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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 519 – setembro 2005

 

Cristão e maçom?

 

O SEGREDO MAÇÔNICO

 

Em síntese: O Prof. Olivier Draps disserta sobre os diversos aspectos do segredo na Maçonaria, mostrando a incompatibilidade de Cristianismo e Maçonaria.

 

A revista Le Christ au Monde, nov.-dez. 2004, publicou o artigo de Olivier Draps intitulado Peut-on être chrétien et maçon? Mostrando os diversos aspectos do segredo maçônico, o autor evidencia a incompatibilidade de Cristianismo e Maçonaria.

 

Visto que tal temática está frequentemente em voga, segue-se a tradução portuguesa do artigo.

 

O SEGREDO MAÇÔNICO

 

O famoso segredo maçônico desperta grandemente a imaginação e faz correr muita tinta.

 

1. Em que consiste?

 

Consiste, antes do mais, no seguinte: um maçom jamais revela a simples profanos a identidade dos seus confrades. Em caso extremo, se o julgar útil e necessário, poderá revelar sua própria pertença à Maçonaria.

 

Também não deve divulgar a quem quer que seja o conteúdo dos trabalhos de que participa na sua oficina, nem deverá divulgar aos confrades de grau inferior os sinais, as senhas e os símbolos próprios de cada grau.

 

Acima de tudo, dizem, existe um segredo de outra índole e totalmente incomunicável que consiste na revelação interior... iluminação que atinge cada um dos iniciados na medida em que progridem na via do conhecimento...

 

Na verdade, o segredo é justificado na Maçonaria dita operativa; ela tem necessidade de proteger a arte e os segredos da fabricação própria de cada corporação. Tal segredo, porém, perde a sua legitimidade no caso da Maçonaria dita especulativa, que não trabalha sobre material de construção, mas sobre ideias em vista da reconstrução do templo de Salomão, ou seja, do templo da humanidade.

 

2. O porquê da rejeição

 

Desde 1738 (data da primeira condenação da Maçonaria pelo Papa Clemente XII), a índole secreta tem sido um dos principais motivos aduzidos pela Igreja para condenara Maçonaria. Jesus proclamou: "Todo aquele que comete o mal, odeia a luz e não vem para a luz, a fim de que as suas obras não sejam demonstradas como culpadas. Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz a fim de que se manifeste que as suas obras são feitas em Deus" (Jo 3, 20s). Escrevia um antigo Grão-mestre da Grande Loja da França: a Maçonaria é, e só pode ser, uma sociedade secreta.

 

Não há dúvida, ela se esforça por aparecer sob aspecto tranquilo e bonachão. Ela se exprime pela rádio, pela televisão, pela imprensa; os Grão-Mestres são conhecidos, os templos têm endereço... Mas...

 

3. Aparência democrática

 

A Maçonaria reveste também a aparência de democracia irrepreensível. Cada Loja elege um Venerável (seu presidente) e quatro oficiais (Primeiro e Segundo Vigia, um Orador e um Secretário) para dirigi-la. O Grão-Mestre (ou Presidente) e seu Conselho Executivo (o Conselho da Ordem do Grande Oriente da França, o Conselho Federal da Grande Loja da França etc) são também eles eleitos por uma assembleia geral que compreende um delegado de cada Oficina.

 

Ora, queiramo-lo ou não. a Maçonaria é na verdade uma sobreposição de sociedades secretas, cuja base ignora o que acontece e o que é resolvido no topo.

 

Os aprendizes (1o grau), os companheiros (2o grau) e os mestres (3o grau) não são admitidos nas oficinas superiores ou nas Lojas dos altos graus chamadas Capítulos ou Areópagos, mas somente nas oficinas inferiores ditas Lojas Azuis.

 

Ao contrário, os membros dos altos graus formam os Capítulos (10° grau) e os Areópagos (30° grau). Juntamente com os Cavaleiros Rosa-Cruz e os Cavaleiros Kadosh participam obrigatoriamente dos trabalhos das Lojas Azuis e se associam assim aos seus confrades dos primeiros graus, cujas atividades eles inspiram, guiam e acompanham.

 

Com outras palavras, a sociedade secreta inferior - inferior por sua categoria e sua qualidade - é orientada, sem o saber, por outra sociedade secreta superior, - que é ela mesma dirigida de igual modo... Ao contrário, a doutrina da Igreja é clara em todos os seus aspectos: ela pode ser patenteada a qualquer pessoa, ao passo que a Maçonaria esconde aos olhos do público as fontes do seu gênio, os seus chefes e os seus planos.

 

Ela esclarece os seus membros gradativamente à medida que ela os conquista e compromete; nada se faz sem imposição de segredo...

 

Uma vez admitido o candidato, a Loja se torna para o aprendiz ou o companheiro um curso noturno. Participa de aulas e conferências sobre temas de religião, moral, filosofia, sociologia, política; são-lhe entregues fichas que contêm ampla documentação, bem elaborada, aparentemente objetiva, mas habilmente tendenciosa e sectária sobre as questões propostas ao estudo; são-lhe indicados temas, que ele terá de desenvolver.

 

Em recompensa do seu zelo, o iniciado é promovido a um grau superior, cumulado de funções honoríficas e pode nutrir a esperança de subir um por um os escalões todos que o separam da revelação suprema do grande segredo.

 

Todavia a maioria dos maçons permanece confinada nos graus inferiores. É indispensável tal ordem de coisas. A força da Maçonaria resulta da existência desse proletariado cegamente dócil e alheio aos verdadeiros desígnios de seus chefes. "Os graus considerados em si mesmos nada são, escreve Benjamin Fabre. São pomposos ora mais, ora menos, de acordo com os lugares e as circunstâncias. São conferidos a intervalos mais ou menos longos a fim de permitir aos superiores realizar inteligente seleção, fazendo de seus discípulos homens novos, libertando-os de preconceitos filosóficos, religiosos e políticos, tornando-os dóceis a todos os impulsos vindos de cima, levando-os pela mão até o santuário onde finalmente se revela a verdadeira finalidade (sem que o iniciado se surpreenda ou sem que a sua consciência, há muito tempo cauterizada, se deixe alarmar)".

 

Como não concluir daí; como faz L’Osservatore Romano 23/02 de 1985, que nessas condições o clima de segredo comporta, para os iniciados, o risco de se tornarem os instrumentos de estratégias que eles ignoram?

 

4. Os Graus Superiores

 

O grau mais interessante e o mais significativo dos altos graus é o de Rosa Cruz, dito o 18° grau, como propõe Jean Marques-Rivière em "La trahison spirituelle de la franc-maçonnerie".

 

"Nesse grau contempla-se uma veemente caricatura do Catolicismo"... O sinal desse grau é o do Bom Pastor. Consiste em ter os braços cruzados sobre o peito; a palavra passe é Emanuel; a resposta é Paz Profunda, a palavra sagrada é I.N.R.I. , a idade é a de 33 anos.

 

As três virtudes estudadas nesse grau são a Fé, a Esperança e a Caridade... A túnica de que é revestido o discípulo é chamada casula... Neste grau, menciono ainda a famosa cerimônia da Ceia que ocorre na  quinta-feira santa parodiando a Igreja; aí, a mesa se chama altar e os copos são ditos cálices.

 

" I.N.R.I. = Jesus Nazareno Rei dos Judeus (lesus Nazarenus Rex ludaeorum) N.d.R.

 

Quanto ao grau de Cavaleiro Kadosh (30° grau), é muito explicitamente um grau de vingança,... vingança pelo morticínio de Hiram, arquiteto do templo de Salomão que, segundo a lenda maçônica, foi assassinado e sepultado por três maus companheiros (mas ressuscitou graças aos Mestres enviados à sua procura pelo rei Salomão); trata-se também da vingança pela condenação de Jacques de Molay; Grão Mestre da Ordem do Templo, que foi condenado a morte em 1314 sob o rei de França Filipe o Belo e o Papa Cemente XV. Aos olhos dos maçons, que se julgam herdeiros do patrimônio espiritual dos Templários, Clemente XV simboliza, o fanatismo e a ambição atribuídos ao Papado.

 

5. Maçonaria é Religião?

 

Por ocasião de um Colóquio entre Cristãos e Maçons em novembro 1992 no Centro Sèvre (Paris) na presença do Grão-Mestre da Grande Loja da França, na época o sr. Bispo Mons. Thomas declarou que um católico pode perfeitamente pertencer a uma Loja Maçônica, sem por isto perder a sua fé, já que a Maçonaria não é uma Religião.

 

Por certo, a Maçonaria recusa abertamente constituir uma Religião nova, rival das outras Religiões, pois ela não propõe alguma teologia nem algum Credo.

 

Afirma o Conselho Geral da Grande Loja da França que a Maçonaria não é uma Religião no sentido de levar aos homens a salvação e a vida eterna a partir de determinada revelação histórica.

 

Mas também é verdade que a Maçonaria visa a reunir o que está disperso e, segundo as Constituições de Anderson datadas de 1723, ela procura estabelecer a Religião a respeito da qual todos os homens estão de acordo; na base dessa Religião a Maçonaria se tomará o verdadeiro centro de união da humanidade inteira.

 

Ela encarna o universalismo de uma Religião (no sentido etnológico de re-ligar) que tende a unir todos os irmãos de boa vontade, como escrevia o Irmão Jean Cornelo, Grão comendador de Honra do Grande Colégio dos Ritos em seu livro "O Universalismo da Maçonaria".

 

Na verdade, esta tem, por assim dizer, a sua razão de ser na suprema ambição de instaurar, acima do Catolicismo e de todas as Religiões particulares, a Religião Universal. Seja citada a Revue Maçonnique de novembro-dezembro 1897:

 

"Se a Maçonaria não é hoje uma religião no sentido óbvio do termo, ela provém de uma antiga religião que tinha seu deus, seu culto, seus dogmas, seus rituais, ela se faz rival não somente do Cristianismo, mas também do judaísmo e talvez do paganismo oficial da Grécia e de Roma".

 

Em 1916 um certo irmão Hiram escrevia na revista L'Acacia do Grande Oriente da França:

 

"Toca (aos maçons) assegurar a direção espiritual da sociedade moderna... Trata-se... não mais de refutar ruidosamente sistemas religiosos a justo título desacreditados... mas de erguer uma Religião viável, adaptada aos progressos das luzes e capaz de satisfazer às inteligências mais emancipadas... Nós solapamos, derrubamos, abatemos, demolimos com furor que por vezes parecia cego, tão somente para reconstruir em melhores condições de gosto e de solidez".

"Um dia virá em que a Maçonaria será fatalmente a direção espiritual de todos. E esse dia será a aurora da paz universal que até então era uma utopia, mas em breve será uma realidade", exclamava em 1924 o Irmã Barcia, antigo Grão-Mestre do Grande Oriente Espanhol.

 

Como Grande Comendador do Supremo Conselho da França, o Irmão Charles Riandey profetizava em 1946 que um dia o mundo futuro criará algo de novo. Com efeito, após assimilar o Cristianismo e outras modalidades atuais de espiritualidade, dará origem talvez (por analogia com o fenômeno físico da coletivização total) a uma espécie de panteísmo no qual se encontrarão fundidos, amalgamados todos os sistemas de pensamento atuais, redinamizados em direção de objetivos ainda inconcebíveis.

 

No início da década de 1960, o barão Yves Marsaudon, membro do Supremo Conselho da França, proclamou:

 

"Católicos, Ortodoxos, Protestantes, Muçulmanos, Hinduístas, Budistas, Livres-Pensadores, Crentes, são para nós prenomes; o nome de família é Maçom".

 

6. Maçonaria versus Igreja Católica

 

Consciente da impossibilidade de destruir a Igreja Católica, seu principal adversário no exercício do poder espiritual... a Maçonaria não perde a esperança de absorver ou diluir o Cristianismo no seio de uma super-religião tolerante e sincretista. Mãe e Mestra da verdade, a Igreja Católica não seria então mais do que uma autoridade moral e espiritual entre outras.

 

Aliás foi a impressão de ser realmente tal que a Igreja Católica deu quando em novembro de 1985 o Conselho Permanente do Episcopado Francês assinou um Apelo comum contra o racismo juntamente com o Conselho Superior Rabínico e o Reitor da Mesquita de Paris... sob a égide da Grande Loja da França.

 

Não é esta também a armadilha na qual a Igreja Católica corre o risco de cair todas as vezes que no Comitê Nacional Consultivo de Ética um representante da Igreja Católica designado pelo Episcopado se associa a personalidades pertencentes às principais famílias filosóficas e espirituais, dando a impressão de aprovar todos os pareceres do mencionado Comitê numa atitude de falso consentimento?

 

Quem não vê que, no caso da Maçonaria - mesmo espiritualista -, é toda tentativa de aproximação ou diálogo com a Igreja não somente uma quimera, mas uma lamentável armadilha?

 

O intercâmbio epistolar, ocorrido em 1905 e 1906, entre os dois Grão-Mestres do Grande Oriente e da Grande Loja da França não deixa dúvida alguma sobre o fato de que, desde o início do século o espiritualismo é a capa debaixo da qual uma parte da Maçonaria se esforça (se não pode seduzir) por adormecer a desconfiança dos católicos...

 

De acordo com essa mentalidade, foi organizado um convênio entre as Lojas espiritualistas a respeito do qual o Irmão Hiram escrevia na revista L'Acacia do Grande Oriente da França.

 

"É a essa nova forma de luta contra a Igreja que nos levará a reação ritualista, simbolista e - por que não o dizer? - religiosa, ... que está começando na Maçonaria francesa".

 

A verdade.é que não existe entendimento possível entre o espírito da Maçonaria, o culto do Homem libertado do dogma e da Moral, única intérprete do bem e do mal, da verdade e do falso, sem intervenção divina... não há o mínimo compromisso possível entre essa deificação do homem sem Deus e a Religião do Deus feito homem.

 

REFLETINDO...

 

Proporemos cinco ponderações.

 

1) Desde as suas origens no século XVIII a Maçonaria foi condenada pela Igreja e isto por duas principais razões: o relativismo doutrinário e a imposição do segredo;

 

2) A relativização da doutrina foi acrescida de um elemento novo no século XIX. Com efeito, a maçonaria bifurcou-se então em M. Regular, que professava ainda a crença no grande Arquiteto do Universo, e M. Irregular, que rejeita esta expressão.

 

3) Por isto a Igreja continua a afirmar a impossibilidade de ser católico e maçom. O católico que se filia à Maçonaria já não é excomungado, como outrora, mas incorre em pecado grave, que o impede de receber a S. Eucaristia.

 

4) É bem provável que nem todas as Lojas sejam Igualmente infensas à Igreja. A pretensão de tornar-se a religião da humanidade e ser a instância orientadora do mundo inteiro talvez não seja compartilhada por todas as Lojas maçônicas.

 

5) O segredo da Maçonaria Especulativa é a continuação do segredo da Maçonaria Operacional: os pedreiros medievais guardavam o sigilo a respeito dos requintes da sua profissão. O mesmo fazem agora os "pedreiros" do pensamento de Olivier Draps que descreve as minúcias da aplicação do segredo, evidenciando o risco que alguém corre ao entrar numa sociedade cujas finalidades não são de início reveladas ao candidato.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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