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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 468 – maio 2001

 

Entrevista esclarece

A ATITUDE DE PIO XII FRENTE AO NAZISMO

 

Em síntese: Nikolaus Kunkel, oficial do exército alemão que serviu em Roma, em 1943, relatou a uma agência de notícias alemã os projetos e as manobras do nacional-socialismo frente ao Vaticano e aos judeus, após a ocupação da Itália pelos alemães em setembro de 1943. Revelou assim, mais uma vez, como era delicada a situação de Pio XII, ameaçado de um golpe mortal por parte dos nacional-socialistas. Daí a ação discreta, mas eficaz, do Papa em prol dos judeus, que foram abrigados, em grande número, dentro dos muros da Cidade do Vaticano.

 

O jornal L’OSSERVATORE ROMANO, edição francesa semanal de 19/12/00, p. 8, publicou uma entrevista concedida pelo oficial alemão Nikolaus Kunkel à Katholische Nachrichtenagentur (KNA) a respeito dos planos do nacional-socialismo relativos ao Vaticano, a Pio XII e aos judeus em 1943, quando as tropas alemãs ocuparam a cidade de Roma e cercaram o Estado do Vaticano. - O texto merece ser conhecido pelo grande público. Eis por que vai, a seguir, traduzido para o português.

 

“A MAIORIA DOS JUDEUS RESIDENTES EM ROMA ENCONTROU REFÚGIO NO VATICANO”

 

Hoje Nikolaus Kunkel tem 80 anos; em 1943 era oficial do Quartel- General do Comando da Praça de Roma. Foi testemunha direta das incursões dirigidas contra os judeus pelos SS (oficiais de Polícia alemães) e do fato de que a maioria deles escapou refugiando-se no Vaticano. Após a guerra, Kunkel ocupou um cargo de responsabilidade num Banco. Entrevistado pela KNA, forneceu importantes informações, como se depreende do que se segue:

 

KNA: Sr. Kunkel, aos 10 de setembro de 1943, após a dissolução do eixo Roma-Berlim por parte do governo Badoglio, o exército alemão ocupou a capital da Itália... Segundo o Embaixador Ernst von Weizsàcker, que representava o governo alemão junto à Santa Sé, Hitler sempre evocou a possibilidade de prender o Papa e deportá-lo para o grande Reich. Mais precisamente terá dito: 'Se o Papa resistir a essa medida, haverá a possibilidade de que seja assassinado quando tentar fugir'. Que recordações tem o sr. a respeito?

 

Kunkel: Durante todo o período que passei em Roma, ou seja, cerca de nove meses, nós todos, os oficiais, estávamos convencidos de que a qualquer momento podíamos receber a ordem 'Ocupai o Vaticano'. Diante dessa eventualidade, e para ganhar tempo, elaboramos um plano interno, o Mob-plan, que naturalmente não consta do jornal de guerra. Estou certo de que também no Vaticano essa eventualidade foi levada a sério. A falta de lógica de Hitler tornava-a algo de realizável.

 

KNA: O fato de que até Pio XII reconhecia esse risco deixa supor que ele preparou uma declaração de 'renúncia ao cargo' válida no caso de ser preso. Sem dúvida, queria ele dizer: 'Poderão prender o Cardeal Pacelli, não porém o Papa'.

 

Kunkel: A sorte é que tal não aconteceu, mas o risco era real.

 

KNA: Havia contatos entre o Comando de armas alemão da Praça de Roma, o General Rainer Stahel, Chefe da Luftwaffe (Força Aérea alemã) e o Vaticano?

 

Kunkel: Sim, e eram frequentes. O contato oficial do Vaticano conosco era feito pelo Padre Pankratius Pfeifer, Superior Geral dos Salvatorianos, que muito dialogou com o General, mas também muito com os SS e a polícia. A assim dita Segurança interna de Roma estava nas mãos da Polícia alemã, que era dirigida por SS e por Kappler.

 

KNA: Quem detinha o poder realmente? Kappler estava sujeito ao Comando de Armas da Praça?

 

Kunkel: Por direito, sim, mas na verdade os SS constituíam um Estado no Estado. Kappler devia prestar contas ao General, mas na realidade os SS levavam a sua vida própria, sem que soubéssemos o que acontecia no seio da sua hierarquia. No tocante à Segurança os SS comandavam em colaboração com a Polícia fascista italiana.

 

KNA: Portanto tratava-se das forças de Polícia que não se passaram para o governo Badoglio.

 

Kunkel: Sim, e elas representavam um fator determinante. Ao passo que Badoglio mudou de opinião a respeito dos aliados (Inglaterra e Estados Unidos), o Marechal Graziani, Ministro da Guerra de Mussolini, se voltava para os alemães.

 

KNA: Um mês e meio após a ocupação de Roma, aos 16 de outubro de 1943, os SS decretaram uma incursão contra os judeus. O General Stahel, Comandante de Armas da Praça, terá sido informado desse projeto? Terá podido impedi-lo?

 

Kunkel: Em meados de outubro, circulavam vozes segundo as quais uma tropa de oficiais SS devia ser enviada à cidade de Roma e hospedar-se num pequeno hotel perto da Praça Barberini. A tarefa dessa tropa devia ser a de deportar os judeus. Desde o fim da década de 30, a Itália tinha uma legislação racista que era aplicada com muita tolerância. Parece que já havia em Roma uma espécie de gueto judeu. Quando tal rumor se manifestou como algo de bem fundamentado, o General Stahel convocou e informou os oficiais das Secções 1a, 1b e 1c, declarando ser ele totalmente contrário a semelhante operação. Algumas semanas após o início de nova colaboração com os italianos sob a direção do General Graziani, uma deportação de judeus italianos teria suscitado indignação e desordem na população. Nós tínhamos a intuição de que não era realmente essa a plena opinião do General - na verdade, ela era muito mais profunda! -, mas essa alegação que enfatizava a ordem pública procedia de um raciocínio correto; o General continuou dizendo que, para impedir tal operação, ele precisaria de ter quem o apoiasse principalmente em Berlim. Na verdade, o Embaixador alemão junto ao Vaticano, Ernst von Weizsãcker, teria podido ajudá-lo. Com efeito, von Weizsàcker era conhecido como candente inimigo do regime nacional-socialista. O General enviou-me à residência do Embaixador levando uma carta lacrada, que consequentemente eu não li. Mas o General me disse que nessa carta ele pedia ao Embaixador fizesse o possível em Berlim a fim de sustar a decisão do governo.

 

Lembro-me de que, quando cheguei à residência de von Weizsãcker, fizeram-me esperar numa antecâmara - o que me aborreceu, porque ninguém me ofereceu um assento. O Embaixador trouxe-me a carta, também por ele lacrada. Pediu-me que a devolvesse ao General e lhe dissesse que naquele momento 'ele não podia ser útil, muito infelizmente'. Lembro-me precisamente dessa frase. Quando lhe restituí a carta, o General exprimiu-se de maneira muito vaga a respeito do Embaixador. A seguir, telefonou para Himmler, mas nada sei de mais exato a tal propósito.

 

KNA: No dia 16 de outubro realizou-se a incursão contra os judeus de Roma. No mesmo dia, o Bispo Alois Hudal, Reitor da Alma, e o Padre Pankratius Pfeifer foram visitar o General e lhe referiram que o Papa certamente se dirigiria à opinião pública mundial se não pusessem fim imediato a tal incursão. No dia seguinte, isto é, aos 17 de outubro, Himmler prescreveu a suspensão das operações.

 

Kunkel: Tínhamos a impressão de que os SS haviam programado uma intervenção que chegara a um ponto morto e que se tornara pública. Hoje sabemos que cerca de mil judeus foram detidos. Segundo nós, a maioria dos judeus de Roma ouvira falar dos planos dos SS, dado o atraso das medidas preparatórias, e assim puderam salvar-se.

 

KNA: Dos 8.000 judeus de Roma, 7.000 puderam encontrar abrigo?

 

Kunkel: Estávamos certos de que grande parte deles podia refugiar-se nas dependências do Vaticano, que são muitas em Roma. Com efeito, as pessoas perseguidas puderam encontrar aí refúgio de maneira relativamente simples.

 

KNA: 7.486 pessoas encontraram refúgio no Vaticano...

 

Kunkel: Não sei exatamente o número.

 

KNA: Como isso ocorreu na prática? De que modo os judeus conseguiram pôr-se a salvo?

 

Kunkel: Provavelmente entrando dentro da Praça de São Pedro. As outras partes do Vaticano, com seus muros elevados, não são acessíveis, ao passo que na Praça de São Pedro havia apenas dois postos de guardas alemães ao longo da fronteira entre a Itália e a Cidade do Vaticano, para impedir que os soldados alemães entrassem uniformizados no território do Vaticano. Os civis podiam atravessar livremente essa linha.

 

KNA: A fronteira entre a Praça de São Pedro e a cidade de Roma era, de algum modo, definida?

 

Kunkel: Não. Como hoje, não havia naquela época senão uma linha traçada em arco entre as colunas. Ao longo dessa linha estavam nossas sentinelas.

 

KNA: É conveniente enfatizar que Himmler foi levado a suspender as operações antissemitas por causa do que haviam dito o Bispo Hudal e o Padre Pfeifer ao General Stahel, a saber: que, se as incursões contra os judeus continuassem, o Papa Pio XII teria levantado vibrantes protestos.

 

Kunkel: Na época interpretamos tal fato a partir do nosso ponto de vista. Tínhamos a impressão de que a operação SS fora adiada até que a maioria dos judeus se tivesse posto ao abrigo. Para nós, isso significava uma vitória: de 8.000 ou talvez 9.000 judeus, somente 1.000 foram detidos pelos SS. Naturalmente hoje esse mil são considerados vítimas. Naquela época vimos 7.000 judeus que não se tornaram vítimas e que puderam salvar suas vidas. Todavia muitos fatos e numerosas pessoas e instituições provavelmente contribuíram para salvá-los.

Alguns dias após a incursão, e apesar de sua saúde frágil, o General Stahel foi transferido para a frente oriental.

 

KNA: E agora a questão decisiva: o sr. julga que um protesto mais vigoroso do Papa Pio XII teria podido salvar mais judeus em Roma, na Itália e nos países europeus ocupados?

 

Kunkel: Naquela época conversei a respeito com o meu Superior, o Major Bóhm, protestante de Hamburgo. Ambos estávamos de acordo em que, dado o caráter imprevisível de Hitler, teria sido nociva qualquer intervenção importante dirigida pelo Papa à opinião pública.

 

KNA: Rolf Hochhuth, em seu livro Der Steilvertreter (1), afirmou que Pio XII devia ter levantado vibrantes protestos. O Papa, por conseguinte, seria culpado dessa grave omissão.

 

Kunkel: É fácil falar depois dos acontecimentos. Nós, que estávamos a serviço do Comandante alemão da Praça de Roma, concordávamos estritamente em julgar que uma vigorosa tomada de posição teria tido consequências negativas.

 

KNA: O comandante Supremo do Sul, o Feld-Marechal Albert Kesselring, com o qual o Papa Pio XII estava em contato, teria o poder de deter as operações anti-semitas?

 

Kunkel: Não. O poder dos SS era tal que a Wehrmacht (as forças armadas), das quais Kesselring fazia parte, não lhes poderia causar obstáculo. Teria sido necessário um 20 de julho, mas um 20 de julho bem sucedido!

 

KNA: Pensa o sr. que não se pode levantar acusação alguma contra Pio XII?

 

Kunkel: Pio XII encontrava-se na mais difícil das situações possíveis.

Lembro-me de uma conversa com o Padre jesuíta Otto Faller a propósito da guerra da Alemanha sobre duas frentes. Ele me disse: 'Imagine que o Papa também combate uma guerra de duas frentes; mais precisamente, ele combate contra o comunismo e, de outro lado, contra o nacional-socialismo'. Eis em que pé se achava a situação naqueles dias. Dadas as circunstâncias, não se pode levantar alguma crítica contra a obra de Pio XII. Se se tivesse pronunciado mais vigorosamente, teria suscitado reações que teriam posto em perigo a segurança.

 

KNA: Teriam podido chegar a prender Pio XII eventualmente?

 

Kunkel: Sim, havia também essa possibilidade.".

 

 

APÊNDICE O MARTÍRIO DO SILÊNCIO

 

Em sua edição portuguesa de 21 de outubro de 2000, o jornal L'OSSERVATORE ROMANO publicou um artigo referente a Pio XII com o título "O Martírio do Silêncio", do qual vai aqui extraída a parte final:

 

"Eis a imagem que se nos apresenta esculpida no testemunho que, em Maio de 1964, o Servo de Deus Padre Pirro Scavizzi ofereceu de Pio XII...

 

(1) O Representante (N.d.R.).

 

Em 1942, depois de regressar a Roma da frente russa pela segunda vez no comboio-hospital em que trabalhara como capelão da Ordem de Malta, o Padre Scavizzi visitou o Papa para lhe expor o resultado da missão de assistência às pessoas perseguidas, realizada secretamente pelo próprio Pontífice, e lhe falar sobre os horrores nazistas na Áustria, Alemanha, Polônia e Ucrânia. Eis a sua declaração textual:

 

“De pé ao meu lado, o Papa escutava-me comovido e trêmulo; levantou as mãos ao céu e retorquiu-me:

 

‘Dize a todos, a quantos puderes, que o Papa agoniza por eles! Dize que muitas vezes tinha pensado em fulminar o nazismo com a excomunhão, em denunciar ao mundo civil a crueldade do extermínio dos Judeus. Sentimos as gravíssimas ameaças de retorsão não contra a Nossa pessoa, mas contra os pobres filhos que se encontram sob o domínio nazista. Por vários trâmites, chegaram-nos recomendações vivíssimas, a fim de que a Santa Sé não assumisse uma atitude drástica. Depois de muitas lágrimas e de tantas orações, julguei que um meu protesto não só não teria beneficiado ninguém, mas haveria de suscitar a ira mais feroz contra os Judeus, multiplicando os atos de crueldade, porque são indefesos. Talvez o meu protesto me granjeasse o louvor do mundo civil, mas aos pobres Judeus causaria uma perseguição ainda mais implacável do que aquela que já padecem!’ ”.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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