a operar-se uma mudança na luz do quarto; de repente, percebi que se havia tornado mais brilhante, muito mais brilhante do que fora... O brilho aumentava vindo de parte nenhuma, parecendo resplandecer ao mesmo tempo por toda a parte... Brilhava tanto que chegava às raias do impossível; era algo como se um milhão de maçaricos ardessem a um só tempo" (p. 44).

 

Finalmente a luz se identificou:

 

"Percebi não se tratar de luz, mas de um homem que ingressava no quarto... Coloquei-me de pé e, enquanto o fazia, lá eclodiu a certeza estupenda:

 

'Você está na presença do Filho de Deus'.

 

... Se se tratava do Filho de Deus, então seu nome era Jesus,... mas não meu Jesus dos meus livros da Escola Dominical. Este era gentil, terno, compreensivo e - provavelmente - um tanto ou quanto débil. Aquela Pessoa era o próprio poder, mais velho do que o tempo e, no entanto, mais atual do que ninguém que eu já houvesse encontrado.

 

E, acima de tudo, eu sabia que aquele Homem me amava... Muitíssimo mais do que poder, era amor incondicional o que emanava dessa Presença... Esse amor conhecia cada aspecto negativo do meu ser - as altercações com a minha madrasta, meu temperamento explosivo, os devaneios sexuais, que jamais pude controlar, cada pensamento e cada ação maus e egoístas, desde o dia em que nasci, tudo isso ele conhecia... e aceitava-me tal como eu era, e do mesmo modo me amava" {pp. 44s).

 

1.3) Exame de consciência

 

À luz do Filho de Deus, é dado ao jovem rever toda a sua vida passada:

 

"Centenas, milhares de cenas sucederam-se, todas iluminadas pela luz clarividente, uma existência em que o tempo parecia ter cessado. Em circunstâncias normais uma simples olhadela em tantos eventos tomaria semanas; e eu sequer tinha a sensação dos minutos passando...

 

Foram evocados episódios do meu tempo de curso colegial - datas, exames de química, melhor tempo da escola na corrida de uma milha. Revi o dia em que colei grau, minha admissão à Universidade de Richmond...

 

A pergunta estava implícita em cada cena, parecendo... ter sua origem na luz cheia de vida ao meu lado: 'Que fez você da sua vida?' (p. 47).

 

"Nenhuma condenação vinha da glória resplandecendo à minha volta. Ele não censurava nem reprovava. Simplesmente... me amava. Aquilo tudo era uma prova do seu amor... Ele permanecia, aguardando minha resposta à pergunta ainda em suspenso no ar ofuscante: 'Que tem você para me mostrar daquilo que fez com a sua vida?"'

 

1.4) O Inferno

 

Após o exame de consciência, em que Jesus nada condena, mas faz ver a George o que ele fez de bom e de menos bom, começa uma longa viagem:

 

"Com um estremecimento, notei que nos movíamos. Eu não tinha consciência de haver deixado o hospital; no entanto ele não estava à vista... Parecia que estávamos bem alto sobre a Terra, juntos em direção a um longínquo ponto de luz... Estávamos alto, deslocando-nos com rapidez...

 

O ponto distante ganhou as dimensões de uma grande cidade, na direção da qual estávamos descendo" (pp. 50s).

 

"A luz conduziu-me para dentro de um bar-churrascaria sujo, perto do que parecia ser uma grande base naval. Uma porção de pessoas, marinheiros em sua maioria, fazia uma fila de dar voltas, dentro do estabelecimento, enquanto outras socavam as botas de madeira na parede. Alguns poucos tomavam cerveja, mas a maior parte parecia beber uísque tão rápido quanto rápidos pudessem ser os dois suados garçons.

 

Observei então uma coisa chocante. Uma parte dos homens que estavam de pé dentro do bar pareciam incapazes de levar os drinques até os lábios. Seguidamente, tentavam agarrar as doses ao alcance da mão; estas, porém, passavam através das canecas, do balcão de madeira de lei e, até mesmo, dos braços e corpos dos beberrões à volta deles.

 

Faltava a cada um desses indivíduos a auréola de luz que circundava os outros... Os vivos... não podiam ver os desencarnados em sede desesperadora... nem lhes sentir o empurra-empurra frenético para chegar até aqueles copos...

 

Eu pensei que já tivesse visto bebedeira grossa nas festas de congraçamento em Richmond; todavia o jeito pelo qual civis e militares se comportavam ali batia todo o resto. Vi quando um marujo ainda moço se ergueu, cambaleante, de um tamborete e deu dois ou três passos, estatelando-se no chão. Dois dos seus companheiros abaixaram-se e começaram a arrastá-lo para longe da aglomeração" (pp. 54s).

 

1.5) O Céu

 

Tendo contemplado o inferno assim descrito, George é levado a ver o céu:

 

"Saímos no parque silencioso, onde reinava sadia expectativa. Depois entramos num edifício abarrotado de maquinário tecnológico. Dentro de uma estranha estrutura esférica, um estreito jirau levou-nos até sobre um reservatório de alguma coisa que parecia ser água comum. Entramos e saímos de lugares que se assemelhavam a gigantescos laboratórios, bem assim no que poderia ter sido alguma espécie de observatório espacial. E, à medida que prosseguíamos, meu estado de estupefação crescia.

 

'Senhor', especulei... 'será isso... o céu?' A tranquilidade, a reverberação luminosa, tudo era - seguramente - celestial! Também o eram a ausência de 'self, de ego. 'Quando esses seres estavam na Terra, acaso ultrapassaram desejos egoísticos?'

'Sim, eles os ultrapassaram, e continuaram a ultrapassá-los'. Naquela atmosfera concentrada e ansiosa, a resposta brilhou como a luz do sol" {p. 66).

 

"Foi então que, a infinita distância, longe demais para ser registrada por qualquer tipo de visão de que já ouvira falar... foi então que divisei uma cidade. Cintilante, aparentemente sem fim, brilhante o suficiente para se impor à distância inimaginável que medeava. A claridade parecia originar-se das próprias paredes e ruas desse lugar, e de seres que eu sabia estavam se deslocando por ela. Para ser mais preciso, a cidade e tudo o que a integrava parecia ser estruturado em luz, do mesmo modo que a Figura ao meu lado.

 

Até aquele momento eu não havia lido o Apocalipse. Fiquei de queixo caído diante daquele remoto espetáculo, imaginando quão brilhantes deveriam ser cada prédio e cada habitante para se fazerem vistos a tantos anos-luz de distância. Seriam aqueles seres resplandecentes - pensava eu, maravilhado - os que haviam conservado Jesus como centro de sua vida? Estaria finalmente contemplando os que O teriam procurado em tudo? Os que nisso se haveriam empenhado tanto e com tal proficiência que se haviam assimilado a Ele, penetrando a sua própria forma?" (p. 68).

 

1.6) O retorno à Terra

 

Continua o texto sem interrupção:

 

"Mal propusera a questão, e duas das figuras radiosas como que se destacaram da cidade, vindo ao nosso encontro, arremetendo através daquela infinitude na velocidade da luz.

 

Mas, na mesma proporção em que elas vinham em nossa direção, nós nos afastávamos... até mais rapidamente. Aumentou a distância, a visão esmaeceu. Mesmo que eu exclamasse em protesto de angustiosa frustração, e conquanto o fizesse, sabia que minha visão imperfeita não reunia condições para, senão por um átimo, reter um quê daquele céu verdadeiro, supremo. Ele me havia mostrado tudo que eu mesmo tornara possível... Agora estávamos muito longe, deslocando-nos velozmente.

 

De repente, paredes fecharam-se à nossa volta. E tudo ficou tão estreito, tão à semelhança de uma caixa, que levou alguns segundos até que eu reconhecesse o pequeno quarto de hospital de onde nos afastáramos ao que parecia ser uma vida.

 

Jesus ainda se erguia ao meu lado; caso contrário, a consciência não poderia ter suportado a transição do espaço infinito para as dimensões cubiculares daquele quarto. Nos meus pensamentos, a cidade gloriosa ainda faiscava e incandescia, acenando e atraindo-me. Notei, com total indiferença, que havia um vulto deitado sob o lençol, na cama que quase tomava o quarto minúsculo" (pp. 68s).

Com dificuldade George tentou adaptar-se à sua vida reencarnada no leito do hospital, mas finalmente conseguiu-se situar...

 

Eis, em síntese, o relato da viagem do soldado norte-americano, posteriormente psiquiatra Dr. George Ritchie. A estória pode impressionar. Donde a pergunta:

 

 

2. Que dizer?

 

O Dr. Raymond Moody Jr., na Apresentação do livro (pp. 5s), dá pleno abono ao relato do Dr. Ritchie, agregando-o à coleção de narrativas paralelas que Moody Jr. tem em seu arquivo. Por conseguinte, valem para a obra de Ritchie as observações publicadas em PR 447/1999, pp. 368-375 a propósito do livro "Luz do Além" de Moody Jr.

 

A fim de evidenciar a inconsistência da história relatada pelo Dr. Ritchie, não são necessárias longas ponderações.

 

1) Antes do mais, note-se que nenhum telescópio dos mais possantes jamais descobriu no espaço um panorama urbano semelhante ao que o soldado norte-americano diz ter contemplado. Verdade é que, para evitar qualquer objeção, Ritchie imagina a Cidade Santa posta a distância inimaginável - o que é um postulado gratuito. A Jerusalém celeste de Apocalipse 21s é uma cidade simbólica, cuja configuração dificilmente pode ser reconstituída; não pode ser tomada ao pé da letra como se fosse o céu prometido aos justos e fiéis.

 

2) Todo ser humano traz em seu inconsciente categorias inatas ou arquétipos relativos a valores fundamentais: felicidade, vida, maternidade... Assim Ritchie terá descrito a bem-aventurança celestial segundo os modelos que um homem de civilização ocidental pode conceber: alta tecnologia, imensa biblioteca, música segundo tonalidades inexistentes na Terra (p. 65). Um africano ou um asiático teria projetado o além segundo modelos de sua civilização própria.

 

3) O inferno é concebido como nova edição dos lugares e das maneiras que ocasionam e caracterizam o pecado cometido no aquém. Na verdade, o inferno não é um lugar, mas é um estado de alma marcado pela grande frustração de haver perdido o único Bem que dá sentido à vida humana,... único Bem trocado por bagatelas e bolhas de sabão.

 

4) A figura de Jesus no livro é a de um homem de luz - o que caracteriza muito palidamente a imagem do Senhor Jesus. Ele aí é tão somente amor, que ajuda cada qual a reconhecer com sinceridade os feitos de sua vida na Terra, sem, porém, censurar ou reprovar. Esta concepção pode insinuar um Jesus bonachão segundo imaginam alguns cristãos mal orientados. Jesus é, sim, Amor,... Amor que ama o pecador, mas odeia o pecado.

 

Na verdade, segundo a fé cristã (e George Ritchie é cristão), o além é "aquilo que o olho não viu, o ouvido não ouviu, o coração do homem jamais percebeu" (1Cor 2, 9) - o que exclui a concepção de vida póstuma configurada ao aquém, em nova edição revista, melhorada e aumentada!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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#0•A1557•C1050   2019-06-11 09:52:14 - Convidado/[email protected]
Que um católico relegue a comprovação da ocupação do espaço aos métodos científicos é aparente novidade, e revela ambiguidade na sua profissão de fé. Depois, se a Jerusalem é simbólica meramente, em que baseia o sseu ideal ou realidade? Relega a natureza do subjectivo para a esfera do mito, e esta para a da fantasia. Bonito!
Por fim a concepção que demonstra de um Jesus bonacheirão é no mínimo uma projecção das concepções que abraçava, e não reconhece a grandeza da subjectividade nessa área. O além não é perceptível aos sentidos, daí que grande parte do comentário seja o de um descrente......

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#1•R1050•C1051   2019-06-12 07:38:40 - 1/Manager
Meu caro, a verdade é objetiva, não é sujeita ao subjetivismo individual, relativa ao que cada um acha ou pensa.
Por isso não é o homem que busca e encontra Deus, mas Deus que se revela.
E se revelou através de Jesus Cristo que passou aos apóstolos a missão de revelar Deus e as condições da salvação. A Igreja APOSTÓLICA só faz realizar essa missão a ela confiada. É pegar ou largar.

Dizer que a Igreja relega a ciência é ignorância. Devia estudar a história e a importância do catolicismo na ciência.

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